Entrevista com a ufóloga decana Irene Granchi

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga & Pablo Villarrubia Mauso
Texto de apresentação da Equipe UFO (CBPDV)

Nascida na Alemanha em 26 de novembro de 1913 e falecida em 2010, Irene Masloum Granchi teve formação inglesa, estudou e morou em Milão, e logo depois de casar-se com o italiano Marco Granchi, veio para o Brasil. Naturalizada brasileira “desde os tempos de Getúlio Vargas”, teve a sua vida de pacata dona de casa completamente alterada numa tarde de julho de 1947, quando viu, pela primeira vez, um disco voador metálico em formato de “tampa de panela” pairando sobre o sítio em que morava no município fluminense de Vassouras, Rio de Janeiro. Desde então se deu conta de que não teria paz enquanto não soubesse tudo a respeito do que acabara de presenciar.

O início da carreira desta que é uma das primeiras ufólogas do Brasil é o retrato da garra, da força de vontade e do esforço, sem se importar com os riscos e o cansaço. Carregando um gravador de 15 kg numa mão e dezenas de outros apetrechos na outra, subia e descia morros do Rio de Janeiro atrás de UFOs e suas testemunhas. O resultado de tanta atividade garantiu a Irene o incontestável mérito de ser a grande pioneira da Ufologia Brasileira. Poliglota, a nossa “representante de saias” foi aos poucos conquistando prestígio internacional. Desde os primórdios conviveu com ufólogos como Josef Allen Hynek, Jim e Coral Lorenzen, Gordon Creighton, Olavo Fontes e tantos outros com os quais manteve íntimo relacionamento e troca de informações, o que proporcionou boa soma de conhecimentos passados à Ufologia Brasileira.

Na noite de 17 de agosto de 1968, Irene retornava para sua casa depois de ter visitado um amigo, no bairro do Leblon. Por volta das 21h15, enquanto esperava o ônibus, avisou um UFO pela segunda vez. Toda a família de Irene, incluindo o marido e os filhos, também foram testemunhas do Fenômeno UFO ao longo de suas vidas. Para Irene, há uma “propensão inata” para que uma determinada família seja visada pelos UFOs.

Em 1978, Irene concebeu a revista UFO-OVNI Documento, o primeiro veículo brasileiro inteiramente dedicado à Ufologia, antecessora direta da Revista UFO, criada e editada – com a imprescindível cooperação de Irene – em 1985 por seu amigo pessoal Ademar José Gevaerd, que a tomou como modelo e fonte de inspiração. De circulação trimestral, a UFO-OVNI Documento – publicada pela Hunos Editorial e Cinematográfica – tinha em seu corpo de colaboradores nomes como Josef Allen Hynek, Silvio Lago, Flávio Augusto Pereira, Fernando Cleto Nunes Pereira, Mário Martins Ribeiro, Bob Pratt, Bill Chalker, Décio Estrela Maia, Húlvio Brant Aleixo e o general Alfredo Moacir Uchôa. Entretanto, a união de esforços em prol da excelência não foi suficiente para driblar a falta de patrocínio e de recursos e as sucessivas crises econômicas, obrigando Irene, que atuava como redatora-chefe, a encerrar definitivamente suas atividades dois anos depois, deixando órfãos milhares de leitores que aguardavam ansiosamente pelo nono número. Hoje, as edições da UFO-OVNI Documento são avidamente disputadas em sebos e zelosamente preservadas por colecionadores.

Em 1988, Irene dirigiu o documentário sonoro Contatos Imediatos ao Vivo 1, roteirizado por Luiz Carlos Maciel, narrado por Alfredo Canthé e editado pela empresa produtora Serapis Bey, do Rio de Janeiro. No lado da A, a fita k-7 comercializada na época pelo Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), trazia um pequeno histórico dos discos voadores, depoimentos de Josef Allen Hynek e da própria Irene, e a abordagem dos casos Mário Paulo, Itaperuna e Luli Oswald. No lado B, uma explanação sobre UFOs e os textos sagrados, os depoimentos de Olavo Fontes, do general Alfredo Moacir Uchôa e do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Kurt Waldheim, e os casos Rute Veiga, Hermínio e Bianca Reis e Antônio Tasca, com sua Mensagem de Kabalah, do Mundo de Agali.

