A breve e interminável história dos carros movidos a água

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Qualquer pessoa razoavelmente bem informada sabe que os carros movidos a água existem há anos. O petróleo, com seus males concomitantes – poluição, guerras do petróleo, derramamentos, etc. – é um mal necessário apenas para os que se enriquecem com sua exploração.

Há um padrão característico e bem típico em toda notícia referente a alguma invenção de carro movido a água. A mídia anuncia e logo em seguida nunca mais se ouve falar no inventor e na sua invenção.

Em alguns casos, os inventores foram intimidados a cessar seu trabalho, morreram em circunstâncias misteriosas ou até mesmo acabaram assassinados.

De acordo com os teóricos da conspiração, “os magnatas e os barões do petróleo e da indústria automobilística, suprimem a tecnologia de energia gratuita porque ela transformaria a sociedade e quebraria a ordem econômica.” É aquilo: “Se você controla a energia, você controla as finanças e as pessoas, e consequentemente o mundo”.

Stanley Meyer, que inventou um dispositivo de combustível de água, resumiu a suposta agenda: “Os globalistas querem crescimento industrial zero, crescimento populacional zero… Há um movimento para forçar os países a assinarem um acordo pelo direito de uso dos recursos naturais, e se todos assinarem, eles tomarão conta desses países sem sequer dispararem um tiro.”

A maioria dos motores de energia alternativa usa a água como fonte para produzir o hidrogênio, que é um combustível muito eficiente. No entanto, a rigor, um carro movido a água usa apenas água como combustível e não deve ser confundido com veículos a hidrogênio que carregam tanques de hidrogênio para queimar com oxigênio como combustível.

Todos os modelos de carros movidos a água apresentados até hoje “funcionavam” com o mesmo princípio: por eletrólise. A água é dividida em hidrogênio e oxigênio e um motor de combustão interna normal é então operado com oxidrogênio. A energia elétrica necessária para criar o oxidrogênio com uma pequena célula de eletrólise é retirada do alternador e/ou da bateria do carro. Tal construção pode funcionar por um período limitado de tempo, ou seja, até que a bateria do carro se descarregue e todo o oxidrogênio se esgote. Como a energia elétrica retirada do alternador teria que ultrapassar a potência do motor, a energia que faltava para mantê-lo funcionando por muito tempo teria que ser suprida por meios baseados em hipóteses esotéricas sem reconhecimento científico. Outros conceitos discutidos pelos defensores de tais conceitos são a “energia espacial” e neutrinos (neutrinólise).

Breve história dos carros movidos a água

Herman Anderson

Herman Anderson (1918-2004) teve uma ilustre carreira como cientista na NASA, testando foguetes movidos a hidrogênio. Ele usou esse conhecimento para criar um veículo movido a água que ele acreditava que transformaria o mundo.

Herman criou um Chevy Cavalier movido a água. Ele teve permissão para dirigi-lo, mas foi proibido de vender ou fabricar o veículo em seu estado natal, o Tennessee. A razão oficial era que seu carro de design original emitia muita radiação, isso mesmo.

Stanley Meyer (1940-1998), o mais notório inventor de carros a água, criou a “célula de combustível de água”, garantindo que qualquer carro equipado com ela poderia funcionar exclusivamente com água. Uma estação de televisão local o filmou dirigindo um buggy movido pelo dispositivo.

Stanley Meyer explicando o funcionamento de seu buggy movido a água.

O British Advanced Energy Institute relatou: “Recentemente, enviamos uma delegação para testemunhar o trabalho de Stan, para realmente avaliá-lo, e esta voltou dizendo que esta é uma das invenções mais importantes do século.“

Em 1998, Stanley foi assassinado. Ele e seu irmão Stephen conheceram dois homens belgas em um restaurante que afirmavam ser investidores em potencial. Depois de beberem um gole de suco de cranberry, Stanley agarrou seu pescoço e correu para fora, sentindo-se muito mal. Stephen relembra: “Corri para fora e perguntei a ele: ‘O que há de errado?’ Ele disse: ‘Eles me envenenaram’. Essa foi a sua declaração de morte.“

No dia seguinte, Stephen rastreou os homens belgas. “Eu disse a eles que Stan havia morrido e eles nunca disseram uma palavra, absolutamente nada, sem condolências, sem perguntas.” Alegadamente, uma semana após sua morte, os federais foram à casa de Stan e confiscaram seu carro e todo o equipamento de pesquisa.

Um australiano, identificado apenas pelo codinome Joe X, projetou uma célula de energia que utiliza água como combustível.

Ao contrário de outros dispositivos que usam água como fonte de hidrogênio, The Joe Cell usa água eletricamente carregada como o “portão” ou meio através do qual extrair um tipo especial de energia da atmosfera. A existência dessa energia livre (chamada de ‘éter’) é negada pela ciência ortodoxa, mas adotada por cientistas alternativos como Nikola Tesla.

