Os 20 anos da defesa da primeira tese de mestrado no Brasil sobre OVNIs

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Há pouco mais de 20 anos, na tarde do dia 22 de março de 1999, segunda-feira, defendia na Sala de Reuniões do Departamento de História da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Assis, sob a presidência de meu orientador, o antropólogo Prof. Dr. Benedito Miguel Angelo Perrini Gil, a primeira tese acadêmica no patamar de mestrado no Brasil sobre o Fenômeno OVNI, intitulada A Dialética do Real e do Imaginário: Uma Proposta de Interpretação do Fenômeno OVNI.

22 de março de 1999: Cláudio Suenaga (segurando a tese) com (da esq. p/ dir.) os Profs. Drs. Milton Carlos Costa (Unesp), Lísias Nogueira Negrão (USP) e Benedito Miguel Angelo Perrini Gil (orientador, Unesp), na Sala de Reuniões do Departamento de História da Unesp para a defesa da tese sobre OVNIs.

Comecei a acalentar a ideia quase dez anos antes durante a graduação, no início dos anos 90, quando a chamada história das mentalidades, uma das vertentes da história cultural, derivada da Escola dos Annales, estava em alta. Com a crise do marxismo, a história econômica, embora ainda predominante, já não era a única opção, o que abria espaço para a absorção de temas antes marginais e relegados a segundo plano, como a feitiçaria, a bruxaria, o messianismo, o milenarismo, etc. Assim é que os OVNIs insurgiam como um objeto de estudo tão válido e pertinente quanto qualquer outro, e bem mais até pelo seu caráter epidêmico que exigia explicações e respostas urgentes à sociedade.

Os três autores que me convenceram em termos definitivos de que os OVNIs poderiam vir a ser aceitos nos meios acadêmicos e abordados com os métodos e instrumentos das ciências sociais, foram os “três Jotas”, nesta ordem: Carl Gustav Jung, Joseph Campbell e Jacques Vallée.

Jung foi primeiro nome de peso, ele que criara a sua própria escola psicanalítica, a junguiana, e já vinha encarando os mitos, folclores, contos de fadas, aparições religiosas e fenômenos sobrenaturais e paranormais, a tomar os OVNIs em sua totalidade, sem escamoteações ou contingenciamentos, pelo que chegou perto de desvendá-lo em 1959 em seu livro Um mito moderno sobre coisas vistas no céu.

Campbell, o maior mitólogo do século XX, um discípulo assumido de Jung que entretanto não se restringiu aos parâmetros do inconsciente, fez-me enxergar que entre as muitas “máscaras” ou facetas de Deus, ou seja, a forma com que o divino se apresenta de acordo com os padrões de determinada época e cultura, estava a do extraterrestre, a que melhor se coadunava com a Era Tecnológica e Científica-Espacial da segunda metade do século XX.

Vallée, o único dos três a assumir a condição de ufólogo, sendo também ele ao mesmo tempo um cientista respeitado, astrofísico e especialista em sistemas computacionais, alicerçou-me a certeza de que o Fenômeno OVNI se constituía sobretudo em um fenômeno social capaz de manipular e transformar a realidade, um “sistema de controle” quase do mesmo tipo que o religioso, e portanto passível de uma apreciação histórica.

Em maio de 1993, imbuído desse singular objetivo e insatisfeito com a direção que minha vida vinha tomando, consumido pelas aulas mal remuneradas e frustrantes que ministrava em escolas públicas e colégios de bairro de São Paulo, resolvi largar tudo e investir em um sonho utópico e aparentemente irrealizável: levar o assunto OVNI aos meios acadêmicos.

A primeira etapa de minha preparação consistiu em me internar durante um mês no campus do Butantã da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, em particular para poder consultar seu banco de teses em busca de mais subsídios. E foi lá que encontrei a dissertação de mestrado História da Pesquisa de Vida e Inteligência Extraterrestre (1959-1990), defendida em 1991 por Eduardo Dorneles Barcelos na FFLCH da USP, cujo eixo central era o estudo histórico da constituição das pesquisas exobiológicas, um campo voltado para a busca de vida fora da Terra.

Um ano antes, Jayme Moraes de Aranha Filho já havia defendido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a dissertação de mestrado Inteligência Extraterrestre e Evolução: As especulações sobre a possibilidade de vida em outros planetas no meio científico moderno, uma etnografia e uma interpretação das mensagens elaboradas por cientistas norte-americanos na década de 70 endereçados a hipotéticos seres inteligentes extraterrestres.

