A última entrevista com o ufólogo pioneiro Húlvio Brant Aleixo

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga e Pablo Villarrubia Mauso

Húlvio Brant Aleixo posando em 1945 diante de um dos aviões que pilotava no final da Segunda Guerra Mundial.

Nascido em 5 de setembro de 1926 na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, onde faleceria em 23 de junho de 2006, Húlvio Brant Aleixo fez curso de piloto combatente pela Força Aérea Brasileira (FAB) e serviu ao lado dos aliados no final da Segunda Guerra Mundial, por pouco não tendo sido enviado aos campos de batalha. Oficial da Reserva, fundou em 1954 o Centro de Investigação Civil de Objetos Aéreos Não Identificados (CICOANI), grupo pioneiro na América Latina que presidiu até o fim da vida. Graduou-se como psicólogo em 1967 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e até se aposentar desempenhou o cargo de professor da Faculdade Municipal de Ciências Econômicas (FMCE) de Belo Horizonte.

Pedro Aleixo

Húlvio é sobrinho de Pedro Aleixo, vice-presidente da República durante o governo do marechal Arthur da Costa e Silva. Pedro entrou para a história como a única autoridade do regime militar que se insurgiu contra o famigerado Ato Institucional Nº 5 (AI-5, que conferia poderes discricionários ao poder executivo e aos militares e abolia os direitos civis e políticos), promulgado em 13 de dezembro de 1968 e revogado somente mais de 10 anos depois, em 31 de dezembro de 1978. Em represália, foi impedido de assumir a Presidência pela Junta Militar, formada pelos ministros Augusto Hamann Rademaker Grunewald, Aurélio Lyra Tavares e Marcio de Sousa e Melo, que ocuparam provisoriamente a Presidência da República por dois meses no lugar de Costa e Silva, afastado do cargo por ter sofrido uma trombose que paralisou metade de seu corpo em 28 de agosto de 1969, justamente no momento em que buscava aproximação com setores civis e militares que pretendiam o retorno à normalidade constitucional. Pedro era tido como um conselheiro que pesava as decisões do presidente, embora naquele dia isso não fosse ocorrer. Mais tarde, a Junta Militar considerou extinto o seu mandato. Em 1970, Pedro afastou-se da Aliança Renovadora Nacional (ARENA, partido de sustentação do regime militar) e dedicou-se à formação do Partido Democrático Republicano (PDR), vindo a falecer em 03 de março de 1975.

Primeiro ufólogo no Brasil a aplicar o teste psicológico e o retrato falado, Húlvio pesquisou dezenas de casos que se tornariam clássicos – Sagrada Família, Bebedouro, Jaboticatubas, Itabirito, Baleia, Vila Operária, etc. – a maioria deles divulgados no Boletim da SBEDV (Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores), editado pelo médico alemão – igualmente pioneiro da ufologia no Brasil – Walter Karl Bühler. Foi colaborador da Revista Ufológica da Associação Mineira de Pesquisas Ufológicas (AMPEU), lançada em dezembro de 1987 com 46 páginas, um marco na ufologia brasileira.

Em maio de 1999, Aleixo surpreendeu a comunidade ufológica, mormente aqueles que encaravam a presença dos ufonautas com benevolência e esperança, ao divulgar, durante o 18º Congresso Brasileiro de Ufologia em Belo Horizonte, uma mensagem alertando quanto ao fato de que a humanidade corria um perigo de incomensurável e inédita magnitude, contra o qual não havia defesa capaz de contê-lo.

Até o início da década de 80, Aleixo acreditava que os “alienígenas” eram seres biológicos oriundos de outros planetas e que aqui vinham pacificamente apenas para estudar o planeta e seus habitantes, mas com o decorrer dos anos acabou concluindo que na verdade “são sim de outro mundo, mas não vêm de outros planetas – vivem na própria atmosfera, nos recônditos da Terra e através do Cosmo”. Esses seres “enganadores, mentirosos, furtivos e subversivos têm grande poder sobre os elementos da natureza, em macro e micro escala, incluindo a mente humana. Conhecem o comportamento humano desde os primórdios da humanidade e estão, mais do que nunca, atualizando esses conhecimentos para agregar mais agentes ao seu ‘exército’ e atuar de forma mais eficaz no momento apropriado”. Seu “exército”, composto de “forças extra-humanas e incorpóreas no comando de forças humanas, humanoides e animalescas, cada uma com missões compatíveis com suas potencialidades, mas todas orientadas para a consecução dos objetivos estratégicos do comando”, estaria se organizando para “atacar em massa e ostensivamente”.

Se seus ataques no plano físico ainda eram “esporádicos e realizados de maneira furtiva”, o eram “para que sua verdadeira identidade e propósito não fossem descobertos e divulgados, evitando assim que a humanidade se mobilize para combatê-los pelo único meio eficaz que lhe resta: o espiritual”. Não seria de admirar, pois, “que os agressores em potencial tenham o máximo de cuidado em mascarar suas intenções e ações” uma vez que “nos conflitos interindividuais, intergrupais e internacionais, o fator surpresa sempre teve relevância, por motivos óbvios”. Seus “agentes” estariam “infiltrados em todos os níveis e segmentos da sociedade humana, a maior parte atuando inconscientemente, cegamente”. A maior ambição desses seres é “a posse do espírito humano que, por ser imortal, é a joia mais preciosa de todo o universo. A maneira mais eficaz de se conseguir isto é fazer com que os homens, cegos pelo ódio generalizado, destruam prematuramente seus corpos, mediante matança maciça, entregando-lhes seus espíritos”.

Na entrevista que nos concedeu em sua residência no Bairro Cruzeiro, em Belo Horizonte, nos dias 25 e 26 de junho de 2005, e que agora, pela primeira vez, é publicada na íntegra, sem cortes, Aleixo reafirmou que esses seres “não são humanos, mas ao mesmo tempo não são seres biológicos que vêm de outro planeta. São seres incorpóreos que estão no comando de um grande ‘exército’, e esse exército é composto dos que estão aí indicados, seres humanos de todos os segmentos, alguns, a maioria, talvez, não conscientes do papel que exercem nessa conspiração. Traduzindo, eu quero dizer que eles são anjos malignos. Os anjos malignos que optaram pela luta contra Deus”. Relevou também que “são diferentes em tudo, menos em um item: eles são todos evasivos. Isso eu acho muito significativo. Muito mesmo. Estão enganando todo mundo. Inclusive a Força Aérea”. Agindo de forma mais discreta possível, “a finalidade última é sempre essa, a de capturar o espírito humano”. A única forma de combatê-los seria por meios espirituais, “orando a Deus ou a Nossa Senhora”, já que “armas físicas são inúteis contra eles”. As seitas ufológicas seriam de certa forma “manipuladas por essas entidades com vistas a obter adeptos”.

Assim, o ataque ostensivo e maciço dos ufonautas viria tão somente “para complementar a destruição do homem pelo próprio homem, na próxima guerra mundial, que eles próprios incentivam e alimentam ao difundir seus conhecimentos sobre armas de destruição em massa, inclusive os relativos à engenharia genética”. Nessa vasta “conspiração” encabeçada pelos extraterrestres, “estamos coroados por cima, pelos lados e por baixo por uma organização de combate sob comando de seres imateriais e invisíveis, imortais e malignos. Pior ainda, muitos seres humanos já estão sob comando deles”. Aleixo arremata vaticinando que “Quem viver, verá”.

Suenaga – Ao anunciar tais eventos, o senhor não está se arriscando a sair de uma linha eminentemente científica para virar profeta ou líder de seita?

Aleixo – Faço questão de deixar bem claro que não sou guru, missionário ou profeta. O que falo é por minha conta e risco. Por isso mesmo é que assinalei que os membros do CICOANI estão isentos de qualquer responsabilidade a respeito do que afirmo. Todos, sem exceção. Quem aderiu foi porque concordou com minhas crenças, valores e atitudes. Eu estou indo embora e vou deixar o meu testamento ufológico. E deixo também a licença para tornar público o que antes era reservado.

Mauso – Os militares estariam cientes de tudo isso?

Aleixo – Não esperem declarações bombásticas da parte deles. Eles não podem se comprometer dizendo que disco voador existe, sabe por que? Porque todos iriam correr atrás deles exigindo que revelassem as provas. Mas que provas, se eles mesmo não as têm?

Suenaga – O que a humanidade pode fazer para combater esses seres?

Aleixo – O pouco que resta a ser feito, deve ser feito com a maior rapidez possível para evitar que os espíritos humanos caiam na mão deles. Reputo os espíritos humanos como as maiores preciosidades do universo, sabe por que? Porque os espíritos angelicais já se definiram, a favor ou contra, enquanto os humanos ainda estão pendentes de definição. Estando pendentes de definição, cada espírito que eles capturarem significa uma vitória para eles. É nesse sentido. Refiro-me, portanto, ao lado espiritual. Porque sendo eles espíritos, não há outro meio de combatê-los.

Suenaga – Não existem armas físicas capazes de rechaçá-los?