Batalhadora incansável, Irene participou como conferencista de dezenas de eventos, simpósios e congressos. O Centro de Investigações Sobre a Natureza dos Extraterrestres (CISNE), fundado por ela em 1982, realizou mais de doze concorridos encontros, entre eles aquele que foi, sem dúvida, o maior acontecimento de sua carreira e talvez um dos mais profissionais encontros de ufólogos já ocorridos no Brasil: o IV Congresso Internacional de Ufologia (CIUFO), realizado no Rio de Janeiro, de 3 a 6 de setembro de 1986. Entre seus convidados estavam os maiores nomes da Ufologia da época. O evento foi um marco da Ufologia Brasileira. Esta foi uma das grandes contribuições de Irene à “causa dos UFOs” no Brasil, como costuma dizer.

Irene considera esses congressos bastante úteis para a troca de informações entre os ufólogos. Um deles, realizado em novembro de 1990, coincidiu com o Congresso Internacional do Espaço e da Ufologia, na cidade de Hakui, província de Ishikawa, no Japão. Sobre a Resolução de Hakui – com cópias enviadas ao presidente dos Estados Unidos, George Bush; ao primeiro-ministro do Japão, Toshiki Kaifu; ao presidente do Soviete Supremo da União Soviética, Mikhail Gorbachev; e ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Javier Perez de Cuellar –, Irene chama a atenção para o item 3 do Resolvido e Proclamado: “Para podermos evitar o conflito armado desastroso entre a Terra e o espaço, toma-se imprescindível que todas as nações estabeleçam contato, comunicação e cooperação com as forças alienígenas exploradoras, no mínimo prazo possível.” E conclui: “Quem avisa, amigo é.”

Aos 80 e tantos anos, Irene ainda mantinha o mesmo ritmo de trabalho de quando começou a pesquisar os UFOs a fundo em 1954. E a julgar pelo cenário de seu apartamento na Rua das Palmeiras, em Botafogo, repleto de livros em vários idiomas, todos sobre Ufologia, e de pastas bem arrumadas contendo recortes de jornais e revistas, ela estava longe de parar. Em complemento ao material escrito, Irene guardava mais de 750 fitas k-7 de palestras gravadas sobre o assunto, além de depoimentos colhidos por ela de pessoas que mantiveram contatos com os seres extraterrestres ou que testemunharam de alguma forma a presença de discos voadores. “Esse material para mim vale ouro e foi graças a ele que escrevi um livro mais endereçado a estrangeiros.” Ela se refere ao livro UFOs Brazilian Cases Histories, que relatam casos ocorridos no período de 1950 a 1975. O livro foi traduzido e publicado em 1992 pela editora Nova Milênio com o título de UFOs e Abduções no Brasil.

O que se segue é uma conversa que Cláudio Suenaga e Pablo Villarrubia Mauso tiveram com ela em seu apartamento em Botafogo no início de 1996, ocasião em que falou do Caso Varginha, relembrou velhos casos e reafirmou sua crença na veracidade do Caso da Barra da Tijuca.

Mauso – Quais as maiores dificuldades que a senhora vem enfrentando para levar adiante a pesquisa ufológica?
Irene – A falta de tempo e de dinheiro. Estou sempre recebendo visitas, sempre fazendo pesquisas e mantendo intercâmbio. Infelizmente não sou uma pessoa de recursos, então não tenho empregada fixa. Eu mesma sou obrigada a cozinhar, a ir ao supermercado, ao banco, etc, o que me consome um tempo estúpido.

Suenaga – A senhora está morando sozinha?
Irene – Eu moro sozinha. Minha filha (a artista plástica e ufóloga Chica Granchi) mora não muito longe, lá em Copacabana. Mas ela é ocupadíssima.

Mauso – A revista UFO/OVNI Documento, que a senhora editou, foi a primeira sobre Ufologia no Brasil?
Irene – Foi. E a que inspirou o Ademar José Gevaerd a criar a Revista UFO.

Suenaga – Como nasceu o CISNE?
Irene – Em 1982, quando o médico e ufólogo Max Berezovsky, presidente da Associação de Pesquisas Exológicas (APEX), de São Paulo, interrompeu as atividades de seu grupo, eu me ofereci para continuar com a APEX aqui, mas ele se recusou, e foi assim que decidi fundar uma entidade própria, o CISNE.

Suenaga – A senhora ainda tem contatos com o Berezovsky?
Irene – Diretas não, mas continuamos amigos.

