Como a Ordem dos Cavaleiros Templários criou o Sistema Bancário Internacional

A Ordem dos Templários, fundada em 1118 em Jerusalém, juraram pobreza, castidade e obediência de um lado; do outro, tornaram-se uma das mais ricas e poderosas instituições do mundo. Um dos motivos, além das Cruzadas, foi o de terem encontrado nas ruínas do Templo de Salomão, túneis secretos que levavam ao tesouro da biblioteca oculta onde estavam guardados os segredos da antiga Ordem Hermética a qual pertenceu o rei Salomão, contendo também os diversos segredos de construção e arquitetura, segredos de navegação e astronomia, as Tábuas da Lei e a Arca da Aliança. Os Cavaleiros Templários estiveram por trás da criação do Sistema Bancário Internacional, emprestando dinheiro às Casas Reais e deixando-as reféns e à mercê de sua chantagem. E foram os Templários que iniciaram a construção da recém incendiada Catedral de Notre-Dame em Paris em 1163. Ali, na Praça Parvis, na Île de la Cité, a Paris original, às margens do Rio Sena, o exato local onde os celtas celebravam seus rituais e onde os romanos erigiriam um templo a Júpiter, o último Grão-Mestre da Ordem dos Templários, Jacques de Molay, foi queimado em 18 de março de 1314. Não foi por acaso que a Catedral de Notre-Dame tenha sido pulverizada pelo fogo 705 anos depois… Saiba tudo sobre sobre os Templários lendo esta matéria a partir de agora.

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga (texto e slides)

A Ordem dos Templários ou dos Cavaleiros Templários foi fundada em 12 de junho de 1118 em Jerusalém pelo fidalgo francês Hugues II de Payns [Hugues ou Hugo de Payens (1070-1136)].

Nascido em Champagne, Payens era da linhagem dos Montbard, família a qual pertencia o abade francês e doutor da Igreja São Bernardo de Clairvaux (1090-1153), que viria a redigir a regra monástica da Ordem dos Templários e tornar-se o seu patrono. São Bernardo defendia os judeus e convidava cabalistas para trabalhar na Abadia de Clairvaux (Claraval). Ele pediu a cooperação da Ordem, da qual ganhou de presente várias propriedades a ela pertencentes, para reabilitar ladrões, sacrílegos, assassinos, perjuros e adúlteros que estavam dispostos a se alistarem nas fileiras das Cruzadas pela libertação da Terra Santa.

Em Jerusalém, Payens, um veterano da Primeira Cruzada (1096-1099), tendo passado 22 anos no leste da Europa, organizou um grupo de nove cavaleiros para defender Jerusalém dos infiéis, guardar o Santo Sepulcro e proteger os peregrinos que se dirigiam a Terra Santa. Como grão-mestre, liderou a Ordem dos Templários por quase vinte anos até a sua morte, ajudando a estabelecer a fundação da Ordem como uma importante e influente instituição internacional militar e financeira. Na sua visita a Londres em 1128, angariou homens e dinheiro para a Ordem, como também fundou a sua primeira sede lá, iniciando a história dos templários na Inglaterra.

Os membros da Ordem dos Templários faziam voto de pobreza e castidade para se tornarem monges, usavam mantos brancos com a característica cruz vermelha, e o seu símbolo passou a ser um cavalo montado por dois cavaleiros.

Como exército nunca foram muito numerosos: não passavam de quatrocentos cavaleiros em Jerusalém, no auge da Ordem. Mesmo assim, foram conhecidos como o terror dos maometanos. Seus membros estavam entre as mais qualificadas unidades de combate nas Cruzadas. Como um punhado de cavaleiros conseguiu proteger peregrinos, guardar o Santo Sepulcro e ao mesmo tempo defender Jerusalém? Esse feito talvez se explique pelos altos conhecimentos a que tiveram acesso.

Em decorrência do local onde originalmente se estabeleceram (o Monte do Templo em Jerusalém, onde foi construído o Templo de Salomão, e onde se ergue a atual Mesquita de Al-Aqsa) e do voto de pobreza e da fé em Cristo, denominaram-se “Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão”.

