Stranger Things expõe o controle mental do Projeto MKULTRA

Texto de Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Por ser fã de Arquivo X e por haver um trailer antigo (dos tempos das fitas VHS) desta série que dizia Strange Things Happen Every Day, assisti a primeira temporada de Stranger Things (8 episódios de uns 45 minutos cada, levados ao ar pela Netflix em 15 de julho de 2016) esperando que fosse um novo X Files. Mas afora certos elementos (experiências secretas governamentais e fenômenos paranormais) e a existência de uma conspiração, a série dos irmãos Matt e Ross Duffer está muito mais para Steven Spielberg do que Chris Carter.

Como os acontecimentos se passam em 1983, nada mais natural do que recriar o clima da época – o que, cabe reconhecer, foi feito com tanto apuro e esmero que nos sentimos, de fato, nos 80 – tomando por base ET, Goonies e Poltergeist. Há ainda ecos de Carrie (Carrie, a Estranha, de Brian De Palma), The Thing (O Enigma de Outro Mundo, de John Carpenter) e Stand By Me (Conta Comigo, de Rob Reiner), além de inúmeras referências a Lord of The Rings (Senhor dos Anéis), Dungeons and Dragons (Caverna do Dragão) e Star Wars (Guerra nas Estrelas). A trilha sonora é toda dos 80 e resgata hits como Hazy Shade Of Winter, das Bangles. Pura nostalgia.

A conspiração propriamente não gira em torno de ETs, mas do famigerado Projeto MKULTRA, tutelado pela CIA, que, verdade verdadeira, entrou em funcionamento em 13 de abril de 1953. Em meu livro inédito Discos Voadores e Sociedades Secretas, bem como no meu livreto igualmente inédito A ilusão da verdade: Nossa realidade distorcida – O controle mental total do Instituto Tavistock e dos Projetos MKULTRA e Monarca; (que integra a coleção “O Culto da Verdade”), detalho as diversas metodologias que foram usadas para manipular os estados mentais individuais e alterar as funções cerebrais, entre elas a administração sub-reptícia de drogas (como o LSD) e outras substâncias químicas, eletrochoque, torturas físicas e mentais, privação sensorial, isolamento, abuso verbal e sexual sistemático e até experiências de quase-morte. Muitas pessoas que pensavam estar sendo abduzidas e abusadas por alienígenas, na verdade estavam sendo raptadas pelo governo para experiências MKULTRA!

Millie Bobby Brown

E é o que se vê na série, nas torturas que são infligidas à menininha Eleven (Millie Bobby Brown) para que desenvolva capacidades telecinéticas – seus poderes são tão fortes que ela acaba abrindo um portal para uma dimensão paralela, um mundo invertido!

Pode não ser Arquivo X, mas mesmo assim é bom demais.

A segunda temporada de Stranger Things está anunciada para estrear em 27 de outubro próximo, às vésperas do Halloween – aliás os fatos irão convenientemente se passar neste Dia das Bruxas de 1984, cerca de um ano após os eventos da primeira temporada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.