Aleixo – Não. São seres voláteis que se materializam e se desmaterializam. Há uma série de incidentes que demonstram a capacidade deles de controlar a mente humana, de fazerem coisas aparentemente impossíveis, tais como atravessarem paredes etc. O relatório que comecei a fazer e tive que parar devido a minha doença, vai trazer um rol inicial desses incidentes. Ele vai se compor de uns seis ou oito volumes, com 200 páginas cada, divididos em duas partes: parte 1 e parte 2. A parte 1 se dividirá em três livros e abordará os incidentes ocorridos em Belo Horizonte e cercanias. A parte 2 abordará os casos do interior de Minas Gerais, com realce para os casos dos municípios de Jaboticatubas, Baldim, Santana de Riacho, etc. (Obs.: Esse projeto não pôde ser viabilizado devido a piora do estado de saúde de Húlvio).

Mauso – O senhor é um dos ufólogos pioneiros…

Aleixo – Isso é o de menos. O sujeito pode ter 100 anos de idade e continuar errado. O importante para mim é o testamento ufológico que deixo como um legado de meu pensamento.

Mauso – No início, o senhor pautava pela hipótese de que os discos voadores vinham de outros planetas e que os seres que os pilotavam eram entidades biológicas materiais. Como o senhor acabou mudando o enfoque do problema?

Aleixo – Filtrando os tantos casos de contatos imediatos, abordando-os em conjunto e não em função de um só caso. Não se faz ciência com um só caso.

Mauso – Como o senhor vê hoje o Caso Sagrada Família (ciclopes que surgiram a três meninos que se encontravam no quintal na casa de um deles no Bairro Sagrada Família, em Belo Horizonte, na noite de 28 de agosto de 1963) que pesquisou?

Aleixo – Como mais um exemplo de manipulação da mente humana por parte desses seres.

Mauso – Mas esses ciclopes realmente existem e teriam essa forma? Ou foram os seres que fizeram os meninos crerem que eram ciclopes?

Aleixo – Tudo indica que existem, mas também haveria um forte componente imaginário, ou seja, do que já estava impresso no inconsciente coletivo humano. Como o Caso Baleia, o Caso Joaquim Murtinho…

Suenaga – O Caso Bebedouro…

Aleixo – O Caso Bebedouro e muitos outros.

Mauso – Rivalino Mafra…

Aleixo – Também.

Mauso – O Caso do Edifício JK seria um caso característico, pois nele há seres que atravessam paredes…

Aleixo – É. As pessoas moravam em condições precárias em um apartamento no 12º andar do Edifício JK aqui em Belo Horizonte. Estavam dormindo quando apareceram esses seres. Eram dois irmãos, na época ainda crianças. E eles viram a penetração de luzes estranhas num lugar incompatível com a presença dessas coisas. Não era compatível com a penetração de naves. Há outros casos, como o da Estrela d’Alva, em que os seres atravessaram paredes e fizeram coisas em parte ridículas do nosso ponto de vista, mas que acabaram impressionando as pessoas envolvidas. E assim por diante.

Suenaga – No Caso Bebedouro, o que me chamou a atenção foi a tipologia dos seres – barbudos, como se fossem trogloditas – e da nave descrita pelo soldado José Antonio da Silva, um tanto primitiva, beirando o insólito, o senhor também não acha?

Aleixo – Acho, e é por isso que penso que estão fazendo experiências genéticas. Eles podem estar produzindo clones há muito tempo, clonando para justificar a igualdade de aparências dos 10 ou 12 indivíduos que estavam lá no “salão” para onde levaram o soldado. Ao que tudo indica, esse salão não ficava em outro planeta, e sim nos subterrâneos da Terra. No Caso Ermelindo, em que este lutou fisicamente com um tripulante bem em frente de sua casa em Vargem Grande, duas correntes de ferro desceram do OVNI. O que é bem estranho, uma vez que correntes de ferro parecem totalmente incompatíveis com uma avançadíssima tecnologia. Desconfio que esses seres aqui do Rio das Velhas são de uma classe inferior. Eles se dividem basicamente em três categorias, e nessa pirâmide social eles se situariam na base. Seriam executivos que não conhecem necessariamente os propósitos dos maiorais, dos que estão no comando, e que eu chamo de incorpóreos. São apenas treinados, programados, robotizados para cumprir uma determinada tarefa ou missão.

Suenaga – Eles estariam agindo, portanto, a mando de uma força maior?

Aleixo – Seres incorpóreos é que estão no comando de um “exército” formado de seres humanos, humanóides – que seriam esses – e animalescos. Há vários casos de animais se apresentando com eles ou sem eles. São coerentes com as atitudes deles. O Rio das Velhas parece ser uma das “zonas quentes”, pois ali aparecem muitos desses seres da classe inferior.

Suenaga – Qual a conclusão final que o senhor chegou a respeito do Caso Bebedouro? Por que os seres agiram daquela maneira com o soldado?

Aleixo – Isoladamente não chego a nenhuma conclusão. Só em termos gerais.

Suenaga – O senhor voltou a ter contato com aquele soldado?

Aleixo – Ah, muitas vezes. E ele sempre repetia a mesma história. Ele chegou a reconstituir a cena na frente dos comandantes dele, não se deixando intimidar, e sempre foi muito coerente.

Suenaga – Ele foi até roubado pelos seres, que confiscaram alguns dos apetrechos de pesca que ele tinha em duplicata.

Aleixo – Mas devolveram tudo. Exceto a carteira de identidade.

Suenaga – Até dinheiro pegaram.

Aleixo – Um pouquinho.

Mauso – O senhor fala da ambição da posse do espírito humano por esses seres incorpóreos. Com que objetivo?

Aleixo – É o de levar pra horda deles aquilo que escapou do domínio de Deus. Eles estão lutando contra Deus até hoje, conforme prometeram. Estão cada vez mais ciosos e ansiosos em capturar almas humanas, espíritos humanos, os quais considero os bens mais preciosos do universo porque são eternos. Não morrem. O nosso espírito não morre.

Mauso – E o que eles fazem com esses espíritos? Incrementam a força deles?

Aleixo – Agregam ao exército deles, afastando-os de Deus.

Mauso – Mas que Deus é esse?

Aleixo – O criador de todos e de cada um, inclusive deles.

Mauso – Eles seriam como Lúcifer, o anjo caído que se rebelou contra o criador, algo assim?

Aleixo – Eles estão aqui há muito tempo, tanto que não podemos sequer contabilizar. Eles se rebelaram e se dispõem a levar todo e cada espírito humano para compor o exército deles e viver com eles.

Mauso – E esses espíritos humanos se deixam subjugar por essas entidades?

Aleixo – Aí depende de cada um.

Mauso – Mas se esses espíritos humanos dos quais estão se apoderando se juntarem para formar algo maior, um macro, perdendo a individualidade, eles capturam mesmo assim?

Aleixo – O espírito em princípio não perde a individualidade. Continuam com suas entidades, seus nomes. Os próprios demônios têm nomes, assim como os anjos. Continuam como individualidades distintas. Não perdem portanto essa capacidade de serem personagens individuais e distintos uns dos outros.

Mauso – Mas esses espíritos que estão se tornando parte desse grande ente, ou desse conjunto de entidades incorpóreas que estão em algum lugar, esses espíritos individuais poderiam vir a rebelar-se em conjunto?

Aleixo – Uma vez preso, caindo no lastro, não tem mais jeito.

Suenaga – Não tem mais?

Aleixo – Aí é que está o perigo. Eles não têm capacidade de se rebelar. Uma vez que os anjos tenham se acoplado ao criador, é para sempre.

Suenaga – Sem querer parecer pessimista, professor Húlvio, mas ao que me parece a quase totalidade da humanidade está perdida então.

Aleixo – Grande parte. Isso que a gente vê quase diariamente representa uma parte daquilo que acontece na realidade deles.

Mauso – Bush, Putin, todo esse pessoal são enviados do demônio.

Aleixo – Nem Bush, nem Putin, estamos é na fase confusa da ufologia. Não vou personalizar. Não vou entrar em política propriamente dita. Pessoalmente até acho que o George Walker Bush é um grande homem que vai entrar para a história. Ele é o xerife que estava faltando para pôr ordem no mundo.

Mauso – O senhor já alertou o Bush quanto a esses seres?

Aleixo – Não. O testamento ufológico é para quem quiser ler. De qualquer forma, não há caminho de volta. Basta ver o aumento das armas de destruição em massa, sejam químicas, biológicas ou nucleares.

Mauso – De que forma podemos combater essas forças?

Aleixo – Somente por meio da força espiritual.

Mauso – Mas de que jeito vamos exercitá-la?

Aleixo – Orando, pedindo a Deus e aderindo a Deus por meio da oração.

Mauso – Apenas isso é suficiente?

Aleixo – Se não for o suficiente, pode ser o principal fator. A oração e a doação a Deus, criador de todos e de tudo.

Mauso – Podemos também orar a Maomé, a Buda e a outras entidades criadoras?

Aleixo – Desde que os mandamentos que Deus nos deixou sejam cumpridos. Isso vale em todos os segmentos da sociedade humana lá em cima.

Mauso – O Vaticano por acaso também já não estaria totalmente corrompido?

Aleixo – Totalmente não, mas parcialmente já está há muito tempo.

Mauso – Que é isso professor Húlvio, pelo amor de Deus. O senhor está fumando? O senhor ainda fuma?

Aleixo – Sim, e isso há mais de 62 anos.

Mauso – Meu Deus, que horror!