Ao se instalarem nas ruínas do Templo de Salomão, diz-se que encontraram os túneis secretos que levavam ao tesouro da biblioteca oculta onde estavam guardados os segredos da antiga Ordem Hermética a qual pertenceu o rei Salomão (que governou durante cerca de quarenta anos, em torno de 971 a.C. a 931 a.C.), contendo também os diversos segredos de construção e arquitetura (gótica), segredos de navegação e astronomia, as Tábuas da Lei e a Arca da Aliança. Descobriram uma passagem oculta só conhecida antes por iniciados nos mistérios, e no fim dessa passagem, uma porta dourada onde estava escrito: “Se é a curiosidade que aqui vos conduz, desisti e voltai. Se persistirdes em conhecer os mistérios da existência, fazei antes o vosso testamento e despedi-vos do mundo dos vivos.” Dessa forma, após muita hesitação, um dos cavaleiros bateu na porta, dizendo: “Abri em nome de Cristo”, e a porta abriu-se. Ao entrarem, encontraram entre figuras estranhas, estátuas e estatuetas, um trono coberto de seda e, sobre ele, um triângulo com a décima letra hebraica, YOD. Junto aos degraus do trono, estava a Lei Sagrada.

Oficialmente aprovada pelo papa Honório II (1075-1130, eleito em 1124 através de um “suborno” aceito pela família Pierloni) em 1128, no Concílio de Troyes, a Ordem ganhou isenções e privilégios, dentre os quais o de que seu líder teria o direito de se comunicar diretamente com o Papa. Honório II dá a eles uma vestimenta especial, um hábito e um manto brancos.

O poder da Ordem tornou-se tão grande que em 1139 o papa Inocêncio II (1081-1143, eleito em 1130) emitiu a bula Omne datum optimum (Tudo perfeito), declarando que os templários não deviam obediência a nenhum poder secular ou eclesiástico, apenas ao próprio Papa.

Em 1145, o papa Eugênio III (1100-1153, eleito em 1145) lhes concede como distintivo a cruz vermelha, que foi inicialmente usada no lado esquerdo do manto e, mais tarde, também no peito.

Em 14 de outubro de 1229, o papa Gregório IX (1160-1241, eleito em 1227) redige a bula Ipsa nos cogit pietas (Obriga-nos a amar), isentando a Ordem de pagar as décimas para as despesas da Terra Santa.

A Ordem do Templo sempre possuiu duas hierarquias, uma interna e outra externa. Faziam parte da hierarquia externa os militares que defendiam a Terra Santa e os peregrinos que a ela se dirigiam. Já a interna era composta por homens (e algumas mulheres) que se dedicavam principalmente aos estudos herméticos e ocultos.

Os membros não combatentes da Ordem erguiam muitas fortificações por toda a Europa e Terra Santa e geriam uma vasta infra-estrutura econômica, inovando em técnicas financeiras que constituíram o embrião do atual sistema bancário. Na área educacional, criaram os colégios (daí a palavra inglesa coleges, que deriva de colegia, o Colégio de Romano dos Cardeais).

O sucesso dos templários esteve vinculado ao das Cruzadas. As derrotas sofridas pela Ordem reforçaram a ideia nos altos escalões do clero de que os templários já não cumpriam sua missão de liberar e proteger os caminhos para Jerusalém. A principal derrota aconteceu em 1291, quando os muçulmanos conquistaram São João de Acre, a última cidade cristã na Terra Santa.

Rumores acerca da cerimônia de iniciação secreta dos templários e de seu envolvimento com o ocultismo e o satanismo (o que incluía a adoração a Baphomet), geraram desconfianças, e o rei francês Filipe IV, o Belo (1268-1314, rei a partir de 1285), profundamente endividado com a Ordem e incomodado com sua autonomia e poder, começou a pressionar o papa Clemente V (1264-1314, eleito em 1305) a tomar medidas contra ela.

Jules Michelet (1798-1874) teria dito que: “Sempre que um templário foi recebido na Ordem, ele negou a Cristo, foi forçado a cuspir em um crucifixo e, muitas vezes, até mesmo pisar nele com os pés.”

A ordem de prisão foi redigida em 14 de setembro de 1307, dia da exaltação da Santa Cruz, e na sexta-feira, 13 de outubro de 1307, os templários da França são presos em massa por ordem de Filipe IV. O grão-mestre Jacques de Molay é capturado em Paris. Os templários foram encarcerados em masmorras e submetidos a torturas para se declararem culpados de heresia. Em 1312, o papa Clemente V decreta a dissolução da Ordem e a prisão de seus líderes que, depois de interrogados, são condenados a morrer na fogueira em 18 de março de 1314.

