A CIA encenou a abdução sexual de Antonio Villas Boas?

O ex-agente da CIA Bosco Nedelcovic revelou que foi um dos membros da equipe da Operação Miragem da CIA que borrifou drogas alucinógenas em Antonio Villas Boas e o induziu a pensar que estivesse sendo abduzido por alienígenas. O OVNI, na verdade, não passava de um helicóptero, os captores deles mesmos que para se protegerem dos efeitos das drogas usavam macacões herméticos, capacetes e sistemas de respiração, e a garota das estrelas de uma prostituta asiática especialmente contratada para levar Villas Boas ao encontro mais íntimo de todos. Como garantiu Nedelcovic, era tudo um ardil, parte do infame projeto de controle mental MKULTRA da CIA para fabricar uma falsa abdução, aliás a primeira, e ainda com conotações sexuais, da Era Moderna dos Discos Voadores. Richard Doty, um ex-oficial de investigações da Força Aérea dos Estados Unidos, confirmou a versão de Nedelcovic a Mark Pilkington e John Lundberg, autores de Mirage Men: A Journey in Disinformation, Paranoia and UFOs. Seria esta a verdade final sobre o Caso Villas Boas ou só mais uma camada de desinformação entre tantas que já foram postas sobre o Fenômeno OVNI para confundir e manipular os ufólogos e o público? O quanto as agências de inteligência das superpotências estariam envolvidas em relação às abduções e ao Fenômeno OVNI em geral? Estariam os militares conduzindo abduções subterrâneas, as chamadas MILABS (Military Abductions)? De acordo com vários relatos, após serem sequestrados por “entidades alienígenas”, os abduzidos são logo em seguida sequestrados novamente, não por alienígenas, mas por militares das profundezas da comunidade de inteligência… Os casos de abdução não passariam assim, na verdade, de experimentos secretos de várias agências de inteligência militar? Você vai saber de tudo isso a partir de agora.

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

“Acredite naqueles que buscam a verdade. Duvide dos que já a encontraram.” (André Gide)

Em 1978, Bosco Nedelcovic (1933-1999), um linguista, intérprete e tradutor do Inter-American Defense College (Colégio Interamericano de Defesa) em Fort McNair, entidade educacional da Junta Interamericana de Defesa, uma organização militar internacional composta por representantes civis e militares de 28 países que presta serviços de assessoramento técnico, consultivo e educativo em assuntos militares e de defesa, inerentes ao hemisfério americano, para a Organização dos Estados Americanos (OEA), revelou ao ufólogo Rich Reynolds que durante os anos 1950 e 1960 a CIA (Central Intelligence Agency, criada em 26 de julho de 1947 por integrantes da sociedade secreta Skull and Bones e sancionada pelo presidente Harry S. Truman mediante a Lei de Segurança Nacional) havia fabricado casos de OVNIs como parte da Operação Miragem. Nedelcovic havia trabalhado para a CIA entre 1956 e 1963 na América Latina sob a proteção da Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), organismo do Banco Mundial que fornece empréstimos sem juros e subsídios aos países mais pobres, criada em 24 de setembro de 1960.

Natural de Belgrado, na Sérvia, quando criança a família de Nedelcovic se mudou para o Paraguai logo após a Segunda Guerra Mundial. Na América do Sul, ele se especializou no estudo de idiomas, dominando o espanhol, o português, o italiano, o inglês, e claro, o servo-croata, sua língua natal. Em 1961, Bosco publicou o livro El Control de la Natalidad (que se encontra na Biblioteca do Congresso da Argentina), onde expressou a necessidade, em primeiro lugar, de controlar o crescimento populacional como condição sine qua non para a sobrevivência da humanidade. Sua ideia de liberdade sexual implicava a possibilidade de um controle sobre a fecundação. Em 1963, ele manteve correspondência com o anarquista e antifascista italiano Ugo Fedeli (1898-1964), um ano antes da morte deste. Em 1964, ele se mudou aos Estados Unidos para trabalhar como tradutor freelancer para uma empresa situada em Washington e logo em seguida passou a ser membro oficial da organização militar Junta Interamericana de Defesa e a trabalhar para o Colégio Interamericano de Defesa, uma organização internacional de estudos militares. Em 1965, escreveu Automation and Work, considerada uma obra de tipo anarquista. Em 1986, ano em que está em Washington e trabalha como tradutor, escreveu Like the Titanic, em que compara um conto de Esopo, o do pardal e da águia, em que o pardal admira a águia por sua capacidade de voar a alturas vertiginosas para admirar a paisagem, enquanto a águia responde que voa tão alto apenas para ver melhor sua presa. Em 1989, publicou um artigo no jornal The New York Times intitulado “Não espere encontrar novos planetas para saquear”, em que expressa seu cinismo em relação à conquista do espaço e seu cepticismo quanto a virmos a encontrar outros planetas habitáveis. Nedelcovic considera os custos e as dificuldades tremendas ​​que os terráqueos enfrentam ao viajar pelo espaço um tributo excessivo para trazer para casa apenas algumas pedras raras; considera legítima a necessidade do conhecimento do cosmos para compreender o nosso planeta, que representa o único habitat da espécie humana, mas defende que seria preferível despender recursos na melhoria da própria vida na Terra. Os únicos documentos disponíveis que comprovam efetivamente a ligação de Bosco com a CIA é uma série de cartas enviadas a ele pela própria CIA, cartas estas que foram desclassificadas e que podem ser vistas nos arquivos abertos da CIA.

Nedelcovic contou a Reynolds que integrava uma equipe de nove homens (que incluía um médico, pessoal da CIA e da Marinha) que sequestrou civis e conduziu experimentos de guerra psicológica e testes com drogas alucinógenas especificamente na região de Minas Gerais no Brasil como parte do programa de controle mental da CIA chamado MKULTRA (MK é uma abreviatura do termo alemão Mind Kontrolle, o que era bem conveniente, já que havia um grande número de médicos nazistas envolvidos), criado no dia 13 de abril de 1953 pelo diretor da CIA Allen Dulles (1893-1969). Com a ajuda de um helicóptero e um derivado químico em forma de gás, os operativos do MKULTRA queriam descobrir como a mente humana poderia ser alterada e manipulada por substâncias alucinógenas. O helicóptero estava equipado com um cubículo de metal com cerca de cinco metros de comprimento e três metros de largura, usado – de alguma forma – nas operações de guerra psicológica. O próprio Nedelcovic nunca foi informado de como o cubículo era usado. E Antonio Villas Boas tornou-se a infeliz cobaia humana desses experimentos militares secretos que prosseguiriam nos anos seguintes com formas avançadas de tecnologia psicotrônica e holográfica, drogas e hipnose.

Antonio Villas Boas em 1957, pouco antes de sofrer o sequestro, aos 23 anos. Foto gentilmente cedida por Odércia Villas Boas, dos arquivos de Cláudio Suenaga.

O OVNI que desceu sobre a fazenda de Villas Boas era, portanto, na verdade, esse helicóptero, cujo piloto borrifou sobre um ele um agente químico que o deixou atordoado e em estado alterado de consciência. Quanto à garota das estrelas, ela não passava de uma prostituta asiática contratada para levar Villas Boas ao encontro mais íntimo de todos. Como garantiu Nedelcovic, era tudo um ardil projetado para fabricar uma abdução, aliás a primeira, e ainda com conotações sexuais, da Era Moderna dos Discos Voadores.

Nedelcovic desembarcou no aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro em 1957. Imediatamente, um superior ordenou que se juntasse à tripulação de um helicóptero. Dentro da aeronave, ele conheceu um indivíduo chamado simplesmente de “Doutor” e um oficial da Marinha dos Estados Unidos. Junto com eles estavam o piloto, o copiloto, o navegador e outros homens da Marinha. Tiveram a base instalada na Serra do Espinhaço, uma cadeia montanhosa a uma altitude de 2.000 metros que se estende pelos estados de Minas Gerais e Bahia e em cujos terrenos, ricos em jazidas de ferro, manganês, bauxita e ouro, a mineração do Período Colonial se deu, principalmente.

