Entrevista com Claudeir Covo: “Somos produtos de experiências genéticas de extraterrestres”

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Foto de Cláudio Suenaga tirada por ocasião da primeira entrevista realizada com Claudeir Covo em 16 de julho de 1991.

Pertencente à segunda geração de ufólogos brasileiros que, seguindo os passos dos pioneiros, despontaria nas décadas de 60 e 70, Claudeir Covo (1950-2012) dispensa apresentações. Seu tipo e perfil compõem o perfeito estereótipo do especialista em Ufologia e seu nome há muito está indissoluvelmente associado e se confunde com essa disciplina.
Lídimo representante da “linha científica” – adepta e defensora da teoria extraterrestre sem dispensar o rigor metodológico e uma certa dose de cepticismo – e um dos que mais estimularam e influenciaram novos pesquisadores, Covo foi engenheiro eletrônico, de produção e de segurança, especialista em óptica, fotometria, colorimetria e fotoelasticidade na área de dispositivos de iluminação e sinalização veicular. Foi presidente do Comitê de Iluminação Veicular da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) de São Paulo a partir de 21 de outubro de 1981. Covo também foi autor do texto da Resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) 692/88, publicado no Diário Oficial da Nação em 17 de março de 1988 e 5 de abril de 1988, que regulamenta os dispositivos de iluminação e sinalização veicular, em vigor no Brasil desde 1º de janeiro de 1990.
Aos 16 anos de idade, em 1966, acompanhando as conquistas espaciais, Covo se interessou pela Ufologia, passando a colecionar todo tipo de material a respeito. Em 1975 fundou o Centro de Estudos e Pesquisas Ufológicas (CEPU) – sediado em seu sobrado no tradicional bairro do Ipiranga, próximo ao Museu Paulista, na zona sul de São Paulo –, que em meados da década de 80 despontaria como o maior acervo de fotos – mais de sete mil – e filmes de discos voadores do país e o primeiro a ser equipado com instrumentos capazes de realizar análises computadorizadas dessas alegadas e controversas imagens, a exemplo do que já vinha fazendo o norte-americano Ground Saucer Watch (GSW, Observadores Terrestres de Discos). Os dois primeiros vídeos-documentários brasileiros sobre filmes e fotos de discos voadores foram produzidas pelo CEPU entre 1986 e 1988, e ainda que experimentais e amadores, constituem-se em marcos de grande importância por terem permitido acesso a dezenas de registros raros e de difícil obtenção na época.
Autor de artigos e matérias referenciais como a alentada “Estatística Ufológica Brasileira”, fonte de consulta obrigatória, e obras como A Noite Oficial dos OVNIs, enfocando a histórica noite de 19 de maio de 1986, quando a Aeronáutica suspendeu o tráfego aéreo em São Paulo e caças da Força Aérea Brasileira (FAB) perseguiram 21 objetos não identificados sobrevoando a região de São José dos Campos, em 1995, às voltas com as vultosas ondas de aparições, aterrissagens e abduções do final de milênio, decidiu ampliar as atividades do CEPU criando o Instituto Nacional de Investigação de Fenômenos Aeroespaciais (INFA).
A entrevista que se segue e que aborda os mais diversos, polêmicos e inusitados temas, é uma síntese de uma série que realizei ao longo da década de 90 com Covo, que sempre se prontificou a nos receber – cabe mencionar que os colegas historiadores Jefferson Ramos da Silva e Antonio Manoel Pinto também estiveram presentes em duas oportunidades – com a máxima solicitude e gentileza para longas conversas, mesmo em horários extremos, próximos à madrugada, e ante a iminência de compromissos inadiáveis. Aqui vai, portanto, um singelo tributo a esse brilhante e talentoso ufólogo.

O relógio cujos ponteiros andavam no sentido inverso e uma réplica do Calendário Maia pendurados na parede da sala do sobrado de Claudeir Covo. Foto de Cláudio Suenaga.

Suenaga – Desde quando os discos voadores estariam visitando a Terra?
Covo – Eu penso que os discos voadores nunca estiveram propriamente nos visitando, e sim que sempre estiveram aqui. O pessoal fala que a partir de 1947 aumentou o número de avistamentos, não sei o que, mas coloco isso mais como um avanço da ciência em termos de comunicação, ou seja, começou-se a falar mais no assunto, começou-se a divulgar mais, começaram a aparecer os primeiros pesquisadores civis, a coisa começou a se tornar mais pública, começou a ser divulgada, e a própria tecnologia permitiu essa divulgação. Não é que aumentou o número de avistamentos, o que aumentou foi a divulgação. A minha opinião é que em todas as épocas os discos voadores apareceram com a mesma frequência de hoje. Portanto, não é que hoje que apareçam mais. É que hoje há condições para divulgar essas ocorrências mais facilmente.