Na Praça Parvis, na Île de la Cité em Paris, às margens do Rio Sena, em frente à fachada ocidental da Catedral de Notre Dame, no exato local onde os celtas celebravam seus rituais e onde mais tarde os romanos erigiriam um templo a Júpiter –  também neste local existiu a primeira igreja de Paris, a Basílica de Saint-Etienne, projetada pelo rei franco Childeberto I (497-558), da dinastia Merovíngia, por volta de 528 –, há uma placa assinalando o lugar da execução de Jacques de Molay: “Neste local, Jacques de Molay, último Grão-Mestre da Ordem dos Templários, foi queimado em 18 de março de 1314.”

Antes de ser queimado vivo nesse dia, o grão-mestre Jacques de Molay (nascido em 1244) teria rogado uma maldição a partir da pira montada no pelourinho diante da Catedral de Notre-Dame para que o papa Clemente V, Felipe IV e seus descendentes tivessem algum revés fatal. A lenda afirma que De Molay, enquanto era queimado lentamente, voltou a cabeça em direção ao local onde se encontrava o rei e imprecou: “Convoco-os ao tribunal dos céus antes que termine o ano, para que recebam vosso justo castigo. Malditos, malditos, malditos!… Sereis malditos até treze gerações…” E de fato, apenas um mês depois, em 20 de abril, o papa Clemente V veio a falecer, e antes do final daquele ano, em 29 de novembro, o rei Felipe o Belo deixou este mundo. Nos quatorze anos seguintes, os três filhos do rei, seus sucessores no trono, vieram a falecer, encerrando a linhagem direta de três séculos da dinastia capetiana.

Ironicamente, Luís XVI (1754-1793, proclamado rei da França em 1774), era um descendente de Felipe O Belo e de sua neta, Joana II de Navarra (1312-1349). Quando em 21 de janeiro de 1793 a cabeça do rei caiu na cesta da guilhotina, um homem não identificado se aproximou, mergulhou a mão no sangue do monarca, sacudindo-a no ar e gritou: “Jacques de Molay, fostes vingado!”

O Pergaminho de Chinon (o nome refere-se ao Castelo de Chinon, na diocese de Tours), datado de 17 a 20 de agosto de 1308, publicado pelo estudioso francês Étienne Baluze (1630-1718) no século XVII na obra Vitae Paparum Avenionensis (A Vida dos Papas de Avignon), e descoberto nos Arquivos do Vaticano em 2002 pela paleógrafa italiana Barbara Frale, revela que em 1308 o papa Clemente V havia absolvido secretamente o último grão-mestre, Jacques de Molay, bem como os demais líderes dos templários das acusações feitas pela Santa Inquisição. O Vaticano possui uma cópia autenticada do documento sob a referência “Archivum Arcis Armarium D 218”. O pergaminho original encontra-se sob a referência “D 217”. De acordo com o documento, todos os interrogatórios dos acusados, entre 17 e 20 de agosto, ocorreram na presença de notários públicos e testemunhas selecionadas. Entre as acusações estavam sodomia, negar a Deus, beijos ilícitos, cuspir na cruz e adoração a um ídolo (Baphomet). Apesar dos membros da Ordem terem sido absolvidos de todas as acusações, o grão-mestre e seus subordinados permaneceram presos até 1314, quando foram queimados vivos em Chinon.

Em 25 de outubro de 2007, em uma cerimônia na Sala Vecchia do Sínodo, o Vaticano anunciou que liberaria uma cópia do Pergaminho de Chinon após “700 anos”. O Grão Priorado de Portugal esteve representado por Alberto da Silva Lopes, preceptor das Comendadorias e Grão Cruz da Ordem Suprema e Militar dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão.

De um lado os Templários juraram pobreza, castidade e obediência; do outro, tornaram-se uma das mais ricas e poderosas instituições do mundo.

Além de possuir riquezas (ainda hoje procuradas) e uma enorme quantidade de terras na Europa, a Ordem dos Templários possuía uma enorme esquadra. Os cavaleiros, além de temidos guerreiros em terra, eram também exímios navegadores e utilizavam sua frota para deslocamentos e negócios com várias nações. Devido ao grande número de membros da Ordem, apenas uma parte dos cavaleiros foram aprisionados (a maioria franceses). Os cavaleiros de outras nacionalidades não foram aprisionados e isso possibilitou que se refugiassem em outros países. Segundo alguns historiadores, os cavaleiros foram para a Escócia, Suíça, Portugal e até mais além usando seus navios. Muitos deles mudaram seus nomes e se instalaram em países diferentes para evitar uma perseguição do Rei e da Igreja.