Suenaga – O cigarro não lhe faz mal, professor?

Aleixo – O cigarro mata devagarzinho. Na minha época de juventude, 70% ou mais das pessoas fumavam. Era normal.

Suenaga – Era até estimulado.

Mauso – Era estimulado pelos filmes de Hollywood.

Aleixo – Fui aviador e entre os colegas via que era comum, em parte para reduzir o medo e a tensão.

Mauso – De acordo com o entendimento do senhor, esses seres seriam mortais ou imortais?

Aleixo – Todos os seres criados por Deus são imortais. Existem duas comunidades. A comunidade angelical ou que nome tenha, é a comunidade humana. Que também foi criada por Deus. Esses dois grandes blocos, é dentro disso que coloco o contexto aí.

Mauso – O senhor foi o primeiro a investigar o Caso Rivalino Mafra?

Aleixo – Não, eu investiguei por tabela. Depois chegou o rapazinho…

Mauso – O Raimundo Mafra (filho de Rivalino).

Aleixo – É. Obtive por parte do juiz licença para entrevistá-lo, acompanhado de um comissário de menores. Só aí é que eu tive contato mais direto com o caso. Antes era somente por meio dos jornais e do noticiário geral. O doutor Walter Bühler é que chegou a ir lá em Diamantina.

Suenaga – Não pairava a suspeitava de que Rivalino Mafra teria sido assassinato?

Aleixo – Suspeitava-se de tudo.

Mauso – Mas encontraram os ossos do Rivalino, até a fivela do cinto dele.

Aleixo – Mas como se pode afirmar que eram dele?

Mauso – Apontaram até os assassinos que deram cabo dele. O problema é que um juiz e delegados corruptos encobriram o caso.

Suenaga – E forçaram o garoto a falar que eram discos voadores.

Mauso – Porque o Rivalino encontrou um diamante gigante.

Suenaga – Assassinaram-no por causa do diamante.

Mauso – Ele era garimpeiro.

Aleixo – Essa é uma das suspeitas, uma. Entre várias.

Suenaga – Quais seriam as outras?

Aleixo – É que teria fugido e abandonado a família.

Mauso – O senhor pessoalmente se inclina mais em que direção?

Aleixo – Que eram aparelhos pequenos, mas possantes o suficiente para levar o Rivalino para cima. A tal nuvem amarela que envolveu o Rivalino e o fez sumir na frente do filho, não era poeira propriamente dita.

Mauso – Mas o senhor não acha estranho que esse caso seja o único na ufologia mundial com tais características? A ciência só pode validar como reais as coisas que se reproduzem pelos menos duas ou três vezes. Esse caso é único, não existe nada semelhante na ufologia mundial.

Aleixo – Vai pesquisar que você encontra.

Mauso – Não encontrei. Olha que rodei o mundo…

Aleixo – Eu volto a falar. Nenhum caso de per si é suficiente para esclarecer o fenômeno como um todo. São várias tentativas. A pessoa não pode explicar o conjunto sem considerar esse conjunto.

Mauso – Os oficiais da FAB (Força Aérea Brasileira) aqui de Minas Gerais também pesquisaram OVNIs? Em São Paulo houve o SIOANI (Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados).

Aleixo – O SIOANI se estendeu a Minas Gerais e pretendi que se estendesse pelo Brasil todo. Mas houve percalços que inviabilizaram a continuação dos trabalhos. O maior de todos foi a saída do brigadeiro que acionava os dispositivos todos, o José Vaz da Silva.

Mauso – Ele conseguiu acionar o sistema aqui em Minas Gerais?

Aleixo – Parcialmente. Ocorre que alguns indivíduos saíam a campo falando em nome da FAB de forma autoritária, e com isso assustaram o público, queimando o projeto. Nós somos da FAB e queremos isso e aquilo. Aí…

Suenaga – O senhor como militar nunca teve regalias, nunca lhe revelaram nada?

Mauso – O senhor foi convidado pelo Vaz para participar desse projeto?

Aleixo – Indiretamente. O major Gilberto Zani era o representante dele.

Mauso – E ele pediu a colaboração do senhor, é isso? Mas como ele sabia que o senhor gostava desses assuntos?

Aleixo – Não sei. De alguma forma ele tinha lido alguma coisa.

Mauso – Eu falei com a viúva dele. Ela me disse que ele mandava esses relatórios para a NASA. O senhor sabia disso?

Aleixo – Não, mas é possível. Muita gente abusa da NASA, dando a ela poderes que ela não tem.

Mauso – Esses militares então eram pessoas que agiam praticamente por conta própria.

Aleixo – Quais?

Mauso – Da Aeronáutica que o senhor mencionou.

Aleixo – Não. Eu falei do Comando da IV Zona Aérea de São Paulo, o IV COMAR. Houve esse movimento na expectativa de colher mais dados. Talvez eles notassem que o acesso direto e reto dos militares ao assunto não fosse conveniente. Nem eficaz. Sendo assim, só civis, albergados aos militares, podiam enriquecer o acervo, porque os civis como eu e os de meu grupo tínhamos acesso fácil aos cidadãos do mato. Se chega um sujeito fardado lá no mato, todos ficam com medo de falar.

Mauso – A partir de que ano o senhor começou a registrar os casos em gravador?

Aleixo – Em 1969 adquiri meu primeiro gravador, mas antes usava um gravador do Alberto Francisco do Carmo, que gentilmente me emprestava. Era um gravador japonês, de rolo, um dos primeiros a serem comercializados. Com o gravador, me senti mais livre para obter diretamente esses depoimentos.

Mauso – E o Caso Varginha? Por que o senhor não quis pesquisar a história?

Aleixo – Houve uma série de incidentes que eu não posso falar aqui, pois envolveram pessoas de meu grupo. O Vitório Pacaccini na época pertencia ao CICOANI e para se promover ficou usando o nome do grupo de forma individual, sem minha autorização. Aí a coisa ficou bastante desagradável. Daí em diante cortei relações com ele e me desencantei com o caso.

Mauso – E sobre o Caso Joaquim Murtinho que o senhor pesquisou? O que aconteceu com esse moço?

Aleixo – Rapaz, na época, nos anos 70, o José Antonio Aristeu estava na casa da tia dele no município de Joaquim Murtinho, aqui em Minas Gerais, com portas fechadas, e viu penetrar um aparelho em forma de saturno. A partir daí é que se desenrolou o caso e terminou com a aparição de três seres, ou quatro, como se constituíssem uma família. Um homem, uma mulher e uma criança. O Aristeu teve certas visões que não eram compatíveis com a idade dele. Ele descreveu outro negócio, que foi levado para dentro de casa pelos três, e que sentiu leveza no corpo. Os três teriam examinado o que havia dentro da casa. E assim por diante. Até que terminou o caso com a volta ao normal.

Mauso – Ele estava bem ou tinha sofrido alguma alteração psíquica?

Aleixo – Não, parecia normal. Já casado, com filhos. Antes não, era rapaz.

Mauso – O senhor também acompanhou de perto o Caso Sagrada Família.

Aleixo – Estive com os meninos por mais de 15 vezes.

Mauso – E eles sofreram algum tipo de perturbação posterior?

Aleixo – Não.

Mauso – Houve alguma mudança na vida deles? O senhor não observou nada de grave?

Aleixo – Não. A verdade é que a maioria dos casos não provoca modificações significativas no comportamento. Os envolvidos permanecem com o comportamento igual ao de antes, tal como no Caso Baleia, Bebedouro e inúmeros outros.

Mauso – O Bob Pratt menciona no livro dele (Perigo Alienígena no Brasil: Perseguições, Terror e Morte no Nordeste, Coleção Biblioteca UFO) um caso que o senhor pesquisou, de uma senhora idosa que foi atacada no Rio das Velhas por um OVNI. Por que no Rio das Velhas acontecem tantos fenômenos?

Aleixo – Ah, não sei. Talvez pela existência de muitas crateras.

Mauso – A dona Dalva Cury mencionou um caso ocorrido na cidade de Viçosa, em que uma mulher de 60 anos de idade morreu queimada, embora suas roupas não tenham se queimado. O senhor conhece esse caso?

Aleixo – Esse de Viçosa não conheço, mas conheço o de uma outra mulher que morreu queimada, a dona Fiinha, ocorrida em Florestal, aqui em Minas Gerais também. Essa mulher viu luzes estranhas percorrendo a área e foi encontrada desfalecida, muito queimada e desfigurada. Ficou internada durante alguns meses no Hospital de Sete Lagoas, na cidade vizinha. Eu a visitei e vi as marcas no braço dela. Mas ela não falou taxativamente em disco voador, e nem interessava por esse assunto.

Mauso – Ela sobreviveu às queimaduras?

Aleixo – Sobreviveu e se recuperou parcialmente.

Mauso – O senhor falou que os braços estavam queimados?

Aleixo – É, principalmente os braços.

Mauso – Ela não se lembrava como tinha sido queimada?

Aleixo – Não.

Mauso – E isso aconteceu na mesma época em que apareciam as luzes?

Aleixo – Posteriormente à aparição de luzes.

Mauso – O senhor encontrou algum outro caso semelhante de gente queimada em circunstâncias estranhas, de dentro para fora, por exemplo?