Suenaga – Em sua opinião, de onde eles procederiam?
Covo – Uma das teorias é a de que viriam de mundos paralelos. Se houver sentido nisso, se realmente um mesmo espaço pode comportar dois átomos e variadas dimensões, e se esses seres possuem controle disso, podendo passar para a nossa dimensão, e vice-versa, a partir da Segunda Guerra Mundial, quando o homem começou a explodir núcleos atômicos, de acordo com essa teoria nós passamos a interferir no mundo deles. E consequentemente eles estiveram presentes acompanhando todas essas experiências atômicas. Eu não acho que tenha aumentado a frequência das visitas, o que houve foi um aumento das aparições nesses locais de experiências atômicas. Entre 1943 e 1948, na região sul dos Estados Unidos, explodiram dezenas de mini-bombas atômicas. E até então não se conheciam os efeitos disso. Muitos inocentes que desavisadamente se encontravam nesses locais – inclusive o ator John Wayne, contaminado junto com toda a equipe de filmagem por uma explosão nuclear –, viriam a morrer de câncer, 20, 25 anos depois. Naquela região de Alamogordo, território do Novo México, houve uma incidência muito grande de aparições de OVNIs, e no meio disso, em 2 de julho de 1947, cai um disco voador em Roswell. Talvez em função das experiências atômicas, os extraterrestres, curiosos, vieram ver se algo estava acontecendo, ou talvez até avaliar as barbaridades que estávamos fazendo. Eu vinculo isso como alguns ufólogos vinculam, dentro da teoria dos mundos paralelos, de outras dimensões, porque nesse instante em que começamos a explodir as bombas atômicas, passamos também a interferir no mundo deles, então eles começaram a vir pra cá com maior intensidade, principalmente nos pontos onde eram feitas as experiências.

Livros ufológicos na estante da sala de Claudeir Covo. Foto de Cláudio Suenaga.

Suenaga – A origem da humanidade se vincularia de alguma forma à presença desses seres?
Covo – Assim como vários ufólogos, eu também penso que somos descendentes dos extraterrestres. O planeta Terra foi descoberto, esses seres aqui chegaram, viram que havia condições de vida, talvez já houvesse vida vegetal e animal. Então eles colocaram aqui vários “Adões e Evas” que originaram a humanidade. Esses seres sempre intervieram como estão fazendo agora, haja vista as experiências genéticas a bordo dos OVNIs. Eu faço uma palestra falando das abduções e dos implantes cujo título é Cobaias Humanas. Isso não invalida nada a respeito da criação divina. Assim como esses seres colonizaram o nosso planeta, eles por sua vez também foram colonizados por outros seres, que por sua vez foram colonizados por outros, por outros e assim por diante. Voltando a um certo tempo e lugar do passado, alguém foi criado, então talvez aí esteja a intervenção da Inteligência Divina. Essa criação do ser humano não necessariamente pode ter ocorrido em nosso planeta, mas em outro. Comparando as coisas que ocorreram no passado com as que estão ocorrendo hoje, pra mim essa hipótese faz muito sentido. Eu tenho mencionado isso fazendo correlações. Por que, por exemplo, todos os seres que são observados, seja do tipo alfa, beta, gama, delta ou ômega, têm duas pernas, dois braços, tronco e cabeça tais como nós? Por que nunca foi visto um quadrúpede pilotando um disco voador? Por que nunca foi visto um ser tipo lesma pilotando um disco voador? Por que nunca foi visto um ser com três pernas? Isso pra mim é uma incógnita que diverge totalmente do próprio conceito científico da origem do homem. Existem trabalhos de antropólogos que especulam como seria o homem se tivesse se originado de uma baleia, de um canguru ou de uma águia em vez do chimpanzé. Você vê nos filmes de ficção científica como Jornada nas Estrelas e tudo mais, que os seres que eles apresentam são decorrentes da teoria de que no planeta deles descenderam de outros animais que não o macaco. Portanto, para mim, o mito bíblico de que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança faz muito sentido. Eu acho que essa compleição física que nós temos não é restrita a Terra, e sim cósmica. Seres viajariam constantemente semeando vida nos planetas com condições de desenvolver vida, e a Terra foi um desses planetas. É uma teoria que pra mim se encaixa muito bem.

Equipamentos de Claudeir Covo, incluindo o computador que usava para analisar fotos de OVNIs. Foto de Cláudio Suenaga.

