Os 20 anos do Dossiê Cometa

A ideia da existência de extraterrestres que por décadas foi rechaçada e ridicularizada pela mídia, coincidentemente desde o advento da globalização e da Nova Ordem Mundial começou a ser encarada cada vez mais seriamente e aceita pela comunidade científica, bem como divulgada massivamente pelo cinema. Em 1997, o bilionário Laurence Rockefeller, figura de proa no projeto de implantação de um governo único mundial, financiou um comitê de nove cientistas conduzidos pelo físico da Universidade de Stanford, Peter Sturrock. A conclusão final do Comitê Sturrock, que se reuniu de 29 de setembro a 4 de outubro daquele ano, foi a de que o Fenômeno OVNI existe em termos físicos, independentemente das interpretações que se lhe atribuam. Menos de dois anos depois, em 13 de julho de 1999, militares e cientistas franceses do Comitê de Estudos Avançados [Comité d’Études Avances (Cometa)], entregaram às autoridades de seu país o dossiê Les OVNI et la Défense (Os OVNIs e a Defesa), mais conhecido como Dossiê Cometa, que ia muito além das conclusões do Comitê Sturrock não só por referendar a hipótese de que os OVNIs constituíam uma manifestação material, inteligente e de origem extraterrestre, como também por alertar que eram potencialmente hostis, chegando a ponto de sugerir estratégias concretas e definidas a serem adotadas para o caso de uma eventual invasão extraterrestre, daí o documento ter o subtítulo Para o que devemos nos preparar?

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Em 13 de julho de 1999, pouco mais de um mês depois da realização do 47º Encontro do Clube de Bilderberg, militares e cientistas do Comitê de Estudos Avançados [Comité d’Études Avances (Cometa)] entregaram ao então presidente francês (de 1995 a 2007) Jacques René Chirac e ao seu primeiro-ministro (de 1997 a 2002) Lionel Jospin, o dossiê Os OVNIs e a Defesa (Les OVNI et la Défense),[1] um documento de envergadura histórica sem precedentes na ufologia, para regozijo, surpresa e perplexidade daqueles que há muito aguardavam por algo desse porte. A notícia circulou inicialmente entre prestigiosas autoridades e, em 16 de julho, a edição especial da revista de circulação nacional VSD publicou o dossiê na íntegra, desatando a polêmica e pondo o mundo ufológico em polvorosa. Embora não fosse um documento assinado ou chancelado pelo governo francês de forma oficial, pela primeira vez um grupo tão gabaritado admitia que os OVNIs pudessem ser uma manifestação material, inteligente e de origem extraterrestre.

Entre os membros do Cometa, presidido por Denis Letty, general do Exército do Ar, estavam antigos auditores militares do Instituto de Altos Estudos da Defesa Nacional [l’Institut des Hautes Études de Défense Nationale (IHEDN)] e vários cientistas ilustres, alguns do próprio CNES, entre eles Bernard Norlain, antigo diretor do Instituto de Altos Estudos da Defesa Nacional; André Lebeau, ex-presidente do CNES; Jean-Claude Ribes, astrofísico, antigo diretor do Observatório de Lyon; Denis Blancher, comissário principal da Polícia Nacional no Ministério Interior; e Bruno Le Moine, general do Exército do Ar, além de almirantes, comissários de Polícia, engenheiros do Exército e outros notáveis.

Jean-Jacques Velasco

O físico Jean-Jacques Velasco foi diretor do que pode ser considerada a versão atual do GEPAN, o SEPRA [Serviço de Investigação de Fenômenos de Reentradas Atmosféricas (Service d’Expertise des Phénomènes de Rentrées Atmosphériques)], que nunca se referiu ao termo OVNIs, tratando o fenômeno como “reentrada atmosférica”, numa referência a satélites e destroços de foguetes que voltam à Terra após algum defeito no espaço. Velasco mantinha bom relacionamento com a comunidade ufológica, participando de congressos em que entusiastas apresentavam suas teses sobre a origem extraterrestre dos OVNIs, a despeito de sua visão crítica da natureza de tais objetos. A entidade que presidia ficava nos arredores de Toulouse e seria uma espécie de sucessora do centro ufológico oficial criado em 1976 por ordem do próprio presidente d’Estaing.

Durante três anos, o Cometa reanalisou uma série de casos ufológicos registrados em todo o mundo desde o início da Era Moderna dos Discos Voadores, em 1947, inferindo que apesar de “nenhum incidente ter demonstrado cabalmente que as intenções dos OVNIs são hostis”, urge refletir acerca das “posições estratégicas, políticas e religiosas a serem adotadas ante a confirmação eventual dessa hipótese”. Com 90 páginas e o subtítulo Para o que devemos nos preparar? (A quoi doit-on se préparer?), o dossiê Os OVNIs e a Defesa – traduzido e comentado pela primeira vez no Brasil por Pablo Villarrubia Mauso, notório jornalista, escritor, ufólogo e explorador radicado em Madrid – sugere fortemente que se intensifiquem as investigações e se estabeleçam ações imediatas e concretas para conhecermos a fundo a natureza e origem dos discos voadores, reconhecidos como de procedência extraterrestre pelo Cometa. A política de desinformação das superpotências, mormente a dos Estados Unidos, é severamente criticada, numa manifestação daquilo que já havia sido ratificado na Carta de Brasília, firmada em dezembro de 1997 durante o I Fórum Mundial de Ufologia.

