Jesus Cristo viveu e morreu no Japão? A lenda da Vila de Herai e os apócrifos Takenouchi Monjo

Uma placa de trânsito indica a direção da Tumba de Cristo em Aomori. Foto de Mike Raybourne.

Os textos apócrifos Takenouchi Monjo dizem que Jesus Cristo escapou de Jerusalém para o Japão, onde teria vivido pacificamente até os 106 anos. Seu irmão mais novo, chamado de Isukiri pelos japoneses, é quem teria sido crucificado no Monte Gólgota. Levando consigo apenas um punhado de cabelo da Virgem Maria e a orelha de Isukiri, Cristo viajou pela Sibéria, no Alasca, até chegar ao norte do Japão, onde se estabeleceu na pequena aldeia de Herai, hoje Vila de Shingo, centro-sul da província de Aomori, onde mudou seu nome para Daitenku Taro Jurai, se tornou fazendeiro e casou com uma japonesa chamada Miyuko, com quem teve três filhas, sendo que alguns dos cerca de 2.800 moradores atuais acreditam serem descendente de sua linhagem sanguínea. Uma placa de trânsito indica explicitamente a direção para a “Tumba de Kirisuto”, que fica lado a lado com a de seu irmão Isukiri. Ambas são montes circulares de terra assinaladas por uma cruz de madeira sem pintura. A da esquerda contém a orelha de Isukiri e uma mecha do cabelo da Virgem Maria. O da direita é onde os ossos de Cristo repousam.

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Exceto pelo evento descrito em Mateus (2:13-23) da Fuga da Família Sagrada para o Egito, e do episódio marcante a atestar a sua prodigalidade, a da discussão que manteve aos tenros 12 anos de idade com os rabinos no templo em Jerusalém, onde seus pais o levaram na Páscoa (descrita em Lucas 2:41-52 e Mateus 13:53-56), os evangelhos pouco informam acerca da infância e juventude de Jesus Cristo (do hebraico Jehoshua ou Jeshua = Salvador, e do grego Christus = Messias ou “o Ungido”), nascido em Belém, na Judeia, às margens do Mediterrâneo, por volta do no ano 4 a.C., durante o reinado de Herodes Antipas [(20 a.C.-39 d.C.), tetrarca da Galileia, filho de Herodes o Grande (73 a.C.-4 a.C.)], e executado por volta de 29 d.C.

Manuscritos apócrifos, por sua vez, como o Evangelho do Pseudo-Mateus, datado filologicamente do século VIII ou IX, tentam preencher hiatos de seu paradeiro de maneira assaz duvidosa.

Ainda mais duvidoso é o que se encontra narrado em uma coleção peculiar de documentos apócrifos japoneses chamados de Takenouchi Monjo, copiados há cerca de 1.500 anos a partir de documentos ainda mais antigos por Takenouchi no Matori, neto do estadista, saniwa (médium espiritual) e herói lendário Takenouchi no Sukune (64-344), que teria vivido até os 280 anos de idade por ter bebido água diretamente de um poço sagrado.

Fotos do que seriam os originais, perdidos durante a Segunda Guerra, do testamento de Jesus Cristo, escrito em caracteres iskiris.

O Takenouchi Monjo retraça a vida de Jesus desde o momento em que, aos 14 anos, se despede de seus pais e irmãos, deixa sua terra natal e vai para a Índia, seguindo os passos de Siddhartha Gautama, o Buda, nascido 560 anos antes. Durante essa fase desconhecida de sua adolescência é que Jesus de Nazaré adquiriu as capacidades de curar e de andar sobre as águas, entre outros feitos.