Suenaga – É muito alto o índice de engano ou fraude na Ufologia?
Covo – Eu costumo dizer que entre aquilo que se fala na televisão, aquilo que a imprensa divulga, aquilo que as pessoas relatam normalmente, 90% nada têm a ver com disco voador. Pessoas com pouco ou nenhum grau de conhecimento confundem e inventam um monte de coisas. Na semana passada, por volta das 18h30, o telefone tocou. Um casal que mora perto do Ceasa falou que estava vendo um disco voador há uns 15, 20 minutos, e que o disco se mexia, ia pra um lado, ia pro outro. Logo deduzi que simplesmente estavam vendo o planeta Vênus. É aquele negócio. Você fica olhando um pontinho brilhante no céu escuro e depois de uns cinco minutos você começa a acompanhar seu “falso” movimento. O pessoal confunde. Fraudar fotos e filmes também é fácil. Eu mesmo já fiz excelentes fotografias de discos voadores para mostrar como qualquer um consegue fraudar. Então 90% do que existe na Ufologia, em termos de registros, não passa de fraude, engano ou erro de interpretação.

Suenaga – E os 10% restantes?
Covo – Conforme apontam as  estatísticas, a cada três minutos alguém observa algo estranho nos céus do planeta, sendo que desde 1947 já foram registrados, em termos brutos, mais de 7.358.400 casos pelas associações de ufólogos do mundo. Descartando 90%, ainda restariam pelo menos 735.840 casos autênticos. No Brasil, há registros de mais de 57.395 casos, e eliminando as fraudes, restariam pelo menos cinco mil casos autênticos. E é preciso não esquecer que esses números referem-se apenas aos casos que chegam até o conhecimento dos especialistas. Na realidade, calculo que 70% das pessoas que passam por uma experiência ufológica preferem não relatar o fato por vergonha ou medo do ridículo.

Suenaga – Por que as pessoas tendem a cometer tantos erros de interpretação?
Covo – Eu tiro por base certas situações que vivi na infância, em que a visão me enganou completamente. Lembro que quando tinha 10 anos de idade, fui visitar um amigo, e quando vi, o horário tinha estourado. Pra voltar pra casa eu tinha de necessariamente passar em frente ao cemitério da Vila Mariana. Na hora em que cheguei no quarteirão, atravessei a rua para o outro lado. E de repente eu vi na porta do cemitério, de longe, uma pessoa de branco. Eu via pernas, braços e rosto de alguém atrás do poste escondido, que olhava para mim e se escondia. Naquilo meu coração disparou, a perna tremeu, fiquei apavorado pra chuchu, com o coração na boca. Não havia como dar a volta, o outro caminho era muito longe. E continuei andando, já preparado para sair no pique. E olhava pra aquele troço e via nitidamente uma pessoa. Era uma coisa gozada porque eu via isso grande, pra mim se tratava de um adulto. Minha mente engendrou uma típica fantasia, uma ilusão. Fui indo, indo, e quando cheguei a uns 10 ou 12 m, descobri que era só uma folha de jornal grudada no poste. Conforme o vento batia, virava o jornal e dava a impressão de ser uma pessoa. Era um jornal pequeno, mas de longe pareceu ser um adulto. A mente é uma coisa fantástica. Nas minhas palestras eu esclareço todos os efeitos produzidos pela ilusão de óptica, baseado na primorosa obra de Edi Lanners, O Livro de Ouro das Ilusões (Rio de Janeiro, Ediouro, 1982). Muito do que as pessoas veem no céu acabam distorcendo. Se cinco ou seis pessoas confundirem um balão com um disco voador, ao descreverem esse mesmo fenômeno, certamente cada qual vai fazer de um jeito e à sua maneira, de acordo com seus graus de conhecimento e cultura, suas profissões, crenças, etc. Se o cara é borracheiro, vai desenhar algo parecido com um pneu; se for engenheiro, vai desenhar a coisa como se fosse uma engrenagem; se for florista, vai desenhar uma coisa redonda, parecendo uma rosa e assim por diante.

Suenaga – Qual sua posição diante do misticismo que assola a Ufologia?
Covo – Em poucas palavras, como integrante de uma linha de pesquisa eminentemente científica, nada tendo a ver, portanto, com pesquisadores e associações que se enquadram no lado místico, me oponho a tudo que leve ao fanatismo e explore a boa fé das pessoas, arrecadando dinheiro para construir plataformas espaciais ou tirando o Cristo do altar para colocá-lo dentro de um disco voador.

Suenaga – Como o senhor avalia as histórias dos que afirmam terem visitado outros planetas tanto a bordo de discos voadores como espiritual ou mentalmente?
Covo – Avalio que não passam de puras fantasias. Para mim é o eu interior da pessoa narrando, conscientemente ou por psicografia, a vontade de como ela, intimamente, gostaria que fosse o mundo, sem fome, sem doenças, sem guerras, sem dívida externa, sem inflação, sem opressão, sem discórdias nem divisões. Trata-se meramente de um extravasamento, de uma maneira das pessoas botarem seus desejos e insatisfações para fora, seja mentalmente ou por psicografia. São pessoas que estão sofrendo, que estão enfrentando dificuldades para sobreviver, dificuldades que todos nós enfrentamos, só que talvez num grau mais acentuado, e acabam, por necessidade, narrando ou escrevendo histórias fantásticas e utópicas.

