UFOS: AS EVIDÊNCIAS – PARTE 8

CAPÍTULO 08 – NORUEGA

O disco voador que caiu em Spitzberg

Durante a Guerra Fria, os discos voadores foram inúmeras vezes usados como instrumentos de guerra psicológica. Em 1952, os círculos oficiais noruegueses foram informados de que vários pilotos da Força Aérea tinham avistado aquilo que lhes parecia um avião, espatifado na ilha de Spitzberg, arquipélago do Oceano Glacial Ártico, ao norte da Noruega e pertencente a este país desde 1920, habitada na maior parte por trabalhadores que exploravam as minas de carvão, lígnito, ferro, mármore, gesso, manganês, asbesto etc. Imediatamente foram para lá enviados vários grupos de comandos de salvamento e a resposta não se fez esperar: não era um avião, e sim um disco voador. Esse disco, apesar de bastante danificado, ainda se apresentou suficientemente intacto para ser recolhido e estudado.

A essa altura, técnicos dos Estados Unidos e da Inglaterra foram notificados do encontro e convidados a participar da expedição. Em seguida, nada mais se comentou do caso, apesar da ilha ter sido isolada, com acesso exclusivo aos técnicos. Três anos depois, em 04 de setembro de 1955, um jornal alemão voltou novamente no assunto, publicando a seguinte notícia: “Somente agora uma comissão de inquérito do Estado-Maior da Noruega está preparando, para publicação, um relatório sobre os exames realizados nos escombros de um UFO que caiu nas proximidades de Spitzberg, presumivelmente em princípios do ano de 1952. O presidente da comissão, coronel Gernod Darnbyl, quando de uma aula de instruções militares aos oficiais da Força Aérea, afirmou: ‘A queda de um disco voador em Spitzberg foi de grande importância. Embora o conhecimento de nossos cientistas não nos permita resolver todo o mistério, tenho confiança de que os destroços serão elementos de grande importância. Há tempos, um engano involuntário qualificou o citado disco como de origem soviética. Não foi, de modo positivo, fabricado por nenhum país da Terra. Os materiais empregados em sua construção são totalmente desconhecidos por todos os técnicos que participaram das investigações’ ”.

O disco de Spitzberg instilou o temor de que os russos detinham o segredo dessas naves. Em dezembro de 1963, liberou-se o relatório de um serviço de informação não identificado confirmando o resgate do disco nos gelos inóspitos a nordeste da Ilha de Spitzberg e seu transporte de navio para Narvik, cidade portuária ao norte da Noruega, situada numa península do fiorde de Ofot, defronte às Ilhas Lofoten. Ele seria movido a motores a reação que o faziam girar em torno de uma pequena cúpula transparente repleta de instrumentos. Suas dimensões comportavam várias bombas atômicas. Detectado pelo radar, seis aviões noruegueses saíram à sua procura. O comandante de patrulha olhou por acaso para baixo e avistou um grande disco metálico sobre o gelo, enrolado em um emaranhado de fios. No centro havia uma cabine parcialmente destruída. Os pilotos regressaram a Narvik e notificaram a descoberta. Em seguida, cinco aviões equipados com esquis, levando a bordo um tal de Norsel, especialista em foguetes, foram enviados em missão de resgate.

Projeto Hessdalen

A partir do final de 1981, os pouco mais de 150 habitantes do vale ou povoado de Hessdalen, a cerca de 50 km ao sul de Trondheim, na Noruega, começaram a se ver às voltas com estranhas luzes noturnas que surgiam em todas as partes: a grande altitude no céu, nos arredores de montanhas, sobre os telhados das casas ou rentes ao solo. Os depoimentos davam conta de que as luzes apresentavam diferentes formatos que iam de retângulos com bordas bem definidas, passando por “bolas de futebol” até a “árvores de Natal”. As cores eram majoritariamente brancas ou amarelas. Essas luzes podiam permanecer estáticas durante mais de uma hora, mover-se lenta ou rapidamente e pararem bruscamente no ar. Segundo os cientistas, os radares detectaram velocidades de até 30.000 km/h.

Coordenado por Erling Strand, engenheiro eletrônico e professor do Ostfold College de Noruega, foi criado o Projeto Hessdalen com o objetivo de investigar a origem e natureza das luzes. Em 1985, Strand divulgou um relatório denominado Project Hessdalen 1984: Final Technical Report [Projeto Hessadalen 1984: Relatório Técnico Final]. Com base nos depoimentos, Strand propôs classificar os fenômenos observados em três tipos: flashes branco-azulados, luzes e conjuntos de luzes que aparentemente formavam uma só figura.

No inverno de 1994, foi realizado o Primeiro Congresso Científico Internacional em Hessdalen, que reuniu especialistas de diferentes áreas. Na ocasião, foi firmado um acordo de cooperação científica entre cientistas noruegueses e o Conselho Nacional de Investigação (CNR) italiano, o que levou à criação de um Comitê Italiano para estudar o Fenômeno Hessdalen (CIPH) e à realização de intercâmbios entre ambos os países.

Vários integrantes da comissão italiana de radioastrônomos, entre eles os astrofísicos Stelio Montebugnoli e Máximo Teodorani, tiveram oportunidade de observar pessoalmente as manifestações luminosas no vale de Hessdalen, após o que este último declarou não ter mais dúvida alguma, considerando os dados registrados, “de que o fenômeno possui características de auto-regulação energética de extraordinária eficiência, cujo mecanismo de atuação e funcionamento até agora não foi possível estabelecer”. Assim como o Comitê Sturrock, Teodorani salientou a necessidade de se ampliar “pelo menos numa certa ordem de magnitude, tanto a sofisticação como a eficiência dos instrumentos e sensores instalados no vale de Hessdalen”.

Os eventos observados receberam várias denominações: “Hessdalen Phenomena” [Fenômeno Hessdalen], “Hessdalen Lights” [Luzes de Hessdalen], “Nocturnal Light Phenomena” [Fenômeno Luminoso Noturno], “Anomalous Light Phenomena” [Fenômenos Luminosos Anômalos] ou simplesmente UFOs. Essa variedade atesta a incerteza e a falta de consenso oficial quanto à origem e natureza dos avistamentos que continuam ocorrendo até hoje, ainda que não com a mesma intensidade, chegando a uma média de 20 relatos por ano, quando no auge esse número era alcançado em menos de uma semana.

Cabe lembrar que um projeto similar ao implementado em Hessdalen foi levado a cabo na reserva dos índios Yakima, no Estado de Washington, capital dos Estados Unidos, onde em 1947 o piloto civil Kenneth Arnold alegou ter visto nove objetos em forma de pires – inaugurando a Era Moderna dos Discos Voadores – e no início dos anos 70 começaram a ser reportadas observações de estranhos fenômenos luminosos que tendiam a convergir na Cordilheira de Toppenish Ridge, que cruza toda a região. O supervisor da Divisão de Controle de Incêndios da reserva, William Vogel, baseado em entrevistas e fotografias, foi o primeiro a reconhecer a realidade física das luzes e recomendar um estudo mais acurado e em maior escala. A regularidade das aparições implicou na instalação de um posto com equipes e instrumentos de medição e fotografia. O engenheiro elétrico David Akers, de Seattle, ao longo de duas semanas, em agosto de 1972, realizou um acurado trabalho de campo.

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