A Grande Onda de Maio de 1986 e a Noite Oficial dos OVNIs no Brasil

A Noite Oficial dos OVNIs no Brasil em 19 de maio de 1986, em pleno início da Nova República, quando a região da Grande São Paulo, de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, e o Rio de Janeiro, foi invadida por nada menos do que 21 esferas luminosas, perseguidas por sete caças F-5E e Mirage da FAB, enviados das bases aéreas de Santa Cruz (RJ) e Anápolis (GO), entrou para a história da ufologia como um marco por não só ter sido reconhecida pelos militares e pelo próprio governo, mas por ter contado com a participação e o testemunho de figuras importantes e abalizadas do país, ocupantes de altos cargos, como o então presidente da Embraer Ozires Silva, que a bordo de um avião Xingu avistou um OVNI quando seguia de Brasília para São José dos Campos e chegou mesmo a persegui-lo. Como se sabe, o então ministro da Aeronáutica, o brigadeiro Octávio Moreira Lima, não hesitou em ir à TV em rede nacional, no dia seguinte, para admitir a “invasão” do espaço aéreo brasileiro por OVNIs. Diversos documentos sobre a Noite Oficial dos OVNIs, em que se admite que os objetos observados eram “sólidos e refletem certa forma de inteligência”, foram liberados pelo governo nos últimos anos.

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Entre as 21 horas de segunda-feira, 19 de maio de 1986, aos 10 minutos de terça, a Grande São Paulo, a região de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, e o Rio de Janeiro, foram literalmente invadidos por nada menos do que 21 OVNIs (Objetos Voadores Não Identificados) que se deslocavam a velocidades que pulavam de 60 a 3.500 km/h. O CODA (Centro de Operações de Defesa Aérea) acionou três caças F-5E e três caças Mirage F-103 com a missão de interceptar e – se preciso – abater os intrusos. O evento repercutiu nacionalmente em 21 de maio, quando o ministro da Aeronáutica, brigadeiro Octávio Júlio Moreira Lima, 59 anos, convocou a imprensa no Palácio do Planalto para explicar que os objetos haviam saturado os escopos dos radares do Cindacta (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo) e provocado a interrupção do tráfego aéreo no país.

Os jornais paulistanos estamparam no dia seguinte manchetes que se misturavam às notícias em torno da euforia do Plano Cruzado (que para combater a inflação havia congelado os preços de todas as mercadorias, bens e serviços) e da epidemia de dengue que grassava em São Paulo. Folha de S. Paulo: “OVNIs sobrevoam São Paulo e parte do estado do Rio”; Folha da Tarde: “Aviões da FAB caçam discos voadores”; O Estado de S. Paulo: “Invasão aérea. São os tais OVNIs”; Jornal da Tarde: “Alerta geral: vinte OVNIs sobre São Paulo e Rio”.

Folha de S. Paulo, 22-05-1986.
Folha da Tarde, 22-05-1986.
O Estado de S. Paulo, 22-05-1986.
Jornal da Tarde, 22-05-1986.

As reportagens davam conta de que os caças haviam partido, simultaneamente, das bases de Anápolis – a 50 quilômetros a noroeste de Goiânia e a 150 quilômetros de Brasília – e de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Um dos F-5E, de perseguidor passou a perseguido por 13 objetos. Moreira Lima reconheceu que estavam diante de um “fenômeno inexplicável”, considerando remota a possibilidade de uma “guerra eletrônica”. Indagado se acreditava em seres extraterrestres, respondeu: “Não se trata de acreditar ou não. Isso requer informações técnicas suficientes, o que nós não temos. Temos de aguardar os relatórios.” Admitiu que “há registros parecidos no Cindacta, mas nada que se assemelhe a este em magnitude”. Interrompendo discretamente um jantar oferecido no Itamaraty ao presidente de El Salvador, Napoleón Duarte, notificou o presidente José Sarney, que se mostrou “interessado e curioso”.

Momento histórico: O ministro da Aeronáutica, brigadeiro Octávio Júlio Moreira Lima, confirmando à imprensa a invasão do espaço aéreo pelos OVNIs.

O CODA, em Brasília, convocou os jornalistas credenciados para uma reunião no Gabinete do Ministro da Aeronáutica, às 19 horas. O major-aviador Ney Antônio Cerqueira, chefe do órgão, revelou que o responsável pelo acionamento dos aviões F-5E, na Base Aérea de Santa Cruz, fora o brigadeiro João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, comandante do órgão, e anunciou ser aquele “motivo suficiente para justificar uma apuração a fundo do problema”. A principal hipótese a considerar, levando em conta que os OVNIs se concentraram sobre São José dos Campos, área eminentemente estratégica, era a de espionagem industrial por satélites ou aviões estrangeiros.