Embora não tratassem diretamente do Fenômeno OVNI, ambas as dissertações, que se concentravam na construção em torno do conceito extraterrestres pelas sociedades ocidentais contemporâneas, indicavam a necessidade que se fazia de pesquisas acadêmicas que chegassem a tocar, estes sim, nos pontos que diziam respeito ao Fenômeno OVNI.

Pensei então comigo mesmo: se a USP e a UFRJ não só não se interpuseram mas até apoiaram o tema extraterrestre em seus mestrados, sendo que a Universidade de Brasília (UnB) já vinha desde os anos 80 abrindo espaço na graduação para monografias e trabalhos diversos na área da ufologia, por que não poderia ir além e avançar para uma inédita dissertação de mestrado sobre OVNIs?

Assim é que passei o restante do ano lendo toda a bibliografia exigida para o processo de seleção na Unesp e elaborando o projeto a ser apresentado que fosse realístico o suficiente para convencer a banca examinadora de sua viabilidade. Sabia muito bem que minhas chances eram mínimas, para não dizer inexistentes ante outros projetos de cunho tradicionais e de muito maior receptividade. Obviamente ninguém acreditou em mim e experimentei aquela velha e familiar sensação, misto de solidão, desalento e desamparo que sempre foram tão comuns em minha vida. Porém, mesmo na condição de outsider e sem qualquer apoio, duvidado e desconfiado por todos, saí-me bem nas provas e na entrevista e fui um dos aprovados. Algo inverossímil.

A portaria do campus de Assis da Unesp na avenida Dom Antonio. Foto de Cláudio Suenaga.

O campus e o prédio de História da Unesp em Assis. Fotos de Cláudio Suenaga.

Fui recebido por alguns professores e alunos com certa relutância e indulgência, o que é muito natural, sem que isso descambasse para qualquer tipo de hostilidade ou preconceito. Jamais fui discriminado ou perseguido devido ao meu objeto de estudo. Tampouco fui beneficiado por isso ou tive privilégios. O clima reinante na Unesp naquele meados dos anos 90, início do governo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, como sempre de muitas esperanças para o Brasil, era a de otimismo, animação e revigoramento. Contei com o apoio de vários professores e alunos, alguns dos quais manifestaram simpatia aberta pelo meu trabalho. No percurso, pessoas de alto gabarito me procuraram e puseram seus conhecimentos e demais talentos à disposição no afã de engrandecer e aprimorar a tese, no que não só foram imprescindíveis como vieram a se tornar grandes amigos e parceiros de trabalho, com destaque para o jornalista, escritor, ufólogo e explorador espanhol Pablo Villarrubia Mauso.

Por uma dessas extraordinárias coincidências, logo no ano seguinte, no início de 1995, uma onda  ufológica inusitada, de proporções gigantescas, atingiu toda a região Oeste do Estado de São Paulo – o Pontal do Paranapanema –, principalmente Assis, cidade de 100 mil habitantes a 432 km da capital paulista, onde ficava o campus onde desenvolvia a primeira dissertação de mestrado sobre o assunto. A coincidência foi tanta que alguns chegaram a especular que eu tinha escolhido Assis justamente porque sabia, de alguma forma, que ali apareciam muitos OVNIs… Ou porque, de alguma forma, igualmente, os OVNIs tinham resolvido aparecer naquele momento para dar uma forcinha para minha tese… Fosse o que fosse, não perdi a chance de ir a campo e entrevistar inúmeras testemunhas in loco. É raro encontrar uma onda em que tantas facetas do fenômeno tenham se concentrado. Assis constituiu um autêntico laboratório do problema estudado, além de ter oferecido a oportunidade direta de desvendar parte da trama que a política das hegemonias tem procurado monopolizar, abafar e tornar controvertido. Digo isso porque algumas testemunhas foram coagidas pelas autoridades e se negaram a colaborar com as pesquisas, que foram incluídas, como não poderia deixar de ser, em um dos capítulos da minha tese.

Artigo de Cláudio Suenaga sobre a Onda de OVNIs em Assis publicado em inglês no boletim The Brazilian UFO Report, 1995-07 e 08, vol. 1, issue 2.

“Paulistano defende tese na Unesp de Assis sobre ufologia”, in Voz da Terra, Assis (SP), nº 7.899, ano XXXII, 1995-09-02, p.6.