Na Índia, o jovem Jesus subiu uma montanha e se tornou discípulo de um eremita budista que o iniciou nos arcanos. Antigos textos indianos e incontáveis escritos por sociedades secretas como essênios, gnósticos e rosacruzes, dizem que durante quatro anos Jesus estudou no templo de Jagannath, na cidade de Puri, estado de Odisha, leste da Índia, e quando estava com 17 anos, passou por Benares (Kashi), cidade do estado de Uttar Pradesh, às margens do Rio Ganges, e seguiu viagem para Capilavastu (atualmente Lumbini) no Nepal, que foi a capital do clã dos Xáquia, a qual pertenceu Siddhartha, e onde justamente se localizava o palácio do rei Sudodana, seu pai, e onde Gautama teria vivido até a idade de 29 anos. Jesus ficou um tempo em Catmandu, capital e maior cidade do Nepal, e daí foi para Lhasa, no Tibete, onde estudou com o sábio chinês Meng-Tse (Mencius) e voltou a sua terra de origem percorrendo a Caxemira, Pérsia e Assíria. Em Srinagar, a capital da Caxemira indiana, existe um túmulo que muitos assinalam como sendo o dele, conforme os rumores locais de que Jesus teria sobrevivido à crucificação e ido passar os seus últimos dias lá, tendo se casado e deixado filhos e netos.

Jesus aos 18 anos

Mas o Takenouchi Monjo diz que bem antes disso Jesus partiu para o Japão, onde desembarcou aos 18 anos de idade nas praias de Hodatsushimizu (atual cidade de Noto, na província de Ishikawa) durante o reinado de Suinin (29 a.C. a 70), o 11º Imperador. De lá, Jesus foi para o santuário Koso Kotai Jingu Amatsukyo, na cidade de Kitaibaraki, província de Ibaraki, onde durante cinco anos estudou arte, escrita, serviços religiosos, história e astronomia, ao mesmo tempo em que se dedicava a exercícios espirituais idênticos aos praticados pelos ninjas, os quais lhe conferiram habilidades especiais, como a de desaparecer, andar sobre as águas e suportar a dor em graus extremos.

Imperador Suinin

Com a mente e o corpo fortificados, aos 23 anos Jesus decidiu retornar à sua terra natal. Foi então que o Imperador Suinin deu-lhe o emblema do Rei dos Judeus, o emblema do Messias, a Flor de Crisântemo, símbolo da família imperial. Mais tarde Jesus desembarcou em Mônaco (antiga colônia fenícia no sul da França ocupada sucessivamente por gregos, cartagineses e romanos) e passou por vários países pregando e realizando milagres até que, aos 33 anos, finalmente chegou na Judeia.

Jesus recebeu o brasão de Rei dos Judeus do Imperador Suinin, a Crista do Crisântemo, o símbolo da família imperial, que também é chamado de messiânica.

Jesus ansiosamente quis livrar o povo judeu da opressão e tirania da autoridade romana e tornou-se cônscio de que a única maneira de ajudar seus compatriotas era por meio de sua total submissão à vontade do Pai, pelo que pregava uma doutrina de resignação às dores terrenas e compensação dos sofrimentos com o “Reino de Deus”. A doutrina era, entre muitos aspectos, uma variante da pregada pela seita judaica dos fariseus, que representavam o Partido Popular na Palestina e existia desde o século II a.C. Os fariseus opunham-se aos saduceus, que representavam a aristocracia judaica mais tolerante em matéria de religião e procurava um convívio com os romanos. Os fariseus, do hebreu peruchim (separado), advogavam a pureza da religião judaica e, enquanto tais, separavam-se (daí o nome) daqueles que não partilhavam de suas ideias. Defendiam a providência divina e a liberdade do homem, a sobrevivência das almas, a ressurreição dos corpos e a espera do messias.

Antigo espelho em forma de brasão de 16 pétalas de crisântemo.

Entretanto, foram os fariseus enérgicos adversários de Cristo, considerando-o um impostor, um falso messias. Os conflitos que levaram à condenação de Cristo estão associados a essa disputa dentro da religião judaica. De uma maneira geral, os romanos eram relativamente tolerantes em matéria de religião, e suas próprias crenças àquela época representavam uma síntese de crenças da religião grega e de religiões orientais. O conflito passa às mãos dos romanos quando questões teológicas põem em questão o culto ao imperador – alguns dos seguidores de Cristo designavam-no como o “Rei dos Judeus”.