Nos primeiros dias realizaram vários voos de reconhecimento sobre o Pico da Bandeira, na Serra do Caparaó, o ponto mais alto de toda a região Sudeste e o terceiro mais alto do país, com 2.891 metros. Em meados de outubro de 1957, início da Primavera, fizeram um desses voos regulares com mais um soldado a bordo da Marinha, partindo da base de Uberaba. Na ocasião, por volta das 22 horas, sobrevoaram uma região do Rio Grande, iluminando o terreno com potentes holofotes, como se estivessem procurando algo, e avistaram um homem que trabalhava com seu trator no campo. Eles decidiram então que ele era o alvo perfeito para seus experimentos. Do helicóptero a cerca de 60 metros de altura, jogaram gás no camponês. Segundo Bosco Nedelcovic, era um derivado químico do “Lorazepam” (C15H10Cl2N2O2), fármaco pertencente ao grupo dos benzodiazepínicos de alta potência que possui as cinco propriedades intrínsecas desse conjunto na geração de estímulos nervosos pelos neurônios: ansiolítico, amnésico, sedativo e hipnótico, anticonvulsivante e relaxante muscular.

Quando pousaram, ele ainda não estava inconsciente, mas atordoado e em estado de confusão por causa do aerossol químico que lhe fora pulverizado do helicóptero acima, no que tentou fugir quando viu várias pessoas descendo do dispositivo. Depois de uma luta com vários soldados, eles o levaram a bordo. Antes de subir, ele atingiu o queixo em um dos degraus da escada do helicóptero. O fazendeiro permaneceu a bordo por 2 horas, enquanto a maioria da tripulação esperava do lado de fora. Por volta das 3 horas da manhã, três homens o levaram de volta ao trator. Ele estava completamente inconsciente. Voltaram para Uberaba e depois para o Rio de Janeiro. O relatório foi entregue em São Paulo. Outras missões do gênero foram desenvolvidas em cidades da Argentina e Venezuela.

Villas Boas, narcotizado sob os efeitos de poderosas drogas alucinógenas e da hipnose, acabou se lembrando de seu encontro de forma distorcida e totalmente fantasiosa, interpretando a descida no meio da noite de um helicóptero e sua tripulação com macacões herméticos, luvas, capacetes e sistemas de respiração como o desembarque de seres extraterrestres que queriam capturá-lo.

O que foi alegado por Nedelcovic, que era um tenaz promotor da construção de uma sociedade utópica que mesclasse elementos do socialismo e do capitalismo de livre mercado e que tinha por missão desestabilizar figuras proeminentes do movimento pelos direitos civis, é bastante controverso, mas está dentro dos parâmetros do que a CIA e a Divisão de Operações Especiais do Exército estavam fazendo nos Estados Unidos e em outros países na época.

Os Experimentos Tuskegee, por exemplo, apenas reiteram este ponto. Em 1932, sob os auspícios do US Public Health Service (PHS), começou em Tuskegee, uma pequena cidade do Alabama com uma população essencialmente rural, analfabeta e negra, uma experiência secreta em que homens negros com sífilis seriam mantidos sem tratamento. Dos quatrocentos homens feitos de cobaias, pelo menos cem morrerem comprovadamente por complicações da doença. Em julho de 1972, a história de Tuskegee apareceu no jornal The New York Times. O secretário da Saúde da Administração Nixon e um senador democrata da Comissão de Saúde confessaram-se “chocados”. Em novembro, o projeto foi declarado “não ético” e encerrado.

O chefe do Projeto MKULTRA e diretor de serviços técnicos da CIA, o psiquiatra militar e químico Sidney Gottlieb (1918-1999), ficou conhecido por autorizar e desenvolver o financiamento de pesquisas psiquiátricas com o objetivo de, segundo suas palavras, “criar técnicas que rompem a psique humana a ponto de fazer com que o indivíduo admita que fez qualquer coisa, seja o que for”.

Após sua passagem pelo Brasil, de volta aos Estados Unidos em 1963, Nedelcovic foi designado para o Departamento de Defesa como tradutor, embora regularmente, conforme relatado a Reynolds, ele participasse de briefings de OVNIs com o pessoal da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Essas reuniões duraram até 1972. Entre 1964 e 1965, ele participou de várias reuniões com militares da RAF (Royal Air Force), oficiais britânicos, militares dos Estados Unidos e agentes da CIA. Em uma das comissões com funcionários britânicos, eles comentaram que em um dos julgamentos clandestinos realizados na Grã-Bretanha, um dos participantes havia morrido devido a “experimentação excessiva”.

Nedelcovic também confidenciou a Rich Reynolds que a CIA não teria se restringido apenas a manipulações no campo das abduções, mas feito experimentos em um amplo espectro no campo da ufologia, valendo-se dos poderosos mitos que estavam fermentando à época: contatados, homens de preto, mutilações de gado, etc. Outros casos famosos, como o do casal Betty e Barney Hill em 1961 e o Incidente de Pascagoula em 1973, embora os detalhes sejam desconhecidos porque ele não participou diretamente das reuniões que trataram desses eventos, também teriam sido criados pela CIA, que desenvolveu algumas técnicas incríveis para criar hologramas e simular pousos de discos voadores. Nedelcovic tinha alguns slides dessas “projeções” exibidas nas reuniões. Essas operações foram desenvolvidas a partir da base de Holloman (Novo México) e Fort Monmouth (Nova Jersey). Embora Nedelcovic não tivesse visto evidências da realidade do Fenômeno OVNI, as autoridades acreditavam que era real.

Infelizmente, Reynolds não conseguiu mais entrar em contato com Nedelcovic, já que aparentemente ele tinha um sério problema judicial. Conforme confirmado por Reynolds, em conversas telefônicas com ele, Nedelcovic nunca lhe disse que pertencia à CIA, apenas à agência de assistência AID. Só mais tarde, em 2005 ou 2006, se soube que ele havia trabalhado para a CIA. A essa altura, Nedelcovic já havia falecido (em 25 de dezembro de 1999, no Northern Virginia Hospice) de câncer de próstata.

A Ciência Proibida dos Mensageiros da Decepção

Instado a mostrar documentos que comprovassem suas afirmações, Nedelcovic disse a Reynolds que os havia enviado ao astrofísico e ufólogo francês Jacques Vallée, que com base neles, certamente, em sua obra Messengers of Deception (1992), adjudicou que “Não é o fenômeno em si, mas as crenças que ele gerou, que estão sendo manipuladas por grupos humanos com seus próprios objetivos.” Em outras palavras, o Fenômeno OVNI é real e inexplicável, embora tenha sido “explorado” e “usado” pelos serviços de inteligência para a consecução de seus intentos. Vallée sugeriu que os casos Travis Walton (Estados Unidos, 1975), Frank Fontaine (França, 1979) e Rendlesham Forest (Inglaterra, 1980), seriam resultantes de operações de controle da mente.

Em agosto de 2019, Vallée publicou o livro Forbidden Science 4, em que admitiu ter tido acesso, em 1992, mesmo ano em que lançou Mensageiros da Decepção, aos documentos da CIA que comprovam que a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos forjou abduções alienígenas no Brasil e na Argentina como parte de um experimento secreto de guerra psicológica (psychological operations ou PSYOP).

Tais documentos, no entanto, se de fato existem, até hoje não foram revelados por Vallée, que ao ser solicitado a fazê-lo pelo ufólogo britânico Jack Brewer, desconversou e saiu pela tangente, sugerindo que este procurasse “pesquisadores sérios na América Latina”. Em seu artigo intitulado “Vallee declines to substantiate claim of CIA simulating UFO abductions” (“Vallee declina de alegações substanciais de simulação de abduções de OVNIs pela CIA”), postado em 19 de dezembro de 2019 em seu blog The UFO Trail, Jack Brewer escreveu: “O dr. Jacques Vallée se recusou a tentar fundamentar totalmente a afirmação contida em seu livro Forbidden Science 4 de que obteve um documento confirmando a simulação de abduções de OVNIs da CIA no Brasil e na Argentina. ‘Senti o dever de chamar a atenção para o problema’, explicou Valleé em um e-mail de 17 de dezembro, optando por não compartilhar o documento ou responder a questões pertinentes em torno de suas circunstâncias.”

