Os 230 anos da Revolução Francesa, burguesa, liberal, maçônica e illuminati

Há 230 anos, em 14 de julho de 1789, eclodia a Revolução Francesa com a Queda da Bastilha, movida pelo espírito de revolta igualitário do liberalismo, ideologia que, ao deixar de reconhecer os erros, insuficiências e pecados do homem, glorificando-o e não mais a Deus, e por conseguinte abandonando-o cada vez mais a si próprio, passava a ser uma das causas das constantes crises da História. Desde então, o mundo vem sendo cada vez mais solapado pelo espírito de orgulho e revolta da Revolução Francesa, baseado na falsa ideia ateísta e materialista de que os homens seriam imaculados por natureza, e se têm falhas, seria por causa do ambiente corrompido em que nascem e vivem, ou seja, o homem é naturalmente bom, e é a sociedade que o corrompe, como queria Rousseau. A Maçonaria, espalhando-se pela Europa, principalmente na Alemanha, Itália e sobretudo na França, fez-se mentora do liberalismo, insuflando poderosamente os movimentos do Iluminismo racionalista e do enciclopedismo e preparando o terreno para a Revolução Francesa.

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Em meados do século XVIII, a maior parte da população da França era composta por camponeses, servos da gleba dos latifundiários. Esse regime impedia o desenvolvimento do capitalismo e a consequente elevação do nível de vida das massas populares, pois a emergente burguesia industrial não podia aumentar seus negócios uma vez que a capacidade aquisitiva da população era quase nula. Visando ampliar o mercado consumidor, a burguesia pretendia trocar o trabalho servil pelo assalariado. Além disso, o comércio não se expandia devido aos altos impostos cobrados dos comerciantes pelos senhores feudais. O único meio de serem implantadas as reformas necessárias ao progresso do capitalismo seria derrubando a monarquia absolutista, responsável pelo poder político.

À burguesia, aliada aos camponeses, coube pôr fim ao absolutismo e iniciar as reformas pretendidas. A parte teórica, ou ideológica da revolução havia sido estabelecida por Locke, Montesquieu, Rousseau, Voltaire, D’Alembert, Diderot e outros filósofos iluministas, que sintetizaram os ideais revolucionários na divisa: “Liberdade, igualdade e fraternidade”.

A burguesia francesa dominava o comércio e a indústria, o que lhe conferia poder econômico. Era ela quem garantia o funcionamento do aparelho burocrático do rei, fornecendo recursos financeiros e pessoais, ao contrário de uma aristocracia estéril, que vivia às custas do Estado. A burguesia, consciente de seu poder econômico e inspirada pelo pensamento iluminista, percebeu a necessidade de reformas econômicas, políticas e sociais que permitissem o seu progresso.

A aristocracia, porém, não permitia mudanças, pois sabia que perderia seus privilégios. A questão social foi uma agravante da Revolução Francesa, uma vez que o Primeiro e Segundo Estados (o clero e a nobreza) não pagavam impostos e recebiam pensões e outros privilégios. Juntos, esses Estados não chegavam a 480 mil pessoas. Restava para o Terceiro Estado sustentar o rei e as classes privilegiadas, por meio do pagamento de impostos.

A causa imediata foi o caos econômico, que aumentou o peso já esmagador dos impostos. Em janeiro de 1789, Luís XV convocou a reunião dos Estados Gerais, assembleia consultiva que se reunia em épocas de crise, dando início a luta política. Reagindo ao apoio da população e de parte das tropas reais de Paris ao Terceiro Estado, a corte recrutou tropas mercenárias alemãs e suíças.

No dia 14 de julho, a população, de armas nas mãos, marchou sobre a Bastilha – fortaleza prisão, símbolo do Antigo Regime – libertando os presos e iniciando a fase insurrecional da Revolução. Instalou-se o Grande Medo, movimento em que os camponeses tomavam propriedades feudais, matavam os nobres e exigiam a reforma agrária.

Prise de la Bastille, por Jean-Pierre Houël.

Por meio da Assembleia Nacional, a burguesia, temendo que os camponeses invadissem suas propriedades, aboliu os direitos feudais (4-8), aprovou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (26-8) e começou a redigir uma Constituição (promulgada em setembro de 1791). A nobreza, amedrontada, fugiu para países absolutistas e, juntamente com o rei Luís XVI, passou a articular com as monarquias da Áustria e da Prússia uma contra-revolução para restaurar o Antigo Regime.

Inspirada nos pensamentos dos iluministas, bem como na Revolução Americana (1776), a Assembleia Nacional Constituinte da França revolucionária aprovou em 26 de agosto de 1789 e votou definitivamente em 2 de outubro a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão sintetizado em 17 artigos e um preâmbulo dos ideais libertários e liberais da primeira fase da Revolução Francesa (1789-1799). Pela primeira vez são proclamados as liberdades e os direitos fundamentais do homem de forma econômica, visando abarcar toda a humanidade. Ela foi reformulada no contexto do processo revolucionário numa segunda versão, de 1793. Serviu de inspiração para as constituições francesas de 1848 (Segunda República Francesa) e para a atual, e também foi a base da Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pelas Nações Unidas. Na imagem da Declaração, o “Olho da Providência” maçônico e illuminati brilhando no topo em indicação clara e evidente de que a Revolução Francesa foi motivada por grupos ocultos.

Em 4 de abril de 1791, tentando fugir para a Prússia, Luís XVI foi  detido perto da fronteira e obrigado a retornar à capital.

Em abril de 1792, a Prússia e a Áustria invadiram a França. A população francesa organizou um exército revolucionário – Comuna Insurrecional de Paris -, que saiu vitorioso. Em setembro, foi eleita, pelo voto universal, a Convenção que proclamou a República. Nesse momento, os girondinos controlavam o poder político e um problema deveria ser resolvido: o que fazer com o rei e toda sua família? Resolveu-se a questão condenando o rei Luís XVI à guilhotina (janeiro de 1793).

