Pelo fim do Zoológico de Himeji e de todas as prisões e torturas de animais

Apesar da longa tradição em enjaular animais para que as pessoas paguem para vê-las e das críticas aos zoológicos não serem algo novo, lanço este apelo, esta campanha internacional pela aceleração do retorno de todos os animais em cativeiro à natureza e, em última instância, pelo fechamento de todos os zoológicos do mundo, estas crueldades travestidas de diversão, a começar pelo Zoológico de Himeji, no sul da província de Hyogo, no Japão, onde estive recentemente e presenciei, impactado, os abusos e os maus tratos inflingidos aos animais, aprisionados e confinados em jaulas, gaiolas e recintos minúsculos, longe de seu habitat natural e de uma vida satisfatória. Com os nossos clamores, pressões e reivindicações, tanto dentro como fora do Japão, forcemos as autoridades responsáveis ​​a acabar de vez com essas violações aos direitos dos animais – cujas capacidades de senciência os igualam a nós no que diz respeito às sensações e aos sentimentos – e proporcionar-lhes a liberdade e proteção devidas. Conto com o seu apoio. Os animais sofrem e aguardam pela sua solidariedade e ajuda.

Reportagem especial de Cláudio Tsuyoshi Suenaga (texto, fotos e filmes), correspondente internacional em Osaka, Japão

Fotos com a presença de CTS por Alexandre Akio Watanabe

Tive uma mais terríveis e impactantes experiências de minha vida ao visitar o Zoológico da Cidade de Himeji, situado bem ao lado do famoso Castelo de Himeji, no sul da província de Hyogo, o castelo mais famoso e visitado do Japão, construído no século XIV e que serviu de cenário para o filme You Only Live Twice (Com 007 Só Se Vive Duas Vezes), com Sean Connery, em 1967, e The Last Samurai (O Último Samurai), com Tom Cruise, em 2003.

Não fui lá propriamente por causa do zoológico, mas do Castelo, declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO em dezembro de 1993, um dos poucos ainda a conservar grande parte de sua estrutura de pedra e madeira original. Foi só no fim da tarde que resolvi fazer uma visita aos animais no zoológico, afinal, há décadas que não via a bicharada de perto – a última vez havia sido ainda na infância, levado que era com certa frequência pelos meus pais ao Zoológico de São Paulo (que em 2001 enfrentou uma crise institucional ao frustrar a ideia de criação de um parque temático e teve 73 animais mortos por envenenamento), na Avenida Miguel Estéfano, na zona sul, região onde morava. Além do que a entrada era muito convidativa por ser muito barata, apenas 210 ienes, 2 dólares ou pouco mais de 10 reais. 

A fachada do Himeji City Zoo, como vocês podem ver acima, parece indicar um lugar em que os animais vivem livres, soltos e felizes, quando na verdade não passa de um “cativeiro”, de um “campo de concentração”, um “centro de detenção” para animais do mundo inteiro arrancados de seus habitats naturais.
Os administradores do Zoológico de Himeji, para prevenir os visitantes de saírem traumatizados, deveriam colocar na entrada uma faixa de advertência igual a esta do Zoológico de Springfield, dos Simpsons: “Veja seus amigos animais na prisão”.

Arrependi-me amargamente. Todo o encantamento proporcionado pelo esplendor do Castelo, da jóia da coroa da arquitetura japonesa, todas as boas impressões, foram destruídas assim que comecei a constatar a lastimável e deprimente situação dos cerca de 390 animais de cerca de 100 espécies (incluindo elefantes asiáticos, ursos polares, leões-marinhos e pinguins) ali, mantidos confinados em tão deploráveis e miseráveis condições, em jaulas, gaiolas, cercados e recintos minúsculos e inadequados, que custei a acreditar que um país como o Japão, a zelar tão exemplarmente pelo seu patrimônio histórico, pudesse permitir aquilo.

Nenhuma pessoa normal e equilibrada, com um pingo de senso de humanidade e de constrição, enternecimento e misericórdia, deixa de sair dali profundamente chateada. Um péssimo exemplo para as crianças que visitam o zoológico diariamente em excursões escolares ou levadas pelos seus pais. Elas deveriam ser ensinadas que aquele não é, nem de longe, o jeito certo de tratar os animais, muito pelo contrário: que aquilo é pura e simplesmente tortura e crueldade travestidas de diversão, e nada mais.

Chega a ser inverossímil que em pleno 2020, com tanto que nossas consciências ecológicas já foram esclarecidas e ampliadas, algo assim ainda esteja acontecendo, e em um país avançado de Primeiro Mundo.

Inaugurado em 1º de dezembro de 1951 para comemorar a conclusão do Tratado de Paz de São Francisco (entre as forças aliadas e o Japão, assinado em 1949 para finalizar oficialmente a Segunda Guerra Mundial e especificar as compensações aos civis aliados que tinham sofrido crimes de guerra por parte das forças imperiais japonesas), o Himeji City Zoo, com seus quatro recintos de animais (a Casa dos Répteis, o Fosso Interno, a Fazenda de Interação e a Mini Fazenda) que mais lembram centros de detenção e campos de concentração, está completamente ultrapassado e sucateado, a anos-luz de distância dos padrões modernos de bem-estar animal.

O mapa do Zoológico de Himeji. Veja como os animais estão distribuídos.

Turistas do mundo inteiro que visitaram o Zoológico de Himeji e que já haviam visitado outros zoológicos em diferentes países, confirmam as minhas impressões e afirmam que nunca viram nada tão triste e repugnante. Você pode conferir centenas de testemunhos horrorizados e protestos veementes contra o Zoológico de Himeji na internet. Na plataforma Tripadvisor, por exemplo, não faltam relatos de pessoas que presenciaram, como eu, animais desolados e altamente estressados roendo as portas e barras das gaiolas, andando como loucos de um lado ao outro em suas jaulas, e até batendo suas cabeças contra as barras. Os recintos são tão pequenos que os animais mal podem se locomoverem e se exercitarem, especialmente aqueles que compartilham o espaço com vários outros de sua espécie. A recomendação da maioria é “Do not go there” (Não vá até lá), Horrible place, avoid it!” (Lugar horrível, evite!), a menos, é claro, que você queira se entristecer e se revoltar.

Eis alguns eloquentes testemunhos que selecionei:

“Havia um urso polar andando de um lado para o outro em uma gaiola de no máximo 5 metros de largura e um elefante de 42 anos que deve ter passado a vida em uma área do tamanho de um pequeno jardim urbano.”

“Animais de grande porte como ursos polares, hipopótamos e leões são mantidos em recintos minúsculos!”

“O urso polar tinha uma piscina que era tão pequena que nem podia nadar.”

“O urso polar está literalmente a 10 metros do camelo e a 20 metros do hipopótamo.”

“O zoológico tinha dois ursos polares em pequenos recintos com uma pequena piscina. Eu visitei durante a onda de calor, quando as temperaturas chegaram a 40 graus, mas não havia medidas adicionais para os ursos polares se refrescarem. Fiquei horrorizado com o fato de um zoológico como esse ainda estar em operação.”

“Atrocidade absoluta. Fiquei com o coração literalmente partido vendo animais andarem de um lado para o outro em pequenas jaulas.”

“É deprimente ver dois ursos polares em uma jaula tão pequena andando de um lado para o outro o dia todo, tendo apenas uma pequena poça de água em cada lado da jaula para se refrescarem.”

“Em um dia muito quente, o elefante não tinha acesso à água e continuava levantando a perna e cruzando-a repetidamente em 1, 2, 1, 2. Os ursos polares andavam angustiados ao redor de suas jaulas.”

“Meu coração afundou ao ver um enorme urso polar espremido em uma gaiola minúscula. Estava deitado em seus próprios excrementos e estava obviamente muito desidratado, já que sua respiração era muito áspera e sua papada estava seca.

“Este lugar simplesmente suga a alegria de você! Os animais são mantidos em gaiolas extremamente pequenas e sujas, com pouco espaço para se moverem! Evite o lugar se você tiver algum respeito pela vida. Este lugar só não é deprimente para uma pessoa sádica.”

“Fomos lá apenas por diversão, pois era muito barato, mas ficamos chocados com os padrões desse zoológico. Os pobres animais vivem em péssimas condições, em gaiolas minúsculas. Não entendo como isso ainda é permitido. Esses pobres animais não podem nem estar perto de serem felizes por viverem em tais condições. Isso é realmente uma lástima!”

“Pequenos recintos, animais angustiados, infraestrutura envelhecida. Todos saímos deprimidos com a qualidade de vida daqueles animais.”

“Os animais pareciam atordoados. Um dos dois ursos pardos andava de um lado para o outro repetidamente – estava obviamente com problemas mentais.”

“Visitei muitos zoológicos durante minhas viagens e no próprio Japão também estive no zoológico de Tóquio e no Kobe Animal Kingdom, onde os animais pareciam contentes e mais bem cuidados. O Zoológico de Himeji, entretanto, deveria ser fechado, pois não se importa nem um pouco com o bem-estar animal.”

“Se existe uma associação de resgate de animais no Japão, peço-lhe que faça algo para libertar esses animais de uma terrível existência que NÃO merecem. A maneira como vivem aprisionados é tremendamente cruel. Se eu pudesse, eu mesma os teria libertado.”

“O lugar mais triste do Japão.”

As autoridades da cidade de Himeji precisam urgentemente repensar e reconsiderar a existência desse zoológico macabro que fica no mesmo perímetro do castelo que recebe um grande afluxo de turistas estrangeiros, já que muitos desses acabam saindo com uma péssima impressão do Japão caso resolvam visitar também o zoológico. Não há um único animal feliz nesse lugar. O Zoológico de Himeji simplesmente desonra a cidade e o Japão como um todo. E mais do que por uma simples questão de promoção de uma boa imagem do país, que os políticos e administradores se compadeçam dos animais e façam uma mudança drástica em sua política, atendendo aos apelos das entidades defensoras dos direitos dos animais e dos grupos preservacionistas para pôr um fim a essa situação lastimável e sinistra.