Aleixo – O Ermelindo foi um deles. Ele tinha a sensação de que a queimadura vinha de dentro.

Mauso – O senhor se lembra do Caso João Prestes? O corpo dele foi queimado, mas os cabelos e a roupa não…

Aleixo – Aí houve tanta controvérsia que não pude chegar a uma conclusão.

Suenaga – Na sua acepção, os seres são sempre agressivos?

Aleixo – Em nenhum dos casos que pesquisei houve manifestação de bondade, nem sequer de piedade, quando muito de indiferença. Em nenhum deles, sem exceção.

Suenaga – O doutor Walter Bühler certamente discordaria do senhor neste ponto, já que ele acreditava na bondade dos ufonautas.

Aleixo – É, de fato.

Suenaga – Houve alguma discordância entre o senhor e o Bühler?

Aleixo – Várias. Eu falava diretamente quando achava que ele estava errado. Ele vinha aqui em casa e discordávamos em vários aspectos, mas ele não gostava muito de polemizar e também era muito fechado.

Mauso – O senhor chegou a conhecer o Aladino Félix, o Dino Kraspedon ou Sábado Dinotos?

Aleixo – Fui na casa dele em São Paulo. Ele ficava com vários livros complicados abertos sobre a mesa, livros em hebraico, em sânscrito.

Suenaga – O que o senhor achou dele?

Aleixo – Com o passar do tempo, achei que ou ele estava enrolando ou que havia sido enrolado.

Suenaga – O senhor soube que em 1968 ele se tornou terrorista?

Aleixo – É, até isso.

Mauso – Gostaria de saber se o senhor acredita em alguma dessas profecias que estão circulando por aí, de São Malaquias, Nostradamus, etc.

Aleixo – Nostradamus é muito confuso, mas ele é especial. Eu não posso dar uma opinião minha sobre esses casos especiais. Certas profecias dele fazem revelações em linguagem explícita. Essas eu cito. Penso que o estudo das profecias deve ser feito em conjunto com a história contemporânea e a casuística dos discos voadores. Esse conjunto forma uma tríade, um tripé.

Suenaga – Então o senhor conclui que a nossa história na verdade é uma história que foi feita mais por esses seres do que propriamente pela humanidade?

Aleixo – Sem dúvida. Eles é que são os sujeitos da história, eles estão no comando, na organização, em tudo.

Mauso – Como o senhor interpreta as abduções? As pessoas quando são devolvidas a Terra voltam muito perturbadas mentalmente porque foram sequestradas contra sua vontade e submetidas a exames, a testes violentos, à introdução de objetos no corpo, microchips, implantes, essas coisas. Como o senhor encara essa questão das abduções tão invasivas?

Aleixo – É sempre o mesmo contexto. Agressividade e principalmente evasividade. Eles fazem tudo de forma mais discreta possível, com finalidades as mais diversas. A finalidade última é sempre essa, a de capturar o espírito humano.

Suenaga – O Charles Fort tem uma frase que diz: “Alguém nos pesca”. O senhor não acha que muitas dessas doutrinas místicas são iscas atraentes para que o ser humano caia no anzol desses seres?

Aleixo – Principalmente na religião. As crenças e os valores para atrair pessoas, espíritos.

Mauso – Algumas dessas seitas estariam sendo manipuladas por essas entidades para obter adeptos?

Aleixo – Eu acredito que sim.

Suenaga – Aparições da Virgem Maria, por exemplo, como o que o senhor as interpreta?

Aleixo – Como aparições religiosas.

Suenaga – Não seriam ETs disfarçados de santas?

Aleixo – Esses casos são excepcionalmente muito importantes devido ao teor dos mesmos. Eu os interpreto com muito cuidado.

Mauso – Estive em Fátima agora em maio para acompanhar o enterro da Irmã Lúcia. O que o senhor acha da Mensagem de Fátima e como a interpreta?

Aleixo – Eu acho que é fundamental. É o eixo que envolve todas as demais mensagens do gênero.

Mauso – Dizem que a Terceira Mensagem divulgada pela Igreja não seria verdadeira, mas apenas parcial.

Aleixo – Dizem.

Suenaga – O senhor foi um dos primeiros a fazer uso do magnetômetro (Instrumento destinado à medição de intensidade do campo magnético). Ele funcionava bem?

Aleixo – Funcionou duvidosamente uma única vez. Para mim não produziu resultados satisfatórios.

Suenaga – O que o senhor acha que irá acontecer com o mundo nos próximos anos?

Aleixo – De acordo com as profecias, a Terceira Guerra Mundial vai começar no Oriente Médio por obra de um indivíduo ou grupo egípcio. Lembro que hoje em dia apenas um único indivíduo pode destruir uma cidade inteira sozinho. Escrevi um trabalho sobre Israel e o fim dos tempos, mas ele ainda está inédito.

Mauso – E o que o senhor fala nesse trabalho?

Aleixo – Que Israel vai sobreviver, ao passo que os outros países circunvizinhos vão ser destruídos.

Suenaga – Só Israel?

Aleixo – Na região, sim. Israel vai acabar dominando desde o Mediterrâneo até o Rio Eufrates, que corta o Iraque no meio.

Mauso – Os egípcios e todos os outros povos vão desaparecer então?

Aleixo – Se todos, não sei. Reputo que haja duas fases: o fim de uma era e o fim dos tempos. O fim de uma era, profetizada por Nossa Senhora, é distinto do fim dos tempos, que virá depois, em época não determinada. Essas duas é que vão ser representativas maiores da nova realidade que irá surgir. Vai haver um expurgo da humanidade. Mais da metade do mundo vai perecer de repente nessa primeira fase, pondo fim a uma era. Aí se desencadearão enormes mudanças na Europa, que aliás já estão acontecendo. Nos Estados Unidos e na Rússia também. A América do Sul vai ficar em situação relativamente boa, apesar da loucura do Hugo Chávez e de outros aí. Quando falo relativamente é porque nenhum país vai escapar dos malefícios do fim da era. O Brasil parece que vai receber isso de uma forma mais indireta.

Suenaga – Na acepção do senhor, só os seres humanos é que têm alma? E os animais?

Aleixo – De acordo com a exegese, os animais têm alma, tem espírito, mas esses espíritos morrem juntamente com o corpo. Eles não são eternos. A única exceção são os seres humanos.

Suenaga – Só os seres humanos é que possuem espírito imortal?

Aleixo – Só. Quem mais poderia ter?

Mauso – Como eram as aulas ministradas pelo senhor na universidade? Infelizmente nunca tive o privilégio de assistir.

Aleixo – Nada tinham a ver com ufologia. Eram na área de administração de empresas e psicologia do trabalho, ou seja, esmiuçavam os problemas de comportamento humano na situação de trabalho. Eram aulas pragmáticas e inteiramente voltadas ao mercado. Ali não cabia espaço para disco voador.

Suenaga – O senhor não podia falar sobre o assunto?

Aleixo – Até podia. Era incitado a isso. Convidado até. Mas me recusava na maioria das vezes.

Suenaga – Os alunos não pediam?

Aleixo – Pediam. Mas eu dizia que tinha que cumprir um programa de psicologia aplicada à administração de empresas, e não à ufologia, disco voador. Apesar disso, chegaram a me acusar de estar levantando esse assunto lá. Por isso eu procurava falar o mínimo a respeito. No fim de cada ano letivo, uma vez cumprido o programa, se sobrava tempo eu dava uma palestra caprichada de umas três ou 4 horas sobre ufologia, sempre com a concordância de outros professores que cediam os seus horários de aulas.

Suenaga – O Alberto Francisco do Carmo era um bom ufólogo?

Aleixo – Era. Contribuiu muito no início. Problemas familiares e profissionais é que o obrigaram a se afastar do grupo.

Suenaga – O senhor tinha contato com o professor Flávio Augusto Pereira?

Aleixo – Muito. Ele foi um dos organizadores dos chamados colóquios de discos voadores. Muito eficaz na organização. E escreveu um livro muito bom chamado O Livro Vermelho dos Discos Voadores (Ed. Florença, 1966), mas que não bate inteiramente com a minha visão.

Mauso – Se não me engano, o Flávio Pereira me falou que o médico e ufólogo Olavo Fontes era agente da Agência Central de Inteligência (CIA) e trabalhava para o Serviço de Inteligência dos Estados Unidos.

Aleixo – Não acredito nisso.

Mauso – O senhor não acredita que ele era informante dos Estados Unidos?

Aleixo – Deve ter feito apenas trocas de informações aleatórias.

Mauso – Ele enviou relatórios para autoridades norte-americanas.

Aleixo – Isso todo mundo faz.

Mauso – Ele não poderia então ser acusado de espião. Colaborador, digamos.

Aleixo – É, bem intencionado.

Mauso – O Olavo teria levado o abduzido Antonio Villas Boas para a Califórnia, nos Estados Unidos.

Aleixo – Não acredito nisso.

Mauso – A Odércia, irmã do Antonio, nos confirmou isso.

Aleixo – Ela é mais confiável do que eu…

Mauso – Ela disse ele que foi levado para os Estados Unidos.

Obs.: Aleixo acrescentou que só tomou conhecimento do Caso Sagrada Família dois anos depois deste ter ocorrido, graças à aparição de um OVNI sobre uma usina do bairro. Aleixo chamou a imprensa, e no meio da conversa é que surgiu o caso dos meninos. Na região, houve também o Caso Continentino, depois do caso dos ciclopes. Houve então pelo menos três casos importantes nesse bairro.

