O bicentenário de Karl Marx, o satanista que destronou Deus e ateou fogo no mundo

Há pouco mais de 200 anos nascia Karl Marx, o pai do materialismo dialético ou comunismo científico, a filosofia ou ideologia mais nefasta jamais inventada, a impulsionar as maiores matanças da história da humanidade, a sistematização do terror que superou em muito os da Revolução Francesa, do fascismo e do nazismo. O “socialismo real”, na ânsia de reformar o homem e a sociedade pela força, fez da violência um instrumento político-ideológico sistemático por excelência e parte da rotina de governo. Desde a Revolução Russa de 1917, foram mais de 100 milhões de mortos em vários continentes. Não se tratou de um mero “acidente de percurso”, a ser corrigido por revisões e reformas, e sim parte inerente da própria engenharia social marxista, uma vez que a matéria é vista como a única realidade, dessacralizada por completo, cujas contradições devem ser superadas não ontologicamente, em termos metafísicos ou transcendentais, como queria Hegel, mas historicamente, em termos revolucionários, como queria Marx,  pelo estímulo e alargamento dos conflitos dentro da sociedade de classes, como se o agravamento do mal pudesse levar à libertação final que pusesse um fim permanente a todos os males históricos. Uma lógica tão perversa, capaz de induzir proletários e intelectuais a realizarem um intento tão demoníaco, teria uma natureza satânica? Teria sido Karl Marx um satanista? Arrancada a sua máscara ateísta, o marxismo revela sua verdadeira face, que é o satanismo. Marx na verdade não era ateu, mas acreditava em Deus e O odiava. Acreditava também em Satanás, e o adorava. Saiba tudo sobre o satanismo de Marx lendo a matéria a seguir.

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

“Marx é um escritor escatológico do começo ao fim. É digno de nota, por exemplo, que no projeto original de A Ideologia Alemã (1845-46), ele tenha incluído uma passagem que lembra bastante seus poemas a respeito do ‘Dia do Juízo’: ‘Quando os reflexos das cidades em chamas forem vistos nos céus […] e quando as ‘harmonias celestiais’ consistirem das melodias da Marseillaise e da Carmagnole, tendo como acompanhamento canhões ribombantes, enquanto a guilhotina marca o tempo e as massas inflamadas gritam Ça ira, ça ira, e a autoconsciência está pendurada no poste de luz’. O tom apocalíptico dos poemas irrompe em seu terrível discurso de 14 de abril de 1856: ‘A história é o juiz, seu carrasco, o proletariado’ – o terror, as casas marcadas com a cruz vermelha, metáforas de catástrofe, terremotos, lava fervente saindo da crosta terrestre que se quebra. […] e ele manteve por toda a sua vida essa visão apocalíptica de uma catástrofe imensa e pronta para se abater sobre o sistema vigente: estava na poesia, foi o pano de fundo do Manifesto Comunista de 1848 e foi o clímax do próprio O Capital.” (Paul Johnson, “Karl Marx: ‘Howling Gigantic Curse’”, in Intellectuals, London, Weidenfeld & Nicolson, 1988, p. 55.)

Quando a União Soviética ocupou a Romênia em 1944 e passou a controlar as Igrejas, o ministro evangélico romeno (primeiro pastor anglicano, depois luterano) Richard Wurmbrand (1909-2001) – nascido em uma família judaica e que na juventude aderira ao comunismo, vindo a converter-se ao cristianismo em 1938 –, imediatamente começou um ministério “subterrâneo” para o seu povo escravizado e para os soldados russos invasores. Em 29 de fevereiro de 1948 acabou preso, e durante quatorze anos (três anos em celas solitárias) os guardas tentaram forçá-lo – mediante torturas, açoites e ingestão de drogas – a confessar que pertencia a uma rede de espionagem imperialista. Apesar de tudo ele resistiu, extraindo de suas experiências uma grande lição: a de que

 “o espírito é capaz de dominar o corpo. Muitas vezes, ao sermos torturados, sentíamos a dor, mas era como se fosse algo distante e bem dissociado do nosso espírito que estava tomado com a glória de Cristo e a sua presença conosco. Quando recebíamos uma fatia de pão por semana, e uma tigela de sopa de água suja por dia, decidimos que continuaríamos dando fielmente o ‘dízimo’, mesmo nestas circunstâncias. De dez em dez semanas pegávamos a fatia de pão e a entregávamos a alguém que estava mais fraco como nossa oferta ao Mestre.”[1]

Wurmbrand, fundador em 1967 da organização Jesus para o Mundo Comunista (depois renomeada para Voz dos Mártires, destinada a socorrer os cristãos perseguidos nos países comunistas) e autor de dezenas de livros (best-sellers em mais de cinquenta idiomas, nos quais relata suas experiências e nos proporciona grandiosas lições de fé), despendeu bastante tempo sondando as possíveis ligações de Marx com o satanismo.

O papa Pio XII (1876-1958, eleito em 1939) já havia afirmado que Marx era um “dedicado e consagrado satanista”. Wurmbrand levantou uma enorme quantidade de documentos e correspondências e aprofundou a pesquisa biográfica. E o que descobriu foi que tanto a vida quanto as ideias e os ideários de Marx se entrelaçam inequivocamente com o satanismo.

Todo o impacto que seu impressionante livro Marx & Satan,[2] publicado 1986, poderia causar, no entanto, foi apressadamente minimizado por intelectuais comprometidos com o marxismo, que atribuíram as invocações ao príncipe das trevas como meras manifestações de linguagem literária de um período em que Marx ainda não tinha atingido seu píncaro intelectual.

Tendo em vista o ódio radical marcado que devotou em seus escritos contra a religião [“ópio do povo”, termo que pegou emprestado do poeta romântico alemão Christian Johann Heinrich Heine (1797-1856)] judaico-cristã e contra Deus, chega a ser surpreendente que o criador do “socialismo científico”, nascido em Trier (cidade mais antiga da Alemanha, à beira do Rio Mosela, no estado da Renânia-Palatinado, à época um território prussiano) no seio de uma família judaica, liberal e burguesa, tenha sido um cristão fervoroso na infância. Foi ele batizado, juntamente com seus cinco irmãos, em 1824, e crismado em 1833.