Brewer é autor de The Greys Have Been Framed: Exploitation in the UFO Community (Os Grays Foram Enquadrados: Exploração na Comunidade UFO, Createspace Independent Pub, 2015), que detalha a maneira como as organizações militares e de inteligência têm usado e influenciado a ufologia há décadas e como o Fenômeno OVNI pode ser não mais do que um produto ou subproduto de projetos de controle mental, como o infame MKULTRA, sem contar os enganos e sensacionalismos perpetrados por ufólogos charlatães que distorcem a percepção pública do fenômeno.

Homens Miragem

O livro de Brewer foi em grande parte inspirado no de Mark Pilkington (nascido em 1973 no Reino Unido), um escritor, editor, curador e músico com gosto por experimentações eletrônicas e sintetizadores e interesse particular nas “periferias” do conhecimento, da cultura e da crença. Na companhia do artista e documentarista inglês John Lundberg, Pilkington viajou pelos Estados Unidos em busca da verdade sobre os OVNIs. Enquanto entrevistava agentes de inteligência, especialistas em desinformação e ufólogos, a dupla começou a suspeitar que em vez de encobrir histórias de naves espaciais acidentadas, contatos alienígenas e bases subterrâneas secretas, as agências de inteligência estavam é promovendo, há décadas, elaborados programas de guerra psicológica e contra-inteligência.

O resultado foi o livro Mirage Men: A Journey in Disinformation, Paranoia and UFOs (Constable & Robinson, 2010), um passeio vertiginoso pelo mundo do engano e da desinformação dos “homens miragem”, agentes de inteligência, militares e cientistas a compor um grupo de elite altamente especializado em manipular a comunidade ufológica, propensa a acreditar em OVNIs extraterrestres, e por conseguinte a crença do público, de modo a ocultar projetos e testes high-tech de aeronaves secretas. Ao fornecer evidências falsas de extraterrestres a ufólogos crédulos, ou seja, em vez de encobrir a existência deles, os “homens miragem” estariam alimentando a conspiração para persuadir o público a acreditar neles.

Muito dessa atividade clandestina teria sido motivada por razões geopolíticas e pelo medo do avanço do movimento comunista na América Latina durante a Guerra Fria. Richard Doty, um ex-oficial de investigações da AFOSI (United States Air Force Office of Special Investigation, ou Escritório de Investigação Especial da Força Aérea dos Estados Unidos) com quem se encontraram na conferência anual de OVNIs em Laughlin, admitiu que ele e seus companheiros se infiltraram em círculos ufológicos e repassaram a ufólogos crédulos informações que eram um misto de mentiras e meias-verdades, sabendo que suas imaginações férteis fariam o resto. Em troca, eles eram informados do que se passava na comunidade ufológica e mantinham os militares de sobreaviso quando alguém chegava muito perto de sua tecnologia ultrassecreta. E se os soviéticos pensassem que os Estados Unidos realmente estavam de fato se comunicando com alienígenas, tanto melhor.

Em 2013, Mirage Men foi transformado em um documentário com roteiro do próprio Mark Pilkington, dirigido por John Lundberg e co-dirigido por Roland Denning e Kypros Kyprianou. O destaque ficou para Richard Doty, que aparece dando vários depoimentos. Doty confirmou a Pilkington a versão de Bosco Nedelcovic contada no final da década de 1970 a Rich Reynolds de que o famoso caso de Antonio Villas Boas na remota região de São Francisco de Sales em Minas Gerais no Brasil em outubro de 1957 foi engendrada pela CIA que usou um helicóptero disfarçado de disco voador, uma “máquina de lavagem cerebral” e uma prostituta para encenar o falso sequestro e relação sexual.

Se todo o Fenômeno OVNI não passa de uma grande nuvem de desinformação gerada por forças clandestinas infiltradas dentro dos círculos ufológicos, essas forças agem de maneira paradoxal, primeiro gerando a crença de que os discos voadores vêm do espaço sideral, e logo em seguida desacreditando-a, desautorizando e ridicularizando testemunhas, em um jogo perverso de psicologia inversa e estimulação contraditória. Não seria mais lógico – e por conseguinte menos trabalhoso e dispendioso – que se houvesse de fato um interesse do governo em promover a crença nos OVNIs, que seus comitês não emitissem pareceres tão esdrúxulos e desanimadores? Ninguém minimamente familiarizado com a casuística é tão ingênuo a ponto de engolir essa versão apologética da história que poderia muito bem não passar de mais uma camada de desinformação a fim de gerar e espalhar ainda mais confusão.

De uma linha de investigação tão paroquial não se poderia auferir nenhuma conclusão definitiva sobre a natureza desses fenômenos onipresentes, no entanto é isso que Pilkington e Lundberg fazem ao atribuir tudo ao trabalho de engano das agências de inteligência norte-americanas, e todas as suas conclusões são apresentadas por meio desse prisma. Pilkington mostra pouco interesse pelo Fenômeno OVNI em si, tanto que jamais investigou um só caso profundamente e in loco, restringindo sua narrativa aos poucos casos em que a encenação pelas agências de inteligência pode ser enquadrada. Uma vez que uma forma de ver e interpretar o fenômeno é disseminada, uma parcela do público começa a vê-la por toda a parte. Esse é o problema com a habitualidade de um viés, a bitola que condiciona as mentes a ficar presa em uma falácia.

Mark Pilkington

A acusação de Pilkington de que a própria comunidade ufológica trata de espalhar desinformação não o isenta e recai inclusive sobre ele mesmo, que pode ser nada mais do que outro desinformante, tendo já sido apontado como um agente do MI5 (abreviatura de Military Intelligence, section 5), o serviço britânico de informações de segurança interna e contra-espionagem. Estaria Pilkington servindo de instrumento útil, agindo voluntariamente para disseminar ainda mais desinformação e assim acirrando a própria guerra de informações que reivindicou ter desvendado? Não estaria apenas engrossando a cortina de fumaça para encobrir ainda mais os segredos que comprometem os governos? A verdade está lá fora, mas as mentiras certamente também estão.

Pilkington está longe, portanto, de ser uma fonte confiável. A sua credibilidade fica comprometida logo de cara quando assume ser um trapaceiro em série, um enganador, um charlatão, um invasor e causador de danos. Essa admissão nos diz algo sobre o seu caráter e a sua índole e previne o leitor sobre levar a sério qualquer uma de suas assunções.

John Lundberg

Seu partner e cúmplice John Lundberg, fraudador assumido de círculos nas plantações, não fica atrás e igualmente fornece motivos mais do que suficientes para que suspeitemos da autenticidade de quaisquer afirmações contidas no livro. Interessado em como o mito e o artifício podem moldar e alterar a realidade, especialmente em relação aos fenômenos ufológicos e paranormais e lendas urbanas em geral, no início dos anos 1990 ele fundou o Circlemakers, um coletivo de artes dedicado a explorar o fenômeno dos círculos nas plantações e o papel do engano no processo de criação artística. Lundberg e seus colaboradores Rod Dickinson, Gavin Turk, Simon Bill, Wil Russell, Rob Irving, Doug Bower e Dave Chorleyem, criaram anônima e sorrateiramente seus próprios círculos nas plantações, o que foi tema de um documentário da BBC. Em 1995, Lundberg criou o site Circlemakers para documentar as atividades de seu grupo. Em 2017, a marca de streetwear Supreme encomendou à Circlemakers a criação um círculo enorme de sua logomarca em um local secreto na Califórnia. O círculo na colheita pode ser visto no curta-metragem produzido pela Supreme chamado Crop Fields. Lundberg também foi co-autor, com Rob Irving, do livro The Field Guide: The Art, History and Philosophy of Crop Circle Making (Strange Attractor Press, 2006). As atividades dos criadores de círculos também levaram Lundberg e seus colaboradores a serem acusados ​​de serem agentes do MI5.

Richard Doty

O próprio agente Richard Doty aparece como um personagem escorregadio, para dizer o mínimo. “Ele continua sendo um enigma absoluto”, admitiu Pilkington, que encontrou o aposentado Doty trabalhando como guarda de trânsito em uma pequena cidade do Novo México. “Parte do que ele disse era verdade e tenho certeza que muito não era, ou era uma versão da verdade. Não tenho dúvidas de que Rick estava na base de uma hierarquia que se estende até Washington. Não está claro até que ponto ele estava cumprindo ordens e até que ponto resolvia o problema com as próprias mãos.”

