Göbekli Tepe: Uma civilização avançada com mais de 12 mil anos e sua conexão com Marte

Compilação de textos e fotos por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Göbekli Tepe (“Monte com Barriga” ou “Monte com Umbigo” em turco), localizado no topo mais alto das montanhas no sudeste da Turquia.

O mais antigo núcleo civilizacional e religioso – e com arquitetura sofisticada – já encontrado, construído por caçadores-coletores (?) a partir do 10º milênio a.C., em pleno Mesolítico (10.000 a 5.000 a.C., entre o Paleolítico e o Neolítico), antes portanto do advento do sedentarismo, 7.000 anos antes das pirâmides do Egito.

Arqueólogos norte-americanos reconheceram em 1964 que a colina não poderia ser inteiramente natural.

Desde 1994, escavações vinham sendo conduzidas pelo Instituto Arqueológico Alemão e pelo Museu de Şanlıurfa, sob a direção do arqueólogo alemão Klaus Schmidt (1953-2014), da Universidade de Heidelberg. Klaus Schmidt: “Descobrir que povos de caçadores, pescadores e coletores de frutos foram capazes de construir Göbekli Tepe, é como descobrir que alguém havia construído um avião 747 com um estilete”.

Na camada com indícios de ocupação humana mais antiga (stratum III) foram encontrados 20 templos megalíticos redondos ou ovais com diâmetros entre 10 e 30 metros. As paredes são de pedra tosca, com 12 pilares monolíticos de calcário em forma de T, com uma altura de até 3 m e pesando cerca de 15 toneladas cada, e com 2 pilares maiores de até 6 m de altura no centro da estrutura, sempre voltados para o Oeste. Tais pilares serviam para suportar a estrutura de uma cobertura ou telhado. O pavimento estava revestido com terrazo (mistura de restos de pedra, normalmente mármore, com um aglomerante). Na parede exterior havia uma espécie de degrau que rodeava o edifício.

Muitas das pilastras apresentam esculturas cinzeladas de animais estilizados em relevo e de pictogramas abstratos. Entre os animais, há escorpiões, javalis, leões, touros, raposas, gazelas, burros, serpentes e outros répteis, insetos, aracnídeos e pássaros (principalmente abutres e aves aquáticas). Entre as poucas representações humanoides, há o relevo de uma “Venus accueillante” (o termo de Schmidt para uma mulher em uma pose sexualmente provocativa).

As conexões de Göbekli Tepe com as antigas civilizações da Mesopotâmia, do Egito, da Mesoamérica e da Ilha da Páscoa são gritantes, desconcertantes e bastantes evidentes. Teria a civilização se espalhado ao redor do mundo a partir de Göbekli Tepe ou seria esta apenas mais uma ponte entre uma civilização ainda mais antiga?

Alguns dos pilares em forma de T possuem “braços” esculpidos, o que representaria humanos estilizados. Um dos pilares é decorado com mãos humanas, o que tem sido interpretado como um gesto de oração.

A conexão com os moais da Ilha da Páscoa é incontestável,

bem como com o masdeísmo, a religião da antiga Pérsia, adoradores do deus Ahura-Mazda…

O mais estranho é que uma ou duas décadas após erguerem esses monumentos, seus construtores os enterravam  propositadamente e abriam um outro templo circular um pouco mais adiante. As construções – seguidas de enterramento – prosseguiram por séculos, mas em vez de melhorarem, foram ficando cada vez mais rústicas e toscas, até que finalmente pararam por volta de 8.200 a.C.

A organização religiosa talvez não tenha vindo como consequência da Revolução Neolítica, mas ao contrário: a  necessidade de uma religião organizada é que pode ter dado origem à agricultura.

Vista do alto, Göbekli Tepe, assim como quase todos os monumentos arqueológicos ao redor do mundo, revela que também estava orientada segundo as constelações, entre elas Sirius, Orion e as Plêiades.

Curiosamente, uma construção quase perfeitamente circular, muito semelhante a Göbekli Tepe, foi encontrada no planeta Marte e pode ser vista no Google Earth nas coordenada abaixo: