Ufologia e teorias conspiratórias

Grupos políticos e religiosos têm sistematicamente explorado a credulidade da massa, seja de maneira frívola ou contundente.

Texto de Cláudio Tsuyoshi Suenaga

O governo representa um papel importante nas histórias ufológicas. Principalmente como conspirador, que mantém secretas informações e locais como a Área 51. Maquiavel dizia que o governante deve ocultar a verdade sob muitas mentiras para que se torne impossível encontrá-la. Sem dúvida essa égide foi muito bem aplicada pelos governos, principalmente os totalitários, em relação ao Fenômeno UFO. O próprio termo  UFO, cabe lembrar, foi cunhado pelos militares norte-americanos como tentativa de enquadramento a uma ordenação.

Há 60 anos, logo após o rescaldo da Segunda Guerra Mundial, começava junto coma Era Atômica e a Guerra Fria, a Era Moderna dos Discos Voadores, saudada com um misto de expectativa messiânica e temor apocalíptico. Debelada a barbárie nazista, enfrentava-se agora, simultaneamente, a ameaça do avanço do totalitarismo comunista e do confronto com uma força aparentemente de fora deste planeta. Nesse contexto, os próprios governos inicialmente não souberam que posição tomar ante as massivas ondas de avistamentos, tanto que as autoridades oscilaram entre a admissão de que os UFOs provinham do espaço exterior e a negação total de sua existência. Porém, não demoraram a perceber a importância estratégica e geopolítica dos UFOs e de que poderiam manejá-lo de modo a que viesse a se constituírem uma poderosa arma, uma vez que as massas se comportavam de maneira por demais ingênua ante o Fenômeno e desconheciam tudo quanto dizia respeito ao modus operandi, modus faciendi e à metodologia empregada pelo establishment e pela intelligentsia, aceitando sem refletir as informações mais disparatadas, desencontradas, inconcretas e ambíguas, a tudo aquiescendo com indiferença bovina e uma reconfortante sensação de normalidade.

Por isso, os governos e as forças militares e de inteligência de quase todos os países, mormente os das superpotências, começaram a estudar dissimuladamente o Fenômeno UFO. Sob este prisma, os que acusam as diversas agências e corporações de encobri-lo, estão cobertos de razões. Esses órgãos, conforme seus interesses, ora têm fomentado e estimulado a disseminação da crença nos UFOs, ora têm ridicularizado, desmoralizado e desmentido os testemunhos de pessoas sinceras que narram os eventos que lhes aconteceram, confundindo sobremaneira o público. Grupos políticos e religiosos têm sistematicamente explorado a credulidade da massa, seja de maneira frívola ou contundente. Essa credulidade é o que está por trás da motivação de tantas farsas e simulações no âmbito do Fenômeno UFO.

A tecnologia dos anos 90 já permitia aos cientistas militares construírem veículos em formas de discos dotados de plataformas de operações de reconhecimento para combate ao terrorismo, por exemplo. Esses discos têm tamanhos variados e são equipados com dispositivos capazes de produzirem efeitos tais como tonturas, torpores, paralisias, desmaios ou alucinações. Desde sempre esses efeitos foram atribuídos aos UFOs. Destarte, fazer as pessoas pensarem que estão sendo atacadas por um veículo extraterrestre e não por uma arma secreta de alguma potência inimiga constitui-se num ardiloso estratagema.

Em decorrência disso, na Ufologia formou-se um complexo semântico de que os governos em geral escondem tudo o que sabem sobre os UFOs, se é que não fizeram acordos espúrios com os próprios ETs, permitindo-lhes que ajam à vontade sequestrando e violando pessoas. Tentemos apenas por um instante imaginar o governo de um país como os Estados Unidos, a Inglaterra, a Rússia ou a China intimidando e/ou comprando milhares de pessoas, desde militares, cientistas, engenheiros, administradores e chefes de seções, até simples office-boys, servidores de cafezinhos e faxineiros, isso sem mencionar repórteres, fotógrafos, ufólogos e outros que por ventura venham a tomar conhecimento da “conspiração”.  É claro que nenhum deles poderia contar nada aos seus familiares, colegas e vizinhos, como se o ser humano não tivesse o menor pendor para a fofoca. É praticamente inimaginável que um governo, por mais bem estruturado que fosse, pudesse manter incólume um segredo tão grandioso como esse. Não seria possível fazer uma conspiração nessa escala que durasse tanto tempo sem que ninguém a desvendasse, ainda mais em uma nação democrática em que a imprensa e a opinião pública costumam investigar e expor tudo, sem deixar praticamente nada encoberto, como nos Estados Unidos – bem diferentemente do que ocorre aqui, onde a mídia brasileira não só esconde tudo o que é ruim para as esquerdas e a favorece inteiramente, como vem ajudando a tornar toda a cultura brasileira uma extensão da ideologia esquerdista. A questão é que muitas pessoas que se julgam bem informadas, quando tomam conhecimento de algo que até então desconheciam, automaticamente atribuem a sua ignorância à existência de uma conspiração, a uma vasta operação de cover-up. Não lhes ocorrem que se não sabem é porque deixaram de saber por pura negligência ou preguiça mental.