Suenaga – Por falar nisso, o que se sabe a respeito do Livro de Urantia?
Covo – Em 1939, se não me falha a memória, uma pessoa ou um grupo de pessoas passou a receber mensagens extraterrestres por psicografia, acabando por produzir um calhamaço de coisas escritas que, na época, por segurança, foi arquivado em um cofre em Nova York, ali permanecendo trancado por 11 anos. Em 1950, um grupo de pessoas teve acesso a essas psicografias, que editaram na forma de um livro e em cima disso criaram a Fundação Urantia. O livro é uma espécie de bíblia dividido em quatro grandes capítulos. O primeiro fala da criação do universo, o segundo fala da criação do sistema solar, o terceiro da criação de Urantia, que seria a Terra, e o quarto da vida de Cristo na Terra. A série Operação Cavalo de Troia (publicada no Brasil pela Editora Mercuryo), do jornalista e ufólogo espanhol Juan José Benítez, seria um plágio literário desse quarto capítulo do Livro de Urantia, conforme comprovou o ufólogo espanhol Antonio Ribera em seu livro No Caballos, no Troyans. Na capa de seu livro A Rebelião de Lúcifer, que seria outro plágio de certas partes do Livro de Urantia, o Benítez estampou um símbolo que nada mais é do que o símbolo de Urantia. Ou seja, ele não só se apropriou do conteúdo como também do logotipo. Desconfio que o Benítez deve ter sido processado pela Fundação Urantia, que é uma entidade legal, com CGC e tudo mais, e detêm os direitos autorais do livro. Tanto que o quinto volume da série Cavalo de Troia demorou a sair. Agora não sei se a Fundação Urantia pretendia criar uma religião em cima disso. Do ponto de vista científico, por exemplo, no que tange a astronomia, o que se descreve é muito bagunçado e confuso, mas lembra coisas que já haviam sido ditas por personalidades como Nostradamus, Madame Blavatsky e outros que tiveram visões do futuro. Encomendei a um amigo que foi para os Estados Unidos os três conjuntos dos livros de Urantia, que na época paguei US$ 120. Até hoje não tive tempo para lê-los, só folheá-los. O livro é tão complexo e a leitura tão intrincada e intragável, por ser um inglês pesado e arcaico e haver muitos termos técnicos, que a Fundação Urantia teve de lançar um outro livro chamado Paramony, que ensina a interpretar e entender algumas passagens do livro. Conheço duas pessoas que tiveram paciência para ler o livro inteirinho.

Suenaga – O escritor J. J. Benítez é seu amigo pessoal. Quais as ponderações que o senhor faz dele e de suas obras?
Covo – Ele sempre entrava em contato comigo quando estava no Brasil. Eu tiro o chapéu para o Benítez como escritor porque ele sabe escrever muito bem e tem a capacidade de cativar o leitor. Ele faz ficção científica em cima de fatos reais e vice-versa. Ele era um repórter de jornal completamente céptico, até que, em 1974, ouviu boatos de que estavam ocorrendo avistamentos programados de OVNIs em Lima, no Peru. Lá ele encontrou o grupo Rama, que era coordenado por José Carlos Paz García-Corrochano e Sixto Paz, respectivamente pai e irmão do publicitário Carlos Paz Wells, que não era “o cabeça” do grupo como costuma propalar. No Congresso Internacional de Ufologia de Curitiba em 1992, um pesquisador argentino convidado testemunhou em sua conferência que integrou o grupo de Sixto Paz e o que viveu lá foi uma espécie de formação de seita junto de um bando de loucos, de lunáticos, de fanáticos que ele criticou violentamente na frente do próprio Carlos Paz, que quase brigou com ele, mas no fim acabou ficando amigo porque tem um ódio mortal do irmão e atribui para si aquilo que na verdade o irmão conseguiu fazer. Benítez, por coincidência ou não, compareceu a um encontro marcado em um local afastado, ermo e deserto, onde os discos voadores costumavam aparecer. Quando saiu do carro, ainda teve de andar uns 100 metros até onde se encontrava o grupo, e de repente apareceu realmente um objeto que Benítez descreve em seu livro 100.000 km Atrás dos OVNIs. O negócio foi tão rápido que ele não teve tempo de voltar ao carro e apanhar a máquina fotográfica. Então, a partir desse instante, Benítez, de cético, se torna um ufólogo e começa a pesquisar e a escrever, lançando em 1975 seu primeiro livro na área. E alguns anos depois ele resolve sair da linha ufológica e falar sobre a vida de Cristo, alcançando um sucesso tremendo e inesperado e virando best-seller. Tanto é que ele planejava lançar apenas um livro e encerrar, mas a própria editora impôs um segundo, um terceiro, um quarto e assim por diante. O Benítez, depois do sucesso, acabou se tornando uma pessoa mais responsável. Digo isso porque os livros de ufologia anteriores contêm muitos dados chutados. Ele recolhia casos e os publicava a esmo, sem nenhuma triagem, sem ir a fundo. Qualquer coisa que lhe narrassem servia. Essa triagem hoje ele faz. Então o próprio sucesso obrigou que se tornasse mais responsável. A série Operação Cavalo de Troia como disse é um plágio do quarto capítulo do Livro de Urantia, e os cerca de 1.500 verbetes técnicos que incluiu provavelmente ele pegou da história dos ummitas, seres que estariam vivendo aqui no planeta Terra e que constituem outro capítulo extenso, polêmico e complicado da Ufologia. O Benítez acompanhou todas as análises em torno do Santo Sudário, esteve nos lugares onde Cristo andou e chegou a ir até Caxemira, na Índia, onde, conforme muitos acreditam, Cristo teria vivido e morrido após escapar da crucificação, havendo até um túmulo que lá dizem que é dele. O Benítez tem aproveitado o dinheiro que ganhou com a vendagem dos livros fazendo viagens e pesquisando mais profundamente. Ele ficou praticamente sete anos sem escrever nada sobre Ufologia, período em que se dedicou quase que inteiramente à série Cavalo de Troia. Entretanto, em seu livro Eu, Júlio Verne, ele força a barra totalmente e se põe como a própria encarnação de Júlio Verne. Benítez consegue hoje viver disso, ganhou projeção, ganhou nome. Eu tenho certeza absoluta que se qualquer outra pessoa estivesse na posição dele, agiria da mesma forma. A partir do instante em que você se torna uma pessoa famosa mundialmente, logicamente dentro daquilo que você está se propondo fazer, você vai aproveitar a onda e escrever outras obras. E foi exatamente o que ele fez. Qualquer um de nós faria isso. No Brasil, há um escritor que fez sucesso e não deixa de ser um grande fanfarrão, o Paulo Coelho, pois de mago não tem nada e é um tremendo gozador. Um escritor pra levar uma vida tranquila hoje no Brasil tem de lançar um best-seller a cada três meses, pois quem ganha dinheiro são as editoras.