Suenaga – Quem pintou esses quadros de discos voadores? (Pendurados na parede da sala)
Irene – Um pintor primitivista que expõe e vende quadros aqui na Praça General Osório, onde aos domingos é realizada uma feira hippie. Esses eu comprei para servirem de capa para a edição norte-americana de meu livro UFOs e Abduções no Brasil.

Mauso – O ufólogo e médico Walter Karl Bühler dizia que a senhora era espiã.
Irene – Fico indignada cada vez que ouço falar isso. Se tivesse sido, ou ainda fosse, estaria rica. Vivo da pensão do meu marido e de minha aposentadoria de professora da Cultura Inglesa. É só com esse dinheiro que eu sobrevivo.

Mauso – O DOPS não perseguiu a senhora?
Irene – Nada, nada, nada.

Mauso – Fale-nos um pouco sobre o ufólogo e jornalista norte-americano Bob Pratt, com quem a senhora até hoje mantém intercâmbio.
Irene – O Bob Pratt trabalhava no jornal National Inquirer, e nessa função veio ao Brasil em várias oportunidades para pesquisar UFOs, principalmente no Nordeste. Na carta que ele me enviou na semana passada, ele me agradece por tê-lo citado em meu livro.

Mauso – Pelo que sei, ele não era freelancer da National Inquirer, ele era contratado.
Irene – Contratado. Há muitos anos ele saiu de lá e foi trabalhar em outro setor. Hoje ele se aposentou de vez.

Mauso – Ele realizou alguma pesquisa junto com a senhora?
Irene – Pesquisamos o Caso Hermínio e Bianca Reis lá em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Mauso – A senhora considera verídico o caso desse casal?
Irene – É verídico, não tenho nenhuma dúvida disso. Um ano depois que aconteceu, fui procurá-los aqui no subúrbio, em Madureira, onde moravam, e depois os trouxe em casa para estudá-los melhor. Entretanto, a fama subiu-lhes à cabeça e posteriormente eles passaram a inventar muitos fatos.

Suenaga – Manifestaram a chamada síndrome do contatado.
Irene – É, vamos chamar assim. No ano passado, a Bianca estava dando um curso em Brasília cobrando US$ 1.000 por pessoa. Ela se separou do marido e se casou com um rapaz muito simpático, muito bonzinho, bem diferente do Hermínio.

Mauso – E aquele negócio dos capacetes com fios não soa um tanto arcaico ou esdrúxulo?
Irene – Não. Faziam parte do equipamento da tradução.

Mauso – Mas muitos pesquisadores disseram que aquilo era muito primário, pois capacetes com fios não se coadunavam com uma tecnologia tão avançada.
Irene – Os pesquisadores que dizem isso se esquecem de que não estamos sendo visitados por uma única raça de ETs, mas por pelo menos umas 60 raças diferentes. Portanto, alguns são mais adiantados em alguns aspectos e atrasados em outros.

Suenaga – A senhora pesquisou um caso que teria ocorrido em 1930, 17 anos antes do início da Era Moderna dos UFOs. É o Caso Rute Veiga, que viu um objeto com dois “olhos” e pernas. O capim ou o gramado sobre o qual pairou o objeto se tornou cinza. Ela disse que o objeto lembrava um “monstro”.
Irene – Quando o objeto apareceu, o marido, pensando que era um assaltante, foi pegar a espingarda, enquanto ela se ajoelhou na cama para observar pela janela o que era aquilo. Ela então gritou, espantada: “É um monstro!” O objeto atravessava o campo devagar, bem defronte a casa dela. Tinha uma fonte de água do outro lado, uma queda d’água. O objeto ia até lá e voltava. Fazia isso várias vezes. Ia e voltava.

Suenaga – Essa senhora ainda está viva?
Irene – Não tenho a menor ideia.

Suenaga – A senhora perdeu contato com ela?
Irene – Perdi contato não só com ela, mas com todos da família dela, porque eles moram no Leme, enquanto eu moro aqui em Botafogo. Aliás, vários membros da família dela também tiveram experiências ufológicas.