Mauso – O receituário do senhor para combater esses seres incorpóreos, ou seja, por meio da oração, se assemelha muito ao da Irmã Lúcia, uma das videntes das aparições de Fátima. Ela pede insistentemente, transmitindo os próprios ensinamentos da Virgem, que as pessoas orem pelo mundo. O senhor se inspirou nela?

Aleixo – Foi um dos pontos altos. Porém, antes e depois de Fátima houve aparições reais ou supostas, mas houve.

Mauso – O senhor notou que em muitos casos de aparições os videntes costumam ser em número de três, e geralmente crianças? No Caso Sagrada Família também são três crianças. Poderia haver alguma relação?

Aleixo – Poderia ou não.

Mauso – O senhor não chegou a notar também que nos casos de aparições a Virgem sempre surge sobre uma árvore? Em Fátima, Nossa Senhora pairava sobre uma azinheira. No Caso Sagrada Família, o OVNI pairou sobre um abacateiro. Como o senhor interpreta, se é que dá para interpretar essa questão?

Aleixo – Não interpreto.

Mauso – Em que ano o senhor começou a pesquisar o Fenômeno OVNI?

Aleixo – As primeiras leituras foram em 1952. A investigação propriamente dita começou em 1954.

Mauso – Qual foi o primeiro caso que o senhor investigou?

Aleixo – O primeiro foi o do Alberto Francisco do Carmo. Na época ele ainda era menino. Ele me chamou por telefone, e foi quando apliquei nele o primeiro questionário-modelo da Força Aérea Norte-Americana (USAF). A partir daí foram vários.

Mauso – Quantos casos o senhor calcula que já pesquisou pessoalmente?

Aleixo – Difícil dizer o total porque me vi obrigado a interromper uma relação completa de casos que estava fazendo. Isso me tomava muito tempo e ninguém dava valor. A relação completa de casos que pesquisei enchem 25 folhas.

Mauso – Nas primeiras pesquisas de campo o senhor ia sozinho ou acompanhado?

Aleixo – Geralmente acompanhado.

Mauso – Em 1954, quando da fundação do CICOANI, o senhor ainda era da Aeronáutica?

Aleixo – Eu já tinha saído. Deixei a Força Aérea em 1948.

Mauso – Quais aviões o senhor aprendeu a pilotar?

Aleixo – X-BP15 ou T-BP15, AT-6 e muitos outros. Naquelas fotos (aponta os quadros pendurados na parede) estou na carlinga de piloto.

Mauso – O senhor chegou a combater com esses aviões?

Aleixo – Não, porque a guerra acabou.

Mauso – Em todo caso, o senhor seria mandado para combater aonde, na Itália?

Aleixo – O fim da guerra aérea não foi na Europa, mas na Ásia, no Japão.

Mauso – A fumaça (do cigarro que Húlvio acende e começa a fumar) não vai atrapalhar na hora em que for falar?

Aleixo – Eu é que atrapalho a fumaça.

Mauso – Essa aí foi boa. Ai, caramba.

Mauso – O que o levou a se interessar pelos OVNIs? Foram as leituras de jornais e revistas?

Aleixo – Desde menino eu gostava de astronomia. Além disso, gostava de aviação. Acho que isso influiu muito. Não me empurrou, influiu.

Mauso – O senhor chegou também a ler obras de ficção científica naquela época?

Aleixo – Eu gostava mas não tinha tempo para ler.

Mauso – Os primeiros casos que o senhor pesquisou foram aqui mesmo em Belo Horizonte?

Aleixo – Foram aqui porque eu não tinha veículo para me deslocar a outros locais, não tinha gravador, não tinha nada.

Mauso – E como foram as primeiras viagens ao Rio das Velhas e outras regiões do Estado?

Aleixo – As primeiras viagens foram de carona. Quer dizer, quando havia carona. Mais tarde é que pude adquirir um carro, uma velha Kombi vermelha e branca.

Mauso – E que equipamentos o senhor levava?

Aleixo – Os equipamentos eram muito simples, quase artesanais. Basicamente levava bússola e magnetômetro.

Mauso – Dessas viagens, o senhor se lembra de algum momento especialmente difícil?

Aleixo – Houve vários.

Mauso – No que consiste o Caso dos Irmãos Silva?

Aleixo – São uns meninos que viram de perto um OVNI e três tripulantes aqui em Belo Horizonte. Entrevistei-os pela primeira vez em 26 de julho de 1969. Por volta das 19h30 uma menina esperava o ônibus que traria o seu pai do trabalho. Já estava escuro quando ela notou um OVNI vindo na direção dela e pousar bem ao lado de uma árvore. Um dos meninos alertou os demais para a aproximação dos três tripulantes que caminhavam de maneira furtiva, rumo às casas e aos barracões. A partir daí houve o alarme geral e uma tremenda correria.

Mauso – Algum deles sentiu mal-estar ou ficou com algum tipo de sequela?

Aleixo – Um deles sei que ficou. A narração minuciosa desse incidente ajudará os ufólogos a compreenderem os tipos e a extensão de algumas das barreiras que se antepõe à investigação ufológica.

Mauso – A região do Rio das Velhas está muito longe aqui de Belo Horizonte?

Aleixo – Não, está dentro de um raio de ação de 100, 150 km.

Mauso – Ainda hoje é uma região rural?

Aleixo – Rural.

Mauso – Os incidentes ufológicos continuam ocorrendo por lá?

Aleixo – Eu parei de viajar, de modo que não posso dizer com absoluta autoridade, mas pelo que estou informado me parece que os incidentes diminuíram drasticamente com minha ausência. Não por causa dela, é apenas uma simples coincidência.

Mauso – Quando o índice de incidentes atingiu o auge?

Aleixo – Foi em princípios da década de 70.

Mauso – Quais os casos de maior impacto que o senhor constatou por lá?

Aleixo – Foram os casos Bebedouro e Vargem Grande, ambos envolvendo tripulantes.

Mauso – Como foi o de Vargem Grande?

Aleixo – Numa madrugada de 1976, em Vargem Grande, no município de Baldim, um disco voador tentou pegar o lavrador e comerciante Ermelindo Coelho da Silva usando quatro ganchos, pendurados por correntes, que saíam da parte inferior. O lavrador foi pego por um dos ganchos e por um pé só foi puxado para dentro de um buraco que existia na parte inferior do disco. Mas ele conseguiu se soltar e caiu no solo, machucando-se. Um pequeno ser surgiu e começou a agredi-lo, querendo levá-lo de qualquer jeito. Ele reagiu e acabou muito ferido. Ante tamanha resistência, o tripulante desistiu e subiu de volta para o aparelho, que desapareceu em seguida.

Mauso – O Bob Pratt escreve a respeito desse caso também. O senhor passou a informação para ele?

Aleixo – Não, ele foi comigo.

Mauso – Ah, ele foi com o senhor. O senhor fala inglês?

Aleixo – Não. Eu leio, mas não falo e não entendo.

Mauso – Como o senhor se comunicava com ele? Por meio de intérprete?

Aleixo – Por meio de intérprete.

Mauso – Refletindo acerca desse caso e entrando na questão dos seres agressivos ou incorpóreos, a que conclusões o senhor chega em termos específicos ou gerais?

Aleixo – Nesse caso, como também no de Bebedouro, a atitude foi predominantemente física.

Mauso – Faça um resumo do Caso Bebedouro.

Aleixo – O soldado do Batalhão de Guardas José Antonio da Silva estava pescando sozinho numa tarde de domingo num lago em Bebedouro, no município de Matozinhos, quando se deparou com dois homenzinhos de pouco mais de um metro de altura. E havia um terceiro, que ele supôs ser o responsável pelo jato de luz que o imobilizou antes do sequestro. Ele foi levado a bordo por um aparelho muito tosco, de aparência muito primitiva, e lá colocaram em sua cabeça um capacete semelhante ao de seus captores. Depois de um tempo que ele não soube precisar, chegaram a um local desconhecido e ele foi introduzido, com os olhos vendados, em uma espécie de salão. Esse salão era grande e não tinha abertura nem focos de luz visíveis. Só havia pinturas retratando coisas nossas daqui da Terra. E havia quatro cadáveres humanos deitados em decúbito dorsal e ali ficaram imóveis durante todo o tempo em que lá esteve. O coronel Praxedes, que era o comandante do Batalhão, o encaminhou para tratamento médico aqui em Belo Horizonte, onde vieram a constatar lesões físicas em seu joelho atingido pela luz.

Mauso – Como o soldado ficou depois disso?

Aleixo – Depois que ele voltou para casa, eu e o Alberto Francisco do Carmo fomos até lá e o encontramos. Ele mesmo atendeu a porta e contou o caso com toda minúcia. Não gravamos dessa vez porque não esperávamos encontrá-lo em casa. Depois voltamos lá e o entrevistamos inúmeras vezes.

Mauso – Isso foi imediatamente depois do sequestro?

Aleixo – Imediatamente depois.

Mauso – Esse caso se tornou mundialmente conhecido.

