Herbert Schirmer, o patrulheiro que foi o primeiro abduzido por um reptiliano

O patrulheiro Herbert Schirmer (1945-2017), um veterano da Marinha de Ashland, cidade do condado de Saunders, Nebraska, cujo pai era oficial de carreira da Força Aérea dos Estados Unidos [United States Air Force (USAF)], viveu uma experiência que agrega tanto características clássicas da abdução como do vampirismo, desde a mancha vermelha no pescoço a fortes dores de cabeça e até a ausência parcial de memória. O aspecto mais significativo desse rico caso, no entanto, é a tipologia reptiliana do alienígena, ainda mais por ter sido descrita três décadas antes que David Icke chamasse a atenção para ela. Ao que consta, foi o primeiro caso de abdução por um reptiliano da história.

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

“Guarda, um dia você verá o Universo!” (Promessa do operador-chefe reptiliano ao patrulheiro Schirmer)

Herbert Schirmer era um jovem patrulheiro de apenas 22 anos que havia ingressado na Marinha aos 17 anos e servido no Vietnã, embora não apoiasse a guerra.

No início da madrugada de 3 de dezembro de 1967, Schirmer sentiu que algo estava errado. Cães uivavam na escuridão. Um imenso touro escoiceava e forçava o portão de um curral. Examinou cuidadosamente a área com seu farolete, mas nada encontrou.

Às 2h30, quando trafegava pela Rodovia 63, ao se aproximar do cruzamento, avistou à sua frente um objeto com uma série de luzes chamejantes pairando parcialmente acima da rodovia e do acostamento. Pensando que se tratasse de um caminhão, parou a cerca de 10 metros de distância e acendeu os faróis altos de sua viatura. Schirmer pôde então discernir que o objeto era elegante e metálico. “Muito brilhante”, ele disse mais tarde, “como se você limpasse o para-choque de um carro”.

Era um disco oblongo, com cerca de 6 metros de largura e 6 de altura. Pelas vigias externas, o patrulheiro podia ver luzes vermelhas piscando dentro da nave. A espaçonave em forma de bola de rugby começou a subir até ficar a cerca de 15 metros do chão. Começou então a emitir “um bipe alto que se tornou mais rápido, mais alto e mais estridente”. “De repente”, disse Schirmer, “a nave disparou um feixe vermelho-alaranjado em direção ao solo e desapareceu rapidamente”.

Schirmer retornou ao Posto Policial às 3 horas da manhã e escreveu no livro de ocorrências: “Às 2h30 da madrugada de 3 de dezembro de 1967, eu vi um OVNI na conexão das Rodovias 6 e 63. Acredite ou não.”(“At 2:30 a.m. December 3, 1967, I saw a UFO at the junction of (U.S. Highway) 6 and (Nebraska Highway) 63. Believe it or not.”) Ou seja, Schirmer havia perdido cerca de 20 minutos entre o momento em que viu a espaçonave e chegou à estação.

Ao retornar para casa naquela manhã, começou a sentir uma intensa fraqueza corporal – como se a energia de seu corpo tivesse sido drenada – dor de cabeça e a ouvir uma espécie de zunido que não o deixaram dormir. Surgiu uma mancha vermelha em seu pescoço, abaixo da orelha esquerda.[1]

Schirmer começou a contar aos colegas o que tinha visto. À medida que a história ia se espalhando, muitos o questionavam, no que se ofereceu para fazer um teste no detector de mentiras. O chefe de polícia de Ashland, William Wlaschin, relatou ao The World-Herald, à época, que  Schirmer havia sido aprovado. Além disso, alguns moradores de Ashland também relataram ter visto estranhas luzes no céu em 3 de dezembro.

Mesmo assim, muitos zombavam de Schirmer e até lhe passavam trotes por telefone, dizendo serem de Marte. Um historiador que morava perto do local do contato, Donald Graham, avaliou que as luzes que Schirmer avistara provavelmente haviam sido causadas por um fenômeno natural: um simples reflexo dos faróis dos caminhões nas camadas de neblina. A área tinha um histórico de avistamentos sobrenaturais, sustentava Graham, derivado de uma lenda nativa que sustentava que era atormentada por espíritos.

Durante três anos, Schirmer padeceu de fortes dores de cabeça que duravam horas e não eram aliviadas nem com aspirina.[2]

No início de 1968, o céptico Comitê Condon, da Universidade do Colorado, resolveu submetê-lo à hipnose. Schirmer, até então, não tinha a menor ideia de que era um abduzido. Em uma sessão de quatro horas, Schirmer foi hipnotizado e questionado sobre sua visão.

