Paris Illuminati: Todo o simbolismo das trevas por trás da “cidade luz”

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga (texto e slides)

Vinte anos depois de ter conquistado em casa sua primeira Copa do Mundo em 12 de julho de 1998, quando venceu o Brasil por 3 a 0 (apesar da excelência da seleção francesa liderada por Zinedine Zidane, houve diversas denúncias de que o Brasil “vendera” a Copa em um acordo sinistro que teve até “possessão” demoníaca de Ronaldinho), a França repete o feito, desta vez sobre a Croácia, na Rússia, e novamente por goleada (4 a 2), um dia depois das comemorações da Tomada da Bastilha, evento central da Revolução Francesa ocorrido em 14 de julho de 1789.

As duas seleções, cujas bandeiras são tricolores e das mesmas cores (azul, branco e vermelho), tinham os mesmos patrocinadores esportivos (Nike, cuja logomarca, assim como o de uma infinidade de empresas illuminati, é um anel de Saturno, deus romano do tempo equivalente ao grego Cronos). Pela primeira vez em uma final de Copa, a Croácia era até então mais conhecida por ser palco das mais longas e mais intensas aparições marianas da história e a que apresenta maior profusão de fenômenos parapsicológicos, ufológicos e sobrenaturais. Desde 24 de junho (mesmo dia em que se comemora o início da Era Moderna dos Discos Voadores) de 1981, “Nossa Senhora Rainha da Paz” vem aparecendo todos os dias – pontualmente às 17h40 (13h40 em Brasília) – em Medjugorje, um vilarejo perdido na região da Bósnia-Herzegovina (ex-Iugoslávia), ao sul da Herzegovina, nos confins da Croácia Meridional, a poucos quilômetros da Costa Dálmata, um vilarejo perdido que antes das aparições da Virgem não constava da maioria dos mapas (produzi um trabalho completo a respeito que consta em um dos capítulos do meu livro ainda inédito sobre Aparições Marianas e Discos Voadores).

Paris, “A Cidade Luz”, é assim chamada adequadamente. Do Panteão[1] de Paris às Pirâmides do Louvre, grande parte de seus monumentos exibem traços maçônicos, ainda que muitas vezes não passem de “pequenos toques” ou “piscadelas de maçons”, como ressalvou o advogado, político, escritor e tradutor parisiense Emmanuel Pierrat, autor junto com Laurent Kupferman de A Paris dos Franco-Maçons (Le Paris des Francs-Maçons).[2] “Não se deve interpretar excessivamente os sinais, mas alguns construtores irmãos realmente marcaram a cidade com suas logomarcas, incluindo referências antigas, muito populares nos séculos XVIII e XIX e em nossos rituais”, concorda o advogado e iniciado parisiense Raphaël Aurillac.

O roteirista inglês Henry Lincoln (1930-), que entre 1972 e 1979 produziu três documentários sobre os illuminati para a BBC e escreveu duas crônicas sobre o assunto, mais tarde, junto com Michael Baigent (1948-2013) e Richard Leigh (1943-2007), escreveu o livro The Holy Blood and the Holy Grail (O Santo Graal e a Linhagem Sagrada), publicado em 1982 por Jonathan Cape em Londres. Neste livro, afirmam que Jesus se casou com Maria Madalena e com ela teve filhos, cujos descendentes emigraram para o sul da França, onde se mesclaram com famílias nobres que acabaram por tornar-se a dinastia Merovíngia, protegida pela sociedade secreta Priorado de Sião (Priory of Sion).

O Priorado teria sido criado pelos Cavaleiros Templários como seu braço militar e seu ramo financeiro em 1099 e ao longo da história teria tido como grão-mestres figuras ilustres como Leonardo da Vinci, Isaac Newton, Victor Hugo e Jean Cocteau. A Igreja, temerosa de que os papas fossem usurpados por um antipapa de uma sucessão hereditária de Maria Madalena, teria tentado assassinar todos os membros da dinastia e seus guardiões (os cátaros e os Cavaleiros Templários). Os Protocolos dos Sábios de Sião, para os autores, não se refeririam propriamente a uma conspiração judaica (Zion, em hebraico Tzion ou Tsion, o nome de uma fortaleza conquistada por David, próximo de uma colina a sudeste de Jerusalém, chamada de Monte Tzion), e sim às atividades do Priorado de Sião (Sion = o Sol), cujas metas modernas seriam a revelação pública do Santo Graal, que facilitaria a restauração merovíngia na França e o estabelecimento de um “Estados Unidos da Europa” teocrático.