Suenaga – Em 7 de maio de 1952, o fotógrafo Ed Keffel e o repórter João Martins, da revista O Cruzeiro, fotografaram um disco voador na Barra Tijuca, inaugurando a Ufologia no Brasil. Alguns dias depois, oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) tentaram reproduzir as fotos atirando tampas de panelas para o ar. Jornalistas estrangeiros ouviram de pescadores o boato de que estavam jogando falsos discos para o ar. O médico e ufólogo Olavo Fontes mandou as fotos para a Organização de Pesquisas de Fenômenos Aéreos [Aerial Phenomena Research Organizations (APRO)], nos Estados Unidos. O Relatório Condon, de 1969, não as considerou verdadeiras. Mais recentemente, ufólogos como Carlos Alberto Reis e Claudeir Covo concluíram que as fotos foram fraudadas. Quais as considerações que a senhora faz hoje do Caso Barra Tijuca?
Irene – Eu conheci a fundo o João Martins. Já o Keffel, um alemão daqueles da antiga, não cheguei a conhecer tão profundamente. Ele tinha feito inovações técnicas fotográficas que todos os fotógrafos do mundo vinham adotando. Portanto, duas pessoas de confiabilidade total. Eu tenho uma declaração deles escrita à mão e assinada por ambos e passado no tabelião, confirmando que fotografaram mesmo um disco voador na Barra da Tijuca. Em 1971, fui aos Estados Unidos participar de um simpósio da APRO no Arizona, e lá botaram em dúvida o caso. Assim que retornei, exigi essa declaração de veracidade deles. Quanto aos militares que jogaram os pratos no ar, constataram que não era possível reproduzir as fotos tal como haviam sido obtidas. Quem nega o caso é de uma geração mal informada que fica no diz que disse.

Suenaga – Mas as análises computadorizadas mostraram várias discrepâncias, entre elas a posição do objeto e do Sol em relação à paisagem.
Irene – Eu acredito mais na pessoa que fotografou, no caso o Keffel, do que nas análises posteriores. Porque a técnica é muito falha.

Suenaga – Na página 40 do seu livro, a senhora diz que um médico e sua esposa haviam visto o disco voador da Barra da Tijuca em 7 de maio, no mesmo dia em que as fotos foram feitas, mas que haviam se calado.
Irene – Eu não conheci pessoalmente esse médico. Só falei com ele pelo telefone e ele me enviou uma carta relatando que na época estava querendo entrar para a Marinha e tinha uma namorada. Naquele tempo, um sujeito que saía com a namorada, não sendo noiva, e a levava para um lugar deserto na Barra da Tijuca, era mal visto. Então ele não quis declarar em público o que eles viram, com receio da família.

Suenaga – Um dos casos mais curiosos que a senhora pesquisou é o da tampa de caneta Parker furada, que ocorreu entre 1952 e 1954. No seu livro, a senhora conta que o Senhor E. viu um UFO defronte a garagem da casa onde ele morava. Um mês depois, o Senhor E. estava no centro da cidade quando foi fitado por um homem com chapéu e capa de chuva escura e cujos olhos não tinham canais lacrimais. O Senhor E. pegou um táxi para Botafogo e, quando lá chegou, o homem estava lá fitando-o novamente. Em outra noite encontrou-se com o mesmo personagem e sentiu algo ferir seu rosto e queimá-lo. Nisso, o Senhor E. deixou a caneta Parker cair no chão. No dia seguinte ele encontrou a tampa que estava com um furo. Como a senhora chegou a esse caso?
Irene – Eu estava dando uma palestra no Santo Inácio, um colégio jesuíta aqui perto, em São Clemente. Na plateia tinha uns 500 estudantes, e o ufólogo Fernando Cleto Nunes Pereira também estava presente. Em um certo momento, acho que no fim da palestra, um amigo do Senhor E. veio a mim e me contou a história, entregando-me a tampa furada da caneta Parker, que guardo até hoje aqui comigo. O Senhor E. morava no centro da cidade e, movido por um impulso, resolveu dar uma volta nos arredores, encontrando-se com o homem de chapéu e capa de chuva. Pela ordem, primeiro ele se encontrou com esse homem embaixo de chuva, no Largo da Carioca, no centro da cidade. Aí passou um amigo e deu carona para ele. Eu tenho o retrato falado desse homem que o Senhor E. fez para mim. Aí, quando desceu do carro, o Senhor E. viu esse homem na frente dele de novo. Como é que esse homem tinha ido parar lá se instantes atrás estava no Largo da Carioca? Não teria dado tempo para ele ir. Alguns dias depois o Senhor E. estava fazendo os preparativos para o aniversário da filha, quando viu um disco voador passando no céu e, no susto, deixou a ferramenta com que trabalhava cair da mão dele. Dias depois é que ele teve o impulso de sair para a rua. Pegou o carro e foi na direção do Leblon, que naquele tempo era deserto. A certa altura ele parou o carro e esse ser apareceu de novo. Dessa vez conversaram sobre muitos assuntos, entre eles astronomia. Como nessa época ele era comerciante, tinha o costume de andar com uma caneta enfiada na orelha. E quando o estranho homem foi embora, o Senhor E. encontrou no chão do carro a caneta dele com a tampa furada.