Que os animais que tiveram, por alguma razão, de serem retirados de seus habitats naturais, não sejam mantidos em zoológicos, mas em santuários de animais não abertos à visitação pública, de modo a lhes garantir a tranquilidade e o bem-estar. O confinamento e a superexposição geram fortes traumas e perturbações psicológicas nos animais, que ficam muito estressados com a falta de espaço e de mobilidade e a presença constante e invasiva de curiosos, que por vezes os tratam apenas como objetos de diversão e até de perversão. Nesses santuários seriam permitidos apenas a presença de biólogos, zoólogos, veterinários e outros especialistas, sendo a visitação monitorada e estritamente controlada, com poucas pessoas de cada vez e em locais restritos, respeitando ao máximo a privacidade e condição de cada animal, em situação muito diferente da permissividade de visitação pública.

Nos santuários os animais também são mantidos cativos, no entanto, ao contrário dos zoológicos, não há aí uma intenção de manter o cativeiro indefinidamente. Zoológicos existem com foco no público visitante, ao passo que os santuários existem com foco nos animais. Não se trata, portanto, de uma “visão romântica” ou idílica, mas de uma constatação objetiva, baseada em uma comparação sensata. Santuários existem para manter e dar assistência a animais que necessitam: animais que foram resgatados de instituições onde eram explorados, animais atropelados ou machucados, animais desalojados devido à supressão de seus ambientes naturais, animais recuperados do tráfico, etc. O propósito de santuário é nobre: dar proteção aos animais, reabilitá-los e posteriormente reintroduzi-los em seus habitats naturais.

Escrevam (em japonês ou inglês) para o Himeji City Zoo (Zoológico da Cidade de Himeji) no endereço abaixo:

Endereço: 68 Honmachi, Himeji 670-0012, Prefeitura de Hyogo
Telefone: +81 79-284-3636

UM LUGAR HORRÍVEL: O que vi, fotografei e filmei no Zoológico da Cidade de Himeji, o zoológico do terror

Pergunto-me que crime esses animais cometeram para terem sido condenados a ficarem presos em espaços exíguos, muitos deles sujos e com pouca água ou alimentação.

Fiquei comovido ao me aproximar de uma gaiola onde havia uma Cacatua-das-molucas (Salmon-crested cockatoo), uma ave da ordem das Psittaciformes, originária da Indonésia e cujo habitat são as regiões costeiras, montanhas e florestas. Ao me ver, ela se agarrou nas barras da gaiola e ficou tentando se comunicar comigo, como que pedindo socorro, que a tirasse dali. Ela ficou pronunciando repetidamente a palavra “ohayo(bom dia em japonês), que alguém deve ter-lhe ensinado, e esticando suas garras para fora da gaiola, ao que estiquei o meu braço e minha mão para tentar tocá-las, mas não consegui alcançá-las devido a distância… Parecia que ela precisava de algum tipo de contato, carinho ou atenção…

A estressada e carente Cacatua-das-molucas, confinada em sua minúscula gaiola, buscando fazer “contato” com este autor, como que pedindo para ser libertada.

Jamais gostei de ver pássaros presos e engaiolados, tanto que, certa vez, décadas atrás, denunciei ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) um vizinho que capturava e comercializava pássaros e os mantinha cativos em seu próprio quintal. Sempre que vejo um pássaro preso em uma gaiola sinto um impulso tremendo e irresistível de soltá-lo. Qual o sentido de manter uma criatura que nasceu para voar e ser livre preso em uma gaiola? Se pudesse devolveria todos os pássaros que estão no Zoológico de Himeji ao seus devidos habitats. Confira mais alguns deles em suas tristes condições abaixo:

Uma arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus), ave da família Psittacidae proveniente dos biomas da Floresta Amazônica ou do cerrado e pantanal.
Uma arara-militar ou arara-verde (Ara militaris), originária da matas da Colômbia, Venezuela, Equador ou Peru.

Esta são brasileiras, sim, são nossas. Mais duas compatriotas injustamente presas no Japão. São Araras-Vermelhas (Ara chloropterus), ave psitaciforme, nativas das florestas do Brasil (sendo também encontradas no Panamá, Paraguai e Argentina). No Brasil, podem ser encontradas desde a Amazônia até o oeste do Piauí, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. O ninho da arara (palavra que vem do tupi a’rara, sendo ararapiranga o termo tupi para arara vermelha) é feito em ocos de árvores ou em buracos de paredes rochosas, onde coloca os ovos, os quais são chocados apenas pela fêmea, que fica no ninho. Quem cuida de garantir a alimentação tanto da fêmea como dos filhotes é o macho, que, nessa espécie, é fiel, acredite, mantendo a mesma companheira durante a vida inteira.

Já estas são aqui do Japão mesmo, e são bem raras. São Grous da Manchúria ou Grous Japonês (Grus japonensis), atualmente em risco de extinção (a soma da população migratória continental da Coréia, China, Mongólia e Rússia e da japonesa residente em Hokkaido, não chega a 1.830). Com uma altura de aproximadamente 1 metro, apresenta uma coloração branca no corpo e nas asas e preta no pescoço e na ponta das asas, e um capuz vermelho na cabeça. Sua dança elegante inspirou muitos artistas japoneses. Revestidos de uma aura mítica, acredita-se que os tanchōzuru, como são chamados no Japão, vivem por 1.000 anos. Um par de grous de coroa vermelha foi usado no design da cédula de 1000 iene da Série D (verso). Diz-se que os grous concedem favores em troca de atos de sacrifício.
Dada a reputação do grou, Jerry Huff, um especialista norte-americano em marcas, recomendou-o como o logotipo internacional da Japan Airlines (JAL), depois de ver uma representação dele em uma galeria de brasões de samurai. Huff escreveu: “Eu tinha fé que era o símbolo perfeito para a Japan Airlines, pois o grou se acasala para a vida toda (lealdade) e voa alto por quilômetros sem se cansar (força).”
Um casal de Faisões temminckii (Tragopan temminckii), encontrados no Himalaia, Leste do Arunachal Pradesh, do Sudeste para Nordeste da Birmânia e Norte do Vietnã, e Norte para o Centro da China. Nesta espécie os machos tem o corpo inteiro com a coloração vermelha, salpicado de bolinhas brancas e a cabeça preta e uma máscara azul, enquanto que as fêmeas tem a coloração marrom acinzentado salpicado de bolinhas brancas. A sua dieta consiste principalmente de folhas, flores, talos de grama, samambaias, brotos de bambu, musgos, insetos e sementes de uma grande variedade de espécies de plantas ( 46 espécies registradas). A dança do acasalamento desta ave é muito bonita: o macho infla uma espécie de papo, que forma um “babador” multicolorido. Outra curiosidade desta espécie é que por serem aves arborícolas, os filhotes precisam acompanhar os pais após o nascimento, de modo que eles já nascem providos de penas para voo e unhas bem salientes que os auxiliam nas escaladas. Que vida triste e miserável a desse casal, longe de seu habitat que são florestas densas ou mista de bambu e rododendros.
Um faisão dourado (Chrysolophus pictus), espécie de ave galiforme da família Phasianidae, originária da China, Birmânia e algumas outras partes da Ásia. No Brasil também é conhecida como Cateleuma. Aqui, sem nenhum brilho, apagado e discreto num canto.
Um urubu de crista (Pernis ptilorhynchus), uma ave de rapina da família Accipitridae, originária da Ásia, encontrada da Sibéria central ao leste do Japão. Apesar do nome, esta espécie não é parente dos urubus e é taxonomicamente mais próxima dos papagaios. Meio que escondida que estava em sua gaiola, não se discerne muitos detalhes dela, que tem um pescoço longo com uma cabeça pequena (semelhante a de um pombo), e voa com asas planas. A cabeça não tem uma crista superciliar forte, o que lhe dá uma aparência facial muito diferente de uma ave de rapina. Tem uma cauda longa e uma crista curta na cabeça.

Ver um animal tão nobre como a águia, com seu porte e jeito elegante, admirável, majestoso e altivo, oprimido e reduzido a nada, trancafiado dentro de uma gaiola, é de doer. Venerada como símbolos místico e religioso por sua soberania, beleza, coragem, força e imponência, e utilizada como símbolo de poder e autoridade em muitas culturas por sua nobreza, majestade, liberdade, agilidade e outras virtudes, a imagem da águia está indefectivelmente associada à liderança, elevação, determinação, superação e vitória. Quem já não usou a expressão “olhos de águia” para se referir a pessoas visionárias e que enxergam além e conseguem avançar, superar limites e chegar ao topo? E, de fato, um dos poucos animais que enxergam mais e melhor que o homem é justamente a águia.

No Egito Antigo, a águia era o símbolo da Eternidade e sua imagem aparecia no emblema real usado pelos faraós, como símbolo de poder. Na Maçonaria, é o símbolo de transcendência e força espiritual. Para os hindus, foi a águia quem trouxe a bebida sacramental “Soma”, utilizada nos seus rituais e cerimônias religiosas. Na mitologia escandinava está associada ao deus Odin. O deus grego Zeus é simbolizado por uma águia. Na cultura celta é símbolo de renascimento e renovação. Na Roma Antiga, a águia era o símbolo utilizado pelo General Júlio Cesar. No cristianismo, a águia é símbolo celestial e de comunicação com o divino, citada em várias passagens bíblicas. Na alquimia é o símbolo da transformação. No Império Bizantino, a águia bícefala (duas cabeças) era símbolo do duplo poder do imperador, que era ao mesmo tempo representante político e religioso. Na Civilização Asteca, a águia era um símbolo divino e sua representação figurava nas cerimônias religiosas desse povo e como herança histórica e cultural, a bandeira do México tem uma águia. Para o xamanismo, a águia é a guardiã do Leste, onde tudo se origina e representa a ligação do Divino com o terrestre. Os nativos americanos cultuam a Grande Águia Dourada, que tem o poder do Grande Espírito, representando a conexão e equilíbrio do reino espiritual com o reino físico. Na Rússia Imperial, águia bícefala representava o poder absoluto dos czares. Na Alemanha monárquica, a águia foi utilizada como símbolos de muitos príncipes e o principal símbolo da reunificação alemã do século XIX.