O coronel Ozires Silva. Foto: Claudeir Covo.

O engenheiro aeronáutico e coronel Ozires Silva, 55 anos, recém empossado na Presidência da Petrobrás, cargo que ocupou até 1988, ante o assédio da imprensa que solicitava uma descrição do OVNI que teria visto enquanto pilotava o avião Xingu, com o qual acabara de pousar em São José dos Campos, vindo de Brasília, negou que tivesse visto algo. Ao perguntar a um dos jornalistas quem havia feito tal comentário, ouviu o nome do ministro da Aeronáutica, no que de pronto assumiu: “Então eu vi mesmo”, encerrando o assunto e passando a falar apenas sobre o papel que desempenharia à frente da Petrobrás.

A propósito do presidente da Petrobrás, Cerqueira detalhou que por volta das 21 horas de segunda-feira, a tripulação do Xingu captou luzes não identificadas no radar de bordo e consultou a torre de controle do Aeroporto de São José dos Campos. O operador respondeu negativamente, certificando porém que os radares de São Paulo detectaram objetos na posição indicada. Às 21h45, o Comando de Operações Militares de Brasília ordenou que três caças F-5E se deslocassem até São José dos Campos, dando início à operação de busca. Mesmo sofrendo interferências nos instrumentos de bordo, um dos pilotos perseguiu três luzes 370 quilômetros além do litoral. Às 22 horas, visualizou o objeto que às 22h10 saltou de 250 para 1.500 km/h, e às 22h15 desapareceu rumo ao continente africano.

Simultaneamente, objetos semelhantes foram detectados pelos radares da Base Aérea de Anápolis. Três Mirages decolaram em interceptação e, tal como no Rio de Janeiro, apenas um fez contato-radar. Cerqueira declarou que “o desaparecimento do contato no radar é inexplicável, pelo menos para os conhecimentos científicos atuais e de que dispõe o Ministério da Aeronáutica”.

O major-brigadeiro Nelson Fisch de Miranda.

O comandante do III COMAR, major-brigadeiro Nelson Fisch de Miranda, às 17 horas do dia 21 redigiu na sede do Comando, no centro do Rio, uma nota confirmando o incidente: “Na madrugada de 19 para 20 de maio, o Cindacta detectou sobre São José dos Campos um alvo de radar que não respondia às mensagens de rádio. O 1º Esquadrão de Controle e Alarme (ECA-1), acionou um caça supersônico F-5E da Base Aérea de Santa Cruz. O caça não conseguiu localizar a luz pelo radar ou visualmente, retornando à base por falta de combustível. Já o segundo caça logrou detectar e visualizar o alvo.”

Às 16 horas de 22 de maio, no Rio, após transferir a superintendência da Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica) ao engenheiro aeronáutico Ozílio Carlos da Silva (1937-2015), cargo que ocupara durante 17 anos, o presidente da Petrobrás assumiu de vez ter feito contato visual com estranhos pontos luminosos, os quais seriam enquadrados como estrelas, não fossem captados pelos radares. “Não sou lunático”, pontuou. Às 21h20, ele e o co-piloto Alcir Pereira da Silva, 37 anos, preparavam-se para descer em São José dos Campos quando o Controle de Brasília perguntou se viam algo, já que estavam com três OVNIs nos radares. Ozires solicitou que lhe fornecessem a posição relativa dos objetos, após o que se  dirigiram à área indicada e efetivamente avistaram os pontos luminosos de coloração vermelha e alaranjada.

Aparentemente, apenas um deles se movia. Piloto há 44 anos, Ozires brincou: “Disseram que eu saltei de presidente da Embraer à presidente da Petrobrás, e esse voo foi tão alto que eu acabei vendo discos voadores.” Perguntado se o cargo que ora assumia não o deixava constrangido com relação ao assunto, respondeu: “Claro que fico constrangido. Geralmente não se leva a sério as pessoas que veem discos voadores. Não fossem os registros do radar não teria coragem de me expor.”

Testemunhos abalizados de pilotos

Os profissionais do ramo da aviação evitavam falar em OVNIs temendo o descrédito e eventuais sanções ou represálias. No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, município de Guarulhos, nordeste da Grande São Paulo, foram poucos os que aquiesceram em comentar os incidentes mencionados.[1] O ministro do STM, brigadeiro George Relham da Motta, lembrou-se que nos tempos em que era major observara um fenômeno semelhante nas imediações de Recife, recebendo ordens expressas de nada comentar.[2]

O major-brigadeiro do ar Sócrates da Costa Monteiro. Foto: Arquivos da FAB.