O que muitos fingem não saber ou preferem ignorar é que por trás de todo esse boato de conspiração o que há é o propósito deliberado de atacar e enfraquecer os Estados Unidos, semeando o ódio contra a única nação capaz de conter o avanço do totalitarismo islâmico e comunista no mundo. Aliás, os que poupam a KGB e os serviços secretos de outros países totalitários e vivem acusando a CIA, a NASA e o próprio governo dos Estados Unidos de terem feito acordos com ETs, poderiam assumir de vez sua real identidade como “amigos” de Osama Bin Laden, Mahmoud Ahmadinejad, Kim Jong-il, Hu Jintao, Fidel Castro, Hugo Chávez, Evo Morales e companhia. Portanto, ainda que involuntariamente, estes são apologistas do totalitarismo, cúmplices morais do genocídio praticado pelos regimes comunistas que já mataram mais de 100 milhões de pessoas no mundo e estão colaborando ativamente para acabar de vez com o pouco de liberdade que ainda nos resta.

… as autoridades oscilaram entre a admissão de que os
UFOs provinham do espaço exterior e a negação total
de sua existência.

Em entrevista concedida ao jornalista norte-americano Edward Griffin em 1984 [Disponível no site do YouTube], o ex-agente da KGB Yuri Bezmenov expôs as táticas subversivas do Serviço Secreto Soviético contra a sociedade ocidental, explicando como a ideologia marxista estava destruindo os valores americanos, desestabilizando a economia e provocando crises para que o sistema totalitário comunista fosse implantado no mundo livre. O processo de subversão ideológica, conforme esmiuçou Bezmenov, é legítimo e aberto, e não tem nada a ver com espionagem como se vê em filmes de James Bond. Na realidade, a ênfase principal da KGB não é a área de inteligência. A KGB só trabalha em“espionagem” tradicional [Como a CIA, por exemplo] usando 40% dos seus esforços. O restante é de um outro tipo de ação, de implementação muito mais lenta e de resultados idem, chamado de “medidas ativas” e de“influência”, um processo de desmoralização e lavagem cerebral feito de forma tão sutil, gradual e ininterrupta que, ao fim do processo, as pessoas submetidas a ela agem como se fossem agentes anticapitalistas ou ao menos antiamericanos. Trata-se basicamente de uma mudança de percepção ou realidade de cada cidadão, pois apesar da quantidade de informações, ninguém consegue chegar a conclusões certas de como se defender, defender suas famílias, suas comunidades e seu país. O processo levaria no mínimo três gerações para dar resultado. O “dar resultado”significa cooptar um número tão grande de militantes e simpatizantes – conscientes ou não – que, quando esta geração galgasse posições de podere controle dentro da sociedade, o processo se auto-alimentaria a si mesmo, criando mais e mais militantes e simpatizantes. A profundidade da lavagem cerebral obtida seria tal que, conforme as palavras de Bezmenov,“ argumentos, nem mesmo a verdade serviria para abrir os olhos desses indivíduos. Mesmo que se mostrasse um campo de concentração em pleno funcionamento a toda esta gente, eles nem assim iriam finalmente acreditar”.

No Brasil, o processo de criação de “inimigos internos”, “alienados” e “idiotas úteis” já foi há muito completado, tanto que assumiram a governança, mudaram as leis e estão aos poucos implementando um regime totalitário disfarçado de democracia, “um sistema repressivo tão perfeito como jamais houve no mundo”, conforme vem denunciando Olavo de Carvalho. Os que foram convertidos e tiveram suas mentes lavadas continuam por sua vez, tal como zumbis ou robôs pré-programados, a pôr em prática as“medidas ativas” de “influência” e “propaganda ideológica”.  Pelo que vemos no mundo e no Brasil de hoje, a tal máquina continua a fabricar mais e mais idiotas – alguém aí vai dizer que o comunismo acabou? –, especialmente na América do Sul. A KGB, a maior e mais poderosa organização de espionagem e subversão de qualquer tipo que já existiu na história em todos os tempos, ao contrário do que muitos pensam, continua tão ativa hoje quanto nos tempos da Guerra Fria, levando a contento suas campanhas de guerras culturais, de difamação e de distribuição de dinheiro para cor-romper consciências. Só na Rússia ainda emprega cerca de 500 mil funcionários, sem contar os mais de 10 milhões de agentes disfarçados e infiltrados em todas as áreas – inclusive na Ufologia – em vários países do mundo.

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