Como é triste ver essas águias-rabalva (Haliaeetus albicilla) de porte tão nobre reduzidas a nada, sem nem poderem voar. Seus “olhos de águia” hoje estão esgazeados e só miram o vazio. As águias-rabalva são uma espécie que vive no norte da Europa e da Ásia e foram muito perseguidas, assim como ameaçadas pela contaminação com poluentes do meio ambiente, principalmente inseticidas. Sua maior população remanescente na Europa encontra-se hoje na região dos fiordes da Noruega.
Um gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus), ave pertencente à família Accipitridae. Distribui-se no sudoeste dos Estados Unidos (do Texas à Califórnia), no México e em zonas áridas da América Central e do Sul. Ocorre no Brasil oriental, meridional e central. As subespécies norte-americanas são maiores que as do Brasil, e além disso os indivíduos brasileiros possuem uma plumagem mais clara, enquanto as norte-americanas possuem uma coloração castanha bem escura. É semelhante a uma águia e caça em bandos de até seis indivíduos, o que lhes permite capturar coelhos, que são rápidos para serem caçados por uma só ave. Aqui fica praticamente o tempo todo só parada feito uma estátua e caça apenas o vazio.

Corujas, essas aves de rapina noturnas, misteriosas e míticas, capazes de girar suas cabeças até 270 graus e enxergar tanto no escuro como no claro a grandes distâncias com seus olhos grandes e redondos, também são mantidas aprisionadas no Zoológico de Himeji. Símbolos de Minerva, a deusa da sabedoria, associadas até com abduções alienígenas conforme mostrei no artigo “Os mensageiros: corujas, sincronicidade e abduções alienígenas”, estão aqui impedidas de usarem qualquer uma de suas habilidades inatas.

O olhar desolado, tristonho e desesperançado de uma coruja-dos-urais (Strix uralensis), cujo nome refere-se aos Montes Urais, na Rússia, e que são encontradas na Escandinávia, Europa oriental e esporadicamente na Europa central através do Paleártico, amplamente através da Rússia até o extremo leste de Sacalina e por todo o Japão.

Um casal de coruja-das-neves ou coruja-do-ártico (Nyctea scandiaca), assim chamadas por estarem distribuídas nas regiões árticas dos velhos e novos mundos. Altamente nômades, a cada 3-5 anos movimentos em massa delas ocorrem no sul do Canadá e norte dos Estados Unidos. Os sexos diferem no grau de padrão escuro da plumagem branca. Os machos apresentam disco facial branco e mal definido, com partes superiores totalmente brancas e algumas manchas escuras nos tufos das orelhas minúsculas, na álula e nas pontas de algumas primárias e secundárias. As penas da cauda são quase todas brancas, às vezes com barras terminais indistintas. As partes inferiores são todas brancas. O tarso e os dedos dos pés são densamente franjados de branco. As garras são enegrecidas. Já a fêmea apresenta manchas e borrões marrom na coroa e partes superiores. As penas do vôo e da cauda são ligeiramente castanhas. As partes inferiores são brancas, com manchas marrons e barradas nos flancos e na parte superior do peito.

Sempre quis ver lêmures de perto, mas jamais nessa deprimente condição de prisioneiros, ainda mais em se tratando de espécies tão peculiares, raras e endêmicas, só encontradas na ilha de Madagascar e em algumas pequenas ilhas circundantes como as Comores. A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), fundada em 1948 e filiada a UNESCO, com sede em Genebra, disse em julho de 2020 que quase todos as 33 espécies de lêmures de Madagascar, todas elas herbícolas, estão ameaçadas e cerca de um terço está à beira da extinção, devido à desflorestação (resta agora menos de 10% da floresta original em Madagáscar) e à caça.

Apesar de assemelharem-se aos símios, no aspecto e nos hábitos, os lêmures (nome que deriva do latim lemures, que significa “espírito(s) da noite” ou “fantasma(s)”, o que se deve provavelmente ao fato dessas criaturas serem brancas e em sua maioria notívagas), são dotados de focinho que lembra o da raposa, grandes olhos, pêlo lanoso, muito macio, e cauda geralmente longa e peluda. E ao contrário do resto dos primatas, os lêmures vivem numa sociedade matriarcal. Enquanto que os seus antepassados competiam com macacos e outros primatas, os lêmures estavam a salvo, sem qualquer tipo de competição, e por isso diferenciaram-se numa grande quantidade de espécies.

Em 1864, em sua obra The Mammals of Madagascar (Os Mamíferos de Madagascar), o zoólogo e biogeógrafo inglês Philip Lutley Sclater (1829-1913), usando uma classificação que ele chamou de lemuróideos, que inclui grupos de primatas relacionados, e intrigado com a presença dos fósseis desses animais tanto em Madagascar quanto na Índia, mas não na África ou no Oriente Médio, propôs que Madagascar e Índia já teriam feito parte de um continente maior, no que estava correto, embora esse supercontinente fosse a Pangea. Para ele, “As anomalias da fauna de mamíferos de Madagascar podem ser melhor explicadas supondo-se que um grande continente ocupou partes dos oceanos Atlântico e Índico, e que este continente foi dividido em ilhas, das quais algumas se amalgamaram no que é a África, e algumas no que hoje é a Ásia.” Sendo que em Madagascar e nas Ilhas Mascarenhas havia relíquias desse grande continente, Sclater propôs então para ele o nome de Lemúria.

Étienne Geoffroy Saint-Hilaire (1772-1844), naturalista e zoólogo francês, considerado o fundador da teratologia (ramo da medicina que estuda as malformações congênitas), já havia sugerido, duas décadas antes de Sclater, um continente meridional, mas não deu um nome a ele. A ideia equivocada da Lemúria foi subsequentemente incorporada na filosofia ocultista da Nova Era e da teosofia, e até hoje há os que acreditam que um continente gigante existiu nos tempos antigos e afundou sob o oceano como resultado de uma mudança geológica cataclísmica, como a mudança dos polos.

Há dois gêneros de lêmures no Zoológico de Himeji. Um deles é o Lêmure-de-cauda-anelada (Ring-tailed lemuré), um primata estrepsirrino mais reconhecível devido à sua cauda anelada de cores preta e branca.

É por trás das grades dessa jaula minúscula que vivem os lêmures-de-cauda-anelada, como prisioneiros que tivessem sido condenados por um crime que não cometeram.

O outro gênero é o Varecia (Ruffed lemur), que são os maiores lêmures existentes dentro da família Lemuridae e muito sensíveis à perturbação de seu habitat. De hábitos diurnos, são altamente vocálicos, e seus gritos são estridentes, como eu mesmo pude ouvir. Os Varecias são considerados um “enigma evolutivo”, pois são a maior das espécies existentes de lemurídeos, e demonstram um comportamento diferenciado, pois são os únicos primatas que constroem ninhos para seus recém-nascidos e ainda os levam pela boca e os escondem quando saem para caçar.

Em vias de extinção na natureza por perda de seu habitat, se reproduzem facilmente em cativeiro e têm sido gradualmente reintroduzidos na natureza desde 1997. Organizações que estão envolvidas na conservação do Varecia incluem o Durrell Wildlife Conservation Trust, o Lemur Conservation Foundation (LCF), a Madagascar Fauna Group (MFG), Monkeyland Primate Sanctuary na África do Sul, Wildlife Trust, e o Duke Lemur Center (DLC).

Os lêmures Varecia vivem retraídos e infelizes nessas gaiolas que estão longe de reproduzirem o seu habitatal natural em Madagascar.

Os macacos vivem em condições ainda piores, em gaiolas acanhadas que oferecem pouca ou quase nenhuma mobilidade. A espécie que há ali é o Macaco-prego-das-Guianas (Broun capuchin), um macaco-prego do Novo Mundo da família Cebidae e gênero Sapajus apella. A espécie ocorre na floresta do centro-leste da Colômbia, sul da Venezuela, Guianas e Brasil, com os limites norte definidos pelo rio Orinoco e os limites sul, sudeste e leste pela própria Floresta Amazônica.

Nessas gaiolas minúsculas é que vivem os Macaco-prego-das-Guianas, sem qualquer espaço para se movimentarem.

O ouriço-cacheiro ou ourioço-terrestre (Erinaceus europaeus), mais conhecido como porco-espinho, mamífero insectívoro primitivo da família Erinaceidae, que engloba 16 espécies que se distribuem por quase toda a Península Ibérica, Europa Ocidental e central, incluindo as ilhas Britânicas, áreas costeiras e meridionais da Escandinávia, estendendo-se aos Países Bálticos como a Finlândia, Estônia e partes ocidentais da Carélia, na Rússia. A sua fronteira leste atinge a porção ocidental da Polônia, Áustria, República Checa e Eslovênia.

Os cerca de seis mil espinhos aguçados de 2 a 3 centímetros que cobrem o dorso e os flancos do seu corpo, exceto o focinho e o ventre, são pêlos modificados cuja mobilidade é controlada pelos músculos. Quando se sente ameaçado, o ouriço-cacheiro enrola-se sobre si próprio, ocultando as partes expostas do seu corpo, como o ventre, os membros e a cabeça, transformando-se numa “bola com picos”, bastante difícil de penetrar. Contudo, não são animais agressivos.