O próprio Pilkington não poderia ter caído no ardil das agências de inteligência que o convenceram a acreditar que seriam seus próprios agentes, sozinhos – como se esse colossal trabalho fosse possível por um punhado de homens –, estariam gerando todos as fantasmagorias ufológicas?

Mirage Men está mais para ficção de fantasia, tanto quanto outros livros do gênero, e recorre à mesma fórmula batida usada por J. J. Benítez em sua série Operação Cavalo de Troia (plagiado quase que integralmente do Livro de Urantia, conforme demonstraram os ufólogos espanhóis Antonio Ribera e Jesús Beorlegui em seu livro El Secreto de Urantia: Ni Caballos, ni Troyanos), que também alegou ter tido acesso privilegiado a informações e documentos oficiais ultrassecretos que lhe foram repassados, no seu caso, por um “major” da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Nem sua abordagem céptica pretensamente imparcial – mas que não chega a ser nem razoavelmente –, contribui para trazer alguma verdade que suplante a desinformação, para aumentar a compreensão do assunto.

Hábil variação de histórias sobre o mesmo tema, Mirage Men pouco revela de novo e, no seu conjunto, há mais ruído do que sinal. Serve mais como entretenimento, intriga e fofoca ufológica para acólitos do gênero. Não promove uma visão real sobre o assunto, já que Pilkington não se dedicou a pesquisas sólidas e se limitou a sua própria odisseia psicológica pessoal cheia de oscilações, ao recurso retórico da reductio ad absurdum, de que todos os raciocínios conduzem inevitavelmente ao absurdo. É o velho jogo epistemológico de valer-se de uma crise ontológica para gerar outra. O leitor, no final, continua na dúvida se tomou contato com fatos realmente acontecidos ou meramente saídos da imaginação do escritor.

Villas Boas foi mesmo induzido pela CIA a alucinar sua experiência sexual sob efeito de drogas?

O que é mais provável? Que Villas Boas tenha sido usado como um garanhão para fecundar uma alienígena vindo de algures ou para algum estranho experimento militar psicodélico no auge da pesquisa de controle da mente?

Em meu artigo publicado na revista UFO por ocasião dos 50 anos do caso Villas Boas [“Caso Villas Boas, 50 anos depois”, Campo Grande (MS), Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV)/Mythos Editora, dezembro de 2007, nº 137, ano 24, p.30-37], bem como no meu livro 50 Tons de Greys: Casos de Abduções com Relações Sexuais: Experiências Genéticas, Rituais de Fertilidade ou Cultos Satânicos? (Campo Grande, CBPDV, Biblioteca UFO, 2018), já havia levantado a questão de Antonio Villas Boas (1934-1991) ter sido de fato usado para fins de procriação ou para um obscuro e macabro ritual de fertilidade pagão, um culto satânico ou ainda algum tipo de experiência secreta psicológica ou científico-militar.

Lamentei que a versão de João Martins, Olavo Fontes e Walter Karl Bühler, os pesquisadores iniciais do Caso Villas Boas, tivesse se consagrado em termos absolutos e penetrado fundo no imaginário coletivo, quando estava “eivado de tantos enganos e falsidades, erros e omissões”. Para sair desse círculo vicioso, resolvi retomar do ponto onde os três pararam e explorar rotas que eles deixaram de explorar e experimentar olhar o caso por outras claves mais eficazes e dotadas de maior força explicativa. Em 2002 resolvi voltar a percorrer os velhos caminhos e no início daquele ano logrei localizar o paradeiro da irmã de Antonio, Odércia Villas Boas, com quem conversei primeiro por telefone, e no final daquele ano – acompanhado do jornalista Pablo Villarrubia Mauso –, pessoalmente em sua humilde residência em São Francisco de Sales. Em seguida fui localizando e entrevistando outros parentes e amigos de Antonio, como o seu irmão José Villas Boas (nascido em 1938, filho caçula e quatro anos mais novo) e seu sobrinho José Batista de Queiroz, o João Neto, que nos levou para conhecer a fazenda onde ocorreu o sequestro.

Pablo Villarrubia Mauso e Cláudio Suenaga com Odércia Villas Boas, irmã mais velha de Antonio, no quintal da casa desta em São Francisco de Sales.

Todos eles nos confirmaram ter visto as marcas de pouso deixadas pela nave no solo da fazenda e o fato de Antonio ter sido levado pela NASA (National Aeronautics and Space Administration, criada em 1958, ou seja, alguns meses depois do caso) ou alguma agência de espionagem (CIA?) a uma base secreta nos Estados Unidos repleta de OVNIs acidentados ou construídos pelos cientistas terrenos aproveitando a tecnologia destes. Além disso, acrescentaram que militares norte-americanos em uniformes verde-oliva vinham visitar Antonio na fazenda com certa frequência, presenteando-o com livros em inglês, e uma série de outras informações, como a da irrupção de fenômenos parapsicológicos e a do assoberbamento de fenômenos fantasmagóricos e luminosos na fazenda antes e depois do episódio na madrugada de 16 de outubro de 1957, bem como detalharam com minúcias as sequelas sofridas por Antonio nas semanas seguintes ao rapto – náuseas, vômitos, perda de apetite, dores de cabeça na região das têmporas, ardência nos olhos, insônia e depois sonolência excessiva, nervosismo, depressão, feridas nos antebraços e nas pernas, manchas amareladas no rosto, etc.

Nenhum deles, cabe frisar, reportou ter visto helicópteros sobrevoando a fazenda e em nenhum momento cogitaram da possibilidade de que o OVNI que sequestrou Antonio ter sido um. As marcas de pouso que viram, ademais, não se pareciam em nada com as deixadas por um helicóptero, além do que no local do pouso não mais cresceu vegetação, ficando uma marca escura no solo, algo inusual, convenhamos. Se tratou-se mesmo de um helicóptero, este era um protótipo ultrassecreto, de design avançado, muito à frente da tecnologia empregada na época e que só passaria a ser cogitada quando dos avistamentos dos primeiros helicópteros negros sem identificação (do tipo Sikorsky UH-60 Black Hawk) nos anos 1970 nos locais de mutilação de gado.

A descrição de Antonio, porém, cabe reconhecer, bate quase que exatamente com a de um helicóptero: forma oval, alongada, com pequenas luzes vermelhas dispostas em toda a circunferência, um enorme farol vermelho à frente, que lhe ofuscou a vista, e três hastes metálicas, um no meio e um de cada lado. Em cima, descreveu ele literalmente, “havia algo rotacionando em alta velocidade, que, por sua vez, emitia luz vermelha fluorescente”. E no instante em que a máquina desacelerou para pousar, as rotações da peça giratória diminuíram, algo totalmente condizente com as pás de um helicóptero. Aliás, como fez questão de sublinhar Antonio, “aquela peça giratória jamais parou por um segundo sequer, mantendo-se em rotação permanente, mesmo quando o objeto voador já se encontrava no solo”. O que é um tanto incompatível é o tamanho da nave, muito maior do que um helicóptero, já que Antonio descreve ter estado em vários recintos, alguns bens espaçosos, e até ter sido levado por um dos captores a um tour pela rampa estreita que a circundava antes de ser devolvido ao solo. Dali, Antonio pôde discernir melhor as três hastes de metal, ou melhor, “esporas metálicas”, já mencionadas, na parte frontal, que tinham a mesma forma, uma base larga que diminuía para uma ponta fina e sobressaía horizontalmente, e que brilhavam como metal incandescente, mas não irradiavam calor. Da parte de trás – que apresentava curvatura bem mais pronunciada do que a da frente, o que conferia ao objeto o formato mesmo de um helicóptero –, Antonio viu rotacionando a imensa cúpula em forma de prato e que emitia “um certo som de assobio, lembrando o ruído de um aspirador ligado ou de ar que entrasse por numerosos pequenos orifícios”, condizente, mais uma vez, portanto, com as pás de um helicóptero. E para arrematar e como que não deixar dúvidas de que se tratava mesmo de um helicóptero, Antonio conta que “quando a máquina decolou, as rotações da cúpula aceleraram progressivamente até desaparecer por completo, ao mesmo tempo em que o ruído cresceu para um estrondoso uivar”.