O Dossiê Cometa postula que “a realidade física do Fenômeno OVNI é inquestionável e a origem terrestre do mesmo só se aplica a uma minoria dos casos. Assim, faz-se necessário recorrer a outras hipóteses, como a extraterrestre.” E conclui que “a hipótese extraterrena é de longe a melhor hipótese científica; isso ainda não foi demonstrado de modo categórico, mas em seu favor existem fortes indicativos, com grandes consequências para a humanidade”.

Gildas Bourdais

“Todos já aguardavam este momento há tempos, mas imaginávamos que tal documento viria do GEPAN, que é governamental”, disse Gildas Bourdais, um dos principais ufólogos da França e correspondente internacional da revista UFO naquele país, referindo-se à entidade criada oficialmente em 1976 para pesquisar OVNIs. “Ninguém imaginava que um relatório com tal impacto viesse de um grupo não oficialmente estabelecido pelo governo”, finalizou Bourdais, insistindo no fato de que era atribuição do GEPAN fazer as revelações que o Cometa fez. De qualquer forma, o documento foi excepcionalmente bem recebido, o que colocou a França novamente em posição de vanguarda quanto à questão ufológica.

Autocensura

Segundo o grupo OVNI France, um dos mais influentes do país, o documento era originalmente confidencial, pois devia ser lido exclusivamente por Chirac e Jospin. “Não se sabe por que o informe caiu em domínio público”, declarou o ufólogo Thierry Garnier, dirigente da entidade. Ele também informa que nenhum dos dois políticos fez qualquer tipo de comentário sobre o assunto à imprensa. Além disso, os meios de comunicação franceses, sobretudo a televisão, não abordaram a revelação imediatamente após esta vir a público. “Só houve um breve comunicado da agência francesa France Press”, comentou Garnier. Na época, alguns jornais publicaram artigos sobre o assunto, mas não o fizeram com seriedade. “Esse silêncio quase geral por parte de nossa mídia parece uma espécie de autocensura”, desabafou veementemente o estudioso.

Ao que parece, um novo tipo de totalitarismo, sutil e disfarçado, foi implantado de modo imperceptível, fazendo com que boa parte da sociedade, incluindo aquele setor que tem por obrigação precípua mantê-la informada, isto é, o dos jornalistas, incorporasse a censura já desde a observação do fato, não sendo mais necessário sequer controlá-lo. Vide a constatação de que o efeito verificado na França ocorreu identicamente em todo o mundo: um indecoroso silêncio cobrindo o assunto, como se nada tivesse acontecido. Nos Estados Unidos, por exemplo, somente depois de quase um ano alguns jornais liderados pelo The Boston Globe começaram a tratar do assunto. Mas até então nenhum posicionamento oficial havia sido emitido pelo então presidente Bill Clinton ou algum de seus assessores. Em países como a Rússia e naqueles ainda mergulhados na ditadura comunista como a China, Coreia do Norte ou Cuba, bem como no Brasil e no restante da América Latina, absolutamente nada se registrou como reflexo da divulgação do relatório.

Ainda de acordo com Bourdais, a ideia de criar o grupo Cometa surgiu em 1995, depois de uma conversa entre os generais Letty e Bernard Norlain, então diretor do IHEDN. Este, juntamente com o ex-presidente do CNES André Lebeau, apoiou a iniciativa de Letty e pediu que fossem dados os primeiros passos na direção de se realizar aquele é considerado o mais completo e imparcial estudo oficial sobre OVNIs já feito. Letty não se conformava com o fato dos arquivos da Aeronáutica Francesa conterem casos ufológicos para os quais não foram encontradas explicações convencionais. “Os objetos observados tinham que ser alguma coisa lógica, armas secretas inimigas ou efeitos de alucinações”, disse o general referindo-se ao documento. “Mas não eram! Eram, isso sim, objetos de origem extraplanetária. E como tal mereciam estudo apropriado”, finalizou.

 

Golpe contra os cépticos

Letty decidiu então reunir especialistas de renome para elaborar um documento que pudesse ser considerado polêmico. Os OVNIs e a Defesa é o resultado, e está dividido em três partes. A primeira é dedicada aos casos ufológicos franceses e estrangeiros. A segunda descreve como funciona a investigação ufológica na França e em outros países, além de propor explicações científicas para o fenômeno. E a terceira – muito polêmica – discorre sobre as medidas que o Ministério da Defesa francês deve tomar ante os relatos de pilotos civis e militares. Um dos muitos pontos interessantes do material é a menção da possível influência dos extraterrestres sobre as civilizações que habitaram a Terra no passado, sintetizado na referência às “…máquinas voadoras que Ezequiel descreveu longamente, à Guerra Aérea do Ramayana, à Epopeia de Gilgamesh, os Elohim do Gênesis…”, entre outros trechos bastante sugestivos do documento.

O dossiê é um duro golpe contra os cépticos, pois sustenta a origem extraterrestre dos OVNIs e sua realidade física, asseverando que estão sob controle de seres inteligentes que não pertencem ao nosso planeta. Por sua vez, representa um revés às teorias psicossociais que tentam explicar o fenômeno ufológico dentro de um contexto que o Cometa considera reducionista. Dois dos casos mais bem detalhados no relatório são o ocorrido com o avião norte-americano RB-47, em julho de 1957, e o acontecido sobre Teerã, em setembro de 1976. Esses fatos marcantes na história da ufologia receberam de vários detratores tratamento desdenhoso. Os redatores do documento expedido pelo Cometa consideram a interpretação desses casos – especialmente a feita pelo céptico norte-americano Philip Klass – como banal e retrógrada.