A primeira obra de autoria de Marx que Wurmbrand encontrou tem por título A União dos Fiéis com Cristo.[3] Nela, lemos estas lindas palavras: “Por meio do amor de Cristo, voltamos nossos corações ao mesmo tempo para nossos irmãos que intimamente são ligados a nós e pelos quais Ele deu-Se a Si mesmo em sacrifício.”

O jovem Marx se dedicou, com proficuidade, à poesia. “O poeta em Marx era muito mais importante do que geralmente se supõe”, sublinhou Paul Johnson. Tão importante que suas metáforas poéticas seriam todas incorporadas, mais tarde, à sua visão política. Escreveu uma grande quantidade de poesia, três volumes manuscritos, dos quais só se preservaram as cópias de quarenta poemas. A marca característica de seus versos, reconheceu Johnson, “é a selvageria, a destruição do mundo, juntamente com um intenso pessimismo no que diz respeito à condição humana, ódio, uma fascinação pela decomposição e pela violência, pactos de suicídio e pactos com o demônio.” Aos 18 anos, Marx escreveu:

“Se existe algo que devora, Pulo para ser engolido, embora deixando o mundo em ruínas. Este mundo que se avoluma entre mim e o abismo, Eu o reduzirei a pedaços com as minhas contínuas maldições. Lançarei meus braços ao redor da sua rude realidade. Abraçando-me, o mundo passará silenciosamente. E então mergulhará no nada absoluto, Morto, sem qualquer vida: isso seria realmente viver.”[4]

Em outro de seus poemas, Marx declara que seu objetivo não é melhorar o mundo, reformá-lo ou revolucioná-lo, mas simplesmente arruiná-lo e deleitar-se com sua ruína: “Com desdém lançarei meu desafio Bem na face do mundo, E verei o colapso desse pigmeu gigante Cuja queda não extinguirá meu ardor. Então vagarei semelhante a um deus, vitorioso, Pelas ruínas do mundo, E, dando às minhas palavras uma força dinâmica, Sentir-me-ei igual ao Criador.”

Seu plano de vida já estava então estabelecido. “Não havia qualquer palavra quanto a servir à humanidade, ao proletariado ou ao socialismo. Ele desejava arruinar o mundo. Almejava construir para si um trono, cujo baluarte seria o estremecimento humano”, assinala Wurmbrand. Ele já tinha se tornado profunda e veementemente anti-religioso, como deixou atestado neste poema: “Desejo vingar-me d’Aquele que governa lá em cima.”

Longe, portanto, de ser ateu, ele estava convicto de que existia Alguém lá em cima, Alguém que nos governa, e de quem desejava vingar-se. Se “Aquele lá de cima” não lhe fizera nenhum mal, já que Marx pertencia a uma família abastada e jamais passara fome na infância, estando em situação muito melhor do que a esmagadora maioria de seus contemporâneos, “o que teria produzido esse ódio terrível contra Deus?”, pergunta-se Wurmbrand. Não se sabe de nenhum motivo pessoal para tanto, a não ser que fosse por ter sido desprezado enquanto judeu.

Passagens críticas na correspondência trocada com seu pai Heinrich [cujo nome original era Hirschel ha-Levi (1777-1838), advogado judeu que se converteu ao cristianismo luterano para escapar ao decreto prussiano baixado em 1816 que proibia os judeus de ocuparem os cargos mais elevados],[5] apontam claramente para uma mudança radical em suas crenças, conduta e personalidade. Em carta datada de 10 de novembro de 1837, ele escreve: “Desceu uma cortina. O meu Santo dos Santos foi feito em pedaços e novos deuses tiveram que ser instalados.” No lugar de Cristo, que estava em seu coração, “novos deuses tiveram que ser instalados”. Quais deuses? Em uma das poesias que enviou, assume uma postura igualitária em relação a Deus, repetindo de algum modo a revolta satânica de Lúcifer contra a autoridade divina, e refere-se a uma instância superior de decisão, atribuindo-lhe ares de sabedoria cósmica: “Por ter descoberto o Altíssimo E por ter encontrado maiores profundezas através da meditação, Sou grande como Deus; envolvo-me em trevas como Ele; Perdi o Céu, disto estou certo; Minha alma, antes fiel a Deus, Está marcada para o Inferno.”

Como se pressentisse algo de muito tenebroso, seu pai ainda tentou dissuadi-lo, renunciando a qualquer expectativa de riqueza e sucesso que tivesse alimentado em relação ao filho: “O teu progresso, a querida esperança de ver teu nome algum dia ter grande reputação, e tua riqueza terrena não são os únicos desejos de meu coração. Essas são ilusões que tive há muito tempo, mas posso assegurar-te que a realização delas não me teria feito feliz. Apenas se teu coração permanecer puro e bater humanamente e se nenhum demônio for capaz de desviar teu coração de sentimentos melhores, apenas assim serei feliz.” Marx não se sentiu tocado e simplesmente cortou a correspondência com o pai – exceto, conforme lembrou Wurmbrand, “os bilhetes curtos para lhe pedir crescentes somas em dinheiro para saldar dívidas provenientes dos porres homéricos e gastos com os rituais ocultistas” –, que se rendeu, encafifado: “Abstive-me de insistir em explicações sobre um assunto muito misterioso embora parecesse altamente suspeito.”

Longe da casa paterna, Marx tornou-se também um beberrão violento. Na condição de co-presidente do “Clube Tabernário”, integrado por um bando de estudantes porristas, Marx parodiava rituais de magia negra, professando a ideia de “chutar Deus do Reino Celestial”. Por qualquer razão, ou sem nenhuma, voltava-se para o alto e proclamava, em arroubos satânicos: “Eu o destruirei! Eu o destruirei!”