Antonio Villas Boas sendo carregado e empurrado pela tosca e rudimentar escadinha metálica da “nave” na concepção artística dos franceses Jacques Lob & Robert Gigi, in Dossier soucoupes volantes: Semence pour les étoiles, n° 678, 2 de novembro de 1972, p. 104.

Incompatível com uma nave espacial que presumivelmente deveria dispor de um sistema de absorção bem mais sofisticado, é a escada metálica primitiva e rudimentar por onde Antonio foi içado e empurrado a contragosto para cima, conforme ele mesmo contou: “Os meus sequestradores alienígenas tiveram dificuldades em me fazer subir aquela escada, que só dava para duas pessoas, uma ao lado da outra e, além do mais, não era estável, mas, sim, móvel, balançando fortemente, com cada uma das minhas tentativas de livrar-me dos meus captores. De cada lado havia um corrimão, da espessura de um cabo de vassoura, no qual me agarrei, para não ser levado para cima, o que fez com que eles tivessem de parar, a fim de tirar as minhas mãos daquela peça. No entanto, também o corrimão era móvel e, quando depois desci por aquela escada, eu tive a impressão de ser de elos de corrente.” Já em terra, quando foi devolvido, Antonio viu a escada de metal “encolher” e os degraus se arrumarem uns por cima dos outros, “como uma pilha de tábuas”. Convenhamos, um tanto precário para uma nave espacial capaz de cruzar a galáxia, mas congruente para um helicóptero.

Os humanoides, descreveu ele, mediam cerca de 1,57 m de altura, vestiam macacões cinzentos inteiriços, aderentes ao corpo, confeccionados com um tecido grosso, porém macio, com listinhas pretas aqui e ali. O macacão ia até o pescoço, onde se unia ao capacete, de material mais duro, da mesma cor, reforçado na frente e atrás por lâminas de metal fino, uma delas triangular e à altura do nariz. O capacete só deixava entrever os olhos, de cor clara, que ficavam atrás de dois vidros redondos, semelhantes a lentes de óculos. Três tubos redondos e prateados, pouco mais finos que uma mangueira de jardim, embutiam-se na roupa: um no meio das costas e os outros dois, um de cada lado, se fixavam por baixo das axilas. As mangas do macacão iam até os punhos, onde terminavam em luvas grossas que dificultavam o movimento das mãos. Também não havia separação entre as calças e as botas que pareciam ser uma continuação das vestes. As solas eram grossas e arqueadas para cima na parte da frente. Na altura do peito, os seres traziam um “escudo vermelho do tamanho de uma rodela de abacaxi”, que, de quando em quando, emitia flashes luminosos. Do escudo descia uma tira de tecido prateado ou metal laminado que se unia a um cinto largo e justo, sem fivela ou presilhas. Ou seja, afora o detalhe da baixa estatura dos captores, que podem ter parecido menores a Antonio em sua visão distorcida pelo estado alucinatório, todo o resto é condizente com uniformes herméticos para evitar a inalação dos compostos químicos que haviam borrifado.

Croquis originais de Antonio Villas Boas dos seres que o sequestraram publicado no Boletim da SBEDV, Rio de Janeiro, nº 90-93, janeiro a agosto de 1973.
Odércia Villas Boas, a irmã mais velha de Antonio, esclareceu que Antonio esculpiu a imagem dos seres que o sequestraram em um pedaço de madeira cortado da raiz de uma árvore que havia em frente a sua casa, uma raiz macia e leve como cortiça chamada “tamburil”: “Ele esculpiu e cobriu aquilo com papel metálico prateado tirado do maço de cigarros Liberty. Botou a escultura dentro de uma caixinha e mandou para o João Martins no Rio de Janeiro.” Foto da escultura publicada na revista O Cruzeiro Internacional, Buenos Aires, 1965, p.18.
Duda, cujo subtítulo era “lo increíble es la verdad”, era uma revista ilustrada semanal de histórias fantásticas e misteriosas publicada pela editora mexicana Posada a partir de 1971. Em seu nº 71, de 8 de novembro de 1972, Duda trouxe a reconstituição artística, de interpretação bastante livre e distorcida, diga-se de passagem, do caso de Antonio Villas Boas. A adaptação ficou a cargo de Antón Meneses, e os desenhos, de Cosme.

A propósito, será que teríamos encontrado a fonte primordial para os uniformes dos captores? Exatamente 50 anos antes do caso, entre janeiro e outubro de 1907, a revista infantil O Tico-Tico – bastante popular entre as crianças, a ponto de seu Almanaque, publicado ao final de cada ano, servir de requisitado presente de Natal – publicou o romance Viagens Maravilhosas do Dr. Alpha ao Mundo dos Planetas, escrito e ilustrado pelo brasileiro Oswaldo Silva, do qual quase nada se sabe, a não ser que foi fortemente influenciado, como não poderia deixar de ser, por Júlio Verne. A maioria das mais de 30 ilustrações saiu em cores.

Ocorre que a compleição do Dr. Alpha, que aparece envergando uma roupa de borracha e uma espécie de escafandro, auxiliado por um gerador elétrico de oxigênio ligado por tubos nas costas que lhe permite sobreviver à falta de ar atmosférico na Lua, é praticamente idêntica a dos seres que sequestraram Villas Boas e o forçaram a manter relações sexuais a bordo do “helicóptero”. Pura ucronia, espantoso paralelismo ou antecipação? Viagens Maravilhosas do Dr. Alpha é, ao que se sabe, a primeira da ficção científica brasileira a descrever uma viagem espacial. Sua “barquinha”, semelhante a um dirigível, chamava-se Meteoro e viajava a uma légua por minuto, sendo capaz de chegar até Marte movida pelas propriedades elétricas do gás levíssimo.

O aspecto geral da mulher não era muito diferente das de uma terrestre, nem mesmo pelo seu tamanho um tanto pequeno (1,33 m), uma vez que mulheres miúdas e de baixa estatura não constituem propriamente uma anormalidade. As maçãs do rosto muito sobressalentes, os olhos grandes e excessivamente puxados, o queixo pontudo, o cabelo liso, bem como outras de suas características, que a tornavam “feia”, podem ser encontradas em algumas das raças de nosso planeta.

Desenho do site The Encyclopedia of Aliens.

Sobre a sua feiúra – apanágio que teria sido usado por Villas Boas para avaliar esteticamente a mulher, de acordo com seus familiares, ao contrário das versões iniciais que foram divulgadas  –, para que não fiquemos tergiversando em torno de se os conceitos de beleza e fealdade são inteiramente relativos e concernentes aos gostos e conceitos de cada pessoa, tomemos aqui o conceito de feiúra como estando oposto ao de beleza, entendida no sentido clássico, como algo que se define pela simetria e harmonia das linhas e das formas. Sua pele era muito branca e tinha muitas sardas nos braços, o que também não representa nada de extraordinário. Não exalava nenhum cheiro especial nem usava nenhuma espécie de maquiagem. Os lábios eram finos e a boca não passava de uma ranhura. As atitudes da mulher também não apresentavam anomalias, a não ser que não falava em linguagem corrente discernível e parecia desconhecer o beijo. O que mais chamou a atenção de Villas Boas foram os pelos púbicos, de cor vermelha.

A “mulher extraterrestre” equivocadamente retratada como uma beldade pelos ilustradores franceses Jacques Lob & Robert Gigi, in Dossier soucoupes volantes: Semence pour les étoiles, n° 678, 2 de novembro de 1972, p.106.

Cosme, desenhista de Duda, assim como Lob & Gigi, também retratou a mulher alienígena como uma beldade fogosa.

Ao que consta, conforme nos foi contado por seus amigos e parentes, Antonio costumava frequentar casas de prostituição, de modo que a “prostituta alienígena” não lhe constituía propriamente uma novidade.