Mauso – A senhora referenda o contatado suíço Eduard “Billy” Méier?
Irene – Ainda não cheguei a uma conclusão definitiva para tomar uma posição favorável ou contrária ao Méier. Não vou cometer os mesmos erros que outros pesquisadores cometeram no passado. O George Adamski, por exemplo, que foi ridicularizado, hoje é aceito. O tempo vai dizer.

Fragmento de metal de OVNI

Suenaga – No dia 14 de dezembro de 1954, a população da cidade de Campinas, a 100 km de São Paulo, parou para assistir às manobras erráticas de três objetos em forma de disco. Um deles, amparado pelos outros dois, oscilava bruscamente e emitia sons mecânicos distorcidos. Antes de desaparecerem no meio das nuvens, o que apresentava defeitos descarregou de sua parte inferior, aos trancos, um líquido prateado. Telhados, ruas, calçadas e até mesmo as roupas que secavam nos varais ficaram salpicados com o material que ia se solidificando conforme esfriava. O químico Risvaldo Maffei, que fez os primeiros exames, revelou que se tratava em grande parte de estanho (90%), misturado a outros metais, sendo portanto “o mais puro estanho jamais achado na Terra”. De acordo com Maffei, àquela época, em nenhum lugar do nosso planeta, uma concentração tão alta como aquela, com pureza tão perfeita, poderia ser obtida. Acrescentou Maffei que a densidade da amostra era de 10.3, ao passo que a densidade do estanho conhecido é de 7.3. A senhora recolheu algum subsídio que atestasse a verdade deste caso?
Irene – Eu estive em Campinas com uma equipe da Nippon Television Network, do Japão, e entrevistei uma senhora que na época tinha uns 12 anos de idade. Ela ouviu o estrondo e viu o disco caindo. Ela saiu com o irmão dela à noite e encontrou diversos fragmentos no chão. O irmão não deixou que os recolhesse temendo que fossem coisas de terroristas. Na manhã seguinte ou naquela noite mesmo chegou a Força Aérea que tirou tudo que havia lá. Tinha pedaços grandes de disco. E levaram para São José dos Campos. Essa última parte eu soube através da filha da Dona Maria Augusta Rodrigues, cujo tio era general em São José dos Campos.

Suenaga – Quais as ponderações que a senhora faz sobre o Caso das Máscaras de Chumbo?
Irene – O parapsicólogo Silvio Lago era um grande amigo meu, mas como todas as outras pessoas também falhava, assim como eu falho. Para ele, a morte dos dois técnicos em eletrônica não passou de uma morte natural ou um assassinato. Ele não quis encarar o lado ufológico do caso.

Suenaga – A senhora conheceu o Tiago Machado, que foi ferido na perna por um dos tripulantes de um UFO que pousou na cidade de Pirassununga em 1969?
Irene – Quando o caso aconteceu, ele foi chamado pela TV Tupi, e foi quando eu o conheci pessoalmente. Um dos meus filhos foi junto. Tinha uns militares lá, uns oficiais, que fizeram com que o Tiago arregaçasse a calça para mostrar a ferida. Eu e meu filho vimos o ferimento na perna do Tiago.

Cláudio Suenaga ao lado pioneira da ufologia brasileira Irene Granchi (Foto de Pablo Villarrubia Mauso)

Suenaga – Gostaria de mais detalhes sobre o Caso Itaperuna, protagonizado pelo Paulo Caetano Silveira. Ele foi abduzido pela primeira vez em 22 de setembro de 1971, quando tiraram amostras do sangue dele na nave. Em decorrência disso, ele sofreu graves distúrbios. O Paulo disse que conseguiu fotografar os UFOs que o abduziram. A senhora soube se o Paulo continuou tendo contatos depois disso?
Irene – Nunca mais pude voltar a Itaperuna.