Apesar das pequenas pernas, o ouriço-cacheiro pode percorrer um a três quilômetros numa noite à procura e alimentos, sobretudo pequenos insetos. Seu cardápio inclui também frutos silvestres, sementes, minhocas, caracóis, ovos de aves (de ninhos que são construídos no solo) ou ainda pequenas rãs e répteis. Aqui, em sua pequeníssima gaiola, mal consegue se movimentar e seus espinhos vivem esbarrando nas grades.

Um caracal (Caracal caracal), gato selvagem também conhecido como lince-do-deserto ou lince-persa, carnívoro da família dos felídeos, parente próximo do serval, proveniente das estepes e desertos, bem como das florestas ou savanas da África e do Sudoeste Asiático. O caracal pode chegar a medir mais de 90 cm e pesar mais de 18 kg, possui pernas longas e uma aparência esguia. Um caracal selvagem vive cerca de 12 anos, mas em cativeiro pode chegar aos 17 anos, e como é um animal fácil de se domesticar, é utilizado para atividade de caça em países como o Irã e a Índia. Aqui ele passa os dias triste e encolhido dentro de uma “prateleira” em sua cela…

O lince-do-deserto passa os dias triste e encolhido sobre uma “prateleira”.

Até um cão-guaxinim japonês, também conhecido como tanuki, uma espécie do Nyctereutes, família canídea típica do Japão, foi aprisionado aqui. Digo até porque os takuni são reverenciados pelos japoneses desde tempos antigos, encarados que são como seres quase míticos, shapeshifters, mestres do disfarce, capazes de mudar de forma, inclusive assumindo a forma de objetos inanimados. Proeminentes no folclore japonês e provérbios, os tanuki são travessos e alegres, mas aqui vivem tristes, amuados e encolhidos.

Dizem que os tanuki adoram saquê e e por isso são frequentemente retratados com uma garrafa de saquê em uma mão e uma nota promissória na outra (uma conta que eles nunca pagam). Estátuas de tanuki podem ser vistas especialmente do lado de fora de restaurantes e bares para atrair clientes. Muitas vezes confundido com o mujina (antigo termo japonês que se refere, principalmente, ao texugo), é culpado por todas as aparições fantasmagóricas. Chegados a bebidas, comidas, mulheres e travessuras, os tanuki costumam pegar folhas e transformá-las em dinheiro, enganando a todos.

Um cão-guaxinim japonês, aqui contido em suas capacidades miméticas e travessuras.

Uma raposa vermelha (Vulpes vulpes japonica), assim chamada por causa de seus pelos geralmente castanho-avermelhados. Seu habitat se estende da América do Norte à Eurásia, e em populações espalhadas pelo norte da África. De hábitos noturnos e crepusculares, caça geralmente animais pequenos como coelhos e lebres, mas seu cardápio pode se estender a roedores, aves, insetos, peixes, ovos e frutos, e caso necessário, restos de comida humana e de animais mortos. A caça esportiva da Raposa vermelha é liberada em muitos países da Europa e nos Estados Unidos, mas na Inglaterra, onde a caça é considerada uma tradição secular, essa prática foi proibida em 2005. Se por um lado ela não corre o risco de virar alvo de caça aqui, por outro, esta que é uma das duas subespécies de raposa vermelha nativas do Japão (Vulpes vulpes japonica) – a outra é a raposa de Hokkaido (Vulpes vulpes schrencki) -, vive deprimida, dormindo o dia inteiro dentro de um caixote, trancafiada em uma “cela” de blocos de cimento.

Manter um kitsune (palavra japonesa para raposa) assim para mim chega a ser um acinte, uma heresia que fere a própria tradição japonesa, pois as raposas estão muito presentes no folclore do páis, descritas que são como seres inteligentes e dotados de capacidades mágicas, capacidades essas que aumentam com a sua idade e sabedoria. Entre esses poderes mágicos, como o boto no Brasil, estariam a habilidade de assumir a forma humana,  normalmente de uma mulher bonita, jovem ou velha. Enquanto algumas histórias falam que os kitsunes usam essa habilidade apenas para enganar as pessoas, outras os retratam como guardiãs fiéis, amigas e até amantes. Além da habilidade de assumir a forma humana, elas possuiriam os poderes de possessão, sendo capazes de gerar fogo das suas caudas e da sua boca, e de poder de aparecer nos sonhos e o de criar ilusões.

Trancafiada em sua “cela”, essa raposa vermelha (Vulpes vulpes japonica) passa os seus dias deprimida e dormindo dentro de um caixote.

O leão (Panthera leo), uma espécie do gênero Panthera e da família Felidae, proveniente da África subsaariana e da Ásia, está classificada como “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), e sofreu um declínio populacional de 30-50% nas últimas duas décadas no território africano, onde habita preferencialmente em savanas e pastagens abertas. Na Ásia, o leão está confinado a uma única área protegida e sua população é estável, mas está classificado como “em perigo”, já que a população não passa de 350 animais, isso mesmo.

Não há dúvidas de que é melhor encarar um leão de perto estando ele aprisionado, porém ver o rei dos animais nessas condições, justamente por sua imagem majestática de imponência pacífica, justiça e lealdade, é deprimente. O leão traduz sabedoria, poder e justiça, bravura e nobreza, assim como orgulho, domínio e segurança, e em várias culturas religiosas do mundo está também associado à figura do pai, do mestre, do chefe ou do imperador, que pode ser protetor ou tirano. Acima de tudo, é um símbolo solar e luminoso (a sua juba representaria os raios do sol) e está amplamente representado em esculturas, pinturas, bandeiras nacionais e em brasões há milênios por diversas civilizações e culturas da Europa, Ásia e África.

Leões que outrora que reinavam nas savanas africanas reduzidos à condição de prisioneiros e expostos à humilhação pública em reduzidas jaulas. A leoa dorme o sono dos justos e certamente sonha com o seu lar de origem…

Reconhecido como o animal nacional e estadual de vários países europeus, o urso-pardo (Ursus arctos) é encontrado em partes da Rússia, Ásia Central, China, Canadá, Estados Unidos (principalmente no Alasca), Escandinávia e região dos Cárpatos (especialmente a Romênia), Anatólia e Cáucaso.

Mal se vê esse urso-pardo (Ursus arctos), um dos maiores mamíferos carnívoros, que perde apenas em tamanho corporal para seu parente próximo, o urso polar, atrás dessas grades espessas.

Habitante das savanas africanas, as zebras são mamíferos da mesma família dos cavalos, os equídeos, mas ao contrário destes, nunca foram domesticados e vivem desde em pequenos haréns a grandes manadas.

Anteriormente acreditava-se que zebras eram animais brancos com listras pretas, mas evidências embriológicas mostraram que a cor de fundo do animal é preta e as listras é que são brancas. Várias hipóteses tentam explicar o motivo das listras, entre elas estão a camuflagem (as listras podem ajudar a confundir os predadores), controle da temperatura corporal (mecanismo subjacente para suprimir o aquecimento) e até efeitos repelentes (experimentos indicam que as listras são eficazes em atrair menos moscas, incluindo moscas tsé-tsé sugadoras de sangue e mutucas).

Esta zebra solitária em seu reduzido cercado no Zoológico de Himeji passa a maior parte do tempo estática, olhando para o vazio.

O elefante-asiático (Elephas maximus), a única espécie viva do gênero Elephas, que se originou na África Subsaariana durante o Plioceno (última época do antigo período Terciário da era Cenozoica, entre cerca de 5 e 2 milhões de anos) e se espalhou por toda a África antes de migrar para o sul da Ásia. Os primeiros indícios da domesticação de elefantes asiáticos são gravuras que datam do terceiro milênio antes de Cristo.

Em perigo de extinção, é ameaçado principalmente pela caça e destruição de seu habitat no sudeste asiático (Índia e Nepal) e no oeste e leste de Bornéu. Em 2003, a população selvagem foi estimada em cerca de 50 mil indivíduos. Os elefantes cativos fêmeas ultrapassam facilmente os 60 anos de idade quando mantidas em ambientes semi-naturais, como campos e florestas. Nos zoológicos, no entanto os elefantes asiáticos geralmente morrem bastante novos.

Apesar de seu peso de 5 toneladas, os elefantes indianos movem-se com relativa agilidade e segurança, mesmo em terrenos montanhosos. A velocidade média da marcha é de 5 a 6 quilômetros por hora, embora eles possam correr a mais de 40 km/h se ficarem com medo ou com raiva. São nadadores bons e resistentes, qualidade que no passado lhes permitiu colonizar algumas ilhas indonésias que não podiam ser alcançadas a pé, nem mesmo durante o típico rebaixamento dos mares do Pleistoceno (época do período Quaternário da era Cenozoica compreendida entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás).

O solitário elefante-asiático manifesta aqui claros sintomas de estresse: movimentos repetitivos e monótonos, parado no mesmo lugar, até porque o espaço disponível é bastante reduzido. Reduzido também é o tempo de vida de um elefante africano em zoológicos: em média é de 16,9 anos, muito pouco se comparado aos 56 anos para os elefantes que morrem de causas naturais em parques nacionais, como o Parque Nacional Amboseli, no Quênia.

O mamífero mais alto do mundo, a girafa reticulada (Giraffa camelopardalis reticulata), também conhecida como girafa somali, subespécie nativa do Chifre da África que vive em savanas, bosques, planícies aluviais sazonais e florestas tropicais na Somália, sul da Etiópia e norte do Quênia, descrita e batizada pelo zoólogo britânico William Edward de Winton (1856-1922) em 1899, é de longe a girafa mais comumente vista em zoológicos junto com a girafa do Rothschild.