No final de 1995, fui o primeiro ufólogo e um dos primeiros historiadores a ter acesso aos arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), já que na época realizava pesquisas na então sede do Arquivo do Estado de São Paulo, na rua Dona Antônia de Queirós, no bairro da Consolação, para onde os documentos haviam sido levados. Entre os documentos que descobri, estavam os que atestavam a perseguição movida por agentes daquele aparato repressivo do Regime Militar contra Onilson Patero, um alegado abduzido por extraterrestres, bem como membros da Associação de Pesquisas Exológicas (APEX), tidos como suspeitos de subversão, e os que me permitiram reconstituir a trajetória do verdadeiro grupo, o de Aladino Félix (vulgo Dino Kraspedon ou Sábado Dinotos) intrinsecamente ligado aos altos escalões do Governo Militar, responsável pela escalada do terror que assolou a capital paulista em 1968, a qual contribuiu sobremaneira para disseminar o clima de agitação e desordem que abriria o leque de justificativas para o fechamento total do regime mediante a decretação do Ato Institucional n° 5 (AI-5).

O jornal Folha de S. Paulo entrevistou-me em 1997 a propósito dos documentos do DOPS. A reportagem de Mauricio Stycer, publicada na edição de 11 de maio, mereceu chamada na primeira página e ocupou uma página e meia sob o título “Regime Militar Investigou ÓVNIs e ETs”.

A tese levou cinco anos para ficar pronta e exigiu tremendos sacrifícios de minha vida pessoal, não só pela rigorosidade intrínseca a esse tipo de trabalho acadêmico, como também pelas inúmeras dificuldades enfrentadas, muitas delas decorrentes de incompreensões e da falta de apoio institucional, exceção feita ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que me concedeu uma bolsa por dois anos. Enfrentei ainda oposições de setores obscuros que em vários momentos tentaram impedir a continuidade do projeto, fosse por meio da restrição ao acesso a certos arquivos ou documentos oficiais ou de golpes desferidos contra todo um planejamento. Por outro lado, contei com o valioso apoio de amigos e de pessoas que nunca deixaram de acreditar na viabilidade de meus esforços, mesmo nos momentos mais difíceis.

A capa da dissertação de mestrado sobre OVNIs de Suenaga na Unesp.

Na banca examinadora, além de contar com a presença de meu orientador, Dr. Perrini Gil, tive a honra de ser sabatinado pelo sociólogo da Universidade de São Paulo (USP), professor doutor Lísias Nogueira Negrão, um dos maiores especialistas em messianismo e seitas religiosas no Brasil, e pelo historiador da Unesp, especialista na obra de Joaquim Nabuco, professor doutor Milton Carlos Costa.

Da esquerda para a direita, os professores doutores Milton Carlos Costa (Unesp), Benedito Miguel Angelo Perrini Gil (orientador, Unesp) e Lísias Nogueira Negrão (USP). Foto de Cláudio Suenaga.

Só colhemos o que plantamos, e nesse caso a árvore plantada deu bons frutos. Nos anos seguintes começaram a surgir inúmeras teses de mestrado e doutorado sobre o Fenômeno OVNI em várias universidades brasileiras, como a de meu amigo João Francisco Schramm [que em 2016 defendeu na UnB a tese de mestrado A Força Aérea Brasileira e a investigação acerca de Objetos Aéreos Não Identificados (1969-1986): segredos, tecnologias e guerras não convencionais, com várias citações e referências ao meu trabalho], antes algo praticamente impensável. Se estamos longe ainda de termos cátedras acadêmicas em ufologia, fico satisfeito em saber que o objeto de estudo OVNI há muito deixou de ser um tabu ou coisa de outro mundo.

Ao meu orientador, o Prof. Dr. Benedito Miguel Angelo Perrini Gil, sem o qual jamais teria realizado a tese, ficam aqui registrados meus agradecimentos eternos.

Disponibilizei a tese na íntegra, em PDF, para quem quiser baixar, neste link.

Ata da defesa da dissertação de mestrado na Unesp sobre OVNIs.

EXTRAS – 1

Jornais e revistas que noticiaram a dissertação de mestrado na Unesp sobre OVNIs

“Pós-graduação em Ufologia”, in UFO, Campo Grande (MS), Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), nº 31, ano 8, julho de 1994, p.5.
“Paulistano defende tese na Unesp de Assis sobre ufologia”, in Voz da Terra, Assis (SP), sábado, 2-9-1995, nº 7.899, ano XXXII, Ciência, p.6.
“Quem faz Ufologia”, in UFO, Campo Grande (MS), Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), julho 1999, nº 65, ano 15, p.9.