A divindade de sua missão raras vezes tem sido posta em dúvida. A divindade de sua pessoa (filho unigênito de Deus e a segunda pessoa da Santíssima Trindade) é testemunhada pela afirmação inequívoca de sua messianidade, divindade e filiação divina; por sua sabedoria e pela santidade perfeitíssima e sobre-humana de sua vida; pelo seu inquebrantável e infalível senso de justiça; pelas múltiplas profecias e por seus milagres historicamente certos e verdadeiramente sobrenaturais; por sua ressurreição, predita inúmeras vezes; pela sua sublime doutrina; pela sublimidade transcendental do cristianismo que fundou e dos meios de santificação que instituiu; pela prodigiosa expansão do cristianismo; pelo profetismo israelítico e messiânico que nele se verificou ao pé da letra; pela fé inabalável dos apóstolos da Igreja primitiva; pela tradição secular da Igreja e pela continuidade desta sua fundação que sobreviveu a todas as dificuldades intrínsecas e triunfou de todos os obstáculos extrínsecos.

O cristianismo reconheceu em Jesus de Nazaré o messias prometido no Antigo Testamento, vendo cumpridas n’Ele as profecias messiânicas, embora nem sempre ao pé da letra: é que Jesus de modo algum quis ser um messias político e temporal, mas sim um salvador espiritual, redentor dos pecados pelo sofrimento e morte, arauto da doutrina sobrenatural, rei cujo reino não era deste mundo. Jesus recebeu assim o epíteto de “Ungido” por excelência, que em grego se diz “Cristo”, epíteto que primariamente exprime a sua função ou missão própria, mas que bem depressa passou a ser usado como nome próprio de Jesus. O messianismo é a grande linha ascensional do Antigo Testamento, justificando pela esperança no salvador prometido os fiéis da antiga aliança, enquanto pela imagem do Cristo-Rei dá ao povo messiânico dos cristãos (isto é, dos ungidos no Cristo pelo óleo da salvação) a tensão empolgante para o reino vindouro.

Pelo decreto imperial conferido no final de sua primeira estada no Japão, Jesus Cristo escapou da crucificação para retornar ao Japão. Os apócrifos Takenouchi Monjo informam que o crucificado foi seu irmão mais novo, Isukiri, que era muito parecido com Jesus e se ofereceu para ser sacrificado em seu lugar, ciente da Missão que o seu irmão ainda tinha de cumprir. Assim, depois de ter saído da Judeia, Jesus foi à Escandinávia e dali para o sul, até o continente africano, prosseguindo em rota inversa pela Ásia Central, China, Sibéria, Alasca e Américas, de onde retornou ao Alasca para chegar ao Japão de barco. Curiosamente, em todos esses lugares, remanescem lendas vívidas acerca de um mítico homem branco barbado que teria pregado, transmitido altos conhecimentos e feito prodígios. Durante os quatro anos em que viajou pelo mundo, Jesus escolheu quatorze devotos de diferentes países como discípulos. 

Seiryu Jinja, o Santuário do Dragão Azul.

Jesus desembarcou pela segunda vez no Japão, desta vez no Porto Matsugasaki, na cidade de Hachinohe, província de Aomori, no dia 26 de fevereiro do ano 5 d.C., ainda sob o reinado do Imperador Suinin. Jesus já tinha então 41 anos de idade. Após o desembarque, Jesus subiu uma montanha com seus discípulos para deificar naquele lugar um dragão de madeira azul, a divindade para a qual ele orou pedindo proteção durante a viagem. Mais tarde, o “Seiryu Jinja”, o santuário xintoísta do Dragão Azul, foi construído no mesmo lugar. No sopé dessa montanha encontra-se o pântano de Hachitaro Numa e, ao lado, a aldeia de Hachitaro Mura. Ambos os nomes estão relacionados com Jesus Cristo, que tendo desembarcado em Hachinohe, chamou-se “Hachinohe Taro Tenkubo”, que se tornou a origem do nome “Hachitaro”. “Tenkubo” é a arte de “andar livremente pelo ar”, que é uma das artes jutsu que Jesus adquiriu no Japão em sua juventude. Com o passar do tempo, “Tenkubo” foi transformado em “Tengu”, um ser lendário na religião popular, descrito com uma face avermelhada e um nariz anormalmente longo.