Aleixo – Primeiro foi publicado pelo doutor Bühler no Boletim da SBEDV e depois foi traduzido para o inglês e publicado na Flying Saucer Review (FSR) e em inúmeras outras publicações.

Mauso – O senhor mantinha correspondência ou intercâmbio com o Gordon Creighton, editor da FSR?

Aleixo – Recebi a FSR durante mais de 10 anos.

Mauso – O senhor conheceu pessoalmente o Creighton?

Aleixo – Infelizmente não.

Mauso – Ele falava perfeitamente o português, não é?

Aleixo – É, e mais sete ou oito idiomas.

Mauso – Também trocava correspondência com ele. Eu escrevia em espanhol. Ele também falava espanhol, inglês, chinês…

Aleixo – Árabe…

Mauso – Exato. Ele tinha sido espião na China, o senhor sabia? Da rainha da Inglaterra. Ele me contou numa carta. Ele espionava para a Inglaterra, na época da Segunda Guerra Mundial.

Aleixo – Ele era diplomata.

Mauso – Exato. Muito boa pessoa.

Mauso – Voltando ao Caso Sagrada Família. Esse é o único da fenomenologia ufológica envolvendo ciclopes ou há outros do gênero?

Aleixo – Há outros com ciclopes de outras aparências. Estatura menor, por exemplo. Pesquisei um em Pedro Leopoldo, perto de Matozinhos. Um rapaz de bicicleta viu algo estranho no meio do mato e foi lá conferir. Aí já se viu dentro de um aparelho estranho, tripulado por ciclopes baixinhos, desnudos, sem capacetes. Ele foi colocado numa cadeira, semelhante à de dentista, e houve uma série de coincidências dentro do aparelho, e ao final ele foi liberado.

Mauso – Esse caso ocorreu em que época?

Aleixo – Foi na década de 60, depois de Bebedouro e bem depois de Vargem Grande.

Mauso – O senhor se lembra do nome do protagonista desse caso?

Aleixo – Não.

Mauso – Gostaria também que o senhor resumisse o Caso Baleia, que é um dos mais importantes.

Aleixo – Um rapaz chamado Fábio Diniz foi abordado por dois tripulantes depois que viu o aparelho pousado no campo de futebol do Hospital da Baleia. Daí o nome do caso. Um dos tripulantes, o que falava e tinha uma antena na cabeça, convocou o Fábio para um retorno ao mesmo local no dia seguinte à mesma hora. E lá foi o Fábio agora já acompanhado por nós, inclusive o comissário de Polícia.

Mauso – Como ele se chamava, era o Hazan?

Aleixo – Esse era o delegado, Hazan. Não me lembro do nome do comissário.

Mauso – E o que aconteceu?

Aleixo – Não aconteceu nada, a menos que não tivéssemos visto. Os seres poderiam estar acompanhando tudo de longe, a grande altitude. Fizemos várias entrevistas com o Fábio. Reconstituímos a cena em que o Fábio se encontrou com os seres, passo a passo, palavra por palavra.

Mauso – A que conclusão o senhor chegou a respeito desse caso?

Aleixo – Concluí que se tratou de um caso autêntico. Os seres transformaram o Fábio numa espécie de refém psicológico desde que ameaçaram levar a família dele embora, caso não comparecesse no dia seguinte. Mas ele compareceu e não aconteceu nada. Também entrevistamos os pais dele, isoladamente e em conjunto.

Mauso – Qual foi a reação dos pais?

Aleixo – De início o pai era céptico. A mãe não. Depois o pai passou a acreditar que algo de anormal tinha acontecido com o filho.

Mauso – Na casa deles não ocorreu nenhum tipo de manifestação estranha?

Aleixo – Não, só a reação dele. O Fábio passou a dormir só de luz acesa. O pai ia lá, apagava, mas ele ia e acendia de novo.

Mauso – Houve vários casos em Jaboticatubas entre 1968 e 1969.

Aleixo – É, principalmente em 1969 e 1970.

Mauso – Quais casos o senhor destacaria?

Aleixo – Muitos, principalmente os transmitidos pelo Dodô, apelido de Joaquim Sales. Ele residia lá, e passou a trocar as noites pelo dia. Quase toda noite ficava de vigília em cima do morro para tentar avistar um OVNI mais de perto.

Mauso – O que foi que ele viu?

Aleixo – Vários objetos, geralmente luzes que se comportavam estranhamente.

Mauso – Lembro-me que o senhor me mostrou numa dessas ocasiões em que aqui estive, umas massinhas dessas de modelagem.

Aleixo – Ia chegar lá se houvesse tempo.

Mauso – O senhor mandava as testemunhas fazer essas esculturas?

Aleixo – Não mandava. À medida que ia conversando e sentia que era oportuno e conveniente, pedia às pessoas para tentarem reproduzir em massa plástica. E as pessoas faziam com mais facilidade.

Mauso – O senhor me mostrou uma vez, achei interessantíssimo. Nunca conheci nenhum ufólogo que tenha feito esse tipo de trabalho com massa de modelagem. O senhor não foi só pioneiro, mas talvez o único. Essas esculturas são de testemunhas do Rio das Velhas?

Aleixo – É, a maioria.

Mauso – São quantas esculturas, umas 50?

Aleixo – Por aí. Infelizmente estão prejudicadas. Algumas se quebraram, terei de recompor.

Mauso – As pessoas tinham habilidade para modelar?

Aleixo – Tinham mais facilidade do que para o desenho.

Mauso – É mesmo? Fico surpreso.

Aleixo – É que eram pessoas mais habituadas ao trabalho manual.

Mauso – Ah, logicamente. Inclusive parece que fizeram até um humanóide. O senhor tinha aí uma cabeça de humanóide.

Aleixo – Tenho também.

Mauso – O que o senhor acha do livro Intervenção Extraterrestre em Fátima (Livraria Bertrand, 1978), dos historiadores Joaquim Fernandes e Fina D’Armada, com quem estive agora em maio?

Aleixo – Eu tenho o livro aí. Negativo. A interpretação deles para mim é furada.

Mauso – Em que sentido?

Aleixo – Político.

Mauso – Por que o senhor discorda?

Aleixo – Eu não estou vendo luz nenhuma acesa aí…

Mauso – É que a luz fica aqui do lado.

Aleixo – Ah sim, ok.

Mauso – Quando o senhor escutar esse barulhinho pi! pi! é porque eu dou a pausa nele. Esta é a pausa. O senhor considera negativa a interpretação. Por que senhor Húlvio?

Aleixo – Ela colide frontalmente com o que eu penso do Caso Fátima. Fernandes e D’Armada como que materializam aquela aparição, atribuindo tudo aos OVNIs, à presença de OVNIs. Eu não acho que eram OVNIs.

Mauso – Qual seria então a interpretação do senhor?

Aleixo – Aquela que eu lhe disse. Era Nossa Senhora mesmo.

Mauso – Era Nossa Senhora que transmitiu as mensagens aos pastorzinhos.

Aleixo – Isso.

Mauso – Uma das mensagens previa a reconversão da Rússia ao catolicismo. E isso seria um dos pedidos da Virgem.

Aleixo – Um dos pedidos principais. A Rússia como flagelo de Deus.

Mauso – Exatamente. Nesse âmbito, o que aconteceu está de acordo com as profecias transmitidas por Nossa Senhora à Irmã Lúcia. O senhor considera Fátima uma das mais importantes aparições?

Aleixo – Considero um evento-chave, que pode explicar outros. Ele esclarece muitas coisas que continuam acontecendo e que aos poucos estão se confirmando. Não se pode marcar dia nem hora. Só Deus-Pai sabe.

Mauso – O senhor reza muito?

Aleixo – Hoje em dia sim.

Mauso – Antes o senhor rezava menos?

Aleixo – Menos do que devia.

Mauso – O senhor reza que preces? Aves-Maria, Pai-Nosso…

Aleixo – Pai-Nosso.

Mauso – E se a pessoa for de outra religião? Também pode fazer o rezo que lhe corresponda?

Aleixo – Pode. É o que eu lhe falei. O importante é que a pessoa obedeça aos 10 mandamentos. Os principais são 10. O resto é acessório.

Mauso – O senhor acredita que o povo hebreu é o eleito de Deus?

Aleixo – É e não é. Em certo sentido, sim.

Mauso – Em que sentido que seria o eleito?

Aleixo – Israel é o país-chave para a compreensão de todo o futuro. Até o fim dos tempos, quando acontecer o chamado Armageddon. E desde já é país-chave na compreensão dos acontecimentos mundiais.

Mauso – O senhor disse que futuramente ou em breve, não sabemos quando, toda essa região em torno de Israel vai desaparecer e somente Israel sobreviverá.

Aleixo – Baseei-me num livro de um judeu-brasileiro, ou abrasileirado, não sei.

Mauso – Qual o nome dele?

Aleixo – Assim de improviso não me lembro. O livro está aí. Tão logo a coisa foi ficando roxa lá, consultei o livro, especialmente o Capítulo IV. E fiquei tão impressionado com a semelhança dos fatos e das profecias que cheguei a escrever um trabalho a esse respeito.

Mauso – Resumidamente o que aconteceria nesse caso, senhor Húlvio?

