Seria Naoshi Onodera o verdadeiro imperador do Japão?

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Incumbido da missão espiritual especial de fazer o Japão “renascer” e elevar o seu estado de ânimo em meio a décadas de estagnação econômica, endividamento público (o maior do mundo, mais de ¥ 1 quatrilhão e 91 trilhões, isso mesmo, equivalente a US$ 9,9 trilhões), retração demográfica, envelhecimento da população, retumbantes cataclismos e incertezas quanto ao futuro, com perda crescente de importância no cenário internacional para países como a China e a Coreia do Sul, Naruhito assumiu o trono imperial neste 1° de maio no lugar de seu envelhecido pai, Akihito, que abdicou, algo que não ocorria desde 1817, ou seja, há mais de 200 anos. Chega assim ao fim a Era Reisei (“Alcançar a Paz”) e se inicia a Era Reiwa (“Bela Harmonia”).

Akihito se despede na cerimônia de transferência do trono para o seu filho Naruhito (esq.) em 1° de maio de 2019. Foto: Japan Times.

“Eu sou o legítimo imperador do Japão e eu tenho em meu poder o selo imperial, com os respectivos selos de todas as famílias reais do mundo, que é essencial para retirar a soma colossal de dinheiro dos bancos suíços para que circulem pelo mundo.” Não, quem disse isso não foi Naruhito em seu discurso de entronização, mas um desconhecido chamado Naoshi Onodera, que declara ser a figura-chave não só para o Japão, mas para toda a humanidade, capaz de estabelecer a paz perpétua, a prosperidade e a coexistência mútua entre todos os povos. Onodera diz ainda estar de posse dos “Três Tesouros Sagrados do Japão” como prova de sua legitimidade.

Naoshi Onodera, que se diz o legítimo imperador do Japão, envergando uma vestimenta parecida com a tradicional dos imperadores no momento do ritual de entronização.

O nome do “imperador oculto” Ondera circula desde 20 de março de 2012 na internet quando o reputado jornalista investigativo, escritor e conspiracionista canadense Benjamin Fulford, que conta com informantes em agências de espionagem, sociedades secretas e máfias de todo o mundo, como a Yakuza, o MI6, a Maçonaria, a CIA, a KGB, o Mossad, a Inteligência Militar Japonesa, etc., trouxe uma reportagem estupefaciente a respeito em seu site.

Entre 1978 e 1982, Benjamin Fulford viveu longe da civilização, em contato direto com a natureza selvagem, pescando e caçando com as próprias mãos. Passou um ano estudando com um curandeiro ao longo do curso superior do rio Uquyali, na Amazônia peruana, e conviveu com antigos canibais.
Hiroyoshi Fushimi

Fulford, que entre 1989 e 1992 atuou como correspondente sênior em Tóquio para o International Financing Revue e entre as suas qualificações está a de ser poliglota e ter escrito quinze livros denunciando a Yakuza e esquemas de corrupção nas altas finanças e no governo nipônico, livros que já venderam mais de 500 mil exemplares, sustenta que nos últimos anos o Japão tem sido controlado por um pequeno grupo centrado em torno da figura de Hiroaki Fushimi, nascido em Tóquio em 1932, um parente distante da família imperial do Japão que vem tentando tomar o trono e, assim, assumir o controle do sistema financeiro japonês. Com a abolição dos ramos colaterais da família Imperial pelas autoridades de ocupação norte-americanas após o fim da Guerra do Pacífico, o príncipe Fushimi tornou-se um plebeu em 14 de outubro de 1947. Seu pai, o príncipe Hiroyoshi Fushimi (1897-1938), foi comandante naval da Marinha Imperial Japonesa e morreu pouco depois do início da Segunda Guerra Sino-Japonesa em 1937.

Katsuhiko Oku

De acordo com Fulford, como parte dessa trama, Hiroaki Fushimi organizou o assassinato de Katsuhiko Oku, então noivo da princesa Masako, nada menos do que a esposa do recém-empossado imperador Naruhito, a fim de forçá-la a casar com o príncipe herdeiro para que ele pudesse substituir um de seus filhos fazendo-o passar como herdeiro do trono. Personalidade muito popular e dinâmica, Oku era diplomata e foi enviado da embaixada japonesa em Londres para o Iraque, onde foi morto por assaltantes desconhecidos com seu colega Masamori Inoue e seu motorista iraquiano quando seu carro foi emboscado em 29 de novembro de 2003. Destarte, se Akihito não passava de um fantoche sem poder manipulado por essa camarilha incrustada no Palácio Imperial de Tóquio, Naruhito continuará sendo. 

Akihito e agora Naruhito, alega Fulford, “não passariam de descendentes de um grupo de pretendentes ilegítimos que foram colocados como governantes fantoches por cabalistas estrangeiros que usam a estrela satânica como seu símbolo.” Onodera lhe explicou que quando exércitos estrangeiros invadiram o Japão nas décadas de 1850 e 1860, descobriram que o governo japonês detinha 3/4 da oferta (não reserva, bem entendido) mundial de prata conhecida. Para amealharem isso, forneceram à Dinastia do Norte rifles que podiam disparar a uma distância de 400 metros, enquanto vendiam à do Sul, rifles que podiam alcançar apenas 100 metros. O símbolo da bandeira do Exército do Norte era uma estrela de cinco pontas, o símbolo de Lúcifer, também conhecido como Satã. Os sulistas foram massacrados e as famílias bancárias estrangeiras puseram as mãos em alguns dos tesouros. Desde então, afirma Onodera, o Japão tem sido dirigido por esses fantoches de financistas estrangeiros.