EXTRAS – 2

UFOs e ensino superior: Ufologia nas universidades brasileiras – No Brasil e no mundo, a temática ufológica já se tornou comum no meio acadêmico

Por Mário Nogueira Rangel (autor, pesquisador e hipnólogo), originalmente publicado em 6-6-2012 no site UFOVIA

Cláudio Suenaga com o ufólogo e hipnólogo Mário Nogueira Rangel na sede da Associação de Pesquisas Exológicas (Apex) e Consultório de Max Berezovsky em 25 de janeiro de 1997. Foto de Pablo Villarrubia Mauso.

Na China a ufologia é considerada ciência e os cientistas não se envergonham em estudá-la. Alguns países reconhecem que os UFOs são reais e há grupos oficiais que fazem pesquisas, como o Chile, o Peru e o Uruguai. Na França cientistas e militares de alto escalão divulgaram dados ufológicos no famoso Dossiê Cometa. Os militares mexicanos entregaram a um jornalista civil para divulgação ao mundo, um filme feito por sofisticados equipamentos infravermelhos por um avião C26A, comprovando que foi circundado por onze UFOs invisíveis aos olhos humanos em pleno dia. Esse filme, com o diálogo entre a tripulação durante o evento, está disponível aos interessados no YouTube.

O coronel Philip J. Corso, altamente condecorado pelo Exército dos EUA, publicou em livro traduzido ao nosso idioma, todos os detalhes sigilosos sobre suas atividades para que industrias de seu país fizessem engenharia reversa e produzissem artigos resultantes de objetos encontrados no disco voador caído no Novo México/EUA. Na página 129 do Dossiê Roswell (Ed. Educare, Brasil) há relação de 14 artigos que explicam a razão de seu país fazer enorme campanha procurando desacreditar a ufologia, já que os EUA não desejam concorrência na produção de artefatos de extraordinária importância bélica e comercial.

Os adeptos da Associação dos Céticos Amadores e Profissionais, Detratores e Infiltrados (ACAPRODI) para desacreditarem a ufologia ou recebem alguma vantagem ou nem percebem que estão sendo manipulados.

No Brasil embora o governo esconda informações ufológicas, alguns militares graduados mais recentemente já revelaram dados importantes, como o coronel Uyrangê Hollanda, com quem conversei a sós durante duas horas, três semanas antes de sua morte e o brigadeiro José Carlos Pereira – no passado houve outros, como o coronel João Adil de Oliveira.

A influência da Ufologia em nossa cultura é antiga, mas principalmente a partir do século XX, com a disseminação de máquinas fotográficas, da criação e popularização de filmadoras e câmeras de vídeo que documentaram milhares de discos voadores e UFOs em todo o mundo, tornou-se inevitável que o assunto chegasse às Universidades.

No exterior há quase uma centena de teses de doutorado, dissertações de mestrado e outros trabalhos de pós-graduadução abordando a ufologia, já catalogadas por Ignácio Cabria, disponíveis na internet, e relacionados à Psicologia, Psicologia Social, Folclore, Antropologia, Sociologia, História, Literatura, Língua Inglesa, Jornalismo, Comunicação, Estudos Americanos, Astrofísica, Ciências Políticas, Religião, Filosofia, Tecnologia e Administração Pública.

Esses trabalhos foram apresentados em Universidades nos Estados Unidos, Canadá, Argentina, França, Reino Unido, Ucrânia, Espanha, Portugal, Noruega, Alemanha, Itália, Austrália e no Brasil, como a dissertação de mestrado do historiador Cláudio Tsuyoshi Suenaga, abaixo mencionada. Agradecemos essa informação ao Professor Doutor Joaquim Fernandes, que também tratou de ufologia em sua tese de doutorado em Portugal. Nosso presente artigo enfoca algumas citações a trabalhos acadêmicos no Brasil.

Em 1984 o cientista social e antropólogo José Fonseca Ferreira Neto (1950-2008) apresentou sua dissertação de mestrado com 176 páginas sob o título A Ciência dos Mitos e o Mito da Ciência, ao curso de Pós-Graduação em Antropologia, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade de Brasília. Alguns dos tópicos tratados foram: A Ufologia como disciplina científica; O caráter religioso da Ufologia; O II Congresso Internacional de Ufologia de Brasília; A Ufologia em Brasília.