Aleixo – No fim dos tempos, Israel ficaria isolado, sem armas, ou seja, teria as armas todas transformadas em instrumentos de trabalho. Seria pego de surpresa por tropas persas, alemãs, etíopes e dos países longe de Israel. Mas as tropas de nenhum país vizinho foram citadas nessa primeira fase, que é o fim de uma era. Considero isso muito expressivo. Ao que se saiba, Israel é o único país do Oriente Médio que dispõe de armas nucleares e dos vetores (foguetes) para lançar tais armas. Achei interessante a ausência desses povos, incluindo a Jordânia. A Arábia Saudita e todos os vizinhos não são mencionados como invasores nessa primeira etapa.

Mauso – Israel faria uso dessas armas atômicas?

Aleixo – Eu cheguei a essa conclusão. Eles vão ser provocados até chegarem a esse nível.

Mauso – Bom, isso seria terrível, pois provocaria uma tremenda devastação e a morte de milhões de pessoas.

Aleixo – Todos os países vizinhos, do Mediterrâneo ao Rio Eufrates, virariam deserto. Metade do Iraque seria destruído. Mas Israel não se veria livre do perigo. Por isso mesmo seria pego de surpresa.

Mauso – Bem, isso até poderia ser uma solução rápida para eles, por outro lado teria um custo bastante elevado devido à devastação resultante. Ao mesmo tempo em que encontrariam uma solução imediata para aqueles vizinhos que lhes são inconvenientes, provocariam um desequilíbrio e uma série de problemas terríveis, além da própria morte das pessoas. Israel ficaria com um karma muito pesado, digamos assim.

Aleixo – Com a devastação de toda a circunvizinhança, Israel se veria livre para viver em paz. No fim dos tempos, no fim de tudo, no Armageddon, alguns países árabes iriam atacar Israel juntamente com outros povos, comandados por Gog, de Magog, que muitos interpretam como sendo a Rússia. Talvez o sul da Rússia. Talvez. Aí haveria também o deslocamento do eixo da Terra.

Mauso – E o que aconteceria com os Estados Unidos?

Aleixo – Os Estados Unidos também cairiam. A nação soberba e orgulhosa também cairá, mas devido principalmente a desastres naturais ou até em confronto com a Rússia.

Mauso – E o que aconteceria com a velha Europa?

Aleixo – Completa desfiguração, completa modificação.

Mauso – No panorama geopolítico?

Aleixo – Há países sujeitos a sumir do mapa, e outros sujeitos à desfiguração. A Espanha está entre eles, principalmente as cidades de Barcelona e San Sebastián.

Mauso – Por que essas duas?

Aleixo – Porque são citadas.

Mauso – Quem cita isso?

Aleixo – De improviso eu não me lembro.

Mauso – E o que aconteceria com a China?

Aleixo – Fala-se pouco da China.

Mauso – E o Brasil?

Aleixo – A América do Sul em geral seria poupada de impactos diretos, mas sofreria com impactos indiretos. O que supõe a presença de nuvens radioativas e outras coisas, decorrentes da guerra mundial. Vai atingir principalmente o hemisfério norte. Mas não exclusivamente.

Mauso – Os desenhos eram feitos pelo senhor ou também pelas testemunhas? O senhor pedia às testemunhas que desenhassem?

Aleixo – Quando a situação era oportuna e possível, sim. Nem sempre era possível. Imagine o que é entrevistar uma pessoa no meio da estrada ou no meio do mato.

Mauso – É complicado. O tempo é curto para fazer tudo na vida. Eu tenho 42 anos e vejo que meu tempo está cada vez mais curto. Para fazer tudo só se for na outra encarnação. Pense agora em deixar tudo isso preparado para as próximas gerações, senhor Húlvio. Se o senhor deixar esse material se perder, todo o trabalho do senhor terá sido desperdiçado. Prepare as pessoas, por exemplo, o seu neto que está aqui.

Mauso – O senhor tem conhecimento de aparições de monstros?

Aleixo – Sei da aparição de um monstro perto de Lagoa Santa, distrito de Campinho. A apenas uns 60 km daqui.

Mauso – E quando foi isso?

Aleixo – Há uns três ou 4 anos.

Mauso – Como foi esse caso?

Aleixo – Wellington Martins Oliveira, um rapaz de apenas uns 16 anos, acompanhado de outro, saiu para caçar nos arredores do Morro do Pai Galo, levando sua cartucheira. De repente ele se viu sozinho diante de um ser de aparência monstruosa. Eis o que o desenho dele retrata. Uma criatura com duas asinhas, dois chifres, olhos redondos esbugalhados e nariz comprido, sentada em cima de um morrote de cupim.

Mauso – Você conhece cupim, Cláudio?

Suenaga – Cupinzeiro.

Aleixo – O rapaz jogou a cartucheira no chão, deu as costas e saiu gritando. O amigo dele que o havia levado de carro até a beira da mata, teve a sua atenção despertada pelo barulho do rapaz. Em 27 de novembro de 2004 fiz a segunda entrevista com ele, que reside na Rua Sebastião, nº 3221, em Campinho, Lagoa Santa.

Mauso – Algum outro caso de monstro?

Aleixo – Há um outro em que o monstro andava normalmente flexionando os braços. Ele atravessava muros, cercas…

Mauso – Mas em que lugar isso?

Aleixo – Há três quilômetros desse primeiro, também no município de Campinho. Depois do Rio das Velhas já é outro município, é Jaboticatubas.

Mauso – Quando aconteceu isso?

Aleixo – Foi antes desse caso.

Mauso – Isso não poderia ser uma aparição fantasmagórica ou coisa assim?

Aleixo – Não foi visto nenhum OVNI.

Mauso – Não foi visto OVNI. Só uma entidade “etérea” da cintura para cima. O senhor foi sozinho ou acompanhado para pesquisar esse caso?

Aleixo – Sempre acompanhado. O Marcos Assunção é que estava presente.

Mauso – Quem é o Marcos Assunção?

Aleixo – É um publicitário que mora aqui e tem um barzinho lá.

Mauso – Ah é? Não conhecia.

Aleixo – Acho que vocês esqueceram um exemplar disso aí.

Mauso – Do que?

Aleixo – Desse trabalho completo.

Mauso – Qual exemplar?

Aleixo – Que lhes dei ontem, a você e ao Suenaga.

Mauso – Nós temos, deixamos lá no hotel. Eu gostaria que o senhor fizesse um resumo daquele trabalho que o senhor nos apresentou ontem. A que conclusão o senhor chegou a respeito das intenções dessas entidades, dos seres que nos vêm visitar?

Aleixo – A conclusão a que eu cheguei é que eles todos, a despeito das diferenças, têm algo em comum, que é a evasividade e pelo menos uma certa dose de malignidade. Daí que eu concluo que eles não são amigos. Eles são potencialmente inimigos. E já praticaram atos que confirmam essa malignidade. São inimigos, infelizmente.

Mauso – Como fazer para combatê-los? Há alguma forma?

Aleixo – Humana não vejo. Só abrindo o coração e conversando com Deus. Ele é o único capaz de nos tirar desta confusão. Ou se ele delegar poderes, no caso a Nossa Senhora.

Mauso – O senhor não acredita que também existam entidades benéficas? Não há casos em que os supostos extraterrestres curaram pessoas?

Aleixo – Procurei e não encontrei. A não ser suposições vagas, vagas mesmo.

Mauso – Que sugestão, recomendação ou conselho o senhor daria para todos os ufólogos no que tange ao modo como se encara o Fenômeno OVNI?

Aleixo – O Fenômeno tem de ser visto à luz de Deus, porque fora dela jamais conseguiremos chegar a uma conclusão factível, viável, acreditável ou confiável. E que todos rezem muito.

Mauso – Que conselho o senhor daria àqueles jovens ufólogos que estão se iniciando no assunto?

Aleixo – Que tenham mais cuidado no trato do problema. Primeiro que ele é extremamente complicado. E transcende todas as teorias que já foram apresentadas.

Mauso – Dos ufólogos internacionais, com quem o senhor manteve correspondência?

Aleixo – Gordon Creighton…

Mauso – E Jacques Vallée?

Aleixo – Ia falar com ele…

Mauso – No Brasil o senhor manteve contatos mais estreitos com quem?

Aleixo – Walter Bühler.

Mauso – O senhor era um assíduo colaborador dos boletins da SBEDV. O Bühler fez um trabalho extraordinário de divulgação aí. Ele conseguiu levar seus casos também a outros países, em todo caso.

Aleixo – O que é isso?

Mauso – Esse é um trabalho do Cláudio, ele fez um resumo de vários casos. Aqui tem o Caso Bebedouro… Ele é muito esforçado, fez um trabalho aqui resumindo os casos. Quem são os raptores… Cadáveres humanos, o senhor mencionava cadáveres humanos. É um rapaz muito inteligente, o Cláudio. Ele fez a única tese sobre Ufologia no Brasil… Tudo bem menina?

Neta – Tá tudo bem?

Aleixo – Por enquanto tá, minha filha. Sentado mas de pé.

Mauso – Então Cláudio, seria interessante você passar pro Húlvio a tua tese doutoral, você pode enviar, né. É um trabalho fantástico.

Aleixo – Só não prometo escrever de imediato porque não quero mais me desviar disso não.

Mauso – Agora o senhor tem que concentrar toda a atenção nisso, nesse trabalho que o senhor tá fazendo. Primeiro o senhor tem que se recuperar bem. Isso é fundamental.