Os experimentos de Joe com vários protótipos de sua célula de energia foram registrados em vídeos amadores gravados na Austrália de 1993-1997.

Joe X foi vítima de ameaças e perseguições que conseguiram impedi-lo de falar. No entanto, outros pesquisadores pegaram seus vídeos e manuais e tentaram construir o dispositivo.

Um homem chamado Bill Williams estudou os tutoriais e afirmou que era capaz de alimentar seu caminhão usando a célula de combustível. Ele compartilhou suas descobertas com um grupo de outros entusiastas online. Em 2006, ele explicou em detalhes como foi intimidado a interromper sua pesquisa: “Eu estava parado na frente da minha camionete, e um Ford Explorer 2005 ou 2006 parou e estacionou diagonalmente na frente da minha camionete. O motorista saiu da plataforma e se aproximou de mim. Quase ao mesmo tempo, o passageiro abriu a porta. O motorista afirmou que queria que eu parasse de trabalhar com todas as formas de energia alternativa. Ele também afirmou que sabiam tudo sobre mim, minha família e todos os meus projetos do passado e do presente, onde meus filhos trabalhavam, os horários em que trabalhavam, também o horário de trabalho da minha esposa, a escola dos meus netos, etc. Eles sabiam de tudo. O motorista disse que se eu não parasse de trabalhar nisso (ele abriu o lado esquerdo do paletó e mostrou a arma que estava no coldre) haveria outras consequências. Ele também afirmou que queria que eu postasse que não estava mais trabalhando nesta área e que destruísse todo o meu trabalho, ou seja, células, desenhos, diários de laboratório, tudo!”

Depois de alguns dias de reflexão, Bill decidiu cumprir as exigências: “Achei que era forte, mas fracassei. Eu realmente sinto muito. Não estarei mais trabalhando em nenhuma forma de campo de energia alternativa. Destruí meu dispositivo esta noite junto com meus dados escritos e notas de laboratório.”

O carro japonês movido a água

Antes que tomem como fakenews, esclareço que toda a grande imprensa, entre eles o jornal O Estado de S. Paulo, que reproduziu uma reportagem da BBC Brasil, noticiou naquele 13 de junho de 2008 que a  empresa japonesa Genepax apresentou o primeiro veículo movido à água do mundo. Obviamente não foi o primeiro do gênero, mas foi o primeiro com viabilidade para ser imediatamente fabricado e comercializado.

De acordo com o fabricante, o veículo chamado de H2O Power decompunha a água (doce ou salgada, e até mesmo chá e refrigerante) em hidrogênio e oxigênio, ou seja, o carro funcionaria apenas com água e ar. O hidrogênio alimentaria pilhas de combustível e eliminaria o oxigênio para a atmosfera.

A tecnologia chamada de WES (Water Energy System), seria bem mais barata do que a utilizada nos modelos de pilha de hidrogênio. Consequentemente, com a combustão do hidrogênio, o carro obteria uma nova composição da molécula de água, criando um ciclo contínuo de abastecimento.

A empresa não revelou a parte principal da invenção, que foi patenteada, mas disse que usava um gerador de energia, chamado de “conjunto de eletrodos de membrana”, para extrair o hidrogênio. Um mecanismo semelhante ao método pelo qual o hidrogênio é produzido por uma reação de hidreto de metal e água. O hidrogênio seria então usado para gerar energia para rodar o carro, que poderia alcançar até 80 km/h e seria extremamente eficiente, capaz de rodar a 50km/h por uma hora com um litro de água.

Isso levou à especulação de que o hidreto metálico é consumido no processo e é a principal fonte de energia do carro. Portanto, o veículo na verdade seria alimentado a hidreto, e não a água, conforme reivindicado.

Alguns acham que o fracasso do veículo foi uma conspiração das poderosas indústrias de petróleo e automotiva. O lobby das empresas de petróleo investe pesado em propaganda negativa contra a autonomia dos elétricos e de outros veículos que usam fontes alternativas gratuitas como ar, água e óleo de cozinha usada.

Coincidência ou não, no início de 2009, a Genepax anunciou que estava na falência, citando os altos custos de desenvolvimento de grande porte. Por fim, a Genepax parou de vender os carros por falta de recursos e até o seu site, que explicava como converter seu carro para funcionar com água e oferecia planos para um kit de conversão, oferecido sem a garantia de que o governo local permitiria a tecnologia, saiu do ar.

Em 2 de janeiro de 2017, a empresa chinesa Eight Pines Securities LLC anunciou que faria parceria com a Genepax e prometia “novos veículos de energia limpa que se tornarão o mainstream no futuro”.