Em 2003, inteiramente baseado no livro de Lincoln, Baigent e Leigh, mas sem lhes dar o devido crédito, Dan Brown lançaria o seu O Código Da Vinci, no qual utilizou os sobrenomes de Richard Leigh e Michael Baigent (em forma de anagrama) para compor o nome do personagem Leigh Teabing. Em O Código Da Vinci, o professor de iconografia religiosa e simbologia da Universidade de Harvard Robert Langdon, personagem nitidamente inspirado no scholar norte-americano e conspiracionista Jordan Maxwell, vê na Pirâmide Invertida (Pyramide Inversée) em frente ao Museu do Louvre, em Paris, no centro comercial subterrâneo, um cálice, um símbolo feminino, e na pirâmide de pedra logo abaixo, uma lâmina, um símbolo masculino. A ponta da Pirâmide Invertida está suspensa 1,4 metros acima do nível do piso, diretamente abaixo da ponta da pirâmide de pedra com cerca de 1 metro de altura. Toda a estrutura expressaria, assim, a união dos sexos. Brown sugere que a pirâmide de pedra pequena é apenas o vértice de uma pirâmide maior (possivelmente do mesmo tamanho que a pirâmide invertida), embutida no chão, com uma câmara secreta onde estaria o corpo de Maria Madalena. A Pirâmide Invertida, o “irmão” mais novo da Grande Pirâmide do Louvre, mas de cabeça para baixo, é uma “janela de vidro” de 13,3 m2 e moldura de aço pesando 30 toneladas. Construída em 1995, foi projetada pelos arquitetos I. M. Pei, Henry N. Cobb, James Ingo Freed e outros como parte da renovação da Fase II do Museu do Louvre. Depois que escurece, a estrutura é “iluminada” por um friso de holofotes.

A Grande Pirâmide de vidro e metal do Louvre, rodeada por três pirâmides menores (tal como no Egito) e que serve de entrada principal – e obrigatória – para o Museu do Louvre, foi encomendada pelo presidente francês François Mitterrand (1916-1996) em 1984 e concluída em 1989. Mitterrand, do Partido Socialista, era um maçom do grau 33. Projetado pelo arquiteto norte-americano de origem chinesa Ieoh Ming Pei, o edifício esotérico-futurista constituído de 603 peças de losangos e 70 segmentos triangulares de vidro, com 20,6 metros e uma base quadrada de cerca de 35 metros de lado, não combina em nada com a arquitetura clássica do Louvre. O motivo, no entanto, não teve nada a ver com arquitetura ou a estética, mas em acrescentar mais poder ao design geométrico da cidade. Raphaël Aurillac, em seu livro Le Guide du Paris Maçonnique (Guia Maçônico de Paris), revela que o Louvre costumava ser um templo maçônico e demonstra que as pirâmides de vidro indubitavelmente incorporam o simbolismo maçônico. A pirâmide apontada para baixo expressaria o lema Rosacruz V.I.T.R.I.O.L. (Visita Interiorem Terrae, Rectificando, Invenies Occultum Lapidem, ou “Visite o Interior da Terra e, Retificando-te, Encontrarás a Pedra Oculta”).[3]

Notas:

[1] O Panthéon, no Monte de Santa Genoveva, em pleno Quartier Latin, foi construído entre 1758 e 1790 por desejo do rei Luís XV (1710-1774), que após recuperar-se de uma grave doença, ordenou ao arquiteto Jacques-Germain Soufflot (1713-1780), pioneiro do neoclassicismo, a concepção de uma basílica dedicada à Santa Genoveva (423-502 ou 512), virgem e santa católica francesa, padroeira de Paris, em substituição à antiga abadia ali existente. A fachada principal tem um pórtico de colunas de estilo coríntio que apoiam um frontão triangular da autoria do escultor Pierre Jean David, mais conhecido como David d’Angers (1788-1856). O edifício, em forma de cruz grega, tem 110 metros de comprimento, 84 metros de largura e é coroado por uma cúpula de 83 metros de altura, com um lanternim (pequeno telhado sobreposto à cumeeira que propicia ventilação e iluminação naturais) no topo. O Panteão acabou laicizado pelos movimentos revolucionários burgueses, que o converteram em Panteão nacional. Hoje, na cripta, repousam setenta célebres personagens da história francesa (filósofos, escritores, cientistas, generais e políticos), entre eles Alexandre Dumas, Denis Diderot, Émile Zola, Jean-Jacques Rousseau, Marie e Pierre Curie, René Descartes, Victor Hugo e Voltaire.

[2] Pierrat, Emmanuel & Kupferman, Laurent. Le Paris des Francs-Maçons, Paris, Le Cherche Midi, 2009.

[3] Aurillac, Raphaël. Le Guide du Paris Maçonnique, Paris, Editions Dervy, 1998.