Foto tirada por Marcelo Antero de Carvalho em Humaitá (RJ) na segunda quinzena de julho de 1988, às 6h30. (Arquivos de Claudeir Covo)

Suenaga – O que seriam os estranhos objetos brancos que lembram a cauda, o rastro de condensação ou o jet stream dos aviões a jato que aparecem em determinadas fotos?
Covo – Não dá para distinguir nada em termos do que estaria gerando esse rabo, a não ser a formação de partículas de gelo. Existem alguns tipos de aviões militares que voam a uma altitude muito elevada, onde se gera essa esteira de condensação. Mas essa esteira não é grudada com o objeto que o acompanha, não é igual daqueles aviões que soltam fumaça. Lá em cima, as turbinas quentes do avião, em contato com o ar frio, produzem esse tipo de esteira. Analisando fotos de aviões a jato convencionais sob o microscópio, nota-se um pontinho preto, que é propriamente o corpo do avião, e aquela esteira na traseira. Já em fotos e filmes tidos como de OVNIs, não se vê esse ponto preto. Ou seja, a tal cauda anda grudada, como que acompanhando o objeto. Eu não posso afirmar com certeza absoluta que se trate de um disco voador, mas a probabilidade é relativamente razoável. Certa vez eu vi uma cauda dessas voando, que devia estar muito alta, a uns 20 km de altitude. Se foi um avião, era um avião especial. Acompanhei-o por bastante tempo e nesse ínterim não deu para discernir nada atrás dele, o negócio todinho ia junto. Achei aquilo extremamente curioso.

Tiago Machado diante do portão da TV Cultura em São Paulo.

