Seria o HAARP uma arma geofísica de Tesla capaz de provocar terremotos e até de controlar a mente humana?

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Teria sido o Sismo e Tsunami de Sendai, o Grande Terremoto do Leste do Japão em 11 de março de 2011, assim como outros “desastres naturais” do gênero que têm devastado várias partes do mundo desde o início do século XXI com uma frequência e intensidade jamais vistas – e nos últimos dias ocorreram uma sequência de fortes terremotos, dois deles ao longo do Anel de Fogo do Pacífico (que se estende da Antártica ao sul da Nova Zelândia via Papua, Indonésia, Filipinas, Taiwan, Japão, as ilhas Kurilas e Aleutas), na ilha de Lombok, na Indonésia, em 5 de agosto, com uma magnitude de 7, e nas ilhas Fiji, em 9 de agosto, com uma magnitude de 8,2, sem contar o de 7,3 na costa da Venezuela, em 21 de agosto, e o de 7,1 na fronteira entre o Peru e o Brasil, em 24 de agosto – desencadeados por uma “arma do juízo final” geofísica eufemisticamente chamada de HAARP (acrônimo para High Frequency Active Auroral Research Program, ou Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência)?

Seria o HAARP a mais diabólica e poderosa arma já fabricada pelo homem? Seria o HAARP capaz, como alegam os conspiracionistas, de influenciar a baixa atmosfera terrestre, modificar o clima – causando desde secas a tempestades e inundações devastadoras, furacões, ciclones, tornados e outras catástrofes –, afetar a geologia – desencadeando terremotos, maremotos e tsunamis – e até controlar a mente humana – mediante o bombardeio de ondas de frequência extremamente baixas, na mesma faixa de frequência que o cérebro humano opera? Ou, como oficialmente se alega, seria apenas um dispositivo capaz de criar uma pequena zona de ionosfera artificial para refletir as ondas de rádio ou transmissões de ondas curtas e estendê-las a distâncias maiores ao redor do globo sem perda de potência?

Administrado pelo Pentágono e financiado pela Força Aérea dos Estados Unidos [United States Air Force (USAF)], Marinha (U.S. Navy), Universidade do Alasca (University of Alaska) e pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa [Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA)], o HAARP foi ativado em 1993 com o propósito oficial de “entender, simular e controlar os processos ionosféricos que poderiam mudar o funcionamento das comunicações e sistemas de vigilância”.

Ao emitir uma energia radiada efetiva, por padrão, de 5.1 GW (Gigawatts) ou 97.1 dBW (decibel Watt, energia de radiofrequência) – potência muito maior do que qualquer outro experimento similar – de maneira geométrica de seu campo de 180 antenas com 72 metros de altura cada – organizadas em quinze colunas por doze linhas cada trabalhando todas em conjunto e controlando sua direção – no Alasca (ao norte de Gakona e a oeste do Wrangell-Saint Elias National Park), o HAARP geraria um efeito de micro-ondas, aquecendo a ionosfera (a camada eletricamente carregada que está acima da atmosfera, a uma altitude entre 100 e 350 quilômetros), que por sua vez funcionaria como um espelho, devolvendo as ondas eletromagnéticas – concentradas em uma massa de dezenas de quilômetros de diâmetro sobre um lugar – com muito mais força para a terra.

Essas ondas, na frequência de transmissão entre 2,8 e 10 MHz, acima das emissões de rádio AM e abaixo das frequências livres, penetrariam em tudo, até mesmo nos corpos dos seres vivos, podendo romper as funções mentais humanas e afetar os padrões de migração de peixes e animais selvagens que dependem do campo energético para se orientarem. Direcionada para pontos específicos, poderiam aquecer a água das placas tectônicas ou influenciar as correntes frias e quentes, criando o tipo de desastre ou condição climática desejada.

Os cientistas envolvidos no programa procuram minimizar esses efeitos – qualificados de “vandalismo global” –, alegando que a intensidade do sinal de alta frequência na ionosfera é de menos de 3 µW/cm2, dezenas de milhares de vezes menor, portanto, que a radiação eletromagnética natural que chega à Terra procedente do Sol e centenas de vezes menor que as alterações aleatórias da energia ultravioleta (UV) que mantém a ionosfera. Os gastos com energia para manter o HAARP funcionando em potência máxima ficam em pouco mais de US$ 4 mil a hora, uma pechincha tendo em vista os resultados obtidos.