Nessa mesma época, Marx ficou obcecado pela leitura do Fausto, a peça teatral de seu conterrâneo, o poeta de família burguesa abastada Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), em que o personagem central pactua com a figura de Mefistófeles, o “diabo em pessoa”. Gostava de citar o verso de Mefistófeles: “Tudo o que existe merece perecer (ou é digno de ser destruído)” – tudo, inclusive o proletariado e os companheiros de partido.

Utilizou-o, por exemplo, em seu pequeno tratado O 18 Brumário de Luís Bonaparte (publicado em 1852 em jornais e em 1869 como livro), a primeira interpretação de um acontecimento histórico (no caso o golpe de Estado de Napoleão III), pela doutrina do materialismo histórico.

Como que aspirando criar um novo Fausto,[6] escreve uma tragédia em verso intitulada Oulanem (anagrama de Emanuel, nome bíblico para Jesus, que em hebraico significa “Deus conosco”), tempos depois encenado e representado por ele próprio. No texto, de natureza confessional, Marx revela o objetivo que marcará todos os atos de sua atribulada existência, qual seja, “a ideia de expulsar o Criador de sua morada e, ele mesmo, Karl Marx, substituí-lo”. No último ato de Oulanem, em um poema intitulado “O Violinista”, assim se exprime o imperioso cultor de Satã, em tom apocalíptico: “Os vapores infernais elevam-se e enchem o cérebro, Até que eu enlouqueça e meu coração seja totalmente mudado. Vê esta espada? O príncipe das trevas Vendeu-a para mim. Ele marca o compasso e ordena os sinais. Cada vez mais atrevido, eu danço a dança da morte. E só então poderei caminhar triunfante, como um Deus, através das ruínas do seu Reino.” Wurmbrand alude que nos rituais de iniciação superior dos cultos satânicos é vendido ao candidato uma espada encantada que lhe assegura o sucesso: “Ele paga por ela, assinando, com o sangue tirado dos pulsos, um pacto segundo o qual sua alma pertencerá a Satanás após a morte.”

Ao que tudo indica, Marx teria se “envolvido nas doutrinas altamente secretas da Igreja de Satanás e recebido os rituais de iniciação. Satanás fala por meio de seus adoradores, que o veem em suas orgias alucinatórias. Assim, Marx é apenas o porta-voz de Satanás, quando declara: ‘Desejo vingar-me d’Aquele que governa lá em cima’. […] Em nenhum lugar do mundo esse ideal é cultivado, exceto nos rituais de iniciação da igreja de Satanás, em seus mais elevados estágios.”

A transição para a personalidade diabólica coincidiu com o período de seus estudos universitários (a partir de 1835, primeiro na Universidade de Bonn, e depois na de Berlim), em que frequentou um grupo de jovens hegelianos esquerdistas, entre eles o historiador e teólogo Bruno Bauer (1809-1882), autor de livros anti-religiosos como Crítica dos Fatos Contidos no Evangelho de São João e Crítica dos Evangelhos. Bauer, que desempenharia papel decisivo na destruição da fé cristã de Engels (ver adiante), teria também, de alguma forma, contribuído para conduzir Marx ao satanismo. Em carta datada de 6 de dezembro de 1841 a seu amigo Arnold Ruge (1802-1880), igualmente amigo de Marx e Engels, Bauer se dizia possuído pelo demônio:

“Faço conferências aqui na Universidade ante uma grande audiência. Não reconheço a mim mesmo, quando pronuncio minhas blasfêmias do púlpito. Elas são tão grandes, que estas crianças, a quem ninguém deveria escandalizar, ficam com os cabelos em pé. Enquanto profiro as blasfêmias, lembro-me de como trabalho piedosamente em casa, escrevendo uma apologia das Sagradas Escrituras e do Apocalipse. De qualquer modo, é um demônio muito cruel que se apossa de mim, sempre que subo ao púlpito, e eu sou forçado a render-me a ele… Meu espírito de blasfêmia somente será saciado se estiver autorizado a pregar abertamente como professor do sistema ateísta.”[7]

Em 1843, Bauer publicou um ensaio conclamando os judeus a abandonarem o judaísmo. Marx não se opôs ao antissemitismo de Bauer e até partilhou desse sentimento (em Sobre a Questão Judaica, publicado no ano seguinte), mas não concordava que a natureza antissocial dos judeus tinha uma origem religiosa e podia ser corrigida fazendo-os se afastarem de sua fé, uma vez que, para ele, a origem do mal era social e econômica.[8]

Fortemente influenciado por Hegel, Marx dedicou um poema a este: “Palavras eu ensino todas misturadas em uma confusão demoníaca. Assim, qualquer um pode pensar exatamente o que quiser pensar.” Ora, a inversão de termos, nomes e palavras (como fez com Oulanem), é recorrente no satanismo como forma de afrontar tudo o que provém do Deus. “Tais inversões influenciaram de tal maneira o modo de pensar de Marx, que ele as empregava em tudo. Escreveu, por exemplo: ‘Temos que usar, em vez da arma da crítica, a crítica das armas’ ”, lembra Wurmbrand.

A partir do modelo hegeliano, Marx se especializou em filosofia e em 1841 doutorou-se pela Universidade de Jena, no Estado da Turíngia, com a tese Sobre as Diferenças da Filosofia da Natureza de Demócrito e de Epicuro. Dois poemas intitulados Canções Selvagens, reproduzidos por Wurmbrand, tinham sido publicados em 23 de janeiro daquele ano na Athenaeum, de Berlim: “Nós estamos acorrentados, alquebrados, vazios, amedrontados, Eternamente acorrentados a esse bloco marmóreo do ser […] Somos os imitadores de um Deus insensível.” Ele próprio, representando Deus, diz: “Bradarei maldições colossais à humanidade.”

O ano de 1841 foi dos mais intensos na vida de Marx, pois afora seu doutorado, casou-se com sua vizinha de infância de descendência prussiano-escocesa – a quem também dedicara vários poemas que se supõe de caráter meramente romântico e não satânico – Johanna “Jenny” von Westphalen (1814-1881), iniciou o magistério particular (que exerceu brevemente, até 1843), bem como assumiu diversas funções em jornais de orientação liberal e hegeliana em Bonn e Colônia.