Tão toscos quanto a escadinha metálica e a hélice giratória da nave, foram os métodos e os instrumentos usados pelos captores para extrair o sangue de Villas Boas. Conforme ele contou, isso foi feito por dois seres que traziam nas mãos “dois tubos de borracha de cor vermelha bastante grossos, cada um medindo mais de um metro”, sendo que “um dos tubos estava ligado por uma de suas pontas a um recipiente de vidro em forma de taça”. Na outra ponta havia uma ventosa, que colocaram sobre a sua pele, debaixo do queixo, onde mais tarde ficaria uma mancha escura. Antes do ufonauta iniciar a operação propriamente dita, Villas Boas observou que ele “comprimiu o tubo de borracha fortemente com a mão, como se dele quisesse expelir todo o ar.” Convenhamos o quanto tudo isso contrasta com uma supertecnologia capaz de cruzar a galáxia, equivalendo ao emprego de suturas numa era de raios laser.

Antonio Villas Boas sendo examinado pelo médico e ufólogo Olavo Fontes.

O laudo do médico Olavo Fontes, assinado em 22 de fevereiro de 1958, registra que foram constatadas alterações patológicas como duas pequenas manchas uma de cada lado do queixo (cicatrizes de alguma lesão superficial com hemorragia subcutânea) e diversas cicatrizes de lesões cutâneas recentes, nas mãos, nos antebraços e nas pernas (parecidas com furúnculos ou feridas cicatrizadas). Villas Boas apresentou ainda dificuldades de concentração e de conciliar o sono, seguidos de cansaço e sono excessivos, náuseas e ânsias de vômitos, falta de apetite, fortes dores de cabeça e por todo o corpo, ardência nos olhos, lesões dermatológicas nos antebraços e nas pernas, eczemas ou irritações cutâneas, manchas amareladas, mais ou menos simetricamente dispostas, à direita e à esquerda do nariz, etc. Fontes concluiu que “o conjunto das sequelas e demais perturbações sofridas por Villas Boas depois do incidente, bem como a natureza e as peculiaridades das feridas que nele surgiram, indicam, com bastante precisão, que esteve exposto por certo tempo a uma radiação moderada, não mortal, mas o suficiente para produzirem esses sintomas.” Teria Fontes se equivocado no diagnóstico, já que os sintomas seriam mais condizentes com a intoxicação por substâncias alucinógenas?

A mitologia e o folclore estão repletos de injunções contra a ingestão de “substâncias” oferecidas por seres sobrenaturais como elfos e fadas. Se há tal conexão, isso sugeriria que a “ingestão de substâncias” desse tipo poderia ser muito antiga, não sendo, portanto, um fenômeno recente, ou seja, inventado por entidades como a CIA, mas somente aproveitado, instigado e continuado por elas.

A origem das religiões, por exemplo, tem relação íntima com o consumo de alucinógenos, em especial o cogumelo Amanita muscaria. Não restam dúvidas de que nossos ancestrais usavam substâncias que alteravam a mente para entrar em contato com espíritos, deuses e demônios.

Robert Gordon Wasson

O vice-presidente da J. P. Morgan e etnomicólogo pioneiro norte-americano Robert Gordon Wasson (1898-1986), bem como outros estudiosos da área, inferiram que a maçã mitológica é uma substituição simbólica para o cogumelo Amanita muscaria, uma óbvia codificação do cogumelo em associação com a Santíssima Trindade e a “Árvore do Conhecimento”. Cabe lembrar que a ideia de que o fruto proibido teria sido uma maçã foi introduzida somente em 1667 pelo inglês John Milton (1608-1674) em seu poema épico Paradise Lost (O Paraíso Perdido). Evidências e analogias históricas surpreendentes comprovam que alucinógenos usados em rituais pagãos provocavam uma experiência curiosamente parecida com as visões espirituais descritas por apóstolos religiosos, e que serviram de base para a criação das religiões monoteístas.

Albert Hofmann

É mais do que sabido que a Comunidade de Inteligência fez experiências com substâncias como o LSD [Lysergic Acid Diethylamide, sintetizado pela primeira vez em 1938 pelo laboratório Sandoz Pharmaceutical, e cujos efeitos foram descobertos “acidentalmente” em 1943 pelo químico suíço Albert Hofmann (1906-2008) enquanto trabalhava na Sandoz], e outros alucinógenos por um tempo, mas achou os resultados altamente insatisfatórios. Isso ocorre porque o LSD e outros alucinógenos quebram o condicionamento ao invés de reforçá-los, tanto que acabaram virando as drogas preferidas dos rebeldes e outsiders anti-establishment (antissistema) dos anos 60. Pela mesma razão, essas substâncias são inúteis como “drogas da verdade”. Eles não conduzem exatamente a um autômato obediente do Plano Conservador Americano.  O LSD e outros alucinógenos levam pelo menos 20 a 30 minutos para fazerem efeito, e mesmo assim o “pico” da experiência é cerca de uma hora a duas horas depois disso. Assim, a experiência descrita ou não é derivada de um alucinógeno, ou o relato é fictício, ou parcialmente fictício.

Já o alucinógeno mais poderoso conhecido pelo homem, a dimetiltriptamina (onde: N,N-dimetil-1H-indolo-3-etanamina) ou DMT, uma substância psicodélica pertencente ao grupo das triptaminas, semelhante à serotonina e/ou à melatonina, encontrada in natura em vários gêneros de plantas (Acacia, Mimosa, Anadenanthera, Chrysanthemum, Psychotria, Desmanthus, Pilocarpus, Virola, Prestonia, Diplopterys, Arundo, Phalaris, dentre outras), e também produzida pelo corpo humano, princípio ativo da mistura do ayahuasca, utilizado nos rituais do Santo Daime e do vinho de Jurema, é capaz de produzir experiências que se assemelham muito, se não são exatamente iguais, às da abdução alienígena. O DMT começa a fazer efeito apenas cerca de 10 segundos depois de ingerido, fumado ou injetado, e seu efeito dura cerca de 15 minutos, com a pessoa voltando ao normal em cerca de uma hora. Teria o DMT sido usado para induzir experiências ufológicas? A droga é tão poderosa e o seu efeito inicial é tão rápido que uma pessoa desavisada seria empurrada por uma experiência que ela não teria ideia de onde viria.

As abduções, portanto, podem estar sendo conduzidas como parte do infame MKULTRA. Assim, muitas pessoas que se dizem abduzidas e abusadas por “alienígenas”, na verdade estariam sendo raptadas pelo governo para experiências MKULTRA. Certamente o cenário de “abduções alienígenas” tem sido muito útil aos militares para confundir o público sobre a questão. Esta turvação tende a impedir qualquer investigação mais aprofundada de uma participação do governo e, inevitavelmente, os absolve de qualquer responsabilidade.

Em 31 de agosto de 1977, o Scranton Times, com sede na Pensilvânia, publicou uma reportagem intitulada “CIA usou prostitutas para administrar drogas”, a qual revelava que na década de 1950 a CIA “abriu casas de prostituição em São Francisco e na cidade de Nova York com o propósito de observar como clientes masculinos desavisados ​​reagiriam a doses de LSD e outras drogas que estavam sendo administrado a eles sem o seu conhecimento.” O Scranton Times informou ainda que “Conforme detalhado em uma audiência de um subcomitê do Senado sobre os experimentos de drogas da CIA na década de 1950, um agente da CIA observava por trás de um espelho bidirecional enquanto prostitutas escorregavam em seus clientes compostos químicos que a agência estava testando. Isso soa muito mais como sexo pervertido do que uma operação de espionagem. No entanto, fomos informados de que isso aconteceu.”

Um memorando do Projeto MKULTRA datado de 9 de junho de 1953.

Atente-se para o fato de que a CIA fez tudo em uma sociedade que persegue, prende e condena severamente pessoas por uso de drogas e prática de prostituição. O que serve para mostrar que há sempre dois conjuntos de regras: aquelas para a elite dominante e aquelas para o resto de nós – bem como para mostrar o quão pouco essas agências governamentais se preocupam com o bem-estar dos cidadãos, sendo essas mesmas agências de inteligência que, em nome do combate a qualquer inimigo, não hesitam em lançar mão de métodos ilegais e clandestinos.

