De como a ideia do lockdown saiu da cabeça de uma colegial de 15 anos

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Os dados da tragédia do lockdown, as tantas vidas perdidas, virão à tona mais tarde, e todos os defensores dessas medidas irracionais que nada têm de científicas, terão de meditar muito, trancafiados em suas próprias consciências, por um dia terem equiparado quarentena com vacina e o ficar em casa com seguro de vida.

O economista Jeffrey A. Tucker, diretor editorial do Instituto Americano de Pesquisa Econômica, autor de milhares de artigos na imprensa acadêmica e popular e oito livros, esclareceu que a ideia do lockdown surgiu há 14 anos, e não foi proposta por epidemiologistas, que eram terminantemente contra, mas por uma simulação de computador, isso mesmo. Tucker lembrou também que a expressão “distanciamento social” foi usada pela primeira vez pelo jornal New York Times em 12 de fevereiro de 2006 como recomendação para a prevenção da então grassante gripe aviária. E em 22 de abril de 2020, o New York Times retomou o termo.

Tudo começou quando dois médicos do governo federal, Richard Hatchett e Carter Mecher, se reuniram com um colega numa lanchonete no subúrbio de Washington para fazer a revisão final de uma proposta que estavam certos de que não seria levada a sério: para que as pessoas ficassem em casa, longe do trabalho e da escola, na próxima vez que o país fosse atingido por uma pandemia. E quando os médicos apresentaram seu plano, claro que ele foi recebido com ceticismo e ridicularizado pelas autoridades, até que um lance do acaso fez com que se deparassem com um projeto de pesquisa de uma estudante de 15 anos de ensino médio da Albuquerque High, Laura M. Glass, filha de Robert J. Glass, cientista aposentado da Sandia National Laboratories.

Laura M. Glass

Laura criou no computador um modelo que simulava como as pessoas interagiam, e o que ela descobriu foi que as crianças entram em contato com cerca de 140 pessoas por dia, mais do que qualquer outro grupo. Com base nisso, seu programa mostrou que, numa cidade hipotética de 10 mil pessoas, 5 mil seriam infectadas durante uma pandemia se nenhuma medida fosse tomada, mas apenas 500 seriam infectadas se as escolas fossem fechadas.

“Ele se espalha como louco quando chega na adolescência nas escolas”, disse Laura ao repórter de ciências do Albuquerque Journal, John Fleck, que estava cobrindo a Intel International Science and Engineering Fair em Indianápolis em maio de 2006, e que contou com a participação de 1.500 estudantes, 24 deles do Novo México. Seu projeto, baseado em simulações de interação humana por computador, impressionou os juízes o suficiente para conquistar o terceiro lugar na categoria medicina e saúde na feira de ciências e engenharia da Intel naquele ano.

A edição de 9 de maio de 2006 do Albuquerque Journal com a reportagem de John Fleck que difundiu a ideia de lockdown de Laura M. Glass

O esquema para diminuir a propagação de pandemias foi inicialmente rejeitado pelos enormes impactos sociais e econômicos que traria. O mais lógico era deixar que a pandemia se espalhasse e as pessoas doentes fossem tratadas. Ou seja, como observou Tucker, “a ideia do lockdown nem sequer era uma ideia do mundo real e nasceu de um experimento científico do ensino médio, usando técnicas de modelagem baseadas em agentes que nada tinham a ver com a vida real, a ciência real ou a medicina real.”

E então o coronavírus chegou, e surpreendentemente, ou muito mais significativamente, o plano foi posto em prática no mundo todo e resultaram nas políticas de distanciamento social e auto isolamento para reduzir a disseminação do Covid-19.

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