O fato mais importante, todavia, a definir de vez seus pendores, foi a ligação que firmou com o filósofo e escritor judeu Moses Hess, que o fez adotar o ideal socialista. Eis o que Hess predisse a respeito do seu pupilo naquele ano de 1841: “Dr. Marx é ainda muito jovem, mas será ele quem irá dar o chute final na religião e política medievais.”

Mais do que qualquer outro intelectual de nossos tempos, Marx tornou-se o de maior influência no campo cultural e nos acontecimentos sociais e históricos até os dias atuais, conquistando uma certa intelligentsia nas universidades do mundo ocidental e instando ditaduras com desastrosas consequências para a humanidade. Somente compreendendo Hess, seremos capazes de compreender as profundezas satânicas do comunismo.

Hess, nascido em Bonn (estado de Renânia do Norte-Vestfália, a cerca de 30 quilômetros ao sul de Colônia) em 1812, recebeu uma educação religiosa tradicional de seu avô, vindo a estudar filosofia na Universidade de Bonn. Precursor do socialismo moderno e introdutor do conceito de luta de classes, Hess trouxe Marx para uma sociedade secreta, a “Liga dos Justos”, que com a adesão de Marx foi transformada na “Liga dos Comunistas” (sediada em Londres). Foi para a Liga dos Justos que Marx e Engels escreveram o famoso Manifesto Comunista (posto em circulação em 24 de fevereiro de 1848), o primeiro esboço da teoria revolucionária que, mais tarde, seria chamada marxista.

Quem convenceu Engels a tornar-se comunista foi o mesmo Moses Hess que antes convencera Marx. Eis o que escreveu Hess após encontrar-se com Engels em Colônia: “Ele separou-se de mim como um comunista superzeloso. É assim que eu produzo devastação.”[9] Produzir devastação. “Era este o propósito supremo da vida de Hess? É também o de Lúcifer”, correlacionou Wurmbrand. Engels crescera no seio de uma família piedosa e em sua juventude compôs lindos poemas cristãos.

Em seu livro Schelling, o Filósofo em Cristo, referido por Wurmbrand, alertava contra o satanismo, cuja insidiosa presença via nas ruas: “Desde a terrível Revolução Francesa, um espírito inteiramente novo e demoníaco entrou em grande parte da humanidade, e o ateísmo levanta sua audaciosa cabeça de um modo tão desavergonhado e insidioso que poder-se-ia pensar que as profecias das Escrituras estão agora cumpridas. Eles circulam pela Alemanha, e querem introduzir-se em toda parte; divulgam seus ensinos satânicos nas praças e carregam a bandeira do diabo de uma cidade para outra, seduzindo a pobre juventude, a fim de lançá-la no mais profundo abismo de inferno e morte.”

Engels começou a duvidar da fé cristã após ter lido um livro de Bruno Bauer, para quem o cristianismo era uma forma especial do Espírito, síntese do judaísmo e do paganismo. Passou então por violenta luta em seu íntimo. Nessa ocasião, escreveu: “Oro todos os dias pela verdade, na realidade quase o dia inteiro, e tenho feito isso desde que comecei a duvidar, mas ainda assim não consigo voltar atrás. As lágrimas estão jorrando enquanto escrevo.” Engels jamais encontrou o caminho de volta a Deus. “Ele que escrevera poemas cristãos, ele que advertira contra o satanismo, ele que rezara para guardar-se desse perigo, torna-se, a partir de 1844, no maior colaborador daquele a quem chamou de ‘o monstro possuído por centenas de demônios’ ”, lamentou Wurmbrand.

Foi Hess quem também apresentou Marx ao escritor político francês Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), “que usava o mesmo estilo de corte de cabelos típico da seita satanista de Joana Southcott do século XIX”, notou Wurmbrand. Proudhon atacou contínua e violentamente a religião, em particular o cristianismo, devido principalmente ao fato de este defender o direito de propriedade (em seu livro Qu’est ce que la Propriété, publicado em 1938, Proudhon afirma que “a propriedade é um roubo”).

Em La Justice dans la Révolution et dans l’Église (Sobre a Justiça na Revolução e na Igreja), de 1858, proclama que Deus é o protótipo da injustiça:

“Nós alcançamos o conhecimento apesar Dele, alcançamos a sociedade apesar Dele. Cada passo à frente é uma vitória na qual derrotamos o Divino. […] Deus é estupidez e covardia; Deus é hipocrisia e falsidade; Deus é tirania e pobreza; Deus é o mal. Nos lugares em que se inclina ante um altar, a humanidade, escrava de reis e sacerdotes, será condenada. Eu juro, Deus, com a mão estendida para os céus, que não és nada mais do que o algoz da minha razão, o espectro da minha consciência… Deus é essencialmente anti-civilizado, antiliberal, anti-humano.”

Talvez porque culpasse a Deus pela extrema pobreza que amargou na infância, Proudhon o tenha qualificado como sendo mau.

De qualquer forma, lembrou Wurmbrand, “tais ideias não são originais. São parte usual dos sermões de adoração satanista”. Sempre em conflito com Marx, que o julgou um utopista, em 1946 Proudhon escreveu A Filosofia da Miséria, que Marx replicou com A Miséria da Filosofia (novamente apelando para o recurso satanista de inversão de palavras). “Mas Marx contradisse somente doutrinas econômicas secundárias, jamais se opondo a seus ataques contra Deus”, atentou Wurmbrand.

Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (1814-1876), revolucionário russo que pregava a igualdade dos sexos, a comunidade dos bens e priorizava a destruição do Estado e a anarquia, no final de sua vida, já há muito rompido com Marx, revoltou-se contra Hess, de quem também havia recebido fortes influências na juventude, por este tê-lo acusado, “em um artigo infame”, de ser um espião “de Napoleão III, quer de Bismarck, quer do imperador da Rússia, ou de todos os três ao mesmo tempo”. Em Marx e a Internacional – Carta aos Internacionais de Bolonha, escrito em dezembro de 1871, chama Hess de um “adorador do bezerro de ouro” e “um discípulo bem disciplinado e submisso de Marx”.