Para salvar as 9.000 girafas reticuladas remanescentes, várias organizações de conservação foram formadas. Uma dessas é a iniciativa “Twiga Walinzi” (que significa Giraffe Guards) da San Diego Zoo Global, cuja missão é salvar espécies selvagens em todo o mundo.

E esse casal de girafas no Zoológico de Himeji precisa ser imediatamente resgastado e devolvido ao seu habitat, pois vive nessa situação que vocês estão vendo, preso em um galpão gradeado reduzido, sem sequer poder sair no pátio. Note o olhar triste e distante dessa girafa. É de quebrar o coração.

O mamífero mais alto do mundo mal pode esticar o pescoço dentro desse galpão gradeado, sufocante e claustrofóbico. Sua libertação é urgente.

JÁ PASSOU DO TEMPO DO ZOOLÓGICO DE HIMEJI E DE TODOS OS ZOOLÓGICOS DO MUNDO SEREM FECHADOS

Não temos nenhum direito moral, como espécie, de permitir que os animais sofram só porque temos curiosidade sobre eles. Nós, humanos, não temos o direito de privar da liberdade e vulnerabilizar outros seres em função dos nossos meros interesses. Observar o sofrimento de animais aprisionados não representa realmente uma atividade de lazer e entretenimento, a não ser para sádicos. Você concordaria, por exemplo, que alienígenas em visita a Terra abduzissem humanos e os levassem aos seus planetas natais para serem exibidos como “peças raras” em seus “zoológicos”? Pois bem, essa é a lógica perversa do zoológico.

O ato de aprisionar animais e colocá-los em cativero e em coleções particulares remonta a épocas imemoriais, à Pré-História, quando eram capturados e guardados para serem sacrificados e comidos em festivais onde os frequentadores acreditavam serem capazes de absorver em si a força do animal e seus poderes místicos. Assim, foi sob a forma de orgias sagradas que aparece, pela primeira vez na história, o costume de se guardar animais selvagens em cativeiro. Na Antiguidade, os reis egípcios guardavam em seus palácios ou em edifícios sagrados, os animais que eram considerados como formas sagradas de suas divindades, como serpentes, águias, crocodilos e hipopótamos. Desde essa época, portanto, já passa a existir uma associação entre o hábito de manter animais selvagens em cativeiro, e o poder da aristocracia. A família dos faraós possuía leões juntos de si, por exemplo. O hábito de manter animais em cativeiro foi comum, pelas mesmas razões, em todas as cortes das primeiras civilizações, tanto da China, Índia, Babilônia, Pérsia, Judeia, Síria, Palestina, Grécia e Roma.

Na Idade Média, diversos soberanos na Europa mantiveram animais selvagens em suas cortes reais. O exemplo mais antigo é o do imperador Carlos Magno, no século VIII, que possuía três coleções diferentes em territórios hoje correspondentes à França, Alemanha e Holanda. Suas coleções incluíam elefantes, macacos, leões, ursos, camelos, falcões e muitas aves exóticas. Muitos destes animais foram presentes de soberanos do norte da África e da Ásia.

O costume moderno de colecionar animais exóticos nasceu na aristocracia francesa do século XVII. Foi ali que se usou pela primeira vez o termo ménagerie para designar uma coleção de animais cativos, geralmente selvagens e exóticos, da realeza ou da aristocracia, sendo o exemplo mais célebre a coleção de animais selvagens do luxuoso Palácio de Versalhes, que pode ser considerado o predecessor dos jardins zoológicos atuais.

Até o início do século XIX, as coleções de animais exóticos geralmente pertenciam a reis e rainhas e eram símbolos do poder real. Pouco a pouco os “estábulos” foram sendo “democratizados” para o entretenimento da burguesia. 

O primeiro zoológico científico do mundo e que pretendia ser uma coleção de animais incomuns para estudo científico, foi estabelecido pela Sociedade Zoológica de Londres no Regent’s Park em 1828. Sim, é preciso considerar que muita pesquisa científica tem sido feita desde então, mas o fato é que pesquisas com animais confinados, fora do seu habitat, sem as características comportamentais inerentes ao seu ambiente natural, pouco ou de nada valem. Animais confinados fornecem dados fundamentais e concretos para a pesquisa? Não. A vida no zoológico é tão artificial que muitos animais apresentam distúrbios de comportamento e têm seu tempo de vida radicalmente alterado. Essa pesquisa, portanto, para ser validada cientificamente, deve ser feita em seus próprios habitats ou em santuários protegidos naturais. Assim é que os zoológicos mostram à sociedade, de forma antididática e cruel, uma irrealidade da vida selvagem: animais vivendo fora de seus ambientes, se comportando de forma anti-natural em reação a um meio estranho. 

Em um mundo atormentado por mudanças climáticas e destruição de habitats naturais, devemos fornecer proteção para as espécies ameaçadas de extinção não confinando-as em zoológicos, mas ajudando a preservar e recuperar esses habitats e devolvendo os animais que lhes foram retirados a eles.

Saiba os 5 motivos que fazem do zoológico um ambiente de tortura

Fonte:  Agência de Notícias de Direitos Animais – ANDA

HUMANOS CARRASCOS

Apesar dos zoológicos afirmarem que realizam um importante papel na preservação e na educação, eles são artificiais e inerentemente cruéis. O mal que eles causam é infinitamente maior que o suposto bem.

Desde o ano de 1250 a.C., os zoológicos se aproveitam disso, utilizando animais atrás das grades para o entretenimento de milhões de pessoas.

A vida em uma jaula não é uma vida de verdade. Segue abaixo cinco razões elencadas pela Care2 para explicar porque os zoológicos são cruéis:

1. Zoológicos não têm espaço suficiente

Não importa quão grandes alguns zoológicos façam parecer os seus recintos, nem quantas belas imagens eles pintem em suas paredes, ou quantos galhos e plantas eles posicionem ao redor – esses espaços não se comparam de forma alguma ao habitat onde os animais têm o direito de viver. Eles são muito menores e nada estimulantes.

Esse é um caso particularmente crítico para aquelas espécies que vagam por grandes distâncias em seu ambiente nativo. Estudos mostram que os elefantes (que tipicamente caminham cerca de 40 km por dia) são confinados em espaços em média mil vezes menores que os seus habitats, e os ursos polares ficam em espaços de área aproximadamente um milhão de vezes menor que os seus territórios no Ártico.

2. Animais confinados sofrem distúrbios comportamentais

O comportamento repetitivo compulsivo – “abnormal repetitive behavior”, ou ARB – é o termo científico para distúrbios comportamentais notados em animais cativos. Isso abrange todos os tipos de desvios de comportamento indicativos de stress como o “pacing” (felinos andando de um lado a outro repetidamente), ou os hábitos de sacudir a cabeça, balançar de um lado a outro, bater-se em paredes, sentar-se imóvel e morder o próprio corpo. Esses comportamentos, que são típicos de animais mantidos em cativeiro como os zoológicos, são atribuídos à depressão, ao tédio e às psicoses.

Embora esses sinais de stress sejam comuns, muitos mantenedores de zoológicos não têm consciência dos mesmos – ou não têm interesse em reconhecê-los e explicá-los ao visitantes. Se o público começa a perceber esses problemas, alguns locais rotineiramente ministram anti-depressivos ou tranquilizantes nos animais, para controlar tais sintomas.

3. Animais “excedentes” são mortos

Há animais considerados “excedentes” e indesejados, o que resulta da sistemática reprodução forçada nos zoológicos. Esses animais são mortos (e em alguns casos seus corpos são fornecidos como alimento aos outros animais), ou são vendidos para outros zoológicos ou revendedores. A venda de animais é um negócio lucrativo e implica em uma cadeia de crueldade sorrateira e desconhecida, com muitos animais sendo enviados para ranchos de caça, pet shops, taxidermistas, circos, indústria alimentícia de pratos exóticos e mesmo laboratórios de pesquisas.

A morte de animais em zoológicos do Reino Unido é uma ocorrência regular. Em 2005, dois filhotes de lobo e uma fêmea adulta foram mortos a tiros no Dartmoor Wildlife Park, “devido à superlotação e à crise financeira”. Um ano depois, em 2006, uma alcateia inteira de lobos foi morta no Highland Wildlife Park, com uma alegação semelhante.

4. Animais são retirados da natureza

Apesar dos zoológicos tentarem transmitir uma imagem diferente dessa realidade, os animais ainda são retirados à força da natureza. Em 2003, autoridades do Reino Unido permitiram que 146 pinguins fossem capturados no Atlântico Sul e tivessem que enfrentar uma viagem de 7 dias de barco, como mercadorias. Os que sobreviveram foram dados a um vendedor de animais selvagens na África do Sul, para serem negociados a zoológicos da Ásia. Quem vê os animais em um zoológico não enxerga esse calvário pelo qual os mesmos (ou seus antecessores) certamente passaram.

Em 2010, o Zimbabwe planejou capturar dois indivíduos de cada espécie de mamíferos que viviam no Hwange National Park incluindo leões, chitas, rinocerontes, zebras, girafas e elefantes, para enviá-los a zoológicos da Coreia do Norte. Felizmente o plano foi interrompido, mas isso ocorreu mediante muita pressão de diversas organizações internacionais de direitos animais. Como se  não bastasse, números também mostram que 79% de todos os animais em aquários, que são zoológicos de vidro, foram capturados na natureza.

5. Zoológicos não auxiliam na preservação nem na educação

Os zoológicos afirmam que atuam na preservação, frequentemente fazendo o público acreditar que eles reproduzem animais com a intenção de soltá-los na natureza, mas na realidade esses programas de reprodução são feitos prioritariamente com o objetivo de manter a população em cativeiro.