Sintomaticamente, o Cometa se arroga em atacar precipuamente o governo dos Estados Unidos, acusando-o de ocultar informações sobre os OVNIs e manipulá-las a seu favor, enquanto poupa os governos dos ex-países comunistas ou daqueles que ainda continuavam sob a égide desse regime tirânico, obliterando que estes sempre agiram de maneira muito mais pérfida e dissimulada que seu inimigo capitalista. O general Letty, por exemplo, eivado de uma certeza assustadora, cita a queda de uma nave alienígena em Roswell, em 1947, e o resgate de seus tripulantes, com o subsequente estudo dos corpos e sua tecnologia, como se esse incidente tivesse de fato ocorrido: “Fatos como esse não poderiam ser ocultados da população.”

Como se não bastasse, o documento dá seu atestado positivo a dois casos clássicos de aparições de humanoides, algo igualmente inédito na história da ufologia mundial, tendo-se em conta os pareceres de diversos cientistas e militares de alto escalão. Um é o Caso Valensole, ocorrido em 1º de julho de 1965 nos Alpes da Alta Provença, sudeste da França, e o outro é o Caso Cussac, acontecido em 22 de agosto de 1967 no Cantal, um dos quatro departamentos (os outros são Ayeyron, Lozère e Haute-Loire) totalmente situados dentro da área do Maciço Central, a maior elevação localizada no centro-sul da França, composta de montanhas e planaltos. Em ambas as situações foram observados seres extraterrestres de baixa estatura.

Manobra de desinformação

O dossiê é uma fonte inesgotável de informação e de questionamentos. Seus autores convidam as autoridades francesas e estrangeiras – especialmente às dos Estados Unidos – a atuarem em forma de cooperação, preparando a humanidade para um possível contato com uma civilização mais avançada que a nossa, entre as muitas que estão nos visitando. Tais conclusões e recomendações não deixaram indiferente a comunidade ufológica internacional. Muitos aclamam o Cometa como uma nova bandeira de luta, em estímulo aos governos indecisos ou neutros quanto à questão ufológica. “Temos que aproveitar essa oportunidade para obter posicionamentos de nossas autoridades e buscar formalizar progressos na forma como a ufologia é praticada”, conclamou o ufólogo chileno radicado em Nova York Jose Antonio Huneeus, um dos dirigentes da MUFON.

Por outro lado, muitos viram no dossiê expedido pelo Cometa apenas uma manobra de desinformação apoiada pelo governo francês para avaliar a reação dos cidadãos quanto à hipótese dos OVNIs serem de origem extraterrestre. Alguns ufólogos, como os membros do grupo francês Ufocom, foram mais além e sugeriram a possibilidade de que o informe se dirigisse principalmente aos Estados Unidos como uma maneira de impedir a estagnação do estudo oficial dos OVNIs por aquele país. Isso explicaria a natureza oficiosa da nota – e não oficial –, posto que a diplomacia francesa não se atreveria a criticar um país aliado de forma tão direta. Alguns ufólogos chegaram a dizer que, não fosse um porta-voz do governo de Chirac, o Cometa teria sido ainda mais contundente em seus ataques os ianques.

O sociólogo francês Pierre Lagrange, um dos baluartes, juntamente com Jacques Vallée, da aplicação de métodos psicossociais e antropológicos na análise de casos de OVNIs, arremeteu furiosamente contra o documento expedido pelo Cometa. Em uma carta datada de 21 de julho ao prestigioso diário Liberatión, cuja linha editorial sempre foi hostil à questão, Lagrange garante que os membros do Cometa são, eles sim, vítimas da desinformação quanto ao Caso Roswell: “É sabido que os Estados Unidos são os pais das modernas teorias psicossociais que explicam razoavelmente os OVNIs. Por isso foram criticados pelo grupo.” Lagrange acusou a revista VSD de alimentar a desinformação ufológica e detratar o tema. Vários centros de investigação do Fenômeno OVNI na França também criticaram as conclusões do Cometa, porém por outros motivos. Uma das críticas se referia ao fato do grupo ter incluído no dossiê apenas casos investigados oficialmente pelo GEPAN, desconsiderando o trabalho das entidades civis.

O Cometa arrolou entre as “provas” da presença de naves extraterrenas em nossa atmosfera, a fotografia obtida próxima ao Lago de Cote, um enorme lago de água doce dentro de uma cratera de forma ovalada situada no distrito de Cote, província de Alajuela, noroeste da Costa Rica, na base oriental da Sierra Minera de Tilarán, entre os vulcões Tenorio e Arenal, a cerca de 40 quilômetros da fronteira com a Nicarágua. Trata-se indubitavelmente de uma foto de altíssima qualidade, acompanhada do seu respectivo negativo, examinada e reexaminada por peritos que descartaram qualquer possibilidade de fraude.