Bakunin era um fervoroso satanista, sempre fazendo questão de demonstrar a inanidade da crença na autoridade divina sobre a qual teriam sido fundamentadas todas as autoridades temporais. Suas lisonjeiras loas a Satanás vinculavam-no estreitamente aos objetivos revolucionários que colimava: “Nessa revolução deveremos acordar o Diabo nas pessoas, estimular nelas as paixões mais vis. Nossa missão é destruir, não edificar. A paixão da destruição é uma paixão criativa.”

Em sua obra Deus e o Estado, publicada em 1882, acusa Jeová de ter sido, entre “todos os bons deuses adorados pelos homens” (referindo-se aos “bons” deuses pagãos que exigiam sacrifícios humanos), “o mais ciumento, o mais vaidoso, o mais feroz, o mais injusto, o mais sanguinário, o mais despótico e o maior inimigo da dignidade e da liberdade humanas”. Em seguida acusou-o de ter criado Adão e Eva por um mero capricho, “talvez para ter novos escravos”. A proibição expressa de tocar os frutos da árvore da ciência, teria sido, na visão de Bakunin, para privar o homem “de toda consciência de si mesmo e para que permanecesse um eterno animal, sempre de quatro patas diante do Deus ‘vivo’, seu criador e seu senhor. Mas eis que”, exulta Bakunin, “chega Satã, o eterno revoltado, o primeiro livre-pensador e o emancipador dos mundos! Ele faz o homem se envergonhar de sua ignorância e de sua obediência bestiais; ele o emancipa, imprime em sua fronte a marca da liberdade e da humanidade, levando-o a desobedecer e a provar do fruto da ciência.” Para Bakunin, o homem deveria ser muito grato a Satã – “injustamente amaldiçoado por Deus” – por este “tê-lo emancipado, separado-o da animalidade e o constituído homem”. Não fosse por Satã, adjudicava Bakunin, “o homem jamais teria começado sua história e seu desenvolvimento especificamente humano”, daí que “O Supremo Mal é a revolta satânica contra a autoridade divina, revolta em que podemos ver o germe fecundo de todas as emancipações humanas, da revolução.”

Em relação a Marx, declara que este “não acredita em Deus, mas acredita bastante em si mesmo e faz todo mundo o servir. Seu coração não é cheio de amor, mas de rancor, e ele tem muito pouca simpatia pela raça humana.”

Hess foi ainda o precursor do sionismo moderno antes mesmo do jornalista e literato Theodor Herzl (1860-1904), que em 1896 publicou o panfleto Ser Judenstaat, preconizando a formação de um Estado judeu. O sionismo de Hess, porém, era de um tipo distorcido e diabólico, um sionismo racista, imposto pela luta sanguinária contra todos que não são judeus. A certa altura, ele que atribuíra às causas econômicas e à luta de classes um papel preponderante na história, passou a privilegiar as lutas raciais e entre nacionalidades. Em seu livro Roma e Jerusalém, publicado em 1862, estabeleceu que “A luta de raças é principal, e a luta de classes secundária.”[10]

Assim, ele acendeu o estopim da luta de raças – assim como teria levado Marx a acender o estopim da luta de classes – em vez de conclamar os povos não-judeus a cooperarem para o bem comum.

O objetivo dos judeus, conforme pregava, devia ser um Estado Messiânico de acordo com o plano divino: “Nossa religião (a judaica) tem como ponto de partida o entusiasmo de uma raça que, desde seu aparecimento no palco da história, previu os propósitos finais da raça humana, e que teve o presságio do tempo messiânico no qual o espírito de humanidade será cumprido, não apenas neste ou naquele indivíduo ou parcialmente, mas nas instituições sociais de toda a humanidade.”

Essa época que Hess chama de “messiânica”, é a época da vitória da revolução socialista mundial. A nação judaica na Palestina deveria ter, dentro dessa sua concepção, um estilo de vida agrário socialista de modo a fazer com que os judeus que ali vivessem passassem por um processo de “redenção pela terra”. Hess morreu em Paris em 1875. Seu corpo foi trasladado para o cemitério judaico de Colônia e em 1961 transferido para o cemitério do kibbutz de Kvutzat Kinneret, norte de Israel. A ala esquerdista do sionismo quis que Hess repousasse nas comunidades agrárias socialistas por ele sonhadas.

Hess, o homem que influenciou Marx, Engels e Bakunin (os três fundadores, em 1864, da Associação Internacional de Trabalhadores, a Primeira Internacional), que tentou criar um sionismo anti-Deus e foi o precursor da Teologia da Revolução (em curso no Concílio Mundial de Igrejas e das novas tendências no catolicismo que, ao contrário da orientação de Cristo, cujo Reino, segundo suas próprias palavras, “não é deste mundo”, concitam à “salvação” neste mundo), este único e mesmo homem, que é quase um desconhecido, que nem ao menos é citado em livros de história e raramente é referido, foi o cabeça de três movimentos satânicos: o comunismo, um ramo racista e cheio de ódio do sionismo, e a teologia da revolução.