A colina onde fica o templo xintoísta Seiryu Jinja em Matsugasaki.

Jesus passou dois meses ali em companhia dos discípulos e depois foi para Herai Jingu, um santuário xintoísta onde passou quatro meses orando, e daí para a província de Toyama, na costa do Mar do Japão, na região de Hokuriku, onde chegou em 11 de setembro e foi direto visitar seu ex-professor Takeogokoro-Shinno no santuário xintoísta Kosokotai Jingu. Mais tarde, Jesus retornou para a aldeia Ohira em Herai, onde viveu por cinco anos, durante os quais foi chamado de “Herai Taro Tenkubo” e aprendeu a língua japonesa e a escrita. “Herai” deriva de “hebrai” ou “hebraico”.

Em Herai, Jesus e seus discípulos se estabeleceram em uma montanha, como de costume, e ali curavam o povo e realizavam outros prodígios. Seu rosto corado e sua vasta cabeleira, que lhe conferiam uma aparência estranha aos japoneses da época, junto com seus poderes sobre-humanos, criaram a imagem do “tengu” que se espalhou pelo país. “Tengu” está relacionado com “yamabushi” ou ascetas japoneses das montanhas. Um “yamabushi” usa um pequeno chapéu preto chamado “tokin”, semelhante ao “tefilin” que os judeus usam. O original “tokin” era o “tefilin” que Jesus trouxe da Judeia. Traços da cultura hebraica remanescem marcadamente até hoje entre o povo de Herai em seus costumes, no uso que fazem de hexagramas, em suas canções populares e no dialeto peculiar que é falado na região.

Tefilin

Entre as relíquias da estada de Jesus no Japão, há a figura divina de José e Maria, criada pelo próprio Jesus baseada nos ossos de seus pais que ele ofereceu ao santuário Kosokotai Jingu aos 105 anos, bem como o testamento de Jesus, escrito em caracteres iskiris, um dos tesouros guardados pela família Takeuchi.

Relíquia sagrada: a figura divina de José e Maria.

Jesus não só teria percorrido todo o Japão, mas executado três turnês pelo mundo a cada quinze anos, sempre retornando ao Japão até morrer em 25 de dezembro do ano 81, sob o reinado do imperador Keiko (71-130), o terceiro filho do Imperador Suinin, com a idade de 106 anos. Foi no Monte Herai que sua vida cheia de sofrimentos e glórias chegou ao fim. De acordo com a última vontade de Jesus, seu corpo foi sepultado, e após quatro anos, os ossos foram exumados e enterrados por seus discípulos.

O túmulo de Jesus Cristo está localizado na colina de Herai, em uma aldeia que agora é chamada Shingo-Mura, no distrito de San-nohe, província de Aomori. Segundo os apócrifos Takenouchi Monjo, os cabelos e as orelhas de seu irmão também estão enterrados no mesmo lugar. Os moradores de Shingo acreditam que ali de fato é o Túmulo de Cristo (Kirisuto no haka), onde repousam os seus restos mortais. Os peregrinos costumam deixar moedas em frente às sepulturas, marcadas por duas grandes cruzes de madeira, em agradecimento por orações atendidas. O texto na placa explicando a lenda do túmulo de Cristo diz:

“Quando Jesus Cristo tinha 21 anos de idade, ele veio para o Japão e buscou o conhecimento da divindade por 12 anos. Ele voltou para a Judeia aos 33 anos engajado em sua missão. No entanto, naquela época, as pessoas na Judeia não aceitariam a pregação de Cristo. Em vez disso, eles o prenderam e tentaram crucificá-lo em uma cruz. Seu irmão mais novo, Isukiri, casualmente tomou o lugar de Cristo e terminou sua vida na cruz. Cristo, que escapou da crucificação, passou pelos altos e baixos da viagem e voltou ao Japão. Ele se estabeleceu bem aqui no que agora é chamada Vila de Herai e morreu com a idade de 106 anos. Neste solo sagrado, é dedicado um túmulo à direita para deificar a Cristo e uma sepultura à esquerda para deificar Isukiri. A descrição acima foi dada em um testamento por Jesus Cristo.”

Sob este montículo estariam os restos mortais de Jesus Cristo. Foto: Weird Japan.
Sanjiro Sawaguchi

As sepulturas, um local de grande atração turística, vêm sendo cuidadas por gerações da família Sawaguchi e por aldeões locais, que sabiam apenas que elas continham restos muito importantes, mas não faziam ideia de quem propriamente. Os Sawaguchis são considerados descendentes diretos de Cristo, mais notadamente um ancião da aldeia, Sanjiro Sawaguchi, que tem olhos azuis e traços ocidentais. Junichiro Sawaguchi, neto de Sanjiro, disse em uma entrevista recente: “Eu não pretendo ser um descendente de Jesus, embora eu saiba que algumas pessoas disseram que meu avô está ligado à lenda. No entanto, quando eu era criança, minha mãe desenhou o sinal de uma cruz na minha testa como um símbolo de boa sorte.”

A Estrela de Davi, emblema usado pela família Sawaguchi.

O sinal da cruz, desenhado em tinta preta na cabeça de uma criança quando sai de casa pela primeira vez após o nascimento, é apenas um dos muitos costumes locais que denotam a influência judaico-cristã. Outro notável é o de embrulhar recém-nascidos em tecido bordado com a Estrela de Davi. O nome original da aldeia, Herai (renomeada Shingo em 1955), é derivado da palavra Hebrai, que significa hebraico em japonês. A palavra para pai é Aya ou Dada, e para mãe é Aba ou Gaga. O teólogo Eiji Kawamorita defende que as letras da antiga dança folclórica japonesa chamada “Nanyadoyara”, amplamente praticada na província de Iwate, em louvor a YHYW, são, de fato, entoadas em língua hebraica: “Nanya Do Yara Nanya Do Nasareno Nanya Do Yara” (“Eu sou Joshua, o filho de Jehovah”).

A aldeia de Herai

Uma placa colocada no chão entre os dois túmulos, diz: “Esta placa é um presente da cidade de Jerusalém como um sinal de amizade entre o Estado de Israel, a cidade de Jerusalém e Shingo.”

A apocrifia dos apócrifos documentos Takenouchi Monjo

Em 1935, Kiyomaro Takeuchi, o caçula de uma estirpe de sacerdotes xintoístas, descobriu em sua biblioteca familiar na província de Ibaraki, ao norte de Tóquio, um conjunto de documentos de 1.900 anos, escrito em japonês arcaico, contendo indicações de que Jesus Cristo estaria enterrado na vila de Herai, no distrito de Aomori. No ano seguinte, Takeuchi viajou para Herai em companhia do artista e pesquisador de história antiga japonesa Banzan Toya e de uma equipe de arqueólogos. Guiados por Denjiro Sasaki, o líder do vilarejo à época, em 26 de maio de 1936 localizaram dois montículos em um bosque de bambu. O da direita, “Juuraizuka”, foi considerado o túmulo de Cristo, e o da esquerda, “Judaibo”, o de seu irmão Isukiri.

Banzan Toya disse ainda ter localizado uma das sete pirâmides mencionadas nos apócrifos Takenouchi Monjo, as quais seriam ainda mais antigas do que as egípcias. Essas pirâmides não foram, porém, construídas a partir de uma base plana como as pirâmides do Egito ou México, mas estavam no topo de montanhas em forma de triângulos, com pedras esburacadas dispostas ao redor da Pedra do Sol. Um dia após a descoberta do túmulo de Cristo, a pirâmide de Towari foi descoberta. A pirâmide de Oishigami é associada com a de Towari e servia de local de adoração ao sol desde os tempos antigos.