A foto do Lago de Cote

Às 8h25 do sábado, 4 de setembro de 1971, um pequeno avião cartográfico do governo da Costa Rica tomava fotografias aéreas a cerca de 3.500 metros (10.000 pés) de altitude na área do Lago de Cote com uma câmera R-M-K 15/23, presa sob a fuselagem, ajustada para foco fixo (distância focal de 6 polegadas), tempo de disparo de 1/500’s a f/5.6 e intervalos de 17 segundos entre exposições sucessivas. O filme Kodak Safety 3665 era preto e branco, com uma sensibilidade de 80 ASA (que proporciona um negativo de baixa granulação e alta resolução), medindo 25,3 cm x 23,8 cm (529 cm2), próprio para tais tarefas. A bordo da aeronave estavam quatro tripulantes: Sergio L.V. (especialista en fotografia aérea), Omar A. (piloto), Juan B. C. (geógrafo) e Francisco R. (topógrafo). Nenhum membro da equipe de profissionais notou nada estranho na ocasião, até porque as fotografias foram tomadas por um sistema de mapeamento totalmente automatizado.

Ricardo Vilchez Navamuel

O objeto discóide sobre o lago só foi notado na imagem (abrangendo uma área de aproximadamente 11,5 quilômetros) por acaso, oito anos depois, quando alguém solicitou uma foto da área para o arquivo e percebeu que havia um objeto anômalo em uma das fotos. É bom frisar que o objeto de forma cônica achatada e aparência metálica brilhante não aparece nas tomadas anteriores ou posteriores da sequência, ou seja, restringe-se a uma única foto. Em maio de 1979, um colaborador do Departamento de Fotografia do Instituto Geográfico da Costa Rica contatou o ufólogo conterrâneo Ricardo Vilchez Navamuel, especialista em análises fotográficas. No final daquele mês, Vilchez enviou as fotos para os Estados Unidos para que lá fosse feita uma análise digital, uma tecnologia então indisponível na Costa Rica. Por ela ficou descartada ser a imagem devida a uma mancha no negativo, pois constatou-se que a emulsão estava normal. A análise estabeleceu que:

  • no momento em que foto foi tirada, o Sol encontrava-se a 16º no horizonte;
  • o objeto tinha aspecto metálico, embora os reflexos em sua superfície estivessem “invertidos” (a parte voltada para o Sol é a que aparece mais escura, e a parte que devia estar ofuscada, ainda mais devido a inclinação do objeto, é a que aparece mais brilhante);
  • o objeto parecia estar saindo da água, impressão causada devido a parte orientada para o oeste encontrar-se parcialmente “submergida”;
  • o objeto devia medir cerca de 210 metros de diâmetro.

Um ponto negativo é que a sombra do objeto não aparece sobre a água, quando deveria, ainda mais levando-se em conta suas dimensões. Tomando como referência as sombras no chão, inferiu-se que no momento em que as fotos foram batidas o avião se encontrava girando e a câmera não apontava perpendicularmente o solo.

Uma cópia do negativo original não só do OVNI mas de toda a sequencia fotográfica foi analisada pelos ufólogos Jacques Vallée e Richard Haines (cientista da NASA que trabalhou, entre outros, nos projetos Gemini, Apollo e Skylab). No artigo que publicaram conjuntamente em 1989 no Journal of Scientific Exploration, sustentaram que se tratava de um objeto sólido e tridimensional que no momento da captura se encontrava imóvel e iluminado pela luz solar. Na falta do negativo original e de maiores informações, a dupla isentou-se de um veredito final e preferiu manter o caso “em aberto”.[2] Na perspectiva de um parecer definitivo, no início de 1990 Vilchez conseguiu que o governo da Costa Rica lhe confiasse o negativo original e o enviou a Vallée e Haines para que o analisassem. No mesmo ano, a dupla publicou um novo artigo na mesma revista científica em que confirmavam suas avaliações anteriores e descartavam por completo qualquer possibilidade de a imagem do disco ter sido o resultado de dupla exposição, reflexo, montagem ou dano no negativo. A conclusão final de Vallée e Haines foi a de que “o disco aéreo é certamente anômalo. Embora possa não ser inexplicável, é ao menos não identificado.”[3]

Valleé voltou a defender a autenticidade da foto no livro que lançou no ano seguinte, Confrontos: “…tudo, na imagem, que cobre um território de 10 por 10 quilômetros, está perfeitamente focado. Distingue-se árvores, estradas e até animais nas fazendas. O objeto foi fotografado de cima, de uma altura conhecida, fixa, de forma que a distância máxima pode ser determinada, e portanto uma estimativa do tamanho do objeto é possível. Foi registrado tendo ao fundo a superfície negra do lago, o que significa uma superfície enorme, em contraste nítido com o disco desconhecido. A dimensão do OVNI no negativo (4,2 mm) é considerável, mostrando detalhes.”[4]

A fotografia completa do Lago de Cote.