Suenaga – O que pôde apurar de novo pesquisando o Caso Tiago Machado?
Covo – Por uns quatro fins de semana viajei com o Tiago à Pirassununga, interior de São Paulo. Filmei-o junto com a mãe dele, o irmão, os vizinhos e testemunhas da época de 1969. Reconstituímos tudo, ele dormindo, a mãe o acordando, ele se levantando, indo pra rua, dando uma olhada, voltando pra casa para apanhar o binóculo, saindo correndo para o local etc. O Tiago é um rapaz muito simples, sem estudo. Ele trabalhou durante muitos anos da TV Cultura de São Paulo como motorista, depois foi trabalhar como caminhoneiro, formou uma dupla sertaneja, gravou um disco, depois o amigo dele morreu e ele acabou ficando sozinho. Ele gravou só um playback, não chegou a gravar um disco, e de vez em quando faz shows. Resumindo o caso, o Tiago, que morava na parte alta da cidade, mais ou menos a um quilômetro de distância do Centro de Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), onde faziam experiências com animais, foi acordado pela mãe. E eles viram lá do alto do morro aquele troço brilhante pousado. A vizinhança discutia se aquilo era disco voador, helicóptero ou para-quedas. O Tiago vestiu a calça, olhou pro morro e achou curioso. Correu em casa, pegou o binóculo, voltou lá e viu que o negócio era interessante. E o que ele fez? Se mandou rapidinho pra lá. Mas, na entrada do Centro de Zootecnia, ele ficou com medo de entrar no mato sozinho e chamou o amigo dele que era porteiro. Ambos foram em direção ao objeto, que não conseguiam ver porque o mato alto e as árvores encobriam. Então resolveram que cada um iria pra um lado. Eles conheciam bem a região, o Tiago vivia caçando passarinho naqueles terrenos. Ele saiu para um canto, foi subindo, subindo, e de repente ele deu de cara com o objeto. E o ser saiu de cima do objeto flutuando e pousou no chão. O Tiago chegou a 4,5 m de distância e, muito nervoso, perguntou: “De onde vocês vêm? Norte, sul, leste ou oeste?” O ser fez um gesto de que não entendeu nada. Aí veio um segundo ser e pousou no chão, flutuando também. O Tiago estava agitado, com medo, e avaliou: “São baixinhos, eu encaro”. Aí de repente ele puxou o maço de cigarros do bolso e botou o fumo na boca, acendeu o cigarro, deu uma baforada, e percebeu que o ser reagiu sorrindo. O Tiago perguntou: “Você quer?”, e jogou ao ser que deu dois passos pra trás. Aí chegou perto do cigarro, pôs a mão por cima, o cigarro flutuou e grudou. Ele disse que o ser encostou o maço na perna, fazendo-o sumir. Não percebeu enfiar no bolso ou algo desse tipo. Nesse ínterim, a mãe do Tiago ficou apavorada e correu pra lá, agitando a vizinhança pra ver o que o Tiago tinha ido fazer. E aquela multidão pegou panela, bacia e começou a fazer um barulhão, ao mesmo tempo em que entrava no mato. Os seres, percebendo que a multidão vinha vindo, reentraram flutuando na nave. E o Tiago ficou naquela expectativa de ganhar algum presente ou recordação. Nisso sai um ser da cúpula, com um aparelhinho que parecia um maçarico. O Tiago, achando que o ser iria jogar aquilo pra ele, abriu os braços e ficou esperando. Aí o ser disparou um tiro de luz vermelha que atingiu a coxa direita dele. No mesmo instante ele caiu. Não chegou a perder os sentidos, não chegou a desmaiar, só “desmontou”. Os seres levantaram vôo e foram parar numa outra fazenda lá perto. Ao encontrarem o Tiago caído e gemendo de dor, a vizinhança imaginou que ele havia sido picado por uma cobra, e o levaram para a Santa Casa de Misericórdia. Lá, o Tiago contou que o disco voador disparou o tiro, mas deram risada e não o medicaram, mandando-o pra casa. Enquanto isso, os oficiais da Academia de Força Aérea (AFA) de Pirassununga, que tinha detectado o objeto no radar ou sido informada por alguém, cercaram o terreno e levaram o Tiago de volta para a Santa Casa, onde ministraram-lhe medicamentos contra a dor. E posteriormente levaram-no para a AFA, e dali o colocaram num avião que o transportou ao Rio de Janeiro, permanecendo por nada menos do que 25 dias na Base da Aeronáutica, período em que ficou manco e praticamente paralítico temporariamente. Fizeram até mesmo um tratamento de acupuntura em sua perna. A Aeronáutica tirou moldes das marcas deixadas pelo disco no terreno, fotografou tudo, e só reabriu o terreno depois de um mês.