Marx assumiu em 1842 a chefia da redação do jornal Rheinische Zeitung de Colônia e editou-o por cinco meses até que as autoridades, irritadas com seus artigos radicais, proibiram a sua circulação. Em 1843 mudou-se para Paris, onde escreveu para o Deutsch-Franzõsische Jahrbücher e outros jornais e editou em 1844 o primeiro volume dos Anais Germânico-Franceses, órgão principal dos hegelianos da esquerda. Entretanto, logo rompeu com os líderes deste movimento, Bruno Bauer e Arnold Ruge. Redigiu Sobre a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel (primeiro esboço da interpretação materialista da dialética hegeliana), os Manuscritos Econômico-Filosóficos (esboço de um socialismo humanista, que se preocupa principalmente com a alienação do homem, descoberto e editado em Moscou somente em 1932) e, com Engels, A Sagrada Família, em que critica o hegelianismo de Bauer, como já havia feito em Sobre a Questão Judaica. Em 1845, expulso da França por solicitação do governo prussiano, radicou-se em Bruxelas e participou de organizações clandestinas de operários e exilados. Nesse período escreveu Sobre Feuerbach (1845), em que apresentou em forma concisa onze teses contra Feuerbach rejeitando o materialismo teórico e reivindicando uma filosofia que não só interpretaria o mundo mas também o modificaria, e A Ideologia Alemã (1845-1846), juntamente com Engels, obra publicada somente em 1932, em que critica Bauer, Feuerbach e Proudhon. Depois do malogro da Revolução de 1848, Marx foi obrigado a exilar-se em Londres, onde se fixou definitivamente e retomou seus estudos histórico-econômicos. Em 1850 escreveu As Lutas de Classes na França. Dando mostra de seu diabólico ânimo destrutivo, neste mesmo ano redigiu com Engels um documento intitulado Plano de Ação Contra a Democracia, no qual esboçou um programa revolucionário de terrorismo – incitando ao assassinato de reis e a destruição de monumentos públicos – e propôs uma aliança entre o proletariado e a pequena burguesia – que devia ser depois eliminada pelo proletariado. Apesar de escrever artigos para jornais norte-americanos (entre eles o New York Tribune) sobre política exterior, sua situação material sempre esteve muito precária, no que foi generosa e continuadamente ajudado por Engels, que vivia em Manchester em boas condições financeiras. Em 1859, publicou Sobre a Crítica da Economia Política, um breve ensaio em que critica a civilização moderna.

A sua obra mais famosa – Das Kapital – teve seu primeiro volume publicado em 1867. O segundo e o terceiro volumes foram publicados em 1885 e 1894, respectivamente, por Engels, que reuniu o material deixado por Marx. O quarto volume, cuja edição, iniciada por Engels, continuada pelo jornalista, escritor e ativista francês Paul Lafargue (1842-1911), genro de Marx, e terminada pelo teórico político alemão Karl Kautsky (1854-1938), foi publicada por este último, em três partes, de 1904 a 1910. O Capital é um livro principalmente econômico, resultado dos estudos no British Museum, tratando da teoria do valor, da mais-valia, da acumulação do capital, etc. Segundo pesquisadores de Cambridge, Marx falseou e distorceu dados contidos nas obras do economista escocês Adam Smith (1723-1790), precursor do liberalismo econômico, e do estadista inglês William Ewart Gladstone (1809-1898), para fundamentar sua doutrina.

A vida do criador da mais perversa e nefasta ideologia da história é tão infausta (o trocadilho é proposital) que é como se o demônio nele se encarnasse, gerando em torno um círculo de devastação e morte. O autor de O Capital jamais produzira capital suficiente para manter-se (no que o admoestou sua mãe justamente quando escrevia O Capital, em cena antológica), tendo vivido durante a juventude às custas do pai e depois, até o fim da vida, de Engels e da herança de parentes, cujas mortes celebrava. Três dos seus filhos pequenos morreram de desnutrição.

Sua filha Laura, casada com o socialista Lafargue, também sepultou três de seus filhos, sendo que ela e o marido vieram a suicidar-se. Outra filha, Eleanor, decidiu fazer o mesmo, junto com o marido. Ela consumou o ato, mas ele voltou atrás no último instante.

Marx ainda teve um filho ilegítimo com sua empregada, negado e tratado como se fosse de Engels, que aceitou a comédia e só revelou a verdade a uma das filhas de Marx em seu leito de morte. A esposa de Marx o deixou duas vezes, voltando sempre, e ele sequer compareceu ao seu funeral. Considerando a maldição que costuma recair sobre a família daqueles que pactuam com o diabo, pode-se dizer que a família de Marx estava sob esta maldição.

A época de Marx foi uma época de explosão satânica em muitas esferas da vida. As grandes transformações sociais que marcaram a segunda metade do século XVIII e o início do XIX, instigam propostas de concepção de mundo muito diferentes das que subsistiam até então. A leitura de Marx, imbricada a essas transformações, instaura a crítica à moral cristã e ao individualismo tomando-os como modelos fragmentados e incompletos, tanto em termos de racionalidade quanto de conhecimento, insuficientes, portanto, para dar conta das contradições que se formavam na sociedade moderna, tampouco para nortear as ações dos homens.

O marxismo se apresenta ao mesmo tempo como uma ciência (a sociologia científica, a economia racionalmente estudada, a evolução da história, etc.) e uma filosofia (uma teoria do conhecimento, da razão, do método racional, etc.), dois elementos até então separados, isolados e incompletos do pensamento humano. A ciência é discutida no que se chama de materialismo histórico e a filosofia em materialismo dialético. A ênfase materialista recai nas relações de produção, tidos como fundamento de qualquer sociedade humana, relações essas que formarão aquilo que o marxismo denomina de forças produtivas, a grande força motriz e causa final de todos os acontecimentos históricos.

Destarte, o conceito de homem se reduz abruptamente. De criatura divina, à mera expressão de relações sociais em que predominam forças econômicas. Não é de admirar que ao ler o livro A Origem das Espécies (1859) de Charles Darwin, Marx tenha exultado porque “Deus – ao menos nas ciências naturais – recebeu ‘o golpe de misericórdia’.” Como não pôde destronar Deus, o ardil de Satanás, pontificou Wurmbrand, foi o de desvalorizar o homem:

“Com Darwin, o homem passou a ser encarado como um animal que não teria por objetivo senão a mera sobrevivência. Com Marx, o homem virou um servo dos intestinos. Mais tarde, Freud completaria a obra desses dois gigantes satânicos, reduzindo essencialmente o homem a um impulso sexual, sublimado às vezes na política, arte ou religião. Foi o psicólogo suíço Jung que voltou à doutrina bíblica de que o impulso fundamental no homem é o religioso.”