Em seu relato ao Comitê Condon, Schirmer disse que antes de partir, os seres alienígenas prometeram que entrariam em contato com ele dentro de um ano.

Os investigadores do Comitê Condon não encontraram vestígios materiais da espaçonave, tampouco traços de radioatividade.

Embora um psicólogo que examinou Schirmer tenha concluído que o patrulheiro acreditava sinceramente nos eventos que ele descrevera, os investigadores finalmente declararam que, apesar de terem confirmado o hiato de 20 minutos em seu relatório policial, “não acreditavam que a experiência OVNI relatada tivesse sido fisicamente real”.

Sob hipnose, Herbert Schirmer, à esquerda, disse que não apenas viu o OVNI, como embarcou nele e encontrou um alienígena. O chefe de polícia de Ashland, William Wlaschin, à direita, também participou da sessão de hipnose. Fonte: The World-Herald.

O Comitê Condon mais tarde aplicaria a mesma lógica aos demais casos de OVNIs que pesquisou, concluindo em 1968 que “nada veio do estudo do Fenômeno OVNI nos últimos 21 anos que adicionou algo ao conhecimento científico”.

Depois da sessão em Boulder (Colorado), Schirmer retornou a Ashland e foi promovido, tornando-se o chefe de polícia mais jovem do Meio Oeste. Entretanto, ficou no cargo por apenas dois meses, renunciando por não conseguir concentrar-se no trabalho: “Ficava pensando sobre o que realmente tinha acontecido naquela noite. Minhas dores de cabeça pioraram. Devorava aspirinas como se fossem pipocas.”[3]

Naqueles dias e semanas, ele procurava conselhos de amigos e familiares. Por recomendação dos colegas, procurou o escritor Eric Norman (pseudônimo de Warren Smith), que havia escrito diversos artigos sobre OVNIs. Este, por sua vez, contatou o hipnólogo Loring G. Williams, que agendou para 8 de junho de 1968 uma sessão em seu consultório em Des Moines, capital e a maior cidade do estado de Iowa.

Schirmer conseguiu lembrar-se de quase todos os detalhes. O OVNI era esférico e tinha um brilho prateado ao redor e luzes piscantes na parte inferior, o que lhe conferia um aspecto de árvore de Natal. Três pernas de aterrissagem afixaram-se no solo.

Vários seres desembarcaram e cercaram o carro de patrulha. Um deles apontou uma espécie de arma brilhante e disparou um raio hipnótico em Schirmer, que, impelido a sair do veículo, caminhou em direção à nave. Um círculo se abriu por baixo dela e uma escada foi baixada. Tanto a escada de metal quanto o interior da nave eram frios. O humanóide saiu da espaçonave e se aproximou dele em sua viatura policial. Ele cutucou o policial com algum tipo de instrumento e depois perguntou: “Você é o vigia desta cidade?” E a resposta de Schirmer foi: “Sim, senhor.” E ele disse: “Venha comigo, vigia”.

O ser o levou a bordo para um passeio pela espaçonave, que tinha pelo menos dois níveis e estava cheia de luzes, interruptores, cabos e outros instrumentos. Às vezes o ser parecia se comunicar telepaticamente com palavras que Schirmer não entendia. Uma grande quantidade de dados ou “instruções resumidas” foram transmitidos diretamente à sua mente. Schirmer calcula que permaneceu no máximo 15 minutos a bordo. [4]

A sala no interior do disco media 8 metros por 7. A luz saía das fendas do teto, de 2 metros de altura. Diante de um “painel de controle”, havia duas cadeiras de encosto triangular, e acima do painel, uma imensa “tela de televisão”. Janelas circundavam as laterais.

A nave, conforme lhe foi informado, havia ido a Ashland para recolher eletricidade. Schirmer viu quando um outro tripulante a bordo da nave apertou alguns botões e uma antena começou a absorver eletricidade das linhas de energia próximas.

Os tripulantes mediam cerca de 1,50 metros de altura e usavam uniformes inteiriços cinza-prateados colados ao corpo, botas e luvas. Os uniformes cobriam as cabeças finas e compridas, à guisa de capuz ou capacete. Do lado esquerdo da cabeça, havia uma pequena antena.