Em 1999, o Parlamento Europeu emitiu uma resolução onde afirmava que o Projeto HAARP manipulava o meio ambiente com fins militares. Em 2002, o Parlamento Russo apresentou ao presidente Vladimir Putin um relatório – assinado por noventa deputados dos comitês de Relações Internacionais e de Defesa – qualificando o HAARP como uma nova “arma geofísica” capaz de manipular a baixa atmosfera terrestre, inclusive seres humanos.

Menos conhecidas são as várias estações do HAARP espalhadas ao redor do mundo, entre elas a MU Radar, estação de 1 MW em Shigaraki, no Japão; o HIPAS (High Power Auroral Stimulation), estação de 70 MW no Alasca; o Sura Ionospheric Heating Facility, estação de 190 MW perto da cidade de Vasilsursk, no centro da Rússia; e o EISCAT (European Incoherent Scatter Scientific Association), estação de 1 gigawatt em Tromsø, norte de Noruega.

Mapa indicando as estações do HAARP ao redor do mundo.

O HAARP atende a vários fins militares, como provocar blecautes e panes em equipamentos eletrônicos, perturbar sinais de telecomunicações e radares, detectar mísseis e aviões furtivos, sondar bases subterrâneas, etc.

As ondas radioelétricas irradiadas na ionosfera são por ela refletidas de volta à superfície da Terra e penetram vários quilômetros no solo realizando uma profunda sondagem e captando reflexos por meio de antenas das ondas que se irradiaram do solo para a ionosfera. A análise dos dados obtidos permite então que se faça uma topografia virtual penetrante, um autêntico raio X do subsolo.

O HAARP pode detectar aeronaves furtivas (stealth) ao analisar as variações em uma grande faixa de sinais de rádio que ocorrem quando as ondas radioelétricas refletem em regiões da ionosfera inferior e superior que neste caso desempenham o papel de lentes virtuais ou espelhos no céu. A comunicação entre estações em terra e submarinos é feita enviando ondas de alta potência para a ionosfera que refletem as ondas ELF a grandes distâncias e até o fundo dos oceanos.

O HAARP pode atuar como um escudo antimísseis de alcance global ao causar falhas nos sistemas de orientação eletrônica de mísseis e aeronaves, aquecendo-os ou perturbando-os à medida em que voam por dentro de um poderoso campo eletromagnético.

As aplicações mais temidas do HAARP, tendo em vista os potenciais efeitos destrutivos gerados, estão em sua suposta capacidade de alterar drasticamente o clima – mediante a utilização de um raio eletrônico para ionizar ou deionizar a atmosfera em determinada área – e a geologia. A composição molecular de certa região da ionosfera pode ser modificada temporariamente pela excitação dos elétrons e íons com energia radioelétrica focalizada, o que leva ao aumento artificial das concentrações de ozônio, nitrogênio, gases, etc. e consequentemente ocasiona a alteração do clima da região. O HAARP atua portanto como um “aquecedor” ionosférico da mesma maneira que um forno de micro-ondas doméstico ao aquecer a comida excitando suas moléculas de água com energia radioelétrica de micro-onda.

O HAARP pode desencadear terremotos em qualquer ponto do planeta ao irradiar em uma trajetória específica a frequência de ressonância de um terremoto na ionosfera que reflete essa frequência de volta para a superfície da Terra e a faz penetrar vários quilômetros no solo perturbando o fluxo de magma e da crosta. Uma transmissão de curta duração não é o suficiente para perturbar a matéria sólida, sendo por isso necessário a transmissão da frequência na área-alvo durante vários dias até o terremoto ser desencadeado.