Katsutoki Sakui, por sua vez, descobriu a “Pedra Espelhada”, uma rocha maciça com uma circunferência de base de 12 metros, a “Pedra Azimutal”, que indica precisamente a direção leste-oeste, e o megálito que fica de frente para a Estrela do Norte e indica com precisão a direção norte. A “Pedra do Espelho” possuía inscrições e se mantinha em posição ereta, mas caiu durante o terremoto de 23 de julho de 1857 e permaneceu embutida no chão.

Cópia de uma das páginas dos Documentos Takenouchi exposta na Vila de Shingo.

De tão explosivos e controversos, o governo japonês ordenou que os documentos Takenouchi Monjo fossem trancados em um museu em Tóquio e mantidos longe da vista do público. Durante a Segunda Guerra Mundial, Tóquio foi severamente bombardeada e o museu com todos os documentos foi supostamente destruído. Felizmente, a família Takeuchi havia feito cópias dos documentos antes de entregá-los ao governo. São essas cópias preservadas que podem ser vistas no Santuário Koso Kotai Jingu Amatsukyo, em Isohara, que agora faz parte da cidade de Kitaibaraki, na província de Ibaraki. Uma tradução em inglês de três volumes desses documentos está em uma vitrine do Museu da Lenda de Cristo, convenientemente localizada ao lado das sepulturas, e pode ser lida pelos visitantes.

Um dos motivos pelos quais esses documentos não são levados a sério pela comunidade acadêmica, é que a transcrição a partir dos originais foi feita por ninguém menos do que o astroarqueólogo e ufólogo Wado Kosaka (1947-2002), que não se fez de rogado e incluiu descrições de como os ancestrais da raça humana vieram do espaço sideral, do que aconteceu com a Atlântida, e, claro, onde Jesus Cristo terminou sua vida. O especialista em religião da Universidade de Quioto, Toji Kamata, classificou os documentos de fakelore.

Unificação do Mundo

Jesus Cristo, apesar da dor inefável de aceitar o sacrifício de seu amado irmão, teria escapado da crucificação para retornar ao Japão e cumprir sua missão divina. Jesus estaria convencido de que a Crucificação faria a humanidade se convencer da existência do Pai, o Deus Único, e que as pessoas poderiam assim combater a corrupção moral ansiando por justiça e crendo no segundo Santo Advento, e que Ele finalmente deverá cumprir para concluir de vez sua Missão e unificar o mundo.

A Bandeira Imperial, utilizada unicamente pelo Imperador.

A apócrifa lenda da presença de Jesus Cristo no Japão é sustentada por nacionalistas japoneses que procuram convencer seus compatriotas de que a missão de Jesus Cristo não era outra senão a pretendida unificação do mundo pelo Imperador do Japão. Trata-se de uma velha crença messiânica e milenarista, a do fim da história e da redenção do mundo, uma pretensão comum a todas as religiões e ideologias políticas utópicas, como o comunismo e o nazismo.

A globalização em curso rumo a um governo mundial, sem fronteiras e sem países, já teria sido uma realidade no passado nessa Era de Ouro espiritual e igualitária que durou milhares de anos e que chegou ao fim quando o centro do mundo se deslocou para o Ocidente. A partir de Londres, a civilização material dominou a Terra e em vez da integração, gerou a segregação. As crises e tremendas transformações pelas quais temos passado nos últimos anos, no entanto, indicariam o iminente fim da civilização ocidental materialista e o retorno da Era de Ouro espiritual comandada pelo Oriente, com o predomínio do princípio feminino.

O mundo dividido em 16 partes, com o Japão no centro… Eis o que o brasão imperial de 16 pétalas de crisântemo representa.