Suenaga – A senhora achou que as marcas feitas no braço dele tinham realmente sido feitas por ETs?
Irene – Conservo a gravação da entrevista que fiz com ele, bem como com a dona do hotel em Itaperuna. Ela viu o UFO à noite, bem no horário da novela. Todos os hóspedes do hotel também viram.

Suenaga – Em 26 de julho de 1972, um público de mais de cinco mil pessoas testemunhou o sobrevoo de UFOs sobre o Estádio Godofredo Cruz, no município Campos dos Goytacazes, estado do Rio de Janeiro, durante o jogo entre os times do Sapucaia e do Americano.
Irene – Eu falei com o chefe de Polícia e o subprefeito que era diretor do time de futebol lá de Goytacazes. Então me descreveram isso. Depois falei com um juiz, e esse juiz confirmou, pois ele estava entre os torcedores assistindo o jogo. A metade dos torcedores, de um público total de cinco mil pessoas, viu o UFO. O mais interessante é que, naquela noite, a Dona Augusta Rodrigues que era ufóloga e tinha uma propriedade próxima de Campos, viu várias formações de discos no céu. O motorista do carro e o sobrinho também viram, além de outras pessoas.

Suenaga – Um dos casos mais famosos que a senhora pesquisou é o da pianista clássica e concertista Luli Oswald (abduzida na noite de 15 de outubro de 1979 quando viajava de carro guiado por um amigo de seus filhos, com destino a Saquarema, região dos Lagos, a leste da Baía de Guanabara, litoral do Rio de Janeiro).
Irene – A Luli é minha amiga. Ela é membro honorário do CISNE. Nós fazemos reuniões mensais aqui, e ainda hoje ela me telefonou avisando que estava indo para Saquarema, onde reside, e só retornará no dia 27, que é a data da próxima reunião mensal. Ela faz questão de não perder a nossa reunião. O rapaz que a acompanhava na ocasião da abdução era um estudante, filho de dentista, amigo dos filhos da Luli. Eu entrevistei os dois, ele e a Luli, na casa do filho do cineasta e diretor de novelas Carlos Manga apenas dois ou três dias depois de ter acontecido aquilo com eles.

Suenaga – A senhora confirma que o contatado Antonio Alves Ferreira desenvolveu poderes paranormais?
Irene – Ele desenvolveu os poderes paranormais dele de uma maneira incrível. Eu tinha uma coleção de talheres entortados por ele. Na época em que os fenômenos começaram a acontecer, ele veio ao Rio de Janeiro a nosso convite para participar de um evento que organizamos. Eu morava em um apartamento que tinha uma varanda e por causa dos meus netos que eram pequenos, mandei fazer grades para evitar que caíssem. O Ferreira foi à varanda junto com o Júnior, e daí a pouco voltou de lá correndo dizendo: “Ah Dona Irene, me desculpe, olha o que eu fiz”. Ele havia entortado uma das barras da varanda só com o olhar. Esses fenômenos eram espontâneos, ele os produzia sem querer. Em determinado momento alguém começou a dizer que aquilo era uma energia negativa, e que portanto não devia ficar em casa com todas aqueles talheres entortados, e recomendaram que eu doasse tudo ao Instituto de Parapsicologia do Rio de Janeiro (IPRJ), que os colocou numa vitrine junto com outras coisas. E não é que o IPRJ foi assaltado e roubaram todo o material?

Suenaga – A senhora ainda mantém contatos com o Ferreira?
Irene – Não. Ele morava lá em São Luís do Maranhão, mas parece que depois se mudou para Brasília. É muito longe. Aqui no CISNE não temos dinheiro para custear a viagem.

Suenaga – O Ferreira conversava com os ETs?
Irene – Eu tenho várias fitas gravadas do Ferreira falando com os extraterrestres.

Suenaga – Como é que é?
Irene – Ele fala na língua deles.

Suenaga – Dá para entender alguma coisa?
Irene – Às vezes o Ferreira fala em português, ou melhor, faz as perguntas em português, mas não traduz as respostas. Uma funcionária da Biblioteca da Embaixada da França em Brasília, mandou traduzir certas palavras e encontrou muitas contradições.

Suenaga – Como é a personalidade do Ferreira?
Irene – Ele é uma pessoa difícil, como a maioria dos abduzidos. São pessoas que mudaram de personalidade.

Suenaga – Pelo que a senhora constatou, a maioria dos abduzidos acaba desenvolvendo poderes paranormais?
Irene – A grande maioria ou a quase totalidade.