Um dado interessante relativo aos cavaleiros que se refugiaram na Suíça, é que antes dessa época não há registros da existência do sistema bancário naquele país. Como é sabido, no auge de sua formação, os cavaleiros da Ordem desenvolveram um sistema de empréstimos, linhas de crédito e depósitos de riquezas que na sua época já se assemelhava bastante aos bancos de hoje. Provavelmente foram os cavaleiros que se refugiaram na Suíça que implantaram o sistema bancário que até hoje é a principal atividade do país.

Os Cavaleiros Templários estiveram por trás da criação do Sistema Bancário Internacional, emprestando dinheiro às Casas Reais e deixando-as reféns e à mercê de sua chantagem. Para que todo o movimento financeiro possa correr solto e ser protegido, é necessário que haja uma boa legislação que garanta que nos bancos da Suíça fortunas estejam bem guardadas e fora do alcance dos olhares dos curiosos. Pois é dali que vem o dinheiro para criar movimentos revolucionários subversivos e financiar guerras. Quem é que protege e cria essa legislação?

Os membros do Parlamento Suíço e os seus parlamentares costumam fazer um gesto com as mãos que se chama “O Cosmos” ou “Tríade”, evocado sempre que alguém jura Fidelidade ao Vaticano e ao Papa. O mesmo gesto é feito pelos soldados da Guarda Suíça Pontifícia, corpo de guarda responsável pela segurança do Papa desde 22 de janeiro de 1506 [em atendimento a uma solicitação de proteção feita pelo papa “guerreiro” Júlio II (1443-1513, eleito em 1503)]. O dia 6 de maio é a data de admissão de novos guardas, que prestam juramento diante do Papa e fazem o juramento com a mão direita levantada e os três dedos do meio abertos, recordando a Santíssima Trindade. O uniforme da Guarda Suíça foi desenhado por Michelangelo. A língua oficial da Guarda Suíça é o alemão. Inicialmente a Guarda Suíça era um conjunto de soldados mercenários suíços que combatiam por diversas potências europeias entre os séculos XV e XIX em troca de pagamento.

A bandeira da Suíça, adotada pela Constituição Suíça em 1848, foi desenhada pelo engenheiro, urbanista e general Guillaume-Henri Dufour (1787-1875), co-fundador, em 1863, na cidade de Genebra, da The International Committee of the Red Cross (ICRC), ou Comitê Internacional da Cruz Vermelha, instituição humanitária concebida pelo filantropo suíço Jean Henri Dunant (1828-1910). O comitê de 25 membros da Cruz Vermelha possui uma autoridade única sob a lei internacional humanitária para proteger a vida e a dignidade de vítimas de conflitos internacionais e internos. A bandeira Suíça deriva de uma das bandeiras de guerra do Sacro Império Romano.

Os nazistas possuíam uma bandeira que ostentava a cruz vermelha junto com a suástica. Sabe-se que dezenas de criminosos de guerra nazistas fugiram para a América do Sul com a ajuda da Cruz Vermelha.

Na Inglaterra, Eduardo II (1284-1327, rei a partir de 1307), que não concordara com as ações do sogro Felipe, ordena uma investigação cujo resultado proclama a inocência da Ordem Templária. Na Inglaterra, Escócia e Irlanda, os templários distribuíram-se entre a Ordem dos Hospitalários, monastérios e abadias. Na Espanha, o Concílio de Salamanca declara unanimemente que os acusados são inocentes e funda a Ordem de Montesa. Na Alemanha e Itália, os Cavaleiros permanecem livres.

No sábado, 14 de outubro de 1307, dia seguinte ao aprisionamento dos cavaleiros franceses, toda a esquadra zarpou durante a noite, desaparecendo sem deixar registros. Cinco anos depois, o rei português Dom Dinis I, o Lavrador (1261-1325, coroado em 1279), fundava a Marinha Portuguesa, nomeando o primeiro almirante português de que se tem notícia, o genovês Manuel Pessanha, e ordenando a construção de várias docas, apesar de Portugal não ter armada. Dom Dinis evita entregar os bens dos templários à Igreja e consegue criar uma nova Ordem, a Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, oficialmente reconhecida em 14 de março de 1319 pelo papa João XXII (1249-1334, eleito em 1316). A Ordem de Cristo acabou herdando assim as propriedades e os privilégios da Ordem Templária. O símbolo adotado foi uma adaptação da cruz orbicular templária.