Também há o mito de que os zoológicos cumprem um papel educacional na elevação da consciência de crianças e adultos quanto aos animais selvagens. No entanto, a verdade é que esse ganho de entendimento sobre comportamento e instinto dos animais ao visitar esses locais é pequeno, se é que ele existe – até porque os animais não se comportam de modo natural pelo simples fato de estarem confinados. As pessoas podem aprender mais sobre animais selvagens assistindo a documentários que mostrem os mesmos em seus habitats ou realizando expedições específicas para observar esses animais na natureza.

Se as cinco razões acima não são suficientes para derrubar a validade dos zoológicos no que diz respeito aos direitos animais, ainda pode-se acrescentar os seguintes fatos, que já constituem senso comum : animais em zoológicos morrem prematuramente, sofrem doenças decorrentes de cuidados inadequados e negligência, e muitos locais treinam animais para performances semelhantes às de circos.

A melhor forma de provocar o fim desses locais de confinamento e de crueldade compulsória aos animais selvagens é através do boicote e da divulgação dessas atrocidades, para fazer elevar a consciência do público quanto a este equívoco histórico.

Observar o sofrimento de animais aprisionados não representa realmente uma atividade de lazer e entretenimento, a não ser para sádicos.

Fotos retratam a miséria de centenas de animais mantidos em zoo fechado

Fonte:  Agência de Notícias de Direitos Animais – ANDA

Os ruídos dos leões, dos rinocerontes e dos elefantes ainda se misturam com a cacofonia das buzinas de ônibus e carros que trafegam perto de uma das áreas mais congestionadas da capital argentina.

Foto: AP

Um ano depois de o Zoológico de Buenos Aires, de 140 anos, fechar as portas e ser transformado em um parque, centenas de animais permanecem atrás das grades e em um limbo barulhento.

Em julho de 2016, os desenvolvedores prometeram transferir a maioria dos 1.500 animais do zoo para santuários na Argentina e no exterior, mas não se mobilizaram para tornar isso possível.

Um novo plano anunciado recentemente ainda não especifica como isso ocorrerá. Muitos dos animais estão tão acostumados ao ambiente estéril do zoológico que especialistas temem que eles não sobrevivam caso sejam transferidos.

Foto: AP

Os ativistas também protestam pelo fato de os animais restantes ainda viverem em recintos considerados desumanos pelos padrões modernos e dizem que o novo plano do governo da cidade fornece poucos detalhes sobre as melhorias.

“[A situação] foi de mal a pior. Está tudo pronto para o naufrágio da Arca de Noé”, disse Claudio Bertonatti, ex-diretor do zoo e consultor da organização não governamental Fundación Azara.

Foto: AP

O zoo foi inaugurado em 1875 em um calmo subúrbio de Buenos Aires, que é hoje uma zona urbana de avenidas repletas de ônibus que passam perto das jaulas dos animais.

O primeiro diretor decidiu que os animais explorados no local deveriam ficar em edifícios que refletissem seus países de origem.

Uma réplica de um templo Hindu foi construída para os elefantes asiáticos, por exemplo. Muitos desses edifícios permanecem no local de 45 hectares (18 hectares), mas precisam de reparos, informou a reportagem do Daily Mail.

Foto: AP

Quando o prefeito Horacio Rodriguez Larreta anunciou o fechamento do local no ano passado, ele disse que os animais eram um “tesouro” e que não poderiam viver em cativeiro perto do barulho e da poluição.

Desde então, alguns condores têm sido libertados e cerca de 360 outros animais resgatados do tráfico foram enviados para outras instituições. Porém, nenhum animal abusado pelo zoo da cidade foi transferido.

Oficiais do governo alegam que o processo se mostrou mais difícil do que eles imaginavam. Eles descobriram que tinham fechado o zoo antes de promulgar legislação necessária para autorizar muitas das transferências.

Apenas recentemente um especialista foi contratado para analisar quais os animais podem ser movidos. Ainda não está claro quantos podem suportar a mudança ou como o transporte irá ocorrer.

Foto: AP

Uma coalizão de 12 grupos de proteção animal e veterinários enviou uma carta no dia 28 de abril exigindo que os funcionários especifiquem quais animais serão permanentemente alojados no parque e em que condições.

A carta diz que as únicas mudanças feitas pelo plano são no nome do zoo, o aumento do custo dos ingressos e o fechamento de algumas áreas, além de mais funcionários, sem qualquer melhoria para os animais.

O número de visitantes permitidos pelo local diminuiu. No passado, 10 mil pessoas iam ao zoo. Hoje são permitidas duas mil. Independentemente do número, nenhuma visita deveria ser autorizada, especialmente quando se trata de animais confinados em estado miserável.

Foto: AP

Em uma manhã recente, Garoto e Porota, um casal de hipopótamos cinzentos nadou para a borda do lago e abriu a boca mostrando os dentes amarelados enquanto Guille, seu bebê, observava a água escura.

Em um recinto próximo, as girafas Shaki, Buddy e seu filhote Ciro esticaram suas longas línguas para beber água de recipientes de plástico amarrados a um telhado.

Já o orangotango Sandra ficou fascinada por algumas manchas de grama que haviam sido recentemente instaladas em seu recinto.

Foto: AP

Ela se tornou mundialmente conhecida quando um tribunal argentino emitiu uma decisão histórica em 2014 de que ela possui alguns dos direitos legais desfrutados por seres humanos.

“Há pequenas mudanças de infraestrutura, mas há uma deterioração total”, explicou Juan Carlos Sassaroli, um veterinário que anteriormente trabalhou no zoológico.


SOBRE ZOOLÓGICOS

ZOOLÓGICOS SÃO PRISÕES DE ANIMAIS INOCENTES

Artigos, Entrevistas, Notícias…

Entrevista com Sônia T. Felipe

Até que ponto os Zoos realmente ajudam os animais?

Sônia T. Felipe – Os zoos são centros de confinamento completo de animais.

Só por essa sua característica podemos ver que não ajudam em nada os animais ali confinados.

Não há animal que possa estar bem a seu próprio modo enclausurado num espaço artificialmente construído por humanos para detê-lo lá.

Eles realmente auxiliam na reprodução e preservação de espécies raras?

Sônia T. Felipe – O que os zoos fazem é procurar a reprodução biológica de espécies ameaçadas de extinção. Mas, quando falamos em preservar espécies não pensamos que uma espécie seja constituída apenas por sua bagagem genética. Cada espécie animal precisa de um espírito específico, que permita a preservação daquele tipo de vida de forma autônoma. Isso os zoos não podem fazer. No máximo, o que eles preservam, é o banco genético.

Ao serem mantidos no cativeiro por tempo muito longo, refiro-me aos indivíduos da primeira geração posta em confinamento, os animais apagam pouco a pouco a memória que constituía seu “espírito” específico. Se duas ou três gerações são mantidas nesse cativeiro, não resta conhecimento algum que permita aos jovens nascidos em confinamento saber interagir no espaço natural e social que seria próprio de sua espécie de vida.

Guardamos, assim, o patrimônio genético, que é matéria biológica. Matamos o patrimônio genuinamente “animal” dessas espécies. Temos apenas “organismos” destituídos de “mente” específica. Por esse motivo, reproduzir animais em zoos não garante que sua espécie de vida seja preservada. Insisto: manter um corpo funcionando não é tudo quando se trata da riqueza espiritual que cada espécie viva representa.

Quais são as consequências para o animal aprisionado em um ambiente que não se assemelha ao seu habitat natural?

Sônia T. Felipe – Se for mantido para o resto de sua vida nesse cativeiro, perderá sua alma. Se for solto depois de algum tempo num ambiente estranho, terá de refazer seu aprendizado para poder sobreviver. Se seus descendentes não tiverem a oportunidade de aprender com ele/ela a sobreviver com os recursos naturais e sociais próprios de sua espécie, de nada adiantará ter preservado apenas sua bagagem genética.

Ao contrário do que costuma ser afirmado ainda por muita gente, a mente dos animais, analogamente à nossa, se constitui na liberdade física que o animal exerce de mover-se para autoprover-se num ambiente onde os limites desse movimento não são impostos seguindo um padrão que interessa aos propósitos humanos. A inteligência dos animais confinados se esvai assim que eles não podem mais usá-la para se autoproverem e proverem os seus.

O debate sobre a questão ética envolvendo zoos está crescendo no Brasil?

Sônia T. Felipe – Acho sinceramente que sequer começou a ser feito com rigor. Os zoos são uma invenção dos invasores, especialmente os europeus, que sequestravam os animais das regiões onde impunham seu domínio tirânico para expô-los ao olhar dos curiosos nos grandes centros urbanos europeus. Hoje, esse costume está completamente superado, tanto do ponto de vista científico quanto ético. Nada aprendemos sobre a natureza de um animal quando o vemos por detrás de grades de ferro, isolado, infeliz e distante do ambiente que seria próprio ao seu caráter.

Com o avanço tecnológico e com o aprimoramento ético dos cientistas que estudam os animais, já não faz sentido algum tirar o animal de seu ambiente, colocá-lo em uma jaula e ficar observando seus gestos e atos. Nada disso faz sentido quando queremos saber algo da mente de um animal. Os melhores estudos animais são feitos in loco. Os maiores etólogos convivem por duas ou três décadas com os animais no ambiente natural e social deles, não nos ambientes humanos. Tudo o que se escreveu até hoje sobre os animais, com observação deles em jaulas, gaiolas e cercados não diz nada do que se passa na mente deles, diz-nos apenas o que se passa na mente bronca dos humanos que assim procedem.