O major-brigadeiro do ar Sócrates da Costa Monteiro (1930-2019) – que se tornaria ministro da Aeronáutica durante o governo de Fernando Collor de Mello, de 15 de março de 1990 a 2 de outubro de 1992 –, comandante do IV COMAR em São Paulo, quebrou o protocolo, relevando que “há muitos anos esses casos vêm sendo registrados. Em 19 de maio, os objetos pularam de 240 para 1.500 km/h em frações de segundo. A FAB filmou os eventos. […] Cumpre assinalar que os pilotos de caça são rigorosamente selecionados entre os melhores do Brasil, portanto dificilmente confundiriam meteoros com OVNIs. Os currículos dos pilotos falam por si sós: 900 missões, 2.000 horas de voo, e assim por diante. Aliás, só um em cada 500 candidatos consegue tornar-se piloto de caça da FAB.”

Sócrates Monteiro segurando um exemplar da UFO.

No domingo, 25 de outubro de 2009, o editor da revista UFO A. J. Gevaerd, acompanhado pelo co-editor Marco Antonio Petit e pelos consultores Francisco Pires de Campos, de Barueri, e Arthur Ferreira Neto, do Rio de Janeiro, entrevistaram com exclusividade Sócrates Monteiro em sua residência no Rio de Janeiro durante mais de duas horas.

Nascido no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 26 de março de 1930, ingressou na Força Aérea como cadete em maio de 1948 e diplomou-se na Academia da Força Aérea, então Escola da Aeronáutica, como oficial aviador em dezembro de 1951. Promovido a capitão em janeiro de 1959, cinco anos depois foi designado instrutor da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, onde permaneceria até 1967. Promovido a major em outubro de 1965 e a tenente-coronel em março de 1969, no ano seguinte representou o Brasil como observador militar da OEA (Organização dos Estados Americanos), na zona de pacificação entre Honduras e El Salvador. Promovido a coronel em agosto de 1975, nesse mesmo ano assumiu a chefia do Serviço Regional de Proteção ao Vôo (SRPV) do Rio de Janeiro. Nomeado instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (Ecemar) em 1976, permaneceu nesse cargo até 1978, quando foi designado para assumir o comando do primeiro Cindacta. Em julho de 1980, foi promovido a brigadeiro-do-ar e em seguida nomeado subdiretor de operações da Diretoria de Eletrônica e Proteção ao Vôo. Em novembro de 1984, foi promovido a major-brigadeiro-do-ar, cargo ocupado até 1982, quando foi nomeado adido aeronáutico na embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Em novembro de 1984, foi promovido a major-brigadeiro-do-ar, e assim que retornou ao Brasil, nomeado comandante de Defesa Aérea e do Nucomdabra (Núcleo do Comando de Defesa Aeroespacial), em Brasília. Assumiu, cumulativamente, o cargo de comandante do VII Comando Aéreo Regional (VII Comar), em Manaus. Em janeiro de 1986, foi transferido para São Paulo, onde assumiu a chefia do IV Comar. Em 15 de março de 1990, foi empossado ministro da Aeronáutica de Fernando Collor. Em 1991, considerando que o Brasil estava na “idade do arco e flecha em matéria de armamentos”, defendeu a implantação do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia).

Sócrates Monteiro revelou à UFO que quando foi comandante do I Cindacta, em Brasília, observações de objetos voadores não identificados eram constantes nas telas de radar do órgão e que todos os casos eram meticulosamente anotados, sendo que alguns eram investigados pela FAB. Naquela ocasião ainda não se empregava o codinome “Tráfego Hotel” para os OVNIs. Monteiro descreveu uma situação em que a estação de radar do Cindacta no Gama (DF) foi sobrevoada a baixa altitude por um objeto discoide de grandes proporções, e que seus homens, sem saber o que fazer, abriram fogo contra no intruso. Ao saber disso, Monteiro deu-lhes ordens expressas para interromperem o tiroteio imediatamente. “Eles têm uma tecnologia muito mais avançada do que a nossa e não sabemos com reagiriam à nossa ação”.

Sobre a Noite Oficial dos OVNIs, Monteiro confirmou que os objetos “passaram de 250 para 1.500 km/h em frações de segundo”, além de acrescentar que “A FAB filmou todo o evento em vídeotapes”.

Às 14 horas de 21 de maio, a Base Aérea de Fortaleza recebeu numerosos telefonemas de moradores que se referiam a um objeto escuro em forma de charuto, reluzente ao Sol.[3]

Jornal do Brasil, 23-05-1986.

Na noite desse mesmo dia, na localidade de Petaluma, norte de São Francisco, Califórnia, Estados Unidos, mais de uma dúzia de pessoas viram um OVNI com luzes alaranjadas em forma de “X”. Às 4h30, Sue Hart distribuía jornais quando viu várias luzes alaranjadas paradas no céu, as quais rumaram para o leste com uma “velocidade inacreditável”, conforme acrescentou um policial.[4]

Folha de S. Paulo, 23-05-1986, primeira página.