A corroborar a presença de OVNIs na região, Vallée apurou que em 25 de outubro de 1986, às 9 horas da manhã, “duas testemunhas viram sobre o lago uma fileira de três ou quatro cilindros surgir na superfície do lago, com cerca de 1 m de altura. Depois viram outra série de objetos, subindo cerca de 1 m na superfície, a 1 m de distância uns dos outros. Desapareceram sob as águas.”[5]

Mesmo tendo de admitir que “O caso fotográfico é praticamente perfeito” e que “A possibilidade de fraude é pequena, dada a fonte oficial”, o céptico Kentaro Mori viu “certas inconsistências” na imagem do OVNI a apontar que não se tratava efetivamente de um “objeto físico”, mas talvez uma “partícula presa entre duas camadas de filme no rolo”. O fato de “as fotografias tomadas segundos antes e segundos depois não mostrarem nenhum OVNI” comprometeriam a imagem em que o OVNI aparece, pois “Supondo que o disco não tenha sido fotografado nessas outras imagens por ter se deslocado rapidamente para fora do enquadramento, pode-se estimar sua velocidade mínima. Valleé e Haines mesmo fizeram a estimativa, e o disco deveria ter se deslocado no mínimo a 2.300 km/h. Saindo de dentro do lago e disparando em tal velocidade, esperaríamos que criasse um estrondo sônico, mas os tripulantes do avião nada notaram. As fotografias adjacentes não apenas não mostram nenhum disco. Elas também não mostram nenhuma agitação na água do lago. Somando-se isso a certas inconsistências na imagem do OVNI, ele pode ser realmente um problema no filme, e não um objeto físico real…”[6]

Um outro site céptico, o La Mentira Está Ahí Fuera (um trocadilho com o lema “A verdade está lá fora” da série Arquivo X), no artigo “El OVNI del lago Cote (1971)”, publicado em 30 de maio de 2014, vai na linha de Mori e sugere que o OVNI não passa de uma avaria na lente da câmera: “Possui todo o aspecto de uma trinca causada por uma pedra durante a decolagem ou aterrissagem. Certamente isso já deve ter acontecido alguma vez com o para-brisa de seu carro.” Procurando por diferentes marcas que costumam surgir nos vidros dos carros, o autor do artigo encontrou uma de impacto chamada “Partial bullseye” que é praticamente idêntica aos contornos do OVNI visto na foto, inclusive com o círculo ao centro e a extremidade faltante, que no caso da foto do Lago de Cote transmite a sensação de que o objeto se encontra parcialmente mergulhado na água.

Mas se este é o caso, por que então o “OVNI” só aparece em uma das fotos? Porque, como bem explica o artigo, o Sol naquele exato instante se encontrava a 16º no horizonte e a câmera, devido ao movimento do avião, não estava perpendicular ao solo quando disparou, o que fez com que a luz do Sol incidisse lateralmente sobre a minúscula fratura na lente produzindo reflejos. De quebra, isso explicaria também a inversão das sombras, o formato do próprio objeto (que não é convexo como deveria ser sobre a água, mas côncavo sobre a lente) e a sua maior nitidez em relação ao restante da foto.

Vilchez defendeu que “Ao lado do Relatório Sturrock, de 1998, o Dossiê Cometa é a mais importante nota acadêmica deste século referente aos OVNIs.”

Acordos de cooperação

O ponto alto do Dossiê Cometa são as hipóteses que tentam explicar o Fenômeno OVNI. Algumas são teorias sobre o modo de propulsão dos discos, entre as quais um sistema de locomoção avançado baseado no princípio da magnetohidrodinâmica (MHD). Tal sistema permitiria a um objeto movimentar-se pela atmosfera gerando um campo magnético ao seu redor. O físico e ufólogo francês Jean-Pierre Petit é um dos que mais se dedicaram ao estudo dessa forma de propulsão. Entretanto, Petit concluiu que tal sistema é inoperante no espaço e funcionaria somente na atmosfera terrestre. Segundo outros especialistas, a MHD poderia explicar a ausência do estrondo produzido por OVNIs quando alcançam velocidades supersônicas.

John Mack

Não obstante, se por um lado o dossiê se concentra nos aspectos físicos dos OVNIs, por outro não fala quase nada sobre as abduções, mencionando-as apenas de forma passageira. Uma exceção é feita a John Edward Mack (1929-2004), psiquiatra da Universidade de Harvard que teve alguns de seus trabalhos mencionados no relatório. Não por acaso, entre 1993 e 1995 a Fundação Rockefeller havia doado cerca de US$ 500 mil a Mack, que escreveu vários artigos e livros postulando a realidade do fenômeno das abduções. Aparentemente o grupo Cometa era agressivo na defesa da materialidade do Fenômeno OVNI, mas tímido em relação aos aspectos subjetivos da presença de ETs na Terra.

Mas, afinal, qual teria sido o verdadeiro objetivo do documento? Isso fica patente na página 58 do relatório, na qual o Cometa declara enfaticamente que a França deve reafirmar perante o mundo sua liderança na investigação ufológica, o que seria alcançado mediante o reforço dos meios materiais e humanos do SEPRA no recolhimento de informações tanto na Europa quanto no resto do planeta. O Cometa também sugere que a França “…busque desenvolver novos métodos de investigação e análise, assim como venha a estabelecer acordos setoriais de cooperação com outros países, especialmente com os Estados Unidos”. Este trecho do documento foi visto por alguns segmentos da ufologia mundial como uma espécie de protesto contra a situação do SEPRA, então dirigido por Jean-Jacques Velasco, que teve um ótimo começo mas que se vira reduzido a um escritório de somente 18 m2 em Toulouse. Reforçando-se a entidade, como consta no informe, “…poder-se-ia consagrar utilmente seus esforços para a formação de jornalistas e a criação de um site na internet”.