Uma prostituta teria sido também encarregada de adicionar uma pitada de alucinógenos em Villas Boas?

No estado alterado em que se encontrava, seja pelo efeito de drogas ou por forte excitação psicológica e traumatismo emocional, como Villas Boas pôde ter descrito com precisão de detalhes e em cores vívidas tudo o que viu e tão seguramente? O que teria propiciado ao seu subconsciente as condições para que preenchesse as lacunas de sua memória?

A despeito de suas incongruências, o Caso Villas Boas nos permite identificar várias estruturas comuns subjacentes aos casos do gênero, bem como certos conteúdos latentes. A começar pela geografia física e política de São Francisco de Sales, que à época não passava de um distrito e se afigurava como um acanhado lugarejo perdido nos confins dos sertões de Minas Gerais – afora o fato de ter se emancipado e alçado a posição de cidade, a condição de lugarejo pouco se alterou em 50 anos, uma vez que não houve mudanças significativas e se mantiveram inalteradas muitas das características arcaicas originais –, margeado pelo Rio Grande que inundaria parcialmente a fazenda onde se deu o sequestro, passando pela organização social, familiar e econômica de Villas Boas, até seus elementos culturais, nada destoa do que se encontraria nos casos subsequentes, a não ser em termos pontuais e estritamente regionais e particulares, pois no geral os ufonautas parecerem sempre preferir ou escolher para suas experimentações ou manipulações indivíduos que atendam a essas exigências ou estejam inseridos em contextos similares.

Cláudio Suenaga na fazenda onde Antonio Villas Boas foi abduzido, com o Rio Grande ao fundo, em São Francisco de Sales. Foto de Pablo Villarrubia Mauso.

Vide que três dos principais casos de abdução seguidos de relação sexual – o do próprio Villas Boas, o de Onilson Patero e o de Antônio Carlos Ferreira –, ocorreram na mesma região compreendida entre a fronteira sul/sudoeste de Minas Gerais e norte/noroeste do Estado de São Paulo. Essa região cortada pelo Rio Grande, aliás, é uma das mais ricas do Brasil em manifestações ufológicas, constituindo-se numa “zona quente” de aparições. Teriam todos eles sido produzidos por agentes da CIA, em conluio com autoridades brasileiras, que fixaram uma base lá?

Se a versão de Bosco Nedelcovic e Richard Doty é verdadeira, então a questão é bem mais grave e implica na invasão do espaço aéreo brasileiro, na violação dos princípios de sobernaria nacional e na ingerência indevida na vida da população local pelos Estados Unidos, com a injunção de sérios prejuízos à vida e à saúde de Antonio Villas Boas, cuja família podería até mesmo reivindicar judicialmente algum tipo de reparação indenizatória do governo norte-americano. Sem contar a extravagância com o dinheiro dos contribuintes, um lance arriscado a fundo perdido, já que Villas Boas poderia simplesmente não ter contado a ninguém sobre sua experiência e por conseguinte o caso jamais ter repercutido e gerado os efeitos colimados.

Sistema de controle de crenças, teatralidade tétrica, enganos e guerra psicológica: Agências de inteligência estariam por trás das abduções alienígenas e do Fenômeno OVNI em geral?

Se as alegações de Bosco Nedelcovic e Richard Doty forem confirmadas, o Caso Villas Boas não seria o único engendrado pela CIA com a cooperação das autoridades de países alinhados com os Estados Unidos. Destarte, alguns dos incidentes ufológicos mais notórios teriam de ser reclassificados como experiências clandestinas militares e de agências de inteligência. Tal asserção seria simplesmente devastadora para a ufologia.

Desenho do livro Seriam os Deuses Outras Coisas?, de Syll Blair & Clark Still (São Paulo, Edicon, 1986).

Praticamente toda a casuística ficaria comprometida, ainda mais aquela acompanhada de características e padrões intrínsecos a indicar intervenções humanas, demasiado humanas, como helicópteros e drones, exames médicos (que poderiam perfeitamente estarem sendo feitos por equipes médicas terrestres, tanto mais se os “alienígenas” estiverem fazendo uso de “máscaras”, “luvas”, “seringas”, “correias de contenção”, “bisturis”, “macas”, “implantes”, etc.) e efeitos de drogas (como quando testemunham afirmam ter sido borrifadas com gases, injetadas, obrigadas a ingerir cápsulas, pílulas ou substâncias estranhas, etc.).

Por outro lado, se é certo que “controle da mente” usando “tecnologia experimental”, “drogas” e “manipulação psicológica”, foi amparado e protegido pela “chancela oficial” sob a justificativa de combate ao comunismo desde pelo menos 1955 na América do Sul, por outro atribuir a CIA a responsabilidade e consecução de todos os casos da literatura ufológica, incluindo os sequestros mais famosos, seria um tremendo exagero. O fato de haver muitas evidências de atividades terrestres semelhantes às aparições de OVNIs, não exclui a existência de programas militares que têm como objetivo o estudo e identificação de eventos não inteiramente atribuíveis às atividades terrestres.

E por fim, o que soa mais estapafúrdio e desprovido de lógica nisso tudo, é que se as agências de inteligência dos Estados Unidos de fato testaram com sucesso drogas capazes de controlar a mente da população, por que não as usaram, por exemplo, em guerras como a do Vietnã, borrifando-as de helicópteros e outras aeronaves sobre os vietcongues? Não seria a melhor resposta estratégica dos Estados Unidos para a tática de guerrilha adotada pelos vietcongues, em vez de terem recorrido ao uso de napalm (que incendiava grandes trechos de floresta), de agente laranja (herbicida usado para desfolhar trechos da floresta) e de outras armas químicas para impedir que os vietcongues usassem a floresta densa como esconderijo? Das duas uma: ou os Estados Unidos jamais possuíram tais drogas tão eficazes – e, portanto, a versão de que com elas engendraram casos ufológicos como o de Villas Boas não passa de uma falácia –, ou as possuíam, mas não as usaram e preferiram ficar atolados no Vietnã por dez anos, com enormes perdas de vidas, mas tremendo beneplácito financeiro para a indústria armamentista…

Aeronaves norte-americanas lançando o Agente Laranja, responsável por desfolhar árvores, em foto de 1966.

Se a CIA e os militares norte-americanos estão de fato por trás de todos ou quase todos os casos de OVNIs, como Bosco Nedelcovic e Richard Doty se gabaram, teriam de ser investigados criminalmente e acionados judicialmente, ainda mais naqueles que redundaram em danos permanentes à saúde e até em mortes. A simples aparição de surpresa e sobrevoo com seus “helicópteros” ou protótipos secretos disfarçados de OVNIs, já representa uma tremenda agressão à testemunha, pois isso é mais do que suficiente para desencadear graves e irreversíveis distúrbios e traumas mentais, haja vista que em nossas visitas a hospitais psiquiátricos encontramos diversos pacientes internados há décadas em decorrência do encontro com inocentes luzes noturnas.

Em suas teatralidades tétricas adrede planejadas como autênticas e caprichosas mise-en-scènes, os “homens miragem” premeditadamente procuram manter sob estrito controle os “atores” ou “protagonistas” que escolhem a esmo e com as quais interagem, infundindo-lhes, de imediato e imprevisivelmente, sem que tenham tempo suficiente para refletirem ou reagirem, medo intenso, pânico, limitação de consciência, desequilíbrio, sonolência, dores, irritações, alucinações, paralisia parcial ou total, etc. Nestas últimas condições, a pessoa é submetida a uma imobilidade aterradora, enquanto ante seus olhos e sua consciência desenrolam-se fenômenos bizarros e extravagantes sob efeito ou não de drogas. Os cenários escolhidos são invariavelmente e de preferência lugares ermos, afastados e isolados, horas intempestivas, em período noturno, nos quais se projetam uma impressionante mescla de estímulos visuais (como luzes piscantes atordoantes e hipnóticas) e auditivos (sons monótonos e repetitivos, indutores de estados de catalepsia e torpor), combinados com a liberação de substâncias químicas irritantes, sufocantes ou paralisantes, e, claro, drogas alucinógenas. As sequelas são catastróficas e duradouras: choque nervoso, estados febris e delirantes, paranoias, síndromes do pânico, depressões, insônias, pesadelos, amnésias, enxaquecas, cólicas e síncopes prolongadas, membros paralisados ou inutilizados, hemorragias, tumores cancerígenos, etc.