Em 1999 o ufólogo e autor Cláudio Tsuyoshi Suenaga fez sua dissertação de mestrado no Departamento de História da Universidade Estadual Paulista, em Assis-SP e foi aprovado com distinção com o tema A Dialética do Real e do Imaginário: Uma Proposta de Interpretação do Fenômeno OVNI, que pode ser adquirida através do e-mail [email protected].

Logo no começo deste século, estudantes de Comunicação e Jornalismo de uma universidade de Campinas vieram à minha residência e gravaram uma entrevista em vídeo sobre hipnose em ufologia, como parte de Trabalho de Conclusão de Curso. Soube depois que entrevistaram outras pessoas pró e contra ufologia e produziram um TCC que mereceu nota alta. Jamais recebi uma cópia, como tinha sido prometido.

Em 2004, o então estudante de arquitetura da Universidade de Fortaleza, Osíres Abreu de Menezes Bezerra apresentou como Trabalho de Conclusão de Curso, um Projeto para Construção de um Centro Ufológico em Quixadá (CE) – considerada por muitos a capital ufológica do nordeste. A mesma UNIFOR publicou na revista A Ponte, de abril de 2006, uma matéria composta por estudantes de jornalismo ridicularizando os casos ufológicos de Quixadá e omitindo propositadamente o famoso artigo da acadêmica Raquel de Queiroz sobre seu avistamento de UFOs sobre essa cidade. Há informações sobre atividades ufológicas do arquiteto Osíres e há vídeos mostrando o seu projeto. Há fotos do Centro Ufológico e ufoporto em St. Paul, Canadá.

Ainda em 2004 o ex-ufólogo Júlio César Goudard e seus colegas Janie Imoto e Lorenna Oliveira apresentaram monografia para obtenção do título de especialista em Marketing e Negócios à Faculdade Internacional de Curitiba (FACINTER), sob o título A Temática Extraterrestre como Instrumento de Marketing: Uma Abordagem sobre a Influência no Consumo. A apostila tem 60 páginas de texto e 33 páginas reproduzindo publicidades baseadas em ETs, discos voadores e temas ufológicos.

Em 2005 o ufólogo, hipnólogo, jornalista e radialista João Batista de Oliveira Filho apresentou à Universidade Estácio de Sá, de Campos dos Goytacazes-RJ, um Trabalho de Conclusão de Curso de Psicologia sob o tema Uma Contribuição para a Psicologia Acerca do Fenômeno OVNI a partir da obra de Carl Gustav Jung intitulada ‘Um Mito Moderno Sobre Coisas Vistas nos Céus’. A apostila contém 43 páginas de texto e o TCC recebeu alta nota.

Em 14 de agosto de 2006, Michelle Marinho Veronese foi aprovada como Mestra em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com a dissertação DEUSES DE OUTROS MUNDOS: O CULTO A DISCOS VOADORES E EXTRATERRESTRES. Ela pesquisou grupos de pessoas que dizem receber mensagens de ETs, com destaque para seguidores de Jan Val Ellam, em São Paulo. Essa dissertação pode ser consultada na Internet.

Em 2007 Paolla Mariana Pereira Arnoni e Marcos Tadeu Cianfa apresentaram ao Curso de Jornalismo da Universidade Paulista, UNIP, na cidade de São Paulo, um Trabalho de Conclusão de Curso sob o título Marcas de um Contato – A Relação entre a Imprensa e a Ufologia, para o que mandaram imprimir uma pequena tiragem de um livro com 92 páginas de texto, mais 16 com reprodução de “documentos e fotos”. Além de alta nota na prova, o volume teve tão boa aceitação que os hoje jornalistas estão ampliando o trabalho para publicação de um livro para venda ao público.

Em 2007 Daniel Pícaro Carlos obteve seu mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos com a dissertação, EXTRATERRESTRES: CIÊNCIA E PENSAMENTO MÍTICO NA SOCIEDADE MODERNA, tendo recebido bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Ele é também graduado em História pela Universidade de São Paulo e doutorando em Antropologia Social na UFSCar.

Em 2009 Rodolpho Gauthier Cardoso dos Santos obteve seu título de Mestre em exame no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com a dissertação A INVENÇÃO DOS DISCOS VOADORES: GUERRA FRIA, IMPRENSA E CIÊNCIA NO BRASIL (1947-1958), com 265 páginas, reprodução de recortes da imprensa sobre ufologia, ampla bibliografia, fotos dos pioneiros da ufologia etc., disponível na Internet.