Os girondinos passaram a aplicar medidas que beneficiavam a alta burguesia. Nas ruas, a população rebelava-se, liderada pelos jacobinos. Em 12 de junho de 1793, a Convenção foi cercada e os líderes girondinos presos. Os jacobinos assumiram o poder e instauraram um governo de tendências liberais.

Durante esse período, conhecido como Terror, Robespierre tornou-se a principal figura política. Maria Antonieta, Danton e milhares de outros que se opuseram ao seu governo foram guilhotinados. A burguesia, insatisfeita com as atitudes de Robespierre, preparou um golpe. Em 9 thermidor (julho) de 1794, a alta burguesia tomou o poder e condenou Robespierre e outros líderes populares à guilhotina.

Em 5 de outubro de 1795 formou-se um Diretório de cinco membros, nomeados pela Assembleia. No entanto, o Diretório não soube controlar a corrupção e a crescente inflação. Para piorar, a França sofria derrotas nos países absolutistas. A burguesia, preocupada em manter a ordem interna, apoiou o jovem general Napoleão Bonaparte no Golpe do 18 Brumário (novembro) de 1799, que derrubou o Diretório e instituiu o Consulado, preparando o advento do Império.

O Período Napoleônico (1799-1815) caracterizou-se pelas várias guerras visando a expansão territorial e a consolidação da política francesa. Dentre os principais inimigos, estavam a Inglaterra, Espanha, Áustria, Prússia e Rússia. A Inglaterra temia a concorrência comercial da França e que esta instasse a eclosão de várias revoluções burguesas. Para enfraquecê-la e incentivar o consumo dos produtos franceses, Napoleão decretou o Bloqueio Continental em 1806. As indústrias francesas, porém, não estavam preparadas para abastecer o mercado europeu. Além disso, muitos países não obedeceram ao bloqueio, levando Napoleão a interferir militarmente, como nos casos da Península Ibérica e da Rússia.

Em 1814, os exércitos napoleônicos foram derrotados em Leipzig. Napoleão foi exilado para ilha de Elba (pequena ilha italiana no Mar Mediterrâneo, situada entre a costa da Toscana e a ilha de Córsega). Em março de 1815 retornou e tomou o poder, governando por 100 dias, mas foi derrotado na batalha de Waterloo. Preso na ilha de Santa Helena, na África, Napoleão morreu em 1821. Paris foi tomada pelos aliados e a monarquia deposta em 1792 foi restabelecida com o rei Luís XVIII. A República só foi estabelecida de modo permanente na França a partir de 1871, mas a Revolução Francesa solapou as bases da velha ordem de privilégios e marcou o início de uma longa luta pela emancipação política, social e econômica das massas populares europeias.

O papel da Maçonaria e dos Illuminati na Revolução Francesa

O abade jesuíta Augustin Barruél (1741-1820) publica em 1797 o seu Mémoires Pour Servir à l’Histoire du Jacobinisme (Memórias Ilustrativas da História do Jacobinismo), delineando uma conspiração envolvendo os Cavaleiros Templários, os Rosacruzes, os Jacobinos e os Illuminati.

Augustin Barruel por Auguste Pidoux.
John Robison

Simultânea e independentemente, o maçom e físico escocês John Robison (1739-1805), professor de história natural na Universidade de Edimburgo, começou a publicar Proofs of a Conspiracy Against All the Religions and Governments of Europe, Carried on in the Secret Meetings of Freemasons, Illuminati and Reading Societies (Provas de uma Conspiração Contra Todas as Religiões e Governos da Europa, Exercidas nas Reuniões Secretas dos Maçons, Illuminati e Sociedades de Leitura), na qual apresentava evidências de uma conspiração dos Illuminati para substituir todas as religiões e nações com o humanismo e um governo único mundial. Barruél incluiu extensas citações ao livro de Robison em seu próprio livro e acrescentou que a Revolução Francesa foi planejada e controlada pelos Illuminati por meio dos jacobinos.

Arthur Cherep-Spiridovich em um cartão postal francês de 1920.

O general-major conde Arthur Cherep-Spiridovich (1858-1926), um membro da velha aristocracia russa que viu o seu país dizimado pelos bolcheviques e teve de exilar-se nos Estados Unidos, em seu livro The Secret World Government or “The Hidden Hand” (O Governo Mundial Secreto ou “A Mão Escondida”), publicado em 1926, escreveu:

“A Revolução Francesa, assim como a Revolução Russa, foi organizada e financiada pelos Rothschilds com vista a assassinar os cristãos, pilhar e obter todos os reinos. […] Todo o banho de sangue desde 1770 foi organizado pelos Rothschilds; e como controlam 90% da imprensa mundial, esta recebeu ordens para ficar calada quanto aos seus feitos nefastos. Os Rothschilds procuram passar uma imagem o mais limpa possível de si mesmos. Receiam que os cristãos deixem de ser os calados imbecis, covardes e lambedores de botas que não tomam posição. Por isso, os Rothschilds pretendem ou alegam que o seu motto é ‘Concordia, Industria, Integritas’, quando não existe nenhuma família menos íntegra do que eles e nenhuma fez mais para causar disputas sangrentas e assassínios do que estes satanistas. Os Rothschilds têm sido a fonte de todos os acontecimentos políticos e financeiros desde 1770. O seu nome deveria ser mencionado em cada página da história de todos os países. Os escritores, professores e políticos que não falam deles deveriam ser considerados ingênuos, hipócritas ou criminosamente ignorantes.”

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