O que impulsionou Marx não foi uma inclinação altruísta, conforme o mito. Marx não foi movido pela pobreza dos proletários. Ele não os amava. Chamava-os de “loucos”. Marx tampouco amava seus camaradas na luta pelo comunismo. Chamou Ferdinand Freiligrath (1810-1876) de “O Porco”, Ferdinand Lassalle (1825-1864) de “Negro Judeu”, Karl Liebknecht (1871-1919) de “Um Boi”, e Bakunin de “Um Zero Teórico”. O ideal de Marx, seu objetivo principal, afiança Wurmbrand, era a destruição da religião. A construção de uma sociedade sem classes igualitária, a distribuição equitativa dos bens, a melhoria das condições gerais dos trabalhadores, o aperfeiçoamento das instituições, o humanismo, eram apenas fachada, ornamentos, pretextos, iscas para induzir proletários e intelectuais a aceitarem e realizarem esse intento demoníaco. Tanto é que onde o povo não luta por ideais socialistas, os marxistas acabam explorando as lutas raciais e o choque de gerações, bem como instigando e fomentando a criminalidade, o consumo de drogas e os movimentos ecológicos, feministas, abortistas, gayzistas, etc. O que importa é destituir Deus, apagando indelevelmente todos os traços de semelhanças divinas existentes na sociedade humana, em suas instituições e costumes. De fato, todas as expressões concretas do comunismo se ocuparam menos de instaurar um novo sistema político, social ou econômico ideal do que de combater a religiosidade e a ideia de transcendência divina.

Quando os soviéticos, em seus primeiros anos, adotaram o slogan “Vamos expulsar os capitalistas da terra e Deus do Céu”, estavam simplesmente aplicando à risca o receituário de Marx. “Por que homens que supostamente representam o proletariado iriam atirar em uma imagem de Jesus, um proletário, ou da Virgem Maria, uma mulher pobre?”, indaga Wurmbrand. Os próprios movimentos comunistas não passariam de organizações de frente para o satanismo. “Isso também explicaria porque todas as armas políticas, econômicas, culturais e militares usadas contra os comunistas têm sido tão ineficientes. Os meios para combater o comunismo são espirituais, não carnais. Se assim não for, enquanto uma organização de frente satânica tal como o nazismo é derrotada, outra levanta-se para uma vitória maior”, atina Wurmbrand.

Os marxistas sempre foram tidos como ateus que não creem nem no Céu nem no Inferno. Mas ao contrário dos ateístas, eles jamais negaram a existência de Deus, a não ser para enganar a outros; eles sabem de Sua existência, porém descrevem-no como perverso. Arrancada a sua máscara ateísta, o marxismo revela sua verdadeira face, que é o satanismo. “Marx acreditava em Deus, e O odiava. Acreditava também em Satanás, e o adorava, até mesmo em idade avançada. A perseguição comunista à religião pode ter uma explicação humana. A fúria dessa perseguição sem limites é satânica. Os pecados do marxismo, como os do nazismo, ultrapassam o comum. São satânicos”, sublinhou Wurmbrand.

Todas as atitudes e conversas de Marx eram de natureza satânica. Embora fosse judeu, escreveu um pernicioso livro antissemita, que é A Questão Judaica. E seu espírito maligno permanece atuante – como o do próprio Satã – a iludir facções de deserdados e alargar as dores do mundo. Quanto aos comunistas em geral, observa  Wurmbrand, somente alguns

“foram e são satanistas conscientes, mas existe um satanismo inconsciente, assim como existem homens que são basicamente cristãos, sem saber que a sua religião é a de Cristo. Um homem pode inconscientemente ser um satanista sem nunca ter ouvido que tal religião existe. Ele é satanista se odeia a noção de Deus e o nome de Cristo, se vive como se fosse apenas matéria, se nega os princípios morais e religiosos.”

Se não há provas incontestáveis de que Marx integrava uma seita de adoradores do diabo, Wurmbrand fornece indicações suficientes para que a certeza aflore nesse sentido. E uma das mais fortes refere-se ao testemunho de um tal de comandante S. M. Rüs, que fora um discípulo de Marx. Entristecido pela notícia de sua morte, Rüs foi a Londres para visitar a casa onde vivera o querido e admirado mestre. Mas a família já tinha se mudado. A única pessoa que ele encontrou foi a antiga criada de Marx, sobre quem ela teria dito estas espantosas palavras: “Ele era um homem temente a Deus. Quando estava muito doente, orava sozinho em seu quarto diante de uma fileira de velas acesas, atando a fronte com uma espécie de fita métrica.”[11]

A criada referia-se aos filactérios, acessórios usados ritualmente pelos judeus ortodoxos em suas preces matinais que consistem em um par de pequenas caixas de couro, amarradas ao braço e à testa por correias, também de couro, e que contêm trechos das Escrituras. “Marx, porém”, lembra Wurmbrand, “fora batizado na religião cristã. Nunca praticara o judaísmo. Tornou-se mais tarde um lutador contra Deus. Escreveu livros contra a religião e educou todos os seus filhos como ateus.” Sendo assim, surgem as inevitáveis perguntas: “O que significava essa cerimônia que a criada ignorante considerou como oração? Quando os judeus oram com filactérios na fronte, jamais colocam diante de si uma fileira de velas. Poderia isso significar alguma prática de magia? Sua esposa refere-se a ele como sumo sacerdote e bispo. De qual religião?” Arremata Wurmbrand: “A única religião europeia que tem sumos sacerdotes é a satanista.”

O marxismo se ligaria ainda a uma outra vertente profundamente anticristã: a teosofia, forma de religião panteística baseada na consciência ou intuição da Essência Divina e não na Revelação, e que propalou no Ocidente a doutrina indiana da não-existência de um deus pessoal e de uma alma individual. Conhecida na Antiguidade, particularmente pela filosofia hindu, a teosofia tomou um aspecto moderno graças à fundação da Sociedade Teosófica de Nova York, em 1875, pela Madame Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891)], precursora do Movimento Nova Era. Para Wurmbrand, “O que a teosofia realiza por meio da persuasão, o marxismo realiza por meio do poder do chicote. Despersonaliza os homens, transformando-os em robôs submissos ao Estado.”