Folha de S. Paulo, 23-05-1986, p.23.

“O comportamento das luzes e dos contatos-radar registrados na noite de segunda para terça-feira sobre São José dos Campos e Anápolis, não corresponde a nenhum padrão conhecido na aviação internacional.” Esta frase, com pequenas variações, foi repetida à exaustão pelos sete pilotos e três controladores de voo na entrevista coletiva à imprensa em 23 de maio. Outro ponto ressaltado: a noite estava clara, ideal para visualizar alvos à distância, sem nenhuma nuvem pesada que pudesse causar anomalias nos radares. Eis as manchetes de alguns dos jornais em 24 de maio: Folha de S. Paulo: “Pilotos confirmam luzes voadoras”; Folha da Tarde: “Piloto da FAB foi seguido por treze objetos não identificados”; Jornal do Brasil: “OVNIs ficaram fora do alcance da caça da FAB”; O Globo: “Pilotos afirmam que OVNIs tinham luzes brilhantes e multicoloridas”.

Folha de S. Paulo, 24-05-1986.
Folha da Tarde, 24-05-1986.
Jornal do Brasil, 24-05-1986.
O tenente Kleber Caldas Marinho e demais oficiais durante a entrevista coletiva concedida à imprensa em 23 de maio de 1986 para falar da perseguição aos OVNIs.

O tenente Kleber Caldas Marinho, 25 anos, e o capitão Márcio Brisolla Jordão, 29 anos, lotados na Base Aérea de Santa Cruz, a exemplo dos demais pilotos que tomaram parte da operação, não admitiram ter visto discos voadores, preferindo defini-los como “pontos luminosos persistentes, luzes intensas que se deslocavam rapidamente e ecos-radar não identificados”. O capitão Armindo Souza Viriato de Freitas, 30 anos, com vistas a seguir um ponto que ziguezagueava em seu radar de bordo, decolou de Anápolis com o Mirage F-103 tomando direção oposta ao dos dois companheiros. O tenente Hugo Nunes Freitas, 30 anos, chefe da Seção de Controle de Voos do Cindacta, num certo momento preveniu-o de que vários pontos o estavam seguindo – seis ecos-radar de um lado e sete do outro. Viriato fez uma manobra de 180º na intenção de ficar de frente para os pontos, mas estes desapareceram repentinamente.

A torre de São José dos Campos informou que, com a chegada dos caças, todos os pontos luminosos sumiram para só reaparecer à 1h30. O tenente Marinho, primeiro piloto enviado a São Paulo com o caça armado de mísseis Sidewinder e canhões de 30 milímetros, perseguiu uma luz que mudou a coloração de branca para verde e vermelha pouco antes de desaparecer em direção a África. O capitão Júlio César Rozemberg, 32 anos, terceiro piloto do Mirage, optou por ser orientado pelo radar da torre de Anápolis ao encontro de um ponto luminoso que cruzou tão rapidamente o seu caça que não deu chances para uma visualização. Rozemberg não soube explicar porque a torre o detectava e o radar de bordo não. O chefe do Centro de Relações Públicas do Ministério da Aeronáutica, coronel Adalberto Resende Rocha, anunciou que uma comissão do CODA fora encarregada de elaborar um relatório que no entanto não seria divulgado. Dois dias antes, o ministro da Aeronáutica havia incumbido o CODA de constituir uma comissão especializada. “Os trabalhos da comissão deverão estar prontos em no máximo 30 dias”, prometeu.[5]

A onda de maio compensara a decepção com o Cometa Halley, festejou a revista Istoé em sua edição de 28 de maio. Otto Nogueira, piloto de um jatinho particular, foi perseguido por um OVNI ao longo dos 700 quilômetros do trajeto entre São Luís e Brasília. Um cinegrafista da TV Maringá, Paraná, logrou filmar um dos objetos que mudava constantemente de cor. Assim que os OVNIs invadiram o espaço aéreo, o presidente José Sarney fora contatado por meio de uma “linha quente” de telefone no Palácio do Planalto, já que, como comandante supremo das Forças Armadas, deveria autorizar ou não a interceptação e derrubada dos objetos. A universitária carioca Maria Cristina, 23 anos, filha do economista, banqueiro e ex-ministro Mário Henrique Simonsen (1935-1997), declarou que semanas antes, na madrugada de 4 de maio, ela e uma amiga viram um enorme disco luminoso na estrada que liga Belo Horizonte ao Rio de Janeiro.[6]

O Ministério da Aeronáutica informou que os OVNIs instaram as seguintes contramedidas:

20h50 – A torre de controle de São José dos Campos visualiza no azimute 330º uma formação circular em torno de uma luz amarela e inúmeros pontos brancos. O controlador da torre contata o radar de São Paulo, que confirma os alvos no mesmo azimute.