Em 2009 Milton José Giaconetti obteve o título de Mestre em História na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul com a dissertação AS LUZES NO CÉU E A GUERRA FRIA: DO LIMIAR AO CONFLITO IMAGINÁRIO SOBRE OS DISCOS VOADORES 1945-1953. O trabalho foi inspirado no relato de um pescador da Praia do Rosa, em Santa Catarina, que alega ter sofrido a ação de uma luz vinda do céu, com formato parecido à escultura da foto acima.

Em 2010 soube que um psicólogo obteve bolsa de estudo do CNPq para pesquisar objetivando uma dissertação de mestrado sobre abduzidos. Ele está ligado ao Inter Psi – Laboratório de Psicologia Anomalística e Processos Psicossociais da USP.

Ao fazer uma pesquisa descobri que o nome do trabalho era “O impacto psicossocial das experiências anômalas; implicações dos cinco grandes fatores da personalidade, inteligência emocional e indícios de psicopatologia”, e assim citei em meu segundo livro.

Os cinco grandes fatores da personalidade divergem conforme diferentes autores. Vou dar dois exemplos: McDougall os considerava intelecto, caráter, temperamento, disposição e humor. Alport, Eysenck e outros informavam ser neuroticismo, extroversão, franqueza, afabilidade e consciência. Já psicopatologia todos concordam que se refere à doença mental. Há mais de 30 anos pesquisando abduzidos, encontrei apenas um que na entrevista prévia me pareceu ser doente mental, e que encaminhei para um psiquiatra e não hipnotizei. Muitos foram abduzidos quando crianças e hoje são doutores, mestres, de nível universitário e pessoas bem sucedidas em diversas profissões.

Em 23 de junho de 2010 fui visitado pelo mestrando, o psicólogo mineiro Leonardo Breno Martins. Consultei alguns abduzidos mantidos no anonimato e nenhum quis ser entrevistado por ele, já que previamente considerava que podiam ter indícios de psicopatologia.

Em agosto de 2011 o psicólogo Leo voltou a me procurar, informando ter mudado o nome da dissertação e que já havia entrevistado abduzidos mas me pedia interceder a seu favor para obter novos candidatos.

Não apresentei abduzidos. A dissertação, afinal, foi feita na USP no dia 20 de janeiro de 2012, sob o título Contatos imediatos: investigando personalidade, transtornos mentais e atribuição de causalidade em experiências subjetivas com OVNIs e alienígenas. Com familiar doente, não pude ir assistir. Lá esteve o sociólogo e empresário Fábio Augusto Gomes que escreveu o importante artigo publicado na revista UFO 188, de maio de 2012, com chamada na capa, sob o título “ESTUDO CIENTÍFICO INÉDITO ANALISA SAÚDE MENTAL DE TESTEMUNHAS DE UFOs”, com duas páginas e meia e duas fotos. O psicólogo Leo concluiu cientificamente que os abduzidos não são mentirosos nem loucos.

Em final de janeiro de 2012 fui informado sobre a realização no prédio da UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo, do II Congresso Sul Americano de Hipnose (II HIPNOSUR) e I Congresso Brasileiro de Hipnose Contemporânea (I HIPNOBRASIL), que serão realizados de 12 a 15 de abril de 2012. A programação completa está em http://proex.epm.br/eventos11/hipnosur/programacao/htm e informa que às 8h30 do dia 13 de abril haverá mesa redonda que começará abordando Hipnose em abduções – Tese de mestrado, provavelmente tratando da dissertação anteriormente mencionada. Soube que participará da mesa redonda a psicóloga, autora, conferencista e hipnóloga em ufologia Dra. Gilda Moura.

No domingo, dia 3 de junho de 2012, a Rádio USP 93,7 MHz FM transmitiu das 11h30 ao meio dia um programa sobre ufologia, sem interrupção para anúncios. Assisti através do site no computador.

Foram entrevistados, em ordem, eu (Mário Rangel), o psicólogo e mestre Leonardo Breno Martins, os ufólogos Fernando Ramalho, Marco Aurélio Seixas e Fábio Gomes e os irmãos que testemunharam avistamentos Robson e Assis, por diferentes alunos de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da USP. Alguns dos quais,  assistiram recente ao congresso de ufologia em Peruíbe e participaram de uma vigília noturna na Praia do Guaraú, organizada por esse evento. Fui entrevistado durante mais de uma hora pela excelente estudante Ana Maria Ramos Madeira e, obviamente, foi necessário editar somente um trecho que foi levado ao programa.

Cláudio Suenaga com o historiador, Prof. Dr. Ruy de Oliveira, logo após a defesa da tese na tarde de 22 de março de 1999.