Suenaga – Membros de determinadas famílias são abduzidas geração após geração. Na acepção da senhora, por que isso ocorre?
Irene – Ao longo de minhas pesquisas encontrei muitas famílias cujos membros vêm sendo abduzidos por décadas. Isso ocorre realmente. Penso que os ETs estão conduzindo estudos genéticos e averiguando quais seriam os graus de intuição e conexão de cada membro de determinada família.

Suenaga – E como foi aquele caso em que imagens de Cristo e de Nossa Senhora surgiram no céu do Rio Grande do Sul? Depois da visão, uma das testemunhas começou a “psicografar” o interior de naves.
Irene – Uma menina de apenas cinco anos de idade, seus irmãos mais velhos e sua mãe, viram do quintal da casa as imagens de Cristo e de Nossa Senhora se formando no céu . A menina olhou do lado oposto e viu um disco voador em formato de sino emitindo um raio de luz que estava projetando aquelas figuras. Lindo, não é? Eu penso que essas figuras são arquétipos por meio dos quais os extraterrestres transmitem noções éticas para a humanidade. É uma espécie de lição para aquele povo cristão que está acostumado com as imagens de Cristo e Nossa Senhora.

Suenaga – A senhora esteve em Varginha logo após a repercussão do caso.
Irene – Fui a primeira ufóloga a ir lá, e fui inclusive para prestar solidariedade ao meu amigo Ubirajara Franco Rodrigues, que é um ótimo pesquisador mas que se achava totalmente circundado por desconfianças, mentiras e pelo silêncio das autoridades. E as que resolviam contar alguma coisa não queriam se identificar, pediam segredo, e quando eram procuradas por outras pessoas negavam tudo. Diante disso ele estava ficando desesperado, e com toda a razão. Fui lá com a minha filha, com uma senhora que é curadora do Setor de Arte Moderna do Museu Nacional de Belas Artes (vinculado ao Instituto do Patrimônio Cultural e Artístico Nacional e ao Ministério da Cultura) e membro do CISNE, e com um amigo dela.

Suenaga – Conte-nos como foi o Caso Varginha, conforme a senhora pôde apurar.
Irene – (Mostrando as fotos que tirou no local onde o ser foi visto): Aqui foi achado o ser. As três moças estavam voltando para casa, cortaram o caminho, atravessaram esse terreno baldio e, apoiadas na parede, se depararam com esse ser, que deixou no solo duas pegadas. Eram pés redondos, com três dedos. Elas não viram as pegadas porque na hora ficaram apavoradas, em pânico, e correram para as casas delas, que ficavam próximas dali. As mães das garotas também ficaram apavoradas.

Suenaga – O mais a senhora pôde averiguar?
Irene – O ser que foi visto pelas três moças foi sido levado para o Hospital Humanitas. Primeiro para o Regional, depois para o Humanitas. Eu fui à Varginha, mas não pude ir até o Humanitas. O Ubirajara não entrou lá ainda para não ser reconhecido, já o resto dos ufólogos entrou e só recebeu negativas. Os funcionários deixaram que visitassem o Hospital, mas não encontraram nada. No entanto, é certo que o ser estava sendo guardado lá. E depois ele foi transferido para a Escola de Sargentos de Armas (ESA), em Três Corações, onde ele se acha até agora.

Suenaga – Alguns disseram que as garotas confundiram um deficiente mental que perambulava por ali com um ET.
Irene – A minha filha tirou uma foto desse débil mental na mesma posição, acocorado, do ser visto pelas garotas. Na minha opinião, elas não poderiam ter feito uma confusão dessas.

Suenaga – Na opinião da senhora, qual seria a origem desse ser?
Irene – Poderia ser extraterrestre, mas também poderia ser intraterrestre. Pelo aspecto, por todo o conjunto, se aproxima mais de um intraterrestre. As meninas disseram que ele estava sujo, cheio de lama. Devo esclarecer que não sou partidária da teoria da Terra Oca. Quando digo intraterrestre, não me refiro a um mundo interior com mares, florestas e um sol central, mas a cidades subterrâneas em cavidades debaixo da terra.

Mauso – A senhora acredita firmemente na veracidade do caso?
Irene – Acredito porque o Ubirajara é um colega honestíssimo que é incapaz de dizer uma mentira ou coisa assim. E as fontes que lhe passaram as informações são confiáveis, embora queiram permanecer em sigilo.

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