21h14 – O Controle da Área de São Paulo (APP-SP) confirma a presença de alvos no terminal de São José dos Campos.

21h15 – APP-SP notifica o Controle de Tráfego de Brasília sobre a existência dos alvos.

21h20 – Controle de Área de Brasília (ACC-BR) confirma a presença dos alvos sobre a região de São José dos Campos.

21h21 – ACC-BR informa ao Centro de Operações Militares de Brasília sobre os alvos.

22h23 – Acionamento de uma das aeronaves F-5E, que se encontrava em alerta.

22h24 – Acionamento da segunda aeronave F-5E.

22h50 – Acionamento da terceira aeronave F-5E.

22h55 – Contato-radar estabelecido pelo Controle de Área de Anápolis.

22h56 – Contato-radar pelos Mirage F-103.

23h15 – Visualização, pelo piloto do F-5E, de luzes cintilantes vermelhas, azuis e brancas. Contato-radar com os alvos a 24 quilômetros. O piloto tenta alcançar os pontos luminosos, acelerando o avião até 1.1 mach, sem sucesso.

23h17 – Acionamento do segundo F-103 Mirage.

23h20 – Acionamento do terceiro Mirage F-103.

23h36 – Novo acionamento do F-103.[7]

 O filme da Miksom

O terraço do prédio do Banespa (Banco do Estado de São Paulo) no início da Avenida São João, zona central da cidade, tornou-se um posto de observação privilegiado na noite de quinta-feira, 29 de maio. Tanto que cinco profissionais da produtora Miksom, contratada pela agência publicitária Deck, lograram obter, diga-se de passagem involuntariamente – enquanto concluíam as filmagens de um pacote de quatro comerciais da Eletropaulo, veiculados nas emissoras de tevê na semana seguinte –, um dos mais importantes documentos cinematográficos não só da onda como também de toda a história da ufologia. O OVNI esférico, de brilho intenso, com cores que variavam do amarelo ao laranja, permaneceu praticamente parado, a oeste, por cerca de dez minutos.

O argentino Daniel Gomez, diretor de vídeo, 31 anos, declarou: “Colhíamos imagens entre às 22 e 23 horas. A Lua estava linda e a visibilidade era boa. Começamos a gravar com a câmera desfocada, tomando um ponto de luz intenso como referência. Só depois de um tempo, devido aos movimentos e variações que apresentou – diminuiu a intensidade da luz e voltou a ressurgir com força duas vezes – é que prestamos mais atenção.”

Gomez não se espantou, pois aos 12 anos vira um OVNI em Mar Del Plata, cidade da província de Buenos Aires, no centro-leste da Argentina, na costa do Oceano Atlântico. A Miksom, localizada no bairro de Moema, zona sul, recebeu a visita de inúmeros jornalistas, curiosos e pesquisadores.

Folha de S. Paulo, 31-05-1986
Folha da Tarde, 31-05-1986

O engenheiro eletrônico e ufólogo Claudeir Covo, presidente do Centro de Estudos e Pesquisas Ufológicas (CEPU), analisou as imagens e concluiu: “Até agora, todos os exames realizados atestam que foi filmado um autêntico disco voador esférico, medindo entre 6 a 8 metros de diâmetro, o qual se encontrava a aproximadamente 10 quilômetros de distância, pairando sobre a Serra da Cantareira. Os radares do Aeroporto de Congonhas chegaram inclusive a detectá-lo.”

Claudeir Covo e Cláudio Suenaga.
Roberto Boczko

O astrônomo do IAG-USP, Roberto Boczko, normalmente céptico em relação aos OVNIs, descartou que se tratasse de algum corpo celeste conhecido: “A maior semelhança é com a Lua, mas ela aparece em outra posição, do lado direito. Nenhum planeta apresenta um brilho com tamanha magnitude. A menos que seja uma espécie de refração anômala ou miragem, que faz uma imagem aparecer numa posição em que ela realmente não está. De qualquer forma, esse objeto não deve ser confundido com nenhum astro celeste, e a explicação deve ser buscada em outro terreno que não a astronomia.”[8]