Os zoos só fariam sentido, hoje, se transformados em hospitais de custódia para animais feridos ou ameaçados, que poderiam ser protegidos por tempo determinado, até que pudessem ser devolvidos ao seu ambiente natural. Mas, nesse caso, nenhum zoo deveria ser aberto à visitação pública, do mesmo modo que hospitais e unidades de tratamento intensivo humanos não são centros de exposição ou visitação públicas. Se temos curiosidade para saber como uma determinada espécie animal se move na natureza, melhor ver os filmes feitos por cientistas que abandonaram a vida nas cidades para dedicarem-se integralmente ao estudo da vida animal.

Filmes são hoje um substitutivo mais que eficiente para os zoos. É tempo de criarmos “zoos virtuais”, usando as filmagens feitas por milhares de cientistas e cinegrafistas ao redor do planeta. Com essas filmagens podemos ver cada espécie, do modo como copula ao modo como nasce e morre, passando por todos os eventos que constituem sua vida propriamente dita.

*Sônia T. Felipe – Doutora em Teoria Política e Filosofia Moral, co-fundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Violência; voluntária do Centro de Direitos Humanos da Grande Florianópolis (1997-2001); co-autora de A violência das mortes por decreto; O corpo violentado; Justiça como Equidade, Por uma questão de princípios. Coordena o Laboratório de Ética Prática, do Departamento de Filosofia da UFSC, professora e pesquisadora dos Programas de graduação e pós-graduação em Filosofia, e do Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas, da UFSC, autora de dezenas de artigos em coletâneas nacionais e internacionais sobre ética animal, Membro Permanente do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e do Bioethics Institute da Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento, Lisboa.

Fonte: http://www.terra.com.br/noticias/ciencia/infograficos/zoos/zoos-02.htm


Passeio ao zoológico, sob outra ótica , sob outra ética

Marcela Teixeira Godoy*

“Quando se trata de como os humanos exploram os animais, o reconhecimento de seus direitos requer abolição, não reforma (…) a verdade dos direitos animais requer jaulas vazias, não jaulas mais espaçosas”. (Tom Regan, em Jaulas Vazias)

Como Bióloga e Educadora, sempre acreditei nos Zoológicos como ferramenta deseducativa

Meu repúdio a esse tipo de atividade, fez com que eu me afastasse, durante anos, de uma visita a esses verdadeiros redutos de infelicidade animal.

Tive a oportunidade de fazer uma visita técnica a alguns desses redutos recentemente (a menos de uma semana, para ser mais exata).

Assim como a aquários, oceanários, serpentários e afins.

Foi um tour dos horrores, considerando toda minha aversão a qualquer forma de confinamento animal para a satisfação de egos humanos.

Mas, com o passar do tempo, minha aversão que antes era representada pela negação, foi substituída pela coragem de encarar os fatos como eles são: os animais sofrem.

Ao nosso lado. Todos os dias. E nos fazem a todo o tempo, um apelo silencioso.

Não é possível ignorar essa realidade pelos melindres de não querer sofrer, de não querer olhar.

O sofrimento deles é infinitamente maior.

Nessa visita técnica, foram incluídos locais que os visitantes “comuns” não tem acesso, como cozinhas, biotérios, áreas de cuidados veterinários e etc.

Fui convidada por uma colega de trabalho, a conduzir com ela (que também não é fã de Zoológicos), a visita (sou professora universitária) e temos uma turma em comum, a qual nos acompanhou.

A curiosidade de saber a quantas anda a exploração legitimada dos animais que tiveram sua liberdade seqUestrada, na prática, foi um dos fatores que me levou a decidir ir.

Outro fator importante foi a certeza de ter minhas concepções biocêntricas renovadas.

Mesmo à custa do meu sofrimento. Banal, como já mencionei, perto do sofrimento de inúmeros animais que lá encontrei.

Antes de “ver” os animais e durante as “visitas”, em todos os locais, há uma explanação teórica/logística por parte dos monitores.

Parece que são treinados todos no mesmo lugar, pois as frases feitas a respeito do bem-estarismo animal são quase que idênticas.

Tais explanações me remetiam inevitavelmente ao “Ensaio sobre a Cegueira” de Saramago.

Pensava: as pessoas estão mesmo acreditando nisso? (Acho que vou escrever um “Ensaio sobre a surdez”).

Outro pensamento recorrente: na ocasião de uma palestra do Seminário da Agenda 21, no Paraná, em 2009, a filósofa Sônia Felipe mencionou a seguinte frase: “bicho não é vitrine de shopping”.

Considerei extremamente relevante. Me fez pensar além.

Zoológicos com objetivos de recuperação e reintrodução de espécies no meio, sem exposição ao público, que respeitam o que o animal nasceu, de fato, para ser, merecem nosso reconhecimento.

Não são, infelizmente a maioria deles.

A maioria ainda se baseia em concepções especistas e antropocêntricas para justificar sua existência e consequente sofrimento animal.

Algumas falácias são facilmente identificadas no discurso daqueles que defendem o Zoológico “vitrine” como “ferramenta educativa”.

Aliás, podemos, sim, fazer dos Zoológicos, ferramentas extremamente educativas se mudarmos a análise e a perspectiva.

Analisando sob a ótica da Ética Biocêntrica, podemos enumerar algumas falácias que são repetidas como mantras a respeito dos animais confinados.

Vamos a algumas delas:

– “O Zoológico é importante porque nós devemos conhecer as espécies para preservar/respeitar”.

Essa concepção traz embutida a desculpa de que só é possível preservar uma espécie a partir do momento que a conhecemos. Se a concepção biocêntrica predomina, o simples fato de o animal existir, já é um pressuposto que justificaria o respeito por ele. E só. Eu não conheço nenhum africano, por exemplo, mas não preciso o fazer para só depois respeitá-lo. Nunca conheci um urso polar, um tigre de bengala, uma perereca amazônica ou uma orca. Mas o fato de não vê-los ao vivo, não me impede de respeitá-los pela sua essência.

– “O Zoológico é imprescindível para estudarmos o comportamento dos animais”.

Só se for para estudar neuroses de cativeiro. Qualquer pessoa com noções básicas de Biologia sabe que o comportamento de animais em cativeiro não é o mesmo que o animal apresentaria no seu meio natural. Tenho muito respeito por estudos comportamentais. Mas por aqueles que são feitos no habitat natural do animal. Esse argumento não sustenta a existência desse tipo de Zoológico.

– “O Zoológico é importante para a reprodução e para salvar as espécies”.

Primeiro: a maioria dos animais reproduzidos em cativeiro é reproduzida para esse fim: permanecer em cativeiro. Não para ter devolvido o que lhe foi negado desde as gerações anteriores: sua liberdade. Há, entre os Zoológicos, uma espécie de escambo de espécies, onde os animais são intercambiados. Faltou uma girafa no Zoológico “x”? Já está nascendo uma no Zoológico “y”. Será separada de sua mãe e destinada ao Zoológico “x” como animal de exposição.

Segundo: Privado da convivência com seus iguais e de todas as interações que lhe são possíveis em seu meio natural, ele não é mais do que a sombra dos seus ancestrais.

– “Mas os animais que nasceram no Zoo não sofrem porque não conhecem outra vida”.

Será que o fato desse animal ter nascido em cativeiro nos dá o direito de usurpar sua liberdade mais uma vez e condená-lo a uma vida miserável, privando-o da sua verdadeira liberdade?

Se houver uma “visita ao zoológico”, com propósitos educativos, que sejam feitas pelo menos, as seguintes perguntas e investigações com os alunos: qual o habitat natural desses animais? Quais os hábitos desses animais em seu meio natural? Geralmente são: Nadar, correr, voar quilômetros por dia, procurar comida, defender seu território, interagir com outras espécies e com seus iguais. E em cativeiro? Quais as mudanças percebidas? Quais os impactos nefastos nos seus hábitos? Quais as consequências? Um pequeníssimo exemplo, entre tantos que presenciei: um leão marinho em seu habitat natural viaja centenas de quilômetros por dia. Em cativeiro, é condenado a viver em um pequeno tanque, onde passa o dia circunscrevendo voltas como que para escapar da escravidão sem fim. Sem falar na obesidade e outros transtornos de comportamento como as já mencionadas neuroses de cativeiro. Isso nos reporta à falácia seguinte:

– “Aqui no Zoológico, fazemos o enriquecimento ambiental”

Esse novo modismo nos Zoos (proveniente de um modelo americano) traz em sua proposta, a introdução de diferentes estímulos no cativeiro para que animais não desenvolvam comportamentos repetitivos e neuróticos como automutilação, coprofagia e etc. Certamente, estímulos são melhores que a estagnação a que esses animais são condenados. Mas deve-se sempre questionar: a reabilitação e a devolução da liberdade que lhes foi negada, não seria infinitamente melhor? O tão prestigiado enriquecimento ambiental não seria mais um engodo para justificar a perpetuação do cativeiro e de interesses escusos?

– “Hoje não existem mais jaulas nos zoológicos”.

Ouvi diversas vezes essa frase dos monitores que nos acompanharam. Em vários lugares. Basta uma breve visita para, novamente, a perplexidade ao comparar o dito e o constatado ser inevitável. O ápice do menosprezo à inteligência dos presentes. Percebe-se, claramente a existência de cercados mínimos de aço, alumínio, terrários, aquários, e paredes de vidro fazendo as vezes de jaulas. Mas pergunto: não seria infinitamente melhor que jaulas, aquários, terrários e afins estejam para sempre, vazios?

– “A alimentação é balanceada”.

Isso pode soar muito bem aos ouvidos antropocêntricos e ecocêntricos. Mas nos ouvidos biocêntricos e abolicionistas dói. Até fisicamente.