Aquele que deveria ser chamado de “Sua Alteza Imperial” é o imperador escondido e legítimo do Japão “Uratennō” (literalmente, o “Imperador que volta”) Naoshi Onodera, que provaria isso por estar de posse de artefatos únicos e historicamente valiosos, os Três Tesouros Sagrados do Japão ou as Joias da Coroa Japonesa (Sanshu no Jingi), que consistem na Espada Santa Kusanagi no Tsurugi, a Joia Santa Yasakani no Magatama e o Espelho Santo Yata no Kagami. Eles representariam, respectivamente, o valor, a sabedoria e a benevolência. Pela mitologia, esses artefatos foram dados por Ninigi-no-Mikoto, o lendário ancestral da linhagem imperial, quando a sua avó, a deusa solar Amaterasu, enviou-os para pacificar o Japão, ou seja, seriam objetos de origem divina. A Espada Sagrada teria sido retirada por Susanoo, o deus dos oceanos e irmão de Amaterasu, de uma das caudas de um dragão de oito cabeças que ele havia matado. Assim como o Espelho, a Joia, provavelmente composta de pedras de jade, foi pendurada para atrair Amaterasu para fora de sua caverna quando a terra ficou envolta em escuridão.

Os Três Tesouros Sagrados do Japão ou as Joias da Coroa Japonesa, objetos divinos em poder de Naoshi Onodera.

Oficialmente, a Espada e o Espelho estão guardados sob fortes esquemas de segurança em templos xintoístas em Nagoya, na província de Aichi (Santuário de Atsuta) e em Ise, na província de Mie (Santuário de Ise), e a Joia no Palácio Imperial de Kokyo, em Tóquio.

Onodera segurando a “Joia”, que tem o formato e a cor de um embrião reptiliano.

Outrossim, Onodera é quem se diz guardião dos três tesouros sagrados da família imperial, entre eles a “Joia”, que é verde e tem o formato de um embrião de lagarto com uma flor de oito pétalas esculpida nela, ao redor do que parece ser um olho. Onodera diz que esse objeto está em sua família há 8.000 anos e tem suas origens na antiga Suméria, onde raças reptilianas estavam presentes. A flor é o mais antigo exemplo conhecido da estrela de oito pontas ou o selo dos profetas e representa o gnosticismo, portador da luz, muito usado pelos sumérios.

Indicaria a “Joia” a descendência direta da família imperial japonesa, e por conseguinte de todas as linhagens nobres pelo planeta, de seres reptilianos, daí a associação com os dragões? Curiosamente, o formato do Japão é a de um dragão, e o seu arquipélago, composto por 6.852 ilhas, compõe em si uma imagem total de todos os continentes e países da Terra.

Seria mera coincidência ou pareidolia que o Japão, habitado por um povo descendente de seres celestiais reptilianos, tenha o formato de um dragão?
A Espada

O outro objeto em sua posse é a “Espada”, que tem uma inscrição dizendo que pertence a um rei. Onodera garantiu a Fulford que ela remonta ao seu ancestral real da dinastia Zhou, que viveu por volta de 1000 a.C. A Espada seria a mais antiga espada chinesa conhecida e está muito erodida. O terceiro tesouro, o “Espelho”, remonta a 2.100 anos e é originalmente da Coreia.

A Faca Sacrificial

Além dos três tesouros do trono imperial japonês, Onodera guarda consigo muitos outros itens valiosos, como uma Faca usada pelos reis tibetanos para sacrificar virgens, prática que foi abolida quando o Tibete foi conquistado pela China há mil anos.

O objeto mais surpreendente e inacreditável em posse de Onodera é o que ele garante ser a tábua de pedra original dos Dez Mandamentos, dado ao seu ancestral por “seres celestes”. Ele afirma ser um descendente direto do Abrahão bíblico, e o fato de a árvore genealógica de Abrahão corresponder exatamente à árvore genealógica dos mitos da fundação japonesa, indicariam isso.

Frente e verso da placa piramidal com os Dez Mandamentos.

Onodera seria apoiado e protegido pela Yakuza e pela seita budista Nichiren, que mantiveram sua identidade em segredo até 2012.

Não tenho como oferecer a certeza de que Naoshi Onodera é de fato o verdadeiro imperador do Japão. O certo é que os imperadores japoneses sempre foram considerados seres semidivinos devido a sua linhagem, a qual foi parcialmente renegada pelo próprio Akihito em 23 de dezembro de 2001, durante seu anual encontro de aniversário com jornalistas. Para o deleite da Coreia do Sul e, sem dúvida, a fúria silenciosa de muitos nacionalistas japoneses, Akihito disse que sentia “uma certa afinidade com a Coreia”, isso mesmo, e explicou que o fato se devia à mãe do Imperador Kammu (736–806) ser uma descendente do Rei Muryeong de Baekje. Estas foram as palavras exatas do então ocupante do Trono do Crisântemo para celebrar suas origens mistas: “Eu, da minha parte, sinto uma certa afinidade com a Coreia, dado o fato de que está registrado nas Crônicas do Japão que a mãe do Imperador Kammu era da linhagem do rei Muryeong de Baekje.” Akihito disse também na coletiva que os coreanos que migravam para o Japão nos tempos antigos trouxeram contribuições culturais e técnicas ao país e apelou para que seus contemporâneos nunca esquecessem o lamentável fato de que as relações do Japão com a Coreia tenham sido muitas vezes de hostilidade.

Ora, se Akihito admitiu que a linhagem de que descende não é pura, não acabou pondo em cheque a sua própria legitimidade como ocupante do Trono de Crisântemo? Com Naoshi Onodera, que provavelmente continuará escondido e em silêncio, talvez venha a morrer o último remanescente de uma linhagem realmente nobre.