O movimento giratório da Terra, que é o período de precessão, coincidiria totalmente com o ciclo da civilização humana. Com cada “ritmo sagrado” produzido pelo movimento dos corpos celestes, uma civilização acaba dando lugar a outra. O terremoto de Kobe em 1995, a 135 graus de longitude leste, teria indicado que a linha 135° voltaria a ser a linha de centro da civilização cósmica. Ou seja, a ilha de Awajishima, na cidade de Akashi, província de Hyogo, teria se tornado o centro do mundo. 

Profecias prevêem que o Imperador retornará ao Palácio Imperial em Quioto, sua residência original, fundada no século I, e que foi a capital do Japão Imperial até ser substituída por Tóquio em 1868. Quioto voltará a ser novamente a capital do Japão, tornando-se o coração global do mundo, e consequentemente o grande Japão , chamado de “Sumera-mikoto” (Mikado), ressurgirá para formar uma sociedade baseada na igualdade e na fraternidade.

Acredita-se que o Japão, chamado inicialmente de “Cipango, o país do ouro”, teria uma quantidade abundante de ouro, bem de como de outros recursos naturais, ao contrário do que se propala. Em suas memórias de viagens compiladas no livro Il Milione (“O Milhão”) ou Livro das Maravilhas, o comerciante veneziano Marco Polo (1254-1324), um dos primeiros europeus a percorrer toda a rota da seda até a atual China, destaca Cipango como uma ilha muito grande repleta de riquezas incalculáveis, sendo que o próprio senhor da ilha contava com um grande palácio todo coberto de ouro. Até o chão do palácio também era feito de ouro com uma espessura de mais de dois dedos. Nessa ilha também podiam ser encontradas pedras preciosas e pérolas rosas, que eram tão ou mais valiosas do que as pérolas brancas. O Grande Khan do Império Mongol, Kublai, tentado pela grande riqueza de Cipango, enviou em 1269 uma frota com o objetivo de invadir a ilha. Quando as tropas mongóis estavam desembarcando, uma grande tempestade atingiu os navios ancorados na costa, obrigando os soldados a fugirem antes que a frota fosse completamente destruída.

Há toques astroarqueológicos e ufológicos também, pois se acredita e se sustenta que as divindades míticas nada mais seriam do que extraterrestres que legaram ao Japão, já na Antiguidade, uma tecnologia muito mais avançada do que a que temos hoje.

Teria sido no Monte Kurama, com 584 metros de altura, a noroeste da cidade de Quioto, que venusianos desembarcaram há cerca de 6.500.000 anos, de acordo com a tradição transmitida no Templo Kurama. Neste templo, duas imagens de Sanat Kumara são adoradas, provavelmente as únicas no mundo. “Kurama” deriva, pois, de “Kumara”. A tradição diz que, após sua chegada à Terra, Sanat Kumara foi acompanhado por numerosas almas especiais com as quais ele formou uma comunidade no topo da esfera etérea ao redor do Monte Kurama. A sabedoria introduzida na Terra da época foi transmitida como uma tradição rigorosamente mantida no “Koshinoo” ou antigo xintoísmo do Japão.

A maior parte das 144.000 “almas de Sumera”, um grupo de almas que participaram da criação da Terra, estariam encarnadas no Japão atual de acordo com o papel que devem desempenhar. O Plano requer a presença dessas velhas almas reunidas no Japão na Era de Aquário para promover o despertar da espiritualidade humana. As almas de Sumera, muitas das quais começaram suas atividades após o Grande Sismo e Tsunami de Sendai em 11 de março de 2011, estabelecerão relações interplanetárias e cumprirão sua missão com o último Imperador do Japão, que se tornará um Mikado global através da incorporação à consciência de Cristo. A pretensão de reinstalar a “Idade de Ouro” sempre foi assumida pelo Império do Sol Nascente desde a época da Segunda Guerra.

Extra: A mais antiga lápide cristã do Japão foi encontrada em Osaka

Arautos do Evangelho, nº 6, junho de 2002, p.35,