Inclinada a oferecer pareceres técnico-científicos em consonância com as filiações radioamadorísticas de seu cativo público leitor, a revista Antenna Eletrônica Popular, a mais antiga publicação brasileira do gênero,[9] se, de um lado, teve de admitir que os OVNIs avistados em maio dificilmente eram artefatos espaciais, uma vez que “os imensos computadores do Goddard Space Flight Center, que acompanham o movimento de todos os corpos lançados no espaço em torno da Terra não divulgou nenhuma reentrada”, de outro endossou a explicação do radioamador húngaro naturalizado brasileiro Iwan Thomas Halász (1921-),[10] aliás um destacado colaborador da revista, que em artigo publicado na edição de 19 de junho do jornal O Estado de São Paulo afirmou que os fenômenos luminosos avistados e detectados pelos radares teriam sido ocasionados “pelo rompimento da massa ionizada que encobre a Terra, ocorrido naquela data, com a consequente emissão de luz pelas massas ionizadas resultantes (o chamado ‘efeito aurora’), podendo ter dado aos observadores, especialmente os pilotos que registraram e tentaram acompanhar os OVNIs, a impressão de se tratar de objetos verdadeiros.” A reforçar essa sua tese, Halász mencionou uma série de fatos registrados durante aquele agitadíssimo mês de maio, como “os resultantes das perturbações causadas pelas bruscas variações no número de manchas solares – fenômenos que tiveram início no mês de fevereiro, quando perturbações na camada ionosférica ‘E’ causaram efeitos de aurora sobre os Estados Unidos, dando, simultaneamente, condições anormais de propagação em frequências de VHF e UHF aos radioamadores que delas se utilizam.”

O índice máximo de perturbação ocorreu justamente em maio, quando o computador do satélite amador OSCAR-10, pela primeira vez em seus quase três anos de operação, deixou de obedecer aos comandos enviados da Terra. Sempre pronta a cooperar na elucidação de fenômenos radioelétricos, Antenna Eletrônica Popular assinalou ainda outras anomalias observadas e registradas pelos radioamadores que se dedicam à experimentação nas frequências elevadas, especialmente os participantes da AMSAT e, no Brasil, os cooperadores da BRAMSAT, presidida pelo engenheiro Júnior Torres de Castro, que gozava de elevado prestígio entre os cientistas ligados à NASA, pelos muitos e relevantes serviços prestados à comunidade espacial.[11]

E os OVNIs retornam

O capitão da reserva da Aeronáutica Basílio Baranoff, membro do Instituto de Atividades Espaciais (IAE) do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) de São José dos Campos, avistou às 18h30 de 13 de abril, em companhia de seu filho, estudante de engenharia, um OVNI do segundo andar do Edifício Riviera, onde residiam. O ponto luminoso movimentou-se lentamente no azimute 330º, na horizontal, e às 18h45 afastou-se na direção de Pirassununga, emitindo luzes cintilantes brancas, vermelhas e azuis. Baranoff redigiu um extenso relatório baseado em observações pessoais, pesquisas de campo e análises comparativas inferindo que a onda se iniciou em fevereiro e se estendeu até julho, abrangendo as cidades de Santos, São Paulo, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Arujá, Santa Branca, Paraibuna, Campos do Jordão, Caraguatatuba e São Sebastião.[12]

Os OVNIs começaram a ser detectados pelos radares do Aeroporto de São José dos Campos horas antes do primeiro caça F-5E levantar voo. Baranoff elaborou este cronograma técnico:

18h30 – Primeiro avistamento pela torre de São José dos Campos de dois objetos luminosos, nas cores vermelha e laranja, a uma altitude aproximada de 2 quilômetros, alinhados com o eixo da pista, azimute (ângulo horizontal relativo ao norte verdadeiro) 330º, distando aproximadamente 15 quilômetros da torre. Apresentavam bordas definidas; na parte inferior, cintilações multicoloridas vermelho-azuladas.

19h00 – As torres de controle de São Paulo (APP-SO) [Centro de Controle de Aproximação (APP) é o órgão que controla e orienta a aeronave dentro de uma área terminal, num raio de 87 quilômetros, até o seu pouso final] e Brasília (ACC-SP) [Centro de Controle de Área (ACC), é o órgão que controla as aeronaves dentro das aerovias] confirmaram para APP-SJ três alvos primários e a inexistência de aeronaves na área de APP-SJ.

19h40 – APP-SJ avista dois outros objetos luminosos deslocando-se de norte a oeste, que se alinham com o eixo da pista, azimute 330º, acima dos dois primeiros objetos luminosos. Os quatro permaneceram por longo tempo parados e alinhados com o eixo da pista.

20h00 – Já eram oito o número de alvos – ou ecos – na telas dos radares do APP-SJ, Cindacta de Brasília.

20h30 – A torre APP-SJ aciona o Comando de Defesa Aérea (COMDA) em razão da quantidade de objetos luminosos. Surge um novo alvo na radial 120º, acima da linha do horizonte, a 60 quilômetros, na direção da Serra do Mar.