Suenaga – O senhor considera verídico o Caso de Onilson Patero?
Covo – Eu considero verídico o que aconteceu com o Patero. Senão, vamos imaginar a hipótese de uma fraude. O Patero ficou durante 2 ou 3 horas deitado na sarjeta, com o rosto quase na água, debaixo de chuva, correndo até o risco de morrer afogado. Ao socorrê-lo, o guarda rodoviário notou algo deveras estranho. Apesar de estar na chuva, a roupa do Patero estava enxuta. Outra coisa curiosa é que, no hospital, para onde foi levado pelo guarda rodoviário, o cabelo dele começou a mudar de cor. E nos dias seguintes surgiram manchas azuladas em seu corpo. Na época, o médico e ufólogo Max Berezovsky, presidente da Associação de Pesquisas Exológicas (APEX), fez uma biópsia de uma das manchas. Portanto, ele não ia ser louco de simular algo desse tipo, abandonando o carro aberto no meio da estrada com documentos, cheques e dinheiro e ficando horas deitado na sarjeta, debaixo de chuva, fingindo de morto pra atrair a atenção de curiosos. Foram dois rapazes numa Kombi que o viram, não chegando perto porque acharam que tinha sido atropelado, e avisaram o guarda rodoviário. Quanto à mudança da cor do cabelo, ele pode até ter tingido, mas e as manchas no corpo? Esse primeiro evento aconteceu em 1973. Onze meses depois ocorreu o segundo, quando ele novamente abandonou o fusquinha e a mala com os documentos na região de Catanduva, noroeste de São Paulo, e ficando cinco dias sumido, reaparecendo em Colatina, no estado do Espírito Santo. A família entrou em desespero pensando que ele tinha sido assassinado, a polícia fez uma busca no local onde o carro foi encontrado, e ele reaparece no alto de um morro, onde passou umas duas horas berrando, gritando por socorro até ser ouvido por pessoas de uma fazenda. Com o dia amanhecendo ele desceu, chegou nessa fazenda, foi socorrido pelo dono e levado à delegacia, onde entraram em contato com a família dele. Eu conversei inúmeras vezes com o Patero, tenho o depoimento dele gravado em vídeo, e ele sempre confirmou a história. De modo que pra simular tudo isso o cara teria de ser completamente louco. Mas o Patero é uma pessoa equilibrada, que não vacila e conta com detalhes. Você sente firmeza, segurança, e o caso dele foi muito bem pesquisado na época pela equipe da APEX, da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores (SBEDV) do Rio de Janeiro, presidida pelo médico Walter Karl Bühler, e do psicólogo Álvaro Fernandes, de São José do Rio Preto. Só um louco varrido simularia uma farsa dessa. Portanto eu aceito o caso como autêntico.

Suenaga – E quanto ao sequestro sofrido pelo norte-americano Travis Walton em 1975, retratado no filme Fire in the Sky (Fogo no Céu) de 1993?
Covo – O filme todo é baseado na realidade, com exceção da parte final que mostra a estada de Walton dentro da nave. O próprio Walton declarou que ficou deveras chateado com o autor e produtor porque ele distorceu bastante seu relato. Já o autor do filme se defendeu alegando que como ele ficara cinco dias sumido, pouco se lembrando do que acontecera no disco, havendo, portanto, um lapso de tempo muito grande que nem as hipnoses conseguiram recuperar, ele se valeu da liberdade artística para criar o que em sua visão poderia ter acontecido. O filme não fez sucesso nos Estados Unidos porque assim que foi lançado, os ufólogos e o próprio Walton o desprestigiaram, atacando-o e botando a boca no trombone. No Brasil entrou em circuito nacional em vários cinemas e uma semana depois saiu de cartaz, fazendo mais sucesso em vídeo. O que o Walton conta é que quando acordou se viu com uma pesada placa sobre o peito, deitado numa mesa, rodeado por três seres de cabeça grande e branca e vestidos de macacão laranja. No momento em que se deu conta da situação, ele se assustou, pulou daquela mesa ou maca derrubando a placa que caiu no chão da nave fazendo um barulho desgraçado. Havia um bastão na mesa, que ele tratou de apanhar com a intenção de golpear a cabeça dos que se aproximassem. Os seres fizeram uma espécie de sinal para que se acalmasse. Dois acabaram saindo e só um ficou lá com ele, já mais calmo. Posteriormente ele foi levado para a nave-mãe, ou seja, o disco estava estacionado dentro da nave-mãe. Daí apareceu um ser tipo beta que lhe mostrou o interior nave-mãe, o painel de controle e tudo mais. Acho que foi insensatez do produtor não ter reproduzido essas cenas que foram apuradas nas sessões de hipnose.

Suenaga – O que poderíamos depreender de casos em que homens são abduzidos e forçados a manter relações sexuais com mulheres a bordo de discos voadores?
Covo – Se os seres do tipo beta colocarem paletó e gravata e circularem em nosso meio, ninguém notará qualquer diferença. Já os do tipo alfa, esses baixinhos carecas de cabeças grandes e olhos esbugalhados, pelo próprio visual e compleição física seriam logo distinguidos. Uma teoria que eu venho defendendo sobre os casos de relações sexuais é que em todos nos quais o homem foi abduzido e teve relação carnal com mulheres “extraterrestres”, observou-se que essas mulheres são exatamente iguais em todos os detalhes às nossas próprias mulheres. Ou seja, duas pernas, dois braços, cinco dedos, dois olhos, nariz, cabelo, pestana, língua, dentes, seios, vagina, pelos pubianos, etc, iguais aos das nossas mulheres. Eu venho defendendo a hipótese de que essas mulheres não passam de mulheres terrestres que são abduzidas e mentalmente preparadas, como que hipnotizadas, para cumprir essa missão. E durante a relação, os extraterrestres avaliam o comportamento do ser humano em termos de excitação, batimentos cardíacos, orgasmo etc, eventualmente até comparando com a maneira como eles fazem sexo.