Vídeos no YouTube mostram até mesmo uma caixa cinza no porta-malas do veículo Genepax que fornece toda a energia para fazê-lo rodar. Tudo o que você precisa fazer é adicionar ocasionalmente uma garrafa de água, chá ou qualquer outro fluido aquoso e, em seguida, dirigir por toda parte sem nunca precisar de gasolina.

Como escreveu a revista Popular Mechanics, “Sim, você pode operar seu carro com água. Para construir um ‘híbrido de queima de água’, basta instalar uma célula de eletrólise simples, geralmente feita em casa, sob o capô do seu veículo. O segredo é levar eletricidade do sistema elétrico do carro para eletrolisar a água em uma mistura gasosa de hidrogênio e oxigênio, frequentemente conhecida como Gás de Brown ou HHO ou oxidrogênio. Normalmente, a mistura está em uma proporção de 2:1 átomos de hidrogênio para átomos de oxigênio. Isso é imediatamente canalizado para o coletor de admissão para substituir um pouco da gasolina. Esses ‘kits’ simples irão aumentar sua economia de combustível e diminuir suas contas e dependência de petróleo em qualquer lugar de 15 a 300%. […] Na verdade, é possível fazer um carro parecer que funciona com água sem quebrar a primeira lei da termodinâmica. Normalmente, é feito com hidretos metálicos. Eles reagem com a água para produzir hidrogênio, que é então usado para alimentar o carro. Mas, como esses hidretos se esgotam com o tempo, eles precisam ser substituídos e, portanto , são na verdade o combustível, não a água.”

Carro movido a água salgada é aprovado para circular na Europa em 2014

Depois de ser apresentado pela primeira vez no Salão Internacional do Automóvel de Genebra, em março de 2014, o Quant e-Sportlimousine foi aprovado por autoridades alemãs para trafegar em vias públicas, tanto do país quanto da Europa. O design, você poder ver, dispensa palavras, mas vale a pena mencionar algumas inovações e tecnologias que destoam muito do convencional.

O mais curioso deste automóvel é o combustível utilizado: água salgada. Sim, isso mesmo. Com uma tecnologia que usa princípios estudados pela NASA em 1976 para o programa espacial americano, o sistema da nanoFlowcell funciona como uma célula de combustível, mas usa água salgada ionizada em vez de hidrogênio. Neste caso, o líquido com íons positivos fica separado do líquido com íons negativos. Quando ambos passam por uma membrana, os íons interagem, gerando energia elétrica que é usada para mover o automóvel. O resultado final é água, tal como numa célula de combustível de hidrogênio, permitindo ao automóvel funcionar com emissões zero e reabastecimento rápido.

Em suma e em outras palavras, o sistema que alimenta os quatro motores elétricos do carro (um para cada roda) é baseado em nanocélulas e reações químicas em duas soluções eletrolíticas. O resultado da novidade, além da emissão zero, é mais autonomia que os atuais carros elétricos.

E bastante potência. Segundo a empresa suíça nanoFlowcell, mesmo com água no tanque, o Quant e-Sportlimousine, graças a um motor de 912 cavalos, chega a 100 quilômetros por hora em 2,8 segundos e atinge velocidade máxima de 380 km/h, além de ter um alcance de mais de 600 km.

Feito de estruturas de fibras de carbono, com portas que abrem para cima e acabamento em madeira, cobre e couro, o Quantino atingiu a marca de percorrer mil quilômetros em 8h21m, sem necessitar de ser carregado.

A nanoFlowcell tenciona iniciar a produção em série do Quantino num futuro próximo.

Em 2015, o brasileiro Ricardo Azevedo desenvolveu em São Paulo uma moto que funciona somente com água. Neste vídeo, vemos ele indo a um lago, enchendo sua garrafa de água, filtrando a água e despejando-a diretamente em seu tanque de combustível:

A moto de Ricardo, que usa eletrólise para gerar hidrogênio, continua funcionando e recebendo cobertura jornalística.

O Euro News cobriu isso em 2 de setembro de 2016: “A pesquisa sobre a energia de combustão do hidrogênio aumentou nos últimos anos e vários fabricantes de automóveis estão ansiosos para lançar veículos com base neste princípio.” O artigo termina com a advertência: “No entanto, o mercado potencial ainda é limitado até que uma maneira de conter e usar o gás hidrogênio inflamável esteja totalmente desenvolvida.”

Conclusão

Somos de certa forma cúmplices da supressão dessas tecnologias de energia limpa. A verdade está bem na nossa frente: uma busca rápida no YouTube mostra MUITOS vídeos de carros movidos a água.

Se queremos energia limpa, precisamos apoiar os inventores. Como Stanley Meyer disse certa vez a uma plateia: “Se nos uníssemos, nenhuma instituição política, nenhum grupo multinacional poderia nos derrotar.”

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