A constatação de que agentes de inteligência e militares de uma superpotência como os Estados Unidos ajam de maneira tão sorrateira e façam uso tão “civilizado” de seu poder sob os auspícios e as chancelas do próprio governo, na maioria das vezes de maneira brusca, exagerada, gratuita e perniciosa, nos leva a concluir que suas índoles não são, afinal, tão civilizadas, ao menos com referência ao sistema de valores e à moral universal, e sim, como diria o ufólogo decano Fernando Grossmann, “aleivoso, esquivo e fugidio”.

A casuística está repleta de casos de hostilidade e violência por parte de OVNIs e seus ocupantes, que se forem identificados como agentes do governo, poderiam ser responsabilizados, processados e punidos. Não estariam agindo como autênticos psicopatas e assassinos ao fazerem uso não só de drogas e substâncias químicas, mas também, o que é bem mais grave, de luzes ou raios capazes de ferir e matar? Em suas abduções ou raptos forçados, não hesitam, se preciso, em usar de força física, por vezes agredindo brutalmente com socos, pontapés, pancadas e empurrões, suas vítimas a serem capturadas. Os exames médicos e coletas de material genético com extrações de sangue, raspagem de pele, biópsias, etc., são feitas de maneira invasiva, sem consentimento, como todo o resto. Sem contar os danos devastadores que causam no meio ambiente e em propriedades particulares, como queima de bosques e florestas, arrasamento de colheitas, mortes de animais domésticos e selvagens, destruição de imóveis, interferências em sistemas eletromagnéticos, etc.

Desde pelos menos a Segunda Guerra Mundial, os governos das potências à frente do conflito já vinham investindo altas somas na pesquisa dos chamados “bioefeitos” para eventuais usos como armas alternativas antissociais, capazes de afetar o inimigo à distância. Durante a Guerra Fria, o rápido progresso da tecnologia da microeletrônica e da geração de raios de energia direcionáveis tornou a construção dessas armas – mantidas em absoluto sigilo – perfeitamente viável. Nos anos 1990, as novas ameaças terroristas estimularam e apressaram ainda mais o desenvolvimento de tais projetos.

No centro de pesquisas de Huntington Beach, na Califórnia, cientistas e militares vinham estudando o que os escritores de ficção científica e as vítimas de contatos ufológicos há muito haviam descrito: armas que fazem o inimigo desmaiar sem matá-lo. Dezenas de projetos em andamento, totalizando bilhões de dólares, foram revelados pela imprensa. Em um só deles, a USAF investia a bagatela de US$ 100 milhões. Em 1995, em Corona, numa reunião de cúpula dos generais da USAF, cerca de mil projetos desse tipo foram analisados. É lícito supor que nos casos em que não foram vistos raios, mas só sentidos os efeitos, houvera a utilização de raios visíveis ao olho humano associados com ondas não visíveis – raios X, gama, alfa ou beta, prótons, nêutrons e outros tipos de radiação – que induzem calor, vômitos e queimaduras, e ainda provocam alterações sanguíneas, cânceres, mutações e até morte. Alguns desses efeitos se manifestam em doses inferiores a 100 Rad.

As ondas de alta frequência, de 300 a 200.000 mHz, causam sensações de calor, queimaduras, alterações ósseas e lesões intestinais graves. Os infrassons (ondas acústicas cujas frequências são inferiores ao grau audível pelos seres humanos) e os ultrassons (oscilações de natureza acústica cujas frequências são superiores a 20.000 Hz), igualmente inaudíveis aos ouvidos humanos, provocam náuseas, vômitos, hipertensão, cefaleias, hemorragias internas, alterações metabólicas, sensação de calor e reações diversas, principalmente em animais.

Clay Easterly, que trabalhava para a Divisão de Pesquisa Científica sobre a Saúde, no Laboratório Nacional de Oak Ridge, mencionou em seu relatório para a Marinha um canhão eletromagnético que provoca convulsões do tipo epiléptico e um canhão térmico que eleva a temperatura corporal em mais de 40 graus, “causando desconforto, febre alta ou até mesmo a morte”. O perigo residia no fato de que um raio visando desacordar quem estivesse a 100 metros podia involuntariamente matar alguém que estivesse a apenas 10 metros.

As armas de micro-ondas, baseadas no mesmo princípio dos fornos caseiros, são capazes de estontear ou até “cozinhar” o inimigo. Perturbam as ondas cerebrais, o ritmo cardíaco e induzem sonolências, febres, ataques, desmaios, paralisia da função motora ou fazem o indivíduo sentir um calor excessivo. O princípio de seu funcionamento é simples e conhecido: agem sobre as moléculas de água, aquecendo-as. Essa é a extensão natural dos estudos sobre raios que afetam os sistemas eletrônicos de aviões, computadores ou mísseis: o corpo humano é um sistema eletroquímico, e equipamentos que interrompam os seus impulsos elétricos podem afetar o comportamento e as funções corporais. A Missão de Pesquisa de Albuquerque, no Novo México, avaliava as possibilidades de estimular o sistema nervoso periférico com o uso do micro-ondas, paralisando-o.

Ora, os efeitos das radiações luminosas sobre a fisiologia humana são deveras semelhantes e por vezes idênticos aos dos feixes luminosos dos ufonautas. Luzes tremeluzentes ou cintilantes coloridas, sons e zumbidos monótonos, etc., compõem as técnicas luminoso-indutivas hipnóticas, estimulando estados de medo, fixação e fascinação, paralisia, sonolência, torpor, etc. Completada a indução psíquica, manifesta-se a catalepsia rígida, com efeitos sobre o sistema neurovegetativo, a percepção etc.

Os feixes e raios luminosos de frequências de ondas e consequentemente de cores diferenciadas compõem a ampla gama de versáteis armamentos que equipam os OVNIs e provocam os mais variados efeitos e danos em objetos, pessoas e animais. Luzes são os meios mais comumente empregados nos casos de agressão. Por esse motivo, alguns pesquisadores elaboraram esquemas sintomatológicos baseados na coloração e no espectro dos feixes ou raios emitidos pelos OVNIs. É preciso ressalvar, entretanto, que esses sintomas nem sempre coincidem, havendo testemunhas que presenciaram o mesmo tipo de fenômeno, mas não sofreram efeitos similares, ou mesmo não tiveram efeito nenhum. Em síntese, as sequelas somáticas e psicológicas verificadas nos casos de agressão por OVNIs, são condizentes com as causadas pelas armas secretas desenvolvidas secretamente pelo governo e que poderiam estar sendo testadas sob a fachada de fenômenos ufológicos, ou seja, a culpa acabaria sendo jogada, convenientemente, nos ETs…

O popular raio laser, por exemplo – que é uma fonte de luz monocromática, muito intensa, coerente e colimada, na qual a emissão de radiação se faz pelo estímulo de um campo externo, com aplicações variadas, gerando desde poucos miliwatts até dezenas de miliwatts – provoca nos organismos queimaduras mais ou menos graves, lesões oculares, cegueira temporária e alterações metabólicas, náuseas e diarreias. Protótipos chegaram a ser usados durante a intervenção norte-americana na Somália.

Tendo em vista que os efeitos dos raios que afetaram muitas vítimas de contatos imediatos nada tinham a ver com os raios naturais conhecidos ou com os aparelhos mais avançados que nossa ciência pudesse fabricar nas épocas em que aconteceram, ou mesmo muitas décadas depois, só restava aos ufólogos especular que deviam ter sido emanados de uma fonte aparentemente estranha às que podem ser encontradas em nosso mundo, constituindo, portanto, em produtos de uma ciência que, quiçá fosse extraterrestre. No entanto, como vimos, cientistas e militares terrenos já vinham trabalhando secretamente em armas com tais poderios e certamente testando ocultamente os seus efeitos e capacidades destrutivas na população. Teria o Fenômeno OVNI consistido na fachada perfeita para encobrir suas operações? Os próprios agentes que participaram delas já admitiram.

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