O Dossiê Cometa, dentro do que fora recomendado pelo relatório Iron Mountain trinta anos antes, alertava que os OVNIs podiam vir a constituir uma ameaça à vida na Terra.

Invasão do espaço

Eis a razão de o documento ter o subtítulo Para o que devemos nos preparar? O Cometa aponta algumas respostas, entre as quais a elaboração de estratégias definidas e concretas ante a ameaça que eventualmente os OVNIs venham nos trazer no futuro. Nessa parte do dossiê o grupo francês vai além de muitos outros comitês já criados em todo o mundo para examinar o assunto e elenca as possibilidades relativas à aproximação de ETs da Terra, classificando-as da seguinte forma:

  • O que fazer no caso de aparições aleatórias de OVNIs e a eventual vontade expressa dos extraterrestres em estabelecer um contato oficial e pacífico com os seres humanos? Como se deverá reagir nesse caso?
  • Que atitude adotar no caso do descobrimento fortuito de uma base alienígena sob um ponto qualquer do território europeu que represente uma ameaça ou não a segurança do planeta?
  • Como devemos proceder no caso de uma invasão de seres alienígenas, embora isso seja considerada uma hipótese muito pouco provável, tendo em conta o fato de que já pode ter acontecido há muito tempo?
  • Qual seria a possibilidade de recebermos ataques localizados ou em massa sobre pontos estratégicos ou não da Terra? Haveria manipulação ou desinformação deliberada, com vistas a desestabilizar outras nações?

O Cometa, porém, não se limita a descrever tais possibilidades, mas tenta também apresentar soluções. Recomenda por exemplo que, estando no local de uma aparição ufológica, a testemunha deva deixar aos visitantes a iniciativa de um eventual contato: “Deve-se evitar uma mediação prematura”, pontifica o documento, que também adverte para que a testemunha de um avistamento seja discreta na hora de relatar sua experiência à imprensa, de modo a que os cientistas possam estudar o caso sem despertar curiosidade exagerada no grande público, já que “isso poderia conduzir ao desaparecimento de elementos importantes do caso, que se perderiam com o excesso de curiosidade popular.” Em meio a essas recomendações úteis e inéditas partindo de um órgão da envergadura do Cometa, o grupo também avalia fatos menos concretos e mais subjetivos quanto à origem dos OVNIs, entre eles a possibilidade de existirem bases extraterrestres no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, ou ainda de os ETs terem de fazer escalas na Lua para chegarem à Terra.

A discussão desses temas à primeira vista pode parecer desvairada, mas um exame mais detalhado da questão mostra que não. Em primeiro lugar, porque o cinturão de asteroides tem regularmente sido citado por abduzidos como local de possível proveniência de alguns de nossos visitantes. Considera-se que alguns dos asteroides tenham tamanho e condições suficientes para abrigar bases extraterrestres, e sem certos inconvenientes que planetas oferecem – entre eles a alta gravidade.

Escalas na Lua, por sua vez, podem soar como ficção científica, mas não quando analisadas à luz da moderna astronáutica. Se os extraterrestres que nos visitam vêm de lugares muito distantes, a Lua oferece condições especiais para um ponto de apoio estratégico. Além de ser remota aos olhos dos humanos, está suficientemente perto da Terra para servir de base. Mas o mais notório disso tudo não são tais especulações, e sim o fato delas constarem em um documento preparado e assinado por cientistas e militares que certamente estavam bem informados sobre o assunto.

Ao referir-se ao cinturão de asteroides, por exemplo, o Cometa baseou-se nos estudos do astrofísico grego Michael D. Papagiannis (1932-1998), doutor em física e astronomia pela Universidade de Harvard, professor de astronomia na Universidade de Boston (de 1964 até sua aposentadoria em 1994), ex-diretor da comissão da União Astronômica Internacional (International Astronomical Union) para a busca de vida extraterrestre (pesquisa conduzida principalmente via rádio) e autor de vários livros, entre eles Space Physics and Space Astronomy and Strategies for the Search for Life in the Universe (Física Espacial e Astronomia Espacial e Estratégias para a Busca por Vida no Universo), de 1972.[7]

Papagiannis teve durante vários anos um contrato com a NASA para observar e estudar os corpos celestes que recheiam o espaço entre Marte e Júpiter. Nas fotos tiradas em 1983 pelo Satélite Astronômico Infravermelho [Infrared Astronomical Satellite (IRAS)], por exemplo, Papagiannis encontrou subsídios para investigar emissões de raios infravermelhos anormais que eram provenientes desses objetos. Até hoje tais emissões não foram explicadas, e seu padrão foi considerado como não natural por muitos cientistas. Ora, não sendo naturais, por exclusão, tais emissões de raios infravermelhos só poderiam ser artificiais. Mas nenhum homem terrestre chegou aos asteroides para realizar tais proezas. Quem, então, as teria feito?

Arsenal repressivo

Quanto às duras críticas que o Cometa faz à manipulação de informações sobre o Caso Roswell pelo governo norte-americano, a mesma recebeu forte apoio da comunidade ufológica internacional. “O segredo e o obscurantismo que rodeiam este caso foram mantidos pelas autoridades dos Estados Unidos para conservar a superioridade tecnológica militar daquele sobre outros países”, acusa o grupo francês. Além disso, o Cometa menciona o Comitê Robertson, criado pela CIA em dezembro de 1952 como uma forma de despojar o Fenômeno OVNI de sua aura de mistério, minimizando suas consequências perante a sociedade. “O Comitê também foi criado para vigiar grupos e movimentos ufológicos que surgiam nos Estados Unidos, alguns infiltrados pelas agências de espionagem”, denunciou o relatório.

