Kofuns: Túmulos gigantes do Japão em forma de naves Star Trek

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

O principal motivo de eu ter escolhido vir justamente para Osaka, foi por saber que aqui se encontra o maior kofun do Japão, pois sempre quis conhecer e pesquisar de perto tais monumentos. Para quem nunca ouviu falar, os kofun são túmulos megalíticos para membros da alta nobreza construídos na segunda metade do século III até a primeira metade do século VII durante o chamado Período Kofun, pertencente ao Período Yamato.

Os kofuns tiveram diferentes formas. Originalmente circular, foi seguida pela retangular, quadrada, até chegar na mais típica, com a forma de vaso ou olho de fechadura. Visto com os olhos desta nossa Era Espacial, lembra o design das naves estelares de Star Trek, mormente da USS Discovery (NCC-1031), da classe Crossfield, ativada no século XXIII, em 2256, vista agora na nova franquia ST, a Discovery.

Em companhia do colega de trabalho Alexandre Akio Watanabe, estive por duas vezes no Daisenryō-Kofun, na cidade de Sakai, estação ferroviária de Mozu, em Osaka. Construído no século V em forma de fechadura em honra a Nintoku, o 16º Imperador do Japão (entronado em 313, aos 24 anos, e que reinou por 86 anos até sua morte em 399, com 110 anos de idade), mede espantosos 480 metros de comprimento, 300 m de largura e 35 m de altura. Sua base é tão extensa que comporta as pirâmides de Queóps (Egito) e a do Sol (Teotihuacan) juntas! Percorremos todo o entorno a pé para que tivéssemos uma noção de sua grandiosidade.

Infelizmente, no entanto, o monumento se encontra totalmente coberto de vegetação e árvores de grande porte que impedem uma visão geral de sua estrutura. O corpo sepultado do Imperador fica na parte circular do monte. A porção retangular era usado em ritos mortuários. Desde os anos 1970 o governo japonês tem proibido as pesquisas arqueológicas na área. Três fossos cercam o túmulo e o acesso do público é bastante restrito.

Cláudio Tsuyoshi Suenaga diante do kofun do imperador Nintoku. [Foto de Alexandre Akio Watanabe]

Maquete em pedra do kofun dedicado ao Imperador Nintoku e dos kofuns menores em torno. Por ela pode-se discernir nitidamente o formato de olho de fechadura ou de nave espacial Star Trek do monumento.

Ao lado da maquete há um jardim com estranhas figuras de terracota chamadas haniwa, algumas mais sérias, mas a maioria bem humoradas, figuras essas que costumam delimitar tais áreas sagradas. [Fotos de Cláudio Tsuyoshi Suenaga]

Há vários mounds ou montículos (que no Brasil são chamados de sambaquis, e que consistem em pilhas amontoadas de terra, cascalho, areia, pedras, conchas, ossos ou detritos) em forma de pequenas colinas ou morros em todo o entorno do kofun principal do Imperador Nintoku. Certamente foram feitos para abrigar corpos de seus familiares e outros nobres. [Foto de Cláudio Tsuyoshi Suenaga]
Diversos menires (cromeleques) dispostos em círculo, podem ser vistos no Daisen Park. É no mínimo curiosa essa associação entre menires e kofuns. Estariam alinhados de alguma maneira, talvez até astronomicamente? [Foto de Cláudio Tsuyoshi Suenaga]
O Sakai City Museum, dentro do parque e nas imediações dos kofuns, possui um acervo raro e bem organizado que não pode deixar de ser visitado. [Foto de Cláudio Tsuyoshi Suenaga]

Esta maquete no Sakai City Museum, dá uma boa ideia da grandiosidade do munumento, que comporta as pirâmides de Queóps (Egito) e a do Sol (Teotihuacan) juntas! [Fotos de Cláudio Tsuyoshi Suenaga]

Cláudio Suenaga diante da réplica do esquife ou ataúde que comportava originalmente o corpo do Imperador Nintoku. Suas linhas também são bastantes modernas e lembram uma nave auxiliar de Star Trek ou coisa do gênero. [Fotos de Cláudio Tsuyoshi Suenaga/Foto coma presença de CTS por Alexandre Akio Watanabe]

O Goshikitsuka Kofun (“Túmulo de Cinco Cores”) está localizado a apenas dez minutos da estação de Tarumi e é o maior kofun na Prefeitura de Hyogo. O kofun fica diante da Ilha Awaji e oferece uma vista espetacular de Tarumi e da Ponte Akashi Kaikyo em dias claros. Mede impressionantes 194 metros de comprimento e 18 metros de altura no ponto mais alto. Datado do final do século IV, o kofun pertencia a um clã importante que governou a área de Akashi Kaikyo. Foi restaurado em 1965 para preservar seu valor histórico.
A Praça de São Pedro, no Vaticano, tem a mesma forma dos kofuns do Japão, ou seja, de olho de fechadura. É o que falava sobre a correspondência das formas entre todos os monumentos sagrados do mundo, como se estivessem interligados.

Curiosamente, algumas pessoas que pesquisavam o Google Mars, encontraram um kofun, ou uma formação em Marte que é quase idêntica a um kofun. Se quiser conferir, basta entrar nas coordenadas abaixo:
Kofun Mars: 6° 4’29.11″N 92° 4’31.56″E
Kofun Japan: 36° 7’40.98″N 139°28’52.17″E

Fotos extras

Cláudio Suenaga diante do kofun do Imperador Nintoku em Mozu, Osaka. [Fotos de Alexandre Akio Watanabe]

Diversos ângulos do kofun do Imperador Nintoku. [Fotos de Cláudio Tsuyoshi Suenaga]

Maquete em pedra do kofun do Imperador Nintoku e dos kofuns e mounds menores em torno. Bem ao lado, estranhas figuras antropomorfas chamadas haniwa. [Fotos de Cláudio Suenaga/Fotos com a presença de Cláudio Suenaga por Alexandre Akio Watanabe]

Mounds em torno e nas proximidades do kofun principal do Imperador Nintoku. [Fotos de Cláudio Tsuyoshi Suenaga]

Menires (cromeleques) no Daisen Park, bem próximos ao kofun do Imperador Nintoku. São praticamente idênticos aos encontrados na Europa e em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, o que mostra uma tendência universal de nossos antepassados em erguerem tais estruturas megalíticas, e sempre de acordo com alinhamentos astronômicos ou as Ley Lines (Linhas de Ley), redes que conectam todos os monumentos sagrados e formam uma espécie de “teia” que cobre o planeta. [Fotos de Cláudio Tsuyoshi Suenaga]

Sakai City Museum

Informações históricas e arqueológicas gerais

Fotografia aérea de Sakai, em Osaka, tirada em 1985.