A filha caçula de Marx, Eleanor (1855-1898), que era a sua predileta,[12] com a aprovação deste[13] casou-se com o biólogo inglês Edward Bibbens Aveling (1849-1898),[14] prosélito do darwinismo e do ateísmo e amigo da inglesa Annie Wood Besant (1847-1933), militante socialista, ativista e defensora dos direitos das mulheres, do controle da natalidade, do secularismo, uma das mais notáveis oradoras da sua época, influente teosofista (discípula favorita e sucessora de Blavatsky na liderança da Sociedade Teosófica em Adyar) e autora de inúmeros livros sobre teosofia. Aveling fazia preleções sobre assuntos como “A perversidade de Deus”, exatamente como os adeptos do satanismo. Segundo Wurmbrand, o genro preferido de Marx defendia o direito à blasfêmia e em suas preleções tentava provar que Deus é “um encorajador da poligamia e um instigador do roubo”.

Conclama por fim Wurmbrand:

“Coloquemo-nos ao lado da luz de Jesus, o proletário, contra o burguês Marx, o portador das trevas. […] Marx propôs um paraíso humano. Quando os soviéticos tentaram implantá-lo, o resultado foi um inferno. O reino de Jesus não é deste mundo. É um reino de amor, justiça e verdade. Seu propósito era o plano diabólico de arruinar a raça humana por toda a eternidade. Cristo deseja nossa salvação eterna.”

Esta matéria teve como cerne os artigos O Satanismo na Vida e Obra de Karl Marx, de Antonio Ribeiro de Almeida; Marx e Satã, de Ipojuca Pontes; Era Marx Satanista?, de Norma Braga; e Misteriosas Relações entre Socialismo, Sionismo e Satanismo, de André F. Falleiro Garcia.

Notas:

[1] Wurmbrand, Richard. Torturado por Amor a Cristo: Narrativa dos Sofrimentos e do Testemunho da Igreja Secreta nos Países Atrás da Cortina de Ferro, 5ª ed., Rio de Janeiro, Voz dos Mártires, 1976.

[2] IDEM, Marx & Satan, Bartlesville, Living Sacrifice Book Co, 1986; IDEM, Era Karl Marx um Satanista?, Rio de Janeiro, Voz dos Mártires, s.d.

[3] Marx, Karl & Engels, Friedrich. Collected Works (1º vol.), New York, International Publishers, 1974.

[4] Payne, Robert. The Unknown Karl Marx, New York, University Press, 1971.

[5] Talvez por esse motivo é que Marx nunca recebeu educação judaica nem se esforçou para ter tal educação, tampouco demonstrou interesse pelas causas dos judeus (Johnson, Paul, op.cit., p.53).

[6] Há fundadas razões para se admitir a existência história desse personagem, que por ser dado à prática da magia, granjeou fama na Europa Medieval, especialmente na Alemanha durante os séculos XV ou XVI. As numerosas lendas relacionadas ao seu nome foram coligidas e publicadas pelo livreiro e escritor de Frankfurt Johann Spiess (falecido por volta de 1607) em seu livro Historia von Dr. Johann Faust (Frankfurt, 1587), que viria a sofrer toda sorte de reedições, traduções e adaptações. Das versões mais famosas são dignas de menção a peça de teatro The Tragical History of Doctor Faustus, do dramaturgo, poeta e tradutor inglês Christopher Marlowe (batizado em 1564 e assassinado em 1593), publicado postumamente em 1604; o romance filosófico Fausts Leben, Taten und Höllenfahrt (1791), do dramaturgo e novelista alemão Friedrich Maximilian Klinger (1752-1831); o Faust de Goethe, e o Faust (1836) do poeta húngaro naturalizado austríaco Nikolaus Lenau [pseudônimo de Nikolaus Franz Niembsch Edler von Strehlenau (1802-1850)]. A obra máxima é incontestavelmente a de Goethe, que a iniciou em 1773 e só a terminou em 1832, poucos dias antes de sua morte. É esta a essência do trabalho de Goethe: Fausto, em sua ânsia incontida por algo que o satisfaça plenamente, resolve fazer um pacto com o Diabo (Mefistófeles). Vende-lhe a alma, recebendo em troca o poder do milagre e a intuição das ciências ocultas. Assim armado, sai em busca da satisfação, que procura em todas as escalas possíveis, do prazer intelectual ao material. O pacto estipulava que Mefistófeles se apossaria da alma de Fausto no momento preciso em que este se encontrasse na plenitude de sua satisfação. Chegado, enfim, o momento supremo, intervém Deus em favor de Fausto, “pois merece ser redimido quem sempre se esforçou por aperfeiçoar-se”.

[7] Marx, Karl & Engels, Friedrich. Edição Completa de Crítica e História, Frankfurt a. Main, Casa Publicadora ME Verlagsgesellschaft, 1927, vol.I, 1.

[8] Johnson, Paul. “Karl Marx: ‘Howling Gigantic Curse’”, in Intellectuals, London, Weidenfeld & Nicolson, 1988, p.57.

[9] Marx, Karl & Engels Friedrich. Collected Works, Cologne, Publishing House Joseph Melzer, 1962.

[10] Hess, Moses. Rome and Jerusalem: The Last National Question, New York, Philosophical Library, 1958.

[11] Rüs, S. M. Karl Marx, Mestre da Fraude, New York, Speller, 1962.

[12] Tanto que foi educada em casa pelo próprio Marx, e com o passar do tempo se converteu em sua secretária.

[13] Marx havia rechaçado a relação amorosa que Eleanor manteve com o jornalista francês Hippolyte Prosper Olivier Lissagaray (1838-1901), autor da L’Histoire de la Commune de 1871.

[14] Em 1898, Eleanor descobriu que Aveling havia se casado secretamente com uma jovem atriz. Amargurada, propôs-lhe um pacto de suicídio, mas Aveling voltou atrás. Em troca, forneceu-lhe o ácido prússico (cianídrico) para que ela pudesse suicidar-se, e abandonou a casa.