A cruz orbicular, de origem oriental, expandiu-se pelo Egito e chegou a Europa via Bizâncio e norte da África e a China por intermédio dos missionários nestorianos [propaladores da doutrina cristológica proposta por Nestório (386-451), patriarca de Constantinopla (428-431), segundo a qual haveria uma desunião entre as naturezas humana e divina de Jesus]. Torna-se universal. Todos os reis portugueses, até Sancho II (1209-1248, rei a partir de 1223), usaram esta cruz nos respectivos selos. Os templários portugueses usaram-na como símbolo místico. Só com Dom Dinis é que a cruz se estiliza na Cruz da Ordem de Cristo (os Templários renovados). A sua origem insere-se na tradição antiquíssima da cruz “inscrita no círculo”. É a “dupla hélice”. Segundo Platão, a cruz orbicular é um prodígio de geometria: a intersecção de um círculo central com quatro círculos laterais.

Parecia loucura para os europeus circunavegar a África e chegar às Índias. Não havia informação de como navegar no hemisfério sul, porque só o céu do norte havia sido mapeado. Acreditava-se que no sul os mares eram repletos de monstros terríveis. De onde teria vindo o conhecimento que conduziu à descoberta do Novo Mundo? Possivelmente dos Templários que, durante as Cruzadas, além de se especializarem no transporte marítimo de peregrinos para a Terra Santa, mantiveram intenso contato com os viajantes de toda a Ásia, além de estarem de posse dos segredos marítimos deixados pelo rei Salomão.

A América provavelmente foi visitada regularmente por vikings, e na época pré-cristã por egípcios, gregos, fenícios, cartagineses e celtas. Todas essas informações haviam sido catalogadas e guardadas por ocultistas desde a época de Salomão. Os templários tinham em suas mãos relatórios reservados de navegadores que já haviam percorrido regiões desconhecidas, além de preciosidades como as tábuas de declinação magnética, que permitiam calcular a diferença entre o Pólo Norte verdadeiro e o Pólo Norte magnético que aparecia nas bússolas. E à medida que as conquistas avançavam no Atlântico, eram feitos novos mapas de navegação astronômica que forneciam orientação pelas estrelas do Hemisfério Sul, a que também unicamente os iniciados tinham acesso.

Portugal ia se tornando a maior potência marítima do mundo. A Escola de Sagres foi uma lenda criada por poetas românticos portugueses do século XIX. Na verdade, foi do Porto de Lagos, no sudoeste de Portugal, que a Ordem de Cristo, liderada pelo infante Dom Henrique de Avis (1394-1460), deflagrou a expansão marítima do século XV. A Ordem de Cristo, sendo a continuação da Ordem dos Templários, possuía normas secretas e só conhecidas na totalidade pelo grão-mestre. Ao entrar na Ordem, o novato conhecia só uma parte das regras que o guiavam, e à medida que era promovido, sempre em batalha, tinha acesso a mais conhecimentos reservados aos graus hierárquicos superiores. Rituais de iniciação marcavam as promoções. Foi essa estrutura que permitiu à Ordem de Cristo manter em segredo os conhecimentos de navegação pelo Atlântico.

A proposta visionária recebeu o aval de Martinho V (1368-1431, eleito em 1417, o papa que pôs fim ao longo cisma do Ocidente da Igreja) em 1418 na bula Sane Charissimus. As terras tomadas dos “infiéis” passariam à Ordem de Cristo, que teria sobre elas tanto o poder temporal, de administração civil, quanto o espiritual, isto é, o controle religioso e a cobrança de impostos eclesiásticos.

Em 1498, Vasco da Gama (1460 ou 1469-1524) conseguia chegar às Índias. Pedro Álvares Cabral (1467 ou 1468-1520) só esteve no comando da esquadra porque era Cavaleiro da Ordem de Cristo e, como tal, tinha duas missões: criar uma feitoria na Índia e, no caminho, tomar posse de uma terra já conhecida, o Brasil. Sua presença era indispensável, pois só a Ordem de Cristo, herdeira da Ordem dos Templários, tinha autorização para ocupar os territórios tomados dos infiéis.

A Ordem de Cristo usava a cruz vermelha em fundo branco nas naus portuguesas, a mesma que a Ordem dos Templários usava. Durante a colonização, eventualmente doavam à família real o domínio material dos territórios, mantendo o controle espiritual. À Corte, interessada em explorar as riquezas e promover o desenvolvimento do comércio, cabia então consolidar a posse.