Uma frase que ouvi da monitora: “Os zootecnistas que trabalham no zoo e cuidam da alimentação dos animais, acham que os psitacídeos silvestres são uns chatos porque são muito exigentes, não comem qualquer coisa”. Ora, o que diriam os psitacídeos se falassem? “Chato” seria um adjetivo no mínimo elegante para qualificar quem os trancafia em um viveiro, obrigando-os a uma “loteria gastronômica”, forçada e diferente de sua alimentação natural.

E nem tecerei aqui, comentários a respeito do estresse gerado para o animal decorrente das barulhentas “visitas”. É desnecessário.

Os animais em zoológicos são a ponta do iceberg dessa empresa.

Por trás há inúmeros fatores que formam uma cadeia de horrores para outras espécies também.

Uma delas é a existência de biotérios, terceirizados ou dentro dos próprios Zôos, que são lugares específicos onde são criados animais vivos para alimentar os animais cativos.

No Brasil são criados, para esse fim, ratos, porquinhos da índia, gansos, pintinhos e etc.

Esses seres vivos, considerados “alimento” no contexto, são manipulados, criados e administrados com a naturalidade de quem dá uma banana a um macaco.

São “coisas” como regem os preceitos do antropocentrismo e do especismo.

Os ecocêntricos dirão que é muito boa essa preocupação com a alimentação dos animais.

E que não há dilemas morais, pois na natureza existe a relação predador/presa. Sim. NA NATUREZA.

Mas, novamente a pergunta que se deve fazer é: Não existir animais enjaulados não seria infinitamente melhor?

Outro fenômeno que ocorre na maioria dos Zoológicos e confesso, para mim é novidade: a distinção entre “animais em exposição” e “animais excedentes”.

Os animais em exposição (no contexto, como se fossem agora, peças de uma galeria de arte) são aqueles que o público enxerga.

Aliás, a maioria deles é recolhida à noite, gerando mais estresse.

Os “animais em exposição” ficam nas partes divulgáveis do Zoo.

Nas áreas que estão longe dos olhos do público, existem pequenas jaulas com os “animais excedentes”, ou seja, os que sobraram da reprodução em cativeiro, ou de trocas com outros Zoológicos. Ou até mesmo os animais doentes ou que desenvolveram a (novamente ela) neurose de cativeiro.

Claro que não é conveniente que o público tenha contato com comportamentos como automutilações, coprofagia, canibalismo e outros desenvolvidos em animais privados de sua liberdade.

A visão desses comportamentos pode começar a atenuar a “cegueira conveniente” do grande público. Não é recomendável.

Nessas áreas, até são permitidas visitas técnicas. Mas são terminantemente proibidas fotos e filmagens, por razões óbvias aos olhos da Ética Biocêntrica.

Uma das monitoras, quando questionada sobre o porquê das fotos serem proibidas, disse não saber. Fiquei me questionando se a resposta foi estratégica, se foi repetida como mantra, se ela simplesmente não se importa, ou se a cegueira a acomete também.

Nas áreas dos “animais excedentes”, foi possível observar em vários zoológicos que o espaço em que os animais estão confinados é bem menor que o dos animais “em exposição”. Logo nos perguntamos: o que dizer da preocupação com o “bem estar animal”, ou com “enriquecimento ambiental” para os animais dessas áreas? Também não obtive respostas convincentes. Só evasivas. Não insisti mais porque as respostas ficaram óbvias demais.

Na esteira dos Zoológicos, seguem aquários, serpentários, oceanários, circos, projetos de “preservação” e etc. que, pela tradição antropocêntrica possuem um propósito educativo “inquestionável”.

Mas basta um breve passeio, com esse olhar biocêntrico, diferente do que nos foi imposto a acreditar a vida toda, para que o apelo silencioso e profundo de cada animal se faça presente e toque fundo nossa alma toda vez que visitarmos um Zoológico ou algo semelhante.

Essas mudanças de perspectiva, segundo Arthur Conan Doyle, equivalem a uma conversão religiosa: nada mais será visto da mesma maneira que era antes.

Mesmo com todas essas “justificativas”, que sob minha perspectiva, não passam de falácias, ainda acredito que o “simples” fato de um animal ter sua liberdade restringida, impedida, sequestrada para a concepção medieval de satisfazer as curiosidades e prazeres humanos, é a base do meu repúdio a esse tipo de exploração, sem mais considerações.

Mas a esperança se renovou quando vi a reação da maioria dos meus alunos, acadêmicos de Licenciatura em Ciências Biológicas, durante a visita.

Quando ouvi, em cada comentário a indignação, a revolta e a preocupação de fazer uma abordagem ambiental realmente crítica na escola.

Quando vi em cada rosto a angústia pelos animais e a cegueira se dissipando, pensei: é um trabalho que vale a pena.

Pois não deixo de mencionar em minhas aulas a importância de se olhar o outro lado. Por isso acredito na chamada Educação Ambiental Biocêntrica. E libertária.

Com as pessoas livres para optar pelo modelo de Ética que pautará sua passagem pela Terra. E essa escolha, meus alunos fizeram por si. Não foi imposta.

Em sua formatura, não farão de seu Juramento, outra falácia: “Juro, pela minha fé e pela minha honra e de acordo com os princípios éticos do Biólogo, exercer as minhas atividades profissionais com honestidade, em defesa da vida, estimulando o desenvolvimento científico, tecnológico e humanístico com justiça e paz”. (enunciado regulamentado pelo Conselho Federal de Biologia – Decreto nº 88.438, de 28 de junho de 1983).

“Defesa da vida” e “justiça e paz” entende-se, para todas as espécies.

Enquanto houver zoológicos, aquários, serpentários do tipo “vitrine”, espero que existam educadores como meus alunos, (que ainda não se formaram, mas já são biólogos de coração), capazes de fazerem com seus alunos, excursões a esses verdadeiros infernos (para os animais), capazes de realizar essas visitas com vistas a ação, capazes de conduzir uma discussão sob outra ótica, sob outra ética.

*Marcela Teixeira Godoy, Bióloga e Professora Universitária.

Ponta Grossa, 1 de Dezembro de 2010.

Fonte – http://www.institutoninarosa.org.br/textos/362-passio-zoologico


Zoo-ilógico

Nina Rosa Jacob*

O lógico seria mostrar os animais como eles são; seu comportamento, sua vida em família, seus hábitos, sua alimentação, seus relacionamentos, enfim: animais de verdade. Em liberdade.

Nos zoológicos, vemos um arremedo triste de animais deprimidos e solitários, expostos à curiosidade humana, sem entender o que estão fazendo ali.

Quem visita um zoológico com a intenção de conhecer os animais que lá estão, e pensa que está vendo um leão, um elefante, está enganado, está iludido. Aquele “elefante” não é realmente um elefante. Ele é um ser que já perdeu o espírito de sua espécie, que fica andando para lá e para cá, aborrecido, sozinho, sem saber por que está preso ali, uma vida inteira!!!

Na natureza, anda em média 40 km por dia, é gregário, vive em família, busca seu alimento para sobrevivência, refresca sua pele nos riachos, brinca, interage com familiares, vive vida de elefante. De verdade.

Sempre penso que os zoológicos deveriam ser virtuais: tecnologia do século XXI, com sons e imagens em 3ª (ou 4ª) dimensão, imagens de animais verdadeiros, como eles são; como vivem, como conversam, como interagem, em seus habitats, vivendo sua vida natural… isso enquanto há tempo, porque cada vez temos menos ambientes naturais, no nosso planeta.

Um zoológico ético, sem animais aprisionados, sem comércio de animais, sem toda a crueldade e violência que envolvem capturas, privação de liberdade, transportes, transferências. Sem solidão involuntária, sem sofrimento imposto, sem depressão provocada, sem ilusão.

Será preciso ter sofrido na própria pele o sequestro, os maus-tratos, o encarceramento e a opressão para se pôr no lugar do outro?

*Nina Rosa Jacob é ativista em defesa dos direitos dos animais, vegana, fundadora e presidente do “Instituto Nina Rosa-Projetos por Amor à Vida” www.institutoninarosa.org.br, palestrante, produtora de vídeos, editora de livros pela valorização da vida animal e colunista ANDA www.anda.jor.br.

Fonte – http://www.floraisecia.com.br/detalhe_artigo.php?id_artigo=598


O parquinho de diversões dentro do Zoológico de Himeji, muito popular entre as crianças, é o contraponto alegre à tristeza, ao desalento e ao desespero dos animais que emana do lugar. Enquanto as crianças (e também os adultos que os acompanham) se divertem discontraidamente, os animais, bem próximos dali, só desejam estar livres. Em duas fotos, você pode ver o Castelo de Himeji ao fundo.

Outro contraponto “menos triste”, vamos dizer assim, é a presença dos pinguins e dos leões-marinhos, que se divertem e divertem os visitantes em suas piscinas.

O pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus), pinguim sul-americano característico de águas temperadas e de temperaturas entre 15 graus centígrados e abaixo de zero. O pinguim foi citado pela primeira vez pelo explorador português Fernão de Magalhães que o avistou em 1520. Uma curiosidade sobre esses animais é sua falta de medo com relação aos humanos, já que pode aproximar-se ao máximo sem que eles se sintam ameaçados.

O leão-marinho-da-patagônia (Otaria flavescens, antigamente Otaria byronia), também chamado de leão-marinho-do-sul, é uma espécie de leão-marinho da família Otariidae encontrado no Chile, Equador, Peru, Uruguai, Argentina e nas costas do sul do Brasil.

LUGAR DE ANIMAL É EM SEU HABITAT NATURAL

Site Oficial de Cláudio Suenaga em defesa dos Direitos Animais

Assine a petição pelo fim dos zoológicos e aquários:

https://www.peticao.online/pelo_fim_dos_zoologicos_e_aquarios

Assine a petição pelo fim dos zoológicos no Brasil:

https://www.obugio.org.br/petitions/pelo-fim-dos-zoologicos-no-brasil

https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR69521

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