Aleixo – Mais de um mês que eu tô assim. Na crise.

Mauso – Posso dar uma bronca no senhor?

Aleixo – Pode.

Mauso – Esse cigarro aí, o senhor vai ter que deixar o cigarro. Ou o cigarro deixa o senhor, ou o senhor deixa o cigarro. Um dos dois, viu? Um dos dois aí. Não pode, senhor Húlvio. Ele vai fumar, é fogo! Seu Húlvio, puxa vida. A esposa do senhor deve lhe dar muita bronca por causa do cigarro.

Aleixo – Só a esposa não, todos.

Mauso – Já cansou até, né? Aí senão fica mais difícil para se recuperar. O médico não falou nada pro senhor?

Aleixo – Todos.

Mauso – Deve ter dado um puxão de orelha aí violento, né.

Mauso – Mostre alguma coisa que o senhor considere importante para fazer um comentário interessante, uma pasta dessas. Aqui são desenhos ou fotografias? Aqui estão os testes psicológicos. Manoel Simões Neves, companheiro de viagem do Húlvio. Ele é vivo ainda? Mora aqui também?

Aleixo – Mora.

Mauso – Em que bairro?

Aleixo – Bairro São Lucas.

Mauso – Quantos anos ele tem atualmente? Uns 60?

Aleixo – Por aí, em torno de 60.

Mauso – E foi com ele que o senhor viajou mais vezes?

Aleixo – Foi.

Mauso – O senhor dizia que o senhor Manoel Simões Neves foi um de seus maiores companheiros de viagem. Ele acompanhou muito o senhor na região do Rio das Velhas? É isso?

Aleixo – Em todo lugar que eu ia, o Manoel estava quase sempre presente e participante. E dando a cobertura fotográfica. Que ele conhece bem fotografia, métodos e equipamentos antigos. Ele me dava cobertura. Tenho aqui um  monte de slides. Uns três mil ou mais.

Mauso – Era ele quem fazia as fotos?

Aleixo – É, ele dava cobertura sempre quando podia.

Mauso – De forma solidária, porque ele gostava realmente disso? Ele não cobrava por essas fotos?

Aleixo – Não. Pelo contrário. Ele fazia tudo de graça.

Mauso – Ele fazia cópias do material também? Ele fazia cópias desses slides?

Aleixo – Não, ele entregava tudo.

Mauso – E ele se dedicou também a escrever sobre ufologia, ou não?

Aleixo – Não. Não se interessa. A esse ponto não.

Mauso – Quem mais acompanhou o senhor além do Alberto do Carmo nas viagens?

Aleixo – Não vou citar nomes porque tenho receio de ser injusto.

Mauso – O CICOANI, no momento de maior auge, chegou a ter quantos membros?

Aleixo – Mais de 100.

Mauso – Mais de 100 membros?

Aleixo – Depois foi reduzindo, por ausência de contágio.

Mauso – Os slides foram feitos a partir de que época? Devem ser mais recentes, suponho.

Aleixo – Os primeiros foram feitos pelo Alberto a partir de 1969 ou 70. A partir daí o Alberto teve que ir embora do Brasil e o Manoel ficou ativo nesse campo.

Mauso – O participante mais ativo do seu grupo, que o senhor se lembre, quem foi? Foi o próprio Manoel Simões Neves, ele foi um dos mais ativos?

Aleixo – Foi, bem ativo.

Mauso – O senhor fazia reuniões aqui nesta casa?

Aleixo – Raramente.

Mauso – Fora o senhor, alguém mais fazia?

Aleixo – Raramente.

Mauso – Eram muito frequentadas essas reuniões?

Aleixo – O grupo remanescente contava com cerca de 40 pessoas. Desse remanescente, os velhos que persistiram, e os novos que aderiram, chegou-se a um contingente de cerca de 40 a 50 pessoas. Cada um com interesses próprios, com sua adesão limitada às circunstâncias.

Mauso – O senhor também tem fitas de rolo…

Aleixo – Gravei em fitas de rolo mas não tinha equipamento para ouvi-las. Mas achei uma pessoa muito hábil que está passando tudo para CDs.

Mauso – Ele conseguiu fazer isso? É um milagre. Como se chama o rapaz que está fazendo isso, senhor Húlvio?

Aleixo – O nome dele não sei, o apelido é Lui.

Mauso – Ele é daqui de Belo Horizonte?

Aleixo – É.

Mauso – Bacana isso, é importante. Porque dessa forma se perpetuam. Cada CD dura mais de 100 anos. Depois isso pode ser copiado e dura mais 100 anos. Uma obra fantástica. Nesse armário nas costas do senhor, o que tem?

Aleixo – Aí tem variadas coisas, inclusive mapas para me orientar no campo.

Mauso – Teve que lançar mão desses mapas?

Aleixo – Às vezes sim.

Mauso – O senhor conhece orientação então, logicamente.

Aleixo – Conheço mais navegação aérea. Dever de ofício. Mas conheço um pouco de orientação terrestre também.

Mauso – Isso é importante, caso o senhor esteja viajando por aí. O senhor nunca fez uma pesquisa fora de Minas Gerais?

Aleixo – Esporadicamente eu fui à Bahia. Fiz palestras. Fiz muitas palestras, mais de 200.

Mauso – Mais de 200 palestras na Bahia?

Aleixo – Não, ao todo. Da Bahia para baixo mais de 200.

Mauso – E o senhor nessas viagens aproveitava para pesquisar também?

Aleixo – Sempre que surgia oportunidade. Mas não eram frequentes não.

Mauso – Cite um caso que o senhor tenha pesquisado fora de Minas Gerais.

Aleixo – Varredura, de junho de 1972, por exemplo. Varredura é uma pequena onda, pequena e de rápida concentração.

Mauso – Onde aconteceu isso?

Aleixo – Aqui em Belo Horizonte, abrangendo parte da Bahia e do Rio de Janeiro.

Mauso – Eu não entendi. O que é isso? Varredura?

Aleixo – É um termo que criei para distinguir das ondas. Eu chamo de ondas aquela presença mais freqüente que ocorre em zonas mais abrangentes. Transoceânicas até. Então, para distinguir dessas ondas, inventei o termo. Não sei se está correto ou não. De qualquer forma, esse termo, varredura, alude a uma varrida ou vassourada sobre uma região.

Mauso – O senhor esteve muitas vezes em São Paulo?

Aleixo – Muitas, para participar de colóquios.

Mauso – E esses contatados e abduzidos de São Paulo, o senhor chegou a conhecer algum?

Aleixo – Só do Rio de Janeiro.

Mauso – Quem o senhor conheceu lá do Rio?

Aleixo – É citado pelo Bühler, é mencionado e detalhado pelo Bühler.

Mauso – O senhor foi na casa do Aladino Félix, em São Paulo?

Aleixo – Lá no Itaim Bibi, sei lá.

Mauso – Isso foi nos anos 60, né?

Aleixo – Na década de 70.

Mauso – Que opinião o senhor teve dele lá?

Aleixo – Eu achei confuso. Principalmente depois.

Mauso – Dino Kraspedon. Ele assinava com vários pseudônimos.

Aleixo – Aladino Félix, Dino Kraspedon, mais outro nome que esqueci.

Mauso – E aquela história de que ele viaja num disco voador a outro planeta é verdadeira ou é uma fábula?

Aleixo – Não acredito não.

Mauso – Mas o João Freitas Guimarães, sim, parece.

Aleixo – Ele não foi a outro planeta.

Mauso – Exato, perdão. Ele viajou num OVNI, deu uma volta aqui na Terra mesmo, né. O senhor se lembra desse caso?

Aleixo – Perfeitamente não, mas tem tudo aí. Os artigos de João Martins principalmente, da revista O Cruzeiro.

Mauso – O senhor conheceu pessoalmente o João Martins?

Aleixo – Conheci.

Mauso – Era boa pessoa?

Aleixo – Boa pessoa. Confiável. Um grande profissional, jornalista. Diferente dos que estou vendo por aí.

Mauso – O senhor sabe que o acusaram de ter falsificado, ele e o Keffel, as fotos da Barra da Tijuca? O senhor acredita que foi uma falsificação ou que as fotos são verdadeiras?

Aleixo – Eu fico em cima do muro. Acreditei e acredito muito no João Martins.

Mauso – E o caso do Almiro Baraúna?

Aleixo – Só através de bibliografia que acompanhei. Segunda-feira virá o Bernardo, sobrinho-neto que levará também esse material.

Mauso – O Suenaga também está se dedicando a resgatar a memória da ufologia brasileira. O nosso objetivo é esse, colaborar para que as pessoas que certa forma engrandeceram a ufologia não sejam esquecidas.

Fotos da “Caverna” de Húlvio, com seus arquivos e biblioteca.

“Pioneiro Húlvio Brant Aleixo: Uma vida dedicada à descoberta e investigação da casuística ufológica mineira”, in UFO, Campo Grande (MS), Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV)/Mythos Editora, janeiro de 2008, nº 138, Ano 24, Diálogo Aberto, p.8-15.

Entrevista concedida a Cláudio Tsuyoshi Suenaga e Pablo Villarrubia Mauso, consultores da Revista UFO.

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