Baseados em documentos a que alegaram terem tido acesso privilegiado, a jornalista Jeane Manning e o médico, ativista político, pesquisador, editor e escritor Nick Begich Jr., filho mais velho do senador democrata pelo Alasca (de 1962 a 1970) Nick Begich (1932-1972) e irmão de Mark Begich, igualmente senador pelo Alasca (de 2009-2015), lançaram em 1995 o livro Angels Don’t Play This HAARP: Advances in Tesla Technology (Eagle River, Alaska, Earthpulse Press), trocadilho para “Os Anjos Não Tocam Esta Harpa”, um dos primeiros a abordar o programa e a atribuir-lhe poderios fantásticos, como os de, além dos já mencionados, fazer a Terra sair de seu ciclo normal de rotação; redirecionar as correntes de ar na atmosfera; magnificar e focalizar a luz solar, um efeito chamado de skybusting, processo este que poderia abrir buracos nas camadas protetoras de ozônio; provocar explosões da mesma magnitude de uma bomba nuclear, mas sem radiação. Com essa arma, protegida pela patente 4.873.928, seria possível atacar alvos com grandes explosões, mas sem lançar mísseis com ogivas nucleares, dispensando o uso de aviões ou porta-aviões.

Todavia, a questão que remanesce é: se o HAARP vem sendo usado para ataques de forma sincrônica tornando obsoletas todas as armas convencionais, por que estas continuam a ser fabricadas e usadas em larga escala em conflitos e guerras regionais? Para justificar este aspecto incoerente e ilógico presente na maioria das teorias conspiratórias, só mesmo uma outra teoria conspiratória: a de que a indústria armamentista tem os seus próprios interesses econômicos.

Uma coisa é certa: graças ao HAARP, o conhecimento científico da dinâmica ionosférica foi extremamente aperfeiçoado, tanto que poderia vir de fato a ser usado em operações eletromagnéticas, como a guerra de baixa frequência, desempenhar o papel de um escudo antimísseis impenetrável ou raio da morte, de um disruptor das comunicações globais, além de prestar-se a um sem número de aplicações.

Nos últimos anos de sua vida, à medida que se mudava de hotel para hotel, fugindo de suas dívidas, o inventor, engenheiro mecânico e eletrônico sérvio naturalizado norte-americano Nikola Tesla (1856-1943) muitas vezes deixava para trás valises com suas anotações e diagramas de invenções não acabadas. Rumores dizem que após sua morte, o governo dos Estados Unidos confiscou boa parte desses documentos que continham projetos de novos armamentos, entre eles uma “muralha de defesa invisível” baseada no princípio de que a energia poderia operar através de um feixe de um centésimo de milionésimo de centímetro quadrado de diâmetro e ser gerado a partir de uma usina especial de baixo custo que levaria apenas cerca de três meses para ser construída.

É bastante provável que grande parte da tecnologia HAARP derive dos trabalhos do misterioso e excêntrico Tesla devidamente atualizados e melhorados, construída sobre os mais recentes conhecimentos científicos do século XXI. Tesla concebeu uma “muralha de defesa invisível” baseada no princípio de que a energia poderia operar através de um feixe de um centésimo de milionésimo de centímetro quadrado de diâmetro e ser gerado a partir de uma usina especial de baixo custo que levaria apenas cerca de três meses para ser construída.

Projetada por Tesla em 1898, a Torre Wardenclyffe de rádio-transmissão transatlântica de alta potência, uma estrutura em treliça de 18 andares, começou a ser construída em 1901 no estuário de Long Island, uma ilha no estado de Nova York. Os recursos vieram de mega indústrias, entre eles John Pierpont Morgan (1837-1913), o principal investidor que entrou com US$ 150 mil (mais de US$ 3 milhões atuais). Em 1903, Tesla ainda não havia concluído o projeto, e como o físico e inventor italiano Guglielmo Marconi (1874-1937) já estava fazendo transmissões de rádio transatlânticas regulares com equipamentos muito menos dispendiosos, os investidores pararam de financiá-lo. Tesla tentou persuadi-los revelando sua capacidade de transmitir eletricidade sem fios (wireless), mas a perda do suporte de Morgan em 1903 gerou o “pânico do homem rico” em Wall Street, cessando qualquer investimento adicional. Para piorar, em 1905 as patentes do Motor de Corrente Alternada e outros métodos de transmissão elétrica expiraram, e sem os pagamentos dos royalties, Tesla ficou em situação difícil. O projeto ainda aguentou mais alguns meses graças a um invento que lhe rendeu uma considerável quantia, a sua Bobina, chamada depois de Bobina de Tesla. Mas essa renda não foi o suficiente para levar o projeto adiante. Em 1911, a torre começa a se deteriorar devido ao abandono. Entre 1912 e 1915, os jornais noticiaram que Tesla estava falido. Os investidores ficaram sem retorno, e Tesla entrou em um estado de profunda depressão. A torre acabou demolida em 1917.