21h00 – A aeronave PP-MBZ Xingu da Embraer, pilotada pelo coronel Ozires Silva e pelo comandante Alcir Pereira, solicita à torre APP-SJ permissão para pousar. Interrogada pelo APP-SJ, a aeronave confirma o avistamento de objetos luminosos no azimute 330º, igualmente confirmados pelo APP-SP, ACC-BR e Cindacta; o Xingu tentou então seguir um dos objetos por dez minutos, sem êxito, pois desaparecera repentinamente.

21h10 – Xingu retornava para o pouso quando avistou outro grande objeto luminoso, avermelhado, no azimute 290º, que se deslocava à baixa altitude na direção de Mogi das Cruzes. APP-SP informou a existência  de dois ecos: o do Xingu e de um outro objeto.

21h20 – ACC-BR informa o COMDA da situação de momento.

21h25 – Xingu retornava para o segundo pouso quando a APP-SP informou a existência de um objeto avermelhado 180º ao sul.

21h30 – Xingu retornava para o terceiro pouso pelo sul-sudeste do aeródromo, passando sobre a Petrobrás, quando ACC-BR alertou a torre APP-SJ da existência de objetos a 30 quilômetros. A 3 quilômetros de altitude, o Xingu avistou três objetos luminosos no azimute 65º, próximo à refinaria da Petrobrás, abaixo da aeronave. Alcir Pereira e Ozires Silva observaram o desaparecimento dos objetos na direção da Serra do Mar, a 90º. O Xingu finalmente decide pousar.

21h40 – Objeto luminoso amarelo, acompanhado de inúmeros objetos menores, de cor branca, avistados nos azimutes 320º e 110º.

22h23 – Acionada a primeira aeronave, um caça F-5E da Base Aérea de Santa Cruz.

22h45 – Acionado o segundo caça F-5E.

22h55 – Contato-radar pelo Controle de Aérea de Anápolis.

23h00 – Acionado o terceiro caça Mirage F-103.

23h15 – Um dos caças F-5E, em perseguição ao objeto avistado visualmente e por radar, acelera até 1.1 mach (1.320 km/h). O piloto diminuiu a distância com relação ao alvo de 43 a 10 quilômetros, após o que abandonou a missão por falta de combustível.

São José dos Campos foi o epicentro ou centro de convergência entre os dias 19 e 29 de maio. Os OVNIs iam de velocidades nulas – 0 km/h – e lentas – de 4 a 60 km/h – a instantâneas – na ordem de 3.600 km/h. Os movimentos eram circulares – um deles descreveu curvas de 360º –, oblíquos e horizontais. Os tamanhos variavam entre uma bola de futebol a um Boeing 727. Praticamente todas as observações ocorreram no período noturno – com exceção de um no final do vespertino, às 17h30.

Os OVNIs retornaram exatamente dez dias depois, na noite de 29 de maio, para uma nova revoada sobre São José dos Campos, sendo avistados visualmente, detectados pelos radares de São Paulo, de Brasília e pelo Cindacta I (sediado em Brasília, responsável pelo espaço aéreo do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e São Paulo).

Jornal da Tarde, 27-06-1986

A revista Veja, normalmente reticente em assuntos ufológicos, trouxe uma nota reveladora decorridos dois anos e meio da grande onda de 1986, em sua edição de 5 de outubro de 1988: “O Ministério da Aeronáutica preparou um dossiê detalhado, devidamente documentado, sobre a passagem de discos voadores no Brasil, captados pelos radares do Cindacta. A divulgação do teor do documento está proibida. O ministro Octávio Moreira Lima diz acreditar piamente na existência dos OVNIs.”

São José dos Campos: tríade estratégica

46 years in 2007.

São José dos Campos, a 321 quilômetros do Rio de Janeiro e a 84 quilômetros de São Paulo, está situado na longitude Oeste 45º 51’ 21’ e na latitude Sul 23º 13’ 53’, no Trópico de Capricórnio e na anomalia do campo magnético da Terra. O clima da cidade é mesotérmico úmido, e as chuvas abundantes vão de novembro a março, correspondendo a 72% do volume anual, ficando os 28% restantes entre maio e outubro. A umidade relativa média anual é de 76%. As massas de ar tropical predominam durante 50% do ano, seguidas pelas de ar frio. As temperaturas no verão atingem a média máxima de 29,6º C, e no inverno, a média mínima de 12º C.

O relevo é montanhoso, com colinas ao norte que variam de 660 a 975 metros, denominadas “Mar de Morros”. A parte urbana da cidade encontra-se em áreas de terraços e colinas tubulares. Destacam-se as serras do Planalto Atlântico, cujas altitudes atingem 800 metros, além das regiões alpinas, compostas por morros, serras e picos, com altitudes que variam de 619 a 2.082 metros, figurando entre os 32 pontos mais altos do país.

