No Templo do Pavilhão Dourado

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga (texto e fotos) e Alexandre Akio Watanabe (fotos com a presença de CTS)

Trago aqui as fotos que tirei durante a visita que fiz ao lendário Kinkaku-ji (金閣寺), o Templo do Pavilhão Dourado, rodeado pelo Kyōko-chi (lago espelhado de água cristalina que reflete toda a beleza e exuberância do prédio, proporcionando, ao visitante, um espetáculo de rara beleza), na cidade de Quioto (fundada no século I e que foi a capital do Japão Imperial até 1868, quando foi substituída por Tóquio).

Todo o pavilhão, exceto o andar térreo, é revestido de folha de ouro puro e no telhado está uma fenghuang dourada (fênix chinesa).

O Pavilhão Dourado foi construído em 1397 para servir como local de descanso para Ashikaga Yoshimitsu (1358-1408), o terceiro xogum do Xogunato Ashikaga, que governou entre 1368 e 1394, durante o período Muromachi (regime militar feudal estabelecido por Ashikaga e controlado pelos xoguns do seu clã de 1336 à 1573). Foi o seu filho mais velho Ashikaga Yoshimochi (1386-1428) quem, atendendo ao pedido de seu pai, o converteu em um templo Zen de orientação Rinzai (uma das três escolas Zen budistas no Japão, as outras sendo a Soto e a Obaku), linha da escola chinesa Linji, fundada durante a dinastia Tang (618-906) por Linji Yixuan (falecido em 866).

Fotografia pintada do Japão, datada de antes de 1886, de acordo com uma nota escrita no álbum que contém as fotografias. Autor presumido das fotografias originais: Adolfo Farsari.
Praticamente nada restou do Kinkaku-ji após o incêndio de 1950.

Ao longo da história, durante guerras, o templo foi incendiado inúmeras vezes. Em 1950, o templo foi incendiado por um monge mentalmente perturbado, episódio ficcionado dramaticamente pelo escritor Yukio Mishima em seu livro mais famoso, publicado em 1956, intitulado justamente de O Templo Dourado. Foi pela leitura desse romance psicológico, aliás, e depois pelo filme Mishima: A Life in Four Chapters (1985), produzido por nada menos do que Francis Ford Coppola e George Lucas e dirigido por Paul Schrader (roteirista de Taxi Driver), que o O Pavilhão Dourado se revelou para mim. Nascido em 1925, Mishima, o mais ocidentalizado e ao mesmo tempo o mais japonês dos escritores nipônicos contemporâneos, acabaria por seguir o gesto extremado do monge budista mentalmente perturbado que o incendiou, quando, na manhã de 25 de novembro de 1970, cometeu seppuku (suicídio ritual samurai) dentro do quartel das Forças Armadas de Tóquio em protesto ao abandono de antigos códigos de honra e tradições.

Yukio Mishima, com a mão na cintura, preste a cometer seppuku (suicídio ritual samurai) no quartel das Forças Armadas de Tóquio.

A literatura moderna japonesa do pós-guerra passou a refletir a nova realidade sócio-política do país, e Mishima foi o maior dos renovadores. Sua universalidade, que veio a ser a tônica dos ficcionistas japoneses, sucumbiu, no plano pessoal, ao seu ultranacionalismo, ao seu apelo, em ato extremado, que se anteciparia em décadas ao extremismo ideológico e religioso que temos hoje em dia, pelo retorno às velhas tradições, enfim, ao velho Japão hermético dos xoguns, dos clãs, dos samurais e dos códigos de honra. Os japoneses, assim como Mishima, podem ter se aberto ao mundo e absorvido alguns modelos de trabalho e produção do Ocidente, mas no ambiente de trabalho, se comportam e se entregam como se ainda estivessem sob os esforços de guerra, e ao fim da jornada de cada dia, retornam para casa trazendo no espírito e nos modos a carga cultural do sistema de quartel.

Vezes sem conta o templo teve de ser restaurado e novos revestimentos de ouro, mais espessos, tiveram de ser colocados. O que vemos, portanto, não é, obviamente, o templo original, que se de um lado ainda desperta um certo encanto, por outro deixa a impressão de que perdeu a sua “beleza espiritual”, tornando-se apenas uma atração turística para “inglês ver”, para fins lucrativos, já que há barracas e lojas por todos os lados. Ainda assim, vale a visita.

Chegada à Estação de Quioto (Kyoto Station – 京都駅)

A Torre de Quioto (Kyōto Tawaa) com seus 131 metros de altura

Turistas na Estação de Quioto aguardam o ônibus para o Templo do Pavilhão Dourado

À caminho do Templo do Pavilhão Dourado

Quase lá! No portão de entrada do ‘Shariden’, local onde se situa o Templo do Pavilhão Dourado

O pesado portão de madeira do Shariden

O ingresso para o Templo Dourado

Turistas do mundo inteiro vêm a Quioto para ver o Templo do Pavilhão Dourado 

Minhas primeiras impressões do Templo do Pavilhão Dourado 

Turistas europeus fotografando o Templo do Pavilhão Dourado

Bem defronte ao Templo do Pavilhão Dourado

 

O comércio abunda nas cercanias do Templo do Pavilhão Dourado

Um adeus ao Templo do Pavilhão Dourado, visto aqui do alto e de longe

Folheto promocional

No folheto, uma foto do interior do Templo Dourado, cuja entrada é vedada ao público

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