Os franceses não deixaram de acusar os Estados Unidos de terem criado, em 1953, um arsenal repressivo impressionante contra os OVNIs, ainda aparentemente em vigor, uma vez que, de fato, o governo norte-americano, por meio de dois decretos militares emitidos no início da Era Moderna dos Discos Voadores e da Guerra Fria, buscou interditar a divulgação pública de fatos relativos aos OVNIs. Os militares que divulgassem informações não autorizadas sobre o assunto estavam sujeitos a penas que variavam entre 10 anos de prisão, US$ 10 mil de multa, ou ambos – dependendo da gravidade do que fosse divulgado. Outro decreto semelhante se aplicava também aos pilotos de companhias aéreas civis e aos capitães da Marinha mercante, que assim eram impedidos de relatar experiências com OVNIs nos céus ou nos mares.

Nessa linha de contenção de informações sobre o assunto, o Cometa considera que os contatos de George Adamski com supostos venusianos em 1952, na Califórnia, foram divulgados propositadamente de forma a ridicularizar a ufologia, pois fariam parte de uma estratégia de desinformação para que a opinião pública se tornasse incrédula quanto à existência dos extraterrestres. “A ampla campanha de desinformação dos Estados Unidos teve como objetivo proteger as investigações que se faziam sobre uma arma de micro-ondas na Base Aérea de Kirtland, bem como sobre novos modelos de aeronaves não convencionais em Groom Lake”, diz um trecho do documento, referindo-se claramente à existência de atividades secretas na Área 51, chamada popularmente de Groom Lake ou Dreamland. “A desinformação tem permitido ao governo norte-americano utilizar a arma do ridículo contra ufólogos sérios”, completa o relatório.

Como se vê, os franceses pegaram pesado e deixaram clara sua posição de vanguarda, reconhecendo que o tema merece tratamento adequado e estimulando o diálogo entre civis e militares. Bem mais do que isso, sugeriram que a comunidade europeia se prontificasse a encarar cientificamente o assunto, orientando a população do continente – e depois a mundial – quanto a “inquestionável realidade” de que estamos sendo visitados por seres avançados do cosmos.

Melhores casos estudados pelo Cometa

O Cometa analisou uma grande quantidade de casos ufológicos considerados autênticos. A maioria foi investigada com metodologia científica rigorosa por órgãos oficiais dedicados à investigação ufológica, incluindo o GEPAN e o SEPRA. Disso resultaram críticas de grupos ufológicos civis que queriam ver incluídos no dossiê casos que eles próprios pesquisaram. De qualquer forma, ninguém discutiu a legitimidade dos casos apresentados e suas análises foram consideradas da maior importância para o entendimento do Fenômeno OVNI. Vejamos alguns dos casos examinados pelo Cometa, em ordem cronológica:

Tananarive, Madagascar – Em 16 de agosto de 1954, Edmond Campagnac, oficial de artilharia na reserva e ex-chefe dos serviços técnicos da Air France em Madagascar, viu, junto com centenas de pessoas, uma grande esfera verde movimentando-se a grande velocidade no céu, acompanhada de um objeto lenticular que emitia faíscas.

Lakenheath, Inglaterra – Nos dias 13 e 14 de agosto de 1956, numa base conjunta da USAF e da RAF, perto de Cambridge, os radares captaram um objeto aéreo desconhecido que acelerou de 3.200 a 6.400 km/h. A RAF enviou um avião Venom para persegui-lo. O piloto estabeleceu contato visual com o objeto e apontou sua metralhadora para ele, mas o OVNI mudou sua posição e começou a perseguir o avião, até que decidiu recuar.

Estados Unidos – Em 17 de julho de 1957, o bombardeiro RB-47 realizava um treinamento na região centro-sul do país quando, próximo a Louisiana, a tripulação observou uma luz muito intensa dirigindo-se até o avião e logo desaparecendo no ar. Outros objetos foram vistos e captados por variados radares entre os estados do Texas e Utah.

Nantes, França – Entre Nantes e Poitiers, em 3 de março de 1976, o coronel Claude Bosc realizava um voo de treinamento noturno em um avião T-33. Rapidamente, um objeto luminoso com velocidade vertiginosa se aproximou e tocou a asa do avião de Bosc. O radar não captou nada de anormal, mas outros aviadores também observaram a misteriosa luz.

Teerã, Irã – Em 18 e 19 setembro de 1976, um objeto cilíndrico foi observado pairando no ar, sobre a capital. Em suas extremidades piscavam luzes multicoloridas e um avião Phantom F-4 foi enviado para interceptá-lo, ao que um objeto brilhante saiu do OVNI e dirigiu-se até o avião. Neste momento o piloto tentou disparar um míssil, mas seus instrumentos deixaram de funcionar misteriosamente. O objeto então se aproximou até seis quilômetros do avião para, vendo sua paralisação, regressar ao interior da nave-mãe.

Dijon, França – Em 7 de março de 1977, M. Giraud, pilotando um avião a jato Mirage 4, observou uma luz muito brilhante em rota de colisão com sua aeronave. O objeto estava a 1.500 metros do avião e logo desapareceu a grande velocidade.