Suenaga – Que ilações o senhor faz do primeiro caso desse tipo, o do caboclo Antonio Villas Boas, ocorrido na cidade de São Francisco de Sales, Minas Gerais, em 1957?
Covo – Eu aceito o Caso Villas Boas como padrão. O que eu não consigo engolir é que na hora em que ele estava sendo arrastado pelos seres, já sendo mentalmente anestesiado, ele sobe no disco voador se agarrando numa “cordinha metalizada”. Isso para mim não tem cabimento. Suponho que, na verdade, jogaram um cone de luz em cima dele e o fizeram subir flutuando, mas como isso era fantástico demais e não se coadunava com o que conhecia, a mente dele não assimilou e acabou bloqueando e cortando esse fato. Ademais, se ele contasse isso, quem iria acreditar que ele teria subido flutuando em um facho de luz? Dentro da cultura dele, o normal e aceitável era subir por uma escada, daí a mente dele ter inventando uma escada de cordinha, distorcendo a realidade para que ela se enquadrasse em seus padrões. Eu interpreto dessa forma. É o único relato do mundo que eu conheço que o cara falou que subiu no disco voador por uma escada de cordinha.

Suenaga – E quanto ao caso de Antonio Carlos Ferreira, abduzido em 1979 na cidade de Mirassol, interior de São Paulo, e forçado a manter relações sexuais com uma grotesca mulher alienígena?
Covo – Eu também o entrevistei e gravei seu depoimento vídeo. Acredito que o primeiro caso que ele narra com bastantes detalhes seja autêntico, no que concordam os pesquisadores originais do caso, Ney Matiel Pires e Álvaro Fernandes. Já as outras 20 e tantas abduções que alegou ter sofrido, não passam de pura fantasia da mente dele, ele inventa muito, conta historinhas, faz uma tremenda salada. Por ser uma pessoa extremamente pobre, sem instrução, que mora em uma favelinha, vivendo de fazer vários tipos de biscates como servente de pedreiro para sobreviver, cada vez que alguém vai entrevistá-lo, acaba ficando com pena e lhe doa algum dinheiro ou lhe compra uma calça ou uma camisa. E isso, na condição dele, é um lucro. Assim, as outras abduções ele simplesmente inventou para continuar tendo prestígio e sendo assediado para dar entrevistas.

Sessão de hipnose de Antônio Carlos Ferreira feita por Walter Karl Bühler, Álvaro Fernandes e Ney Matiel Pires.

Suenaga – Seria a chamada “síndrome do contatado”?
Covo – Exatamente. A síndrome do contatado afeta principalmente as pessoas humildes que, da noite para o dia, viram o centro das atenções, tornam-se astros de programas de televisão e são tratados como tal, viajando de avião, hospedando-se em hotéis cinco estrelas, ganhando roupa nova e comendo do bom e do melhor em restaurantes de luxo. Quando a imprensa e os ufólogos deixam de os procurar, acaba o período de glória, de auge, e são obrigados a retornar às suas vidinhas. Não se conformando com isso e com saudades da fama, passam então a inventar novos casos, cada qual mais fantástico e absurdo que o anterior, chegando a ponto de fraudar fotografias. O ego começa a falar mais alto.

Suenaga – Chegou ao seu conhecimento direto algum tipo de espionagem movida por militares ou agências de inteligência do governo contra os ufólogos?
Covo – Havia um sujeito que em tudo que era congresso ou evento de Ufologia estava presente. Mas, para nós, ele era mais um curioso da Ufologia, alguém que gostava muito do assunto. No final de 1986, portanto já na Nova República, depois de um congresso que fizemos, começamos a bater papo com ele, a conversar, a trocar ideias, e acabamos indo tomar uns chopes juntos. E para minha surpresa, essa pessoa acabou me confessando que era um agente do extinto Sistema Nacional de Informações (SNI) e revelou que ufólogos como Flávio Pereira, Max Berezovsky, Irene Granchi, Rubens Junqueira Vilela, Jaime Lauda, Carlos Alberto Reis e eu, eram fichados pelo SNI e haviam sido alvos de algum tipo de investigação ou espionagem. O objetivo era verificar se porventura os ufólogos não serviam de fachada para eventualmente encobrirem ou ocultarem ações terroristas. Durante o regime militar o problema mais grave e que mais suscitava perseguições era o comunismo.

Suenaga – O senhor já conheceu alguém que alegou ter inventado ou construído um disco voador?
Covo – Em 1972, quando cursava a faculdade, tive um professor de física que inventou e montou um disco voador na forma de protótipo. Ele fazia uma reação química no disco voador, aquilo tinha uns furinhos na parte superior que permitia criar uma pressão negativa em cima, e o troço subia. Ele já tinha feito um contrato com a Estrela, que ia comercializar na forma de brinquedo para crianças. Entretanto, logo depois que ele deu entrada na patente, recebeu a visita de militares e o governo acabou classificando o inocente brinquedo como de segurança nacional. O contrato, obviamente, foi cancelado.