O mais significativo era o emblema no lado esquerdo do peito: uma serpente com asas, símbolo antiquíssimo utilizado por diversas culturas pagãs do planeta e que se refere ao antigo deus e legendário soberano do México, Quetzalcoátl (A Serpente Emplumada), que veio do leste trazendo ao povo as ciências, o calendário, as artes, o governo e as leis. A pele de seus rostos era bastante enrugada, de tez branco-acinzentada. O nariz era achatado e a boca apenas uma fenda que não se movia. Os olhos, ligeiramente oblíquos, não piscavam. As pupilas, dilatadas e apertadas, semelhantes as de um réptil, aparentemente funcionavam como uma “lente de câmara fotográfica”.[5] Schirmer fez um desenho detalhado do “chefe dos operadores” da nave. A abertura do rosto, em forma de ogiva, confere-lhe uma aparência gótica e severa.[6]

A aparência gótica e severa do reptiliano que abduziu o patrulheiro Herbert Schirmer.
Detalhes dos computadores da nave segundo Herbert Schirmer.

“Ele está me perguntando se eu gostaria de ver como algumas de suas coisas funcionam. Eu tento dizer não, porque desejo ir para casa, mas algo me faz dizer sim. Ele me mostra coisas que parecem computadores. Ele aperta um botão e as fitas começam a correr.”[7]

O “operador-chefe” revelou que vinham de uma galáxia próxima e que possuíam bases em Vênus, em outros planetas e nos Estados Unidos, uma das quais abaixo da costa da Flórida.

A nave era movida por “reversão eletromagnética”: “Um rotor de cristal no centro do disco foi ligado a duas imensas colunas… Ele explica que são reatores… Invertendo a energia elétrica, controlam a matéria e superam as forças da gravidade…” As naves eram construídas com magnésio puro, lembrando que um pedaço de tal magnésio foi recolhido por pescadores logo após a explosão de um OVNI em setembro de 1957 numa praia da cidade de Ubatuba, litoral norte de São Paulo.

Por fim, o operador olhou diretamente nos olhos de Schirmer e ordenou: “Você não contará a ninguém que esteve a bordo. Dirá apenas que viu a nave aterrissar e ascender ao céu.”

O patrulheiro entrou no carro e retornou ao Posto Policial em Ashland, aonde chegou às 3 horas. No livro de ocorrências registrou os fatos da última meia hora: “Vi um disco voador na conexão das Rodovias 6 e 63”. Hesitou um pouco antes de acrescentar: “Acredite ou não”.[8]

Um ponto significativo a destacar é que, ao sair do carro patrulha, o operador teria lhe perguntado: “Você é o guarda deste lugar?” Ao atingirem a parte superior do disco, o operador prometeu: “Guarda, um dia você verá o Universo!” Schirmer tomou a frase como a mais importante de sua vida.[9]

No local de pouso da nave, um campo lamacento não-arado perto da rodovia, Warren Smith encontrou três perfurações. A grama ficara torcida e emaranhada.[10]

O caso do patrulheiro Schirmer foi amplamente coberto pela imprensa e pesquisado por inúmeros ufólogos. Schirmer se tornou uma lenda e o seu relato se tornou clássico, enraizando-se no folclore norte-americano. De tão influente, não seria exagero dizer que o fenótipo do ET reptiliano teria em grande parte nascido com ele.

Schirmer finalmente deixou Ashland, vivendo por um tempo no noroeste do Pacífico. Ele continuou a ser manchete em Omaha durante os anos 70, quando o The World-Herald retomou seu caso em especiais de TV e livros sobre OVNIs.

Ao longo dos anos, Schirmer passou a ver sua experiência de uma perspectiva religiosa, um sentimento que pode ter sido reconfortante diante de fatos tão perturbadores.

Certa vez, Schirmer perguntou a seu pai, um veterano da Força Aérea, se ele acreditava em OVNIs. “Meu pai nunca disse que não, e ele nunca disse que sim. Ele apenas disse ‘Filho, se você está dizendo a verdade, fique com ela'”, disse Schirmer. “E então eu fiquei com isso.”

Schirmer faleceu em 2017.

Notas:

[1] Blum, Ralph & Judy. Toda a Verdade sobre os Discos Voadores, 2ª ed., São Paulo, Edibolso, 1976,  p.115-116

[2] Vallée, Jacques, Confrontos, São Paulo, Best Seller, s.d., p.176.

[3] Blum, Ralph & Judy, op.cit., p.115-116

[4] Ibid., p.116-119

[5] Ibid., p.119-120

[6] Vallée, Jacques, op.cit., p.177

[7] Blum, Ralph & Judy, op.cit., p.120

[8] Ibid., p.119-120

[9] Vallée, Jacques, op.cit., p.177

[10] Blum, Ralph & Judy, op.cit., p.120.

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