São José dos Campos está inserido na Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, que atravessa longitudinalmente o município. Dentro de sua riquíssima rede hidrográfica, de importância tanto para o abastecimento da população quanto para a pecuária, ressalta-se a existência do Rio do Peixe, afluente do Rio Jaguari, e que constitui uma extensa bacia que ocupa grande parte da região norte do município, cujas águas contribuem significativamente para a Represa do Jaguari, grande reservatório para a produção de energia elétrica na região.

Aos olhos do mundo e, quiçá, de acordo com os ufólogos, dos alienígenas, o que torna São José dos Campos especialmente atrativo é a tecnologia de ponta das indústrias dos setores aeroespacial e defesa, automotivo e de telecomunicações. O setor industrial é responsável por 70,52% de sua atividade econômica, empregando aproximadamente 50 mil pessoas. Entre as principais indústrias instaladas no município estão a Embraer, General Motors, Ericsson, Johnson & Johnson, Kodak, Monsanto, Panasonic, Hitachi, Johnson Controls, Avibrás, Tecsat, Solectron, Kanebo, Philips, Eaton, Bundy e Refinaria de Petróleo Henrique Lage/Petrobrás.

Os destaques maiores são os segmentos aeroespacial e de defesa. O Centro Técnico de Aeronáutica (CTA) – um estabelecimento de ensino superior de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, criado e mantido pelo Ministério da Aeronáutica –, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) – parte integrante do CTA – e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a NASA brasileira, criada em 1971, sediada na Avenida dos Astronautas – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) –, compõem uma Tríade Estratégica da mais alta relevância para os interesses nacionais.

Notas:

[1] “Pilotos que perseguiram OVNIs falam hoje à imprensa”, in Folha de S. Paulo, 23-5-1986.

[2] “Aeronáutica faz relatório sobre OVNIs vistos no Sul”, in O Globo, Rio de Janeiro, 23-5-1986.

[3] “ ‘Charuto voador’ apareceu no Ceará na quarta-feira”, in Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23-5-1986.

[4] “Piloto da FAB foi seguido por treze objetos não identificados”, in Folha da Tarde, São Paulo, 24-5-1986.

[5] 23-5-1986: “Pilotos que perseguiram OVNIs falam hoje à imprensa”, in Folha de S. Paulo; “Aeronáutica faz relatório sobre OVNIs vistos no Sul”, in O Globo, Rio de Janeiro.

[6] “Melhor que o Halley”, in Istoé, São Paulo, 28-5-1986, p.28-29.

[7] Randhas, Paulo. “Caças da FAB perseguem OVNI”, in Mecânica Popular, São Paulo, ano 1, nº 1, julho-agosto de 1986, p.8 e 10.

[8] “Equipe de vídeo filma OVNI sobre SP”, in Folha de S. Paulo, 31-5-1986; “Vídeo-tape flagra mais um OVNI nos céus da cidade”, in Folha da Tarde, São Paulo, 31-5-1986; “Disco voador enfeitiça São Paulo”, in Notícias Populares, São Paulo, 1º-6-1986; Covo, Claudeir, “A mobilização no céu brasileiro”, in Planeta: O Assunto É… Ufologia, São Paulo, Ed. Três, nº 14, outubro de 1986, p.15.

[9] Fundada em 1926 por Elba Dias, à qual se reincorporou sua antiga edição suplementar Eletrônica Popular, fundada em 1956 por Gilberto Affonso Penna Júnior, que ainda era seu diretor-responsável em 1986.

[10] Sócio da Liga Americana de Radioamadores, Iwan Thomas Halász publicaria em 1993 o livro Handbook do Radioamador (São Paulo, Edusp, 1993).

[11] “Os OVNIs de 19 de Maio”, in Antenna Eletrônica Popular, Rio de Janeiro, Antenna Edições Técnicas Ltda, nº 3, vol.93, maio e junho de 1986, Comentários, Notícias, QSP, p.7/159.

[12] Baranoff, Basílio. “OVNIs em maio de 1986”, in PSI-UFO, Campo Grande, CPDV, nº 4, janeiro-fevereiro de 1987, p.29-33.

[13] “Discos voadores aparecem na Europa”, in Folha da Tarde, São Paulo, 24-9-1986.

Extras:

Documento parcialmente censurado do Departamento de Defesa Americano sobre a Noite Oficial dos OVNIs no Brasil.

Um dos documentos confidenciais do Ministério da Aeronáutica/Nucomdabra, datado de 2 de junho de 1986, que foram liberados pelo Governo sobre a Noite Oficial dos OVNIs. Cortesia de Paulo Aníbal Mesquita.

Revista Já, 27-06-1999. Fonte: Cortesia do Professor de História J. Carlos Rocha V. J.