Um dos resultados mais evidentes do HAARP é a criação de luzes no céu semelhantes a auroras, cortinas brilhantes de luz que aparecem naturalmente nos céus polares quando elétrons e outras partículas carregadas emanam da magnetosfera protetora da Terra em direção à atmosfera mais alta. Lá, a uma altitude de cerca de 250 quilômetros, as partículas carregadas colidem com moléculas de oxigênio e nitrogênio emitindo luz, processo semelhante ao que ocorre no interior de uma lâmpada fluorescente. As ondas de rádio de alta frequência do HAARP podem acelerar elétrons na atmosfera, aumentando a energia de suas colisões e criando um brilho. A técnica havia previamente provocado pontos de luz a uma potência de quase 1 megawatt. Mas desde que a potência subiu para 3,6 MW – cerca de três vezes mais do que um transmissor radiodifusor típico –, auroras artificiais completas ficaram visíveis a olho nu.

Em fevereiro de 2009, o HAARP fez surgir faixas luminescentes irregulares, admitiu Todd Pedersen, físico do Laboratório de Pesquisa da USAF, em Massachusetts, que liderava a equipe que conduziu o experimento. A equipe fez modelos de como a energia enviada aos céus do conjunto de antenas do HAARP provocaria essas formas estranhas. Eles determinaram que as áreas do alvo com padrões de luz estranhos eram regiões de gás mais densas, parcialmente ionizadas, conforme indicou um radar de alta frequência usado para monitorar a ionosfera a partir do solo. Os cientistas acreditam que essas porções mais densas de plasma possam ser gás que foi ionizado pelas emissões do HAARP. “Essa é a parte realmente excitante. Conseguimos criar um pequeno pedaço artificial de ionosfera”, comemorou Pedersen. “A novidade não é ver a aurora, mas sim o fato de que podemos realmente criar elétrons de alta energia suficientes para formar plasma”, sublinhou Mike Kosch, da cátedra de Ciência Espacial Experimental da Universidade Lancaster, Inglaterra, que já trabalhou com Pedersen mas não esteve envolvido no experimento. “Isso mostra algo completamente diferente e novo, que não esperávamos. Não sabíamos o que era possível fazer com emissões de rádio a partir do solo”, completou Kosch. Os resultados da equipe foram publicados no periódico Geophysical Research Letters.

Fenômenos atmosféricos incomuns como esses, interpretados pelos religiosos como “sinais no céu”, têm sido vistos e documentados em várias partes do mundo. Provocados pelo HAARP?

No início de março de 2010, o HAARP criou com o disparo de suas ondas de rádio dirigidas a área mais exterior da atmosfera, uma porção de “ionosfera artificial”. A experiência não só fez surgir pontos brilhantes ao redor desses trechos, visível na forma de uma aurora boreal no céu de Anchorage, no Alasca, como também produziu uma nova forma de refletir sinais de rádio ao redor do planeta.

Sendo o HAARP capaz de alterar a atmosfera e produzir efeitos visuais desconcertantes, poderia perfeitamente estar simulando aparições de OVNIs a fim de levar a população a pensar que a Terra está sendo invadida e por conseguinte aceitar e até reivindicar um exército mundial e um governo mundial de modo a protegê-la dos extraterrestres.

Em 9 de dezembro de 2009, uma espiral de luz azul e branca apareceu no céu noturno sobre o norte da Noruega e Suécia, assustando os moradores locais durante os 10 minutos em que permaneceu visível. Vinte e seis horas depois, o Ministério da Defesa da Rússia emitiu uma declaração oficial afirmando que houve uma falha técnica no terceiro estágio do míssil balístico intercontinental (ICBM) Bulava, fazendo com que os gases de escape saíssem de lado fazendo o míssil entrar em giro frenético, explicação referendada pelo analista de defesa russo Pavel Felgenhauer. Muitos, no entanto, ligaram esse fenômeno ao HAARP.