Trans-en-Provence, França – Em 8 de janeiro de 1981, um homem construía abrigo para uma pequena bomba d’água em seu jardim quando viu descer do céu um objeto metálico de forma oval. Após alguns minutos parado no ar, o OVNI ascendeu novamente sem emitir qualquer ruído. A Guarda Nacional e depois o GEPAN coletaram amostras da vegetação, que se encontrava queimada no local onde supostamente o objeto pousou. O bioquímico Michel Bounias, professor associado das Universidades de Avignon, Belgrado e Quebec, realizou análises e concluiu que a vegetação foi modificada por um potente campo eletromagnético de alta frequência (micro-ondas).

Nancy, França – Em 21 de outubro de 1982, um biólogo viu um misterioso objeto pousar sobre seu jardim e lá permanecer durante vinte minutos. Flutuava a um metro de altura, tinha forma ovoide e um metro de diâmetro. Seu aspecto era metálico e muito brilhante, com a parte superior verde-azulada. O OVNI subiu na vertical e desapareceu. As extremidades das folhas de um arbusto ficaram desidratadas, dando a impressão de terem sido submetidas a um campo eletromagnético muito intenso.

Rússia – Em 21 de março de 1990, na região de Pereslavl-Zalesski, a leste de Moscou, vários OVNIs de 100 a 200 metros de diâmetro foram perseguidos por aviões militares enquanto realizavam manobras à altíssima velocidade.

Coulommiers, França – Em 28 de janeiro de 1994, o comandante Jean-Charles Duboc e seu co-piloto, realizando o voo da Air France AF 3532, observaram um OVNI de grandes dimensões em forma de campana e de cor marrom a 10.500 metros de altitude. O objeto foi captado pelos radares.

Bariloche, Argentina – Em 31 de julho de 1995, um avião fazendo o voo AR 674 da companhia Aerolíneas Argentinas, vinha de Buenos Aires e se preparava para aterrissar na estância montanhosa quando, de repente, surgiu um OVNI. Enquanto o objeto permaneceu na área houve um blecaute na cidade, que afetou também o aeroporto.

Algumas afirmações do Dossiê Cometa

Inteligência Artificial – “Os OVNIs parecem ser máquinas voadoras desconhecidas, de performances excepcionais e guiadas por uma inteligência artificial.”

Armas Secretas – “Ainda precisamos analisar profundamente as políticas de desinformação postas em prática por certos governos estrangeiros, além da insensatez de alguns deles em buscar a apropriação da tecnologia futurista dos extraterrestres para aperfeiçoar suas aeronaves militares e demais armas secretas, com as quais podem vir a dominar o resto do mundo.”

Hipótese Extraterrestre – “O acúmulo de observações bem documentadas desses fatos feitas por testemunhas idôneas e capacitadas, obriga as autoridades a encarar todas as questões sobre sua origem, natureza e características. Em particular, a hipótese extraterrestre.”

Superioridade – “Tudo nos leva a pensar que esses visitantes, seguros de sua superioridade, mostram gradualmente suas intenções em continuar revelando-se aos poucos, nos mais diversos lugares do planeta, e de prosseguirem com a execução de seus planos, cujas finalidades ainda desconhecemos.”

Pressão Popular – “Somente uma pressão crescente da opinião pública mundial, eventualmente sustentada por resultados obtidos por investigadores independentes e divulgações mais ou menos calculadas sobre a presença alienígena na Terra, poderiam persuadir os dirigentes e os responsáveis americanos a modificarem sua atitude de desinformação.”

Manipulação – “Os meios de comunicação podem ser facilmente manipulados por lobbies ou grupos de pressão dos mais diversos tipos e com finalidades setoriais. Por exemplo, algumas dessas instituições podem obrigar os políticos a criar um instituto de desinformação ufológica e, desta maneira, usar os resultados dessa campanha como tentativa de desestabilização de outras nações. Na prática isso já vem sendo feito e precisa imediatamente ser interrompido.”

Realidade Física – “Os organismos franceses que investigam oficialmente os OVNIs constataram a sua realidade física, suas excepcionais performances de voo e o silêncio com que aparentemente se movimentam em nosso planeta. Tais objetos impressionam fortemente por suas manobras.”

Notas:

[1] Les OVNI et la Défense: À quoi doit-on se préparer? Paris, Comité d’Études Avances (Cometa), 1999; Éditions du Rocher,‎ 2003.

[2] Haines, Richard & Vallée, Jacques. “Photo Analysis of an Aerial Disc Over Costa Rica”, in Journal of Scientific Exploration, vol.3, nº 2, 1989, p.113-131.

[3] IDEM, “Photo Analysis of an Aerial Disc Over Costa Rica: New Evidence”, in Journal of Scientific Exploration, vol. 4, nº 1, 1990, p.71-74.

[4] Vallée, Jacques. Confrontos: A Pesquisa e o Alerta de um Cientista sobre Contatos Alienígenas, São Paulo, Best Seller, s.d., p.71-72.

[5] Ibid., p.73.

[6] Mori, Kentaro. “Lago de Cote”, in Ceticismo Aberto, 22-8-2009.

[7] Papagiannis, Michael D. Space Physics and Space Astronomy and Strategies for the Search for Life in the Universe, London, Gordon & Breach, 1972.

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