Os 20 anos de “O Maior Segredo”, de David Icke

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

O conceito usual de reptilianos como seres que só existem fora da gama de frequência de nossos sentidos físicos e que se infiltraram na forma humana para controlar esta dimensão, foi concebido e popularizado pelo inglês David Icke (1952-), que de jogador de futebol profissional, repórter, apresentador de programas de esportes da BBC e porta-voz do Partido Verde britânico, passou a pesquisador e tornou-se um dos mais bem sucedidos escritores de livros conspiracionistas.

Foi há exatos vinte anos que em O Maior Segredo: O Livro que Mudará o Mundo, Icke lançou a mirabolante teoria – expandida em FIlhos da Matriz: Como uma Raça Interdimensional Tem Controlado o Mundo Durante Milhares de Anos – E Ainda o Faz, de 2001 – de que a elite religiosa, política e financeira mundial, os Illuminati, que também chama de Fraternidade Babilônica – por descender consanguineamente dos primeiros monarcas babilônios, cujos descendentes foram faraós egípcios, líderes da Grécia antiga e imperadores romanos –, é composta em sua maioria por seres híbridos humano-reptilianos que necessitam ingerir sangue humano (de preferência de bebês ou crianças loiras de olhos azuis e/ou cabelos ruivos, que teriam maior “energia”) para que o seu DNA híbrido não sofra mutação e vire humano em definitivo.

Para Icke, os reptilianos dominam o mundo utilizando-se de frequências distintas de nossa realidade, aprisionando-nos em nós mesmos (Realidade Matrix) em uma “volta” de tempo fabricada na qual o “tempo” é um círculo constantemente se repetindo, um “eterno retorno”, impedindo-nos de ver a verdadeira realidade, fragmentando nossas mentes e reprogramando os fragmentos, utilizando as linhagens sanguíneas Illuminati para ativar, por meio de diversos canais (rádio, televisão, cinema, rituais, orações, competições esportivas, etc.), os programas mentais do fragmento que desejarem, a fim de levarem a cabo uma agenda mundial.

Ao encontrar pontos fracos em nossa mente, eles conseguem “tomar o controle”. Uma vez possuída, aquela mente deixa de ser humana para ser totalmente reptiliana, tornando-se mero veículo para que essas entidades manipulem esta realidade.

Esses reptilianos e os seus aliados corromperam o DNA da Terra com os seus próprios e essa infiltração genética permanece dormente até que seja ativada pelos campos vibracionais gerados pelos rituais secretos illuminati e outros à vista de todos, como as cuidadosamente projetadas coroações e cerimônias oficiais de muitos tipos, incluindo até mesmo a Abertura do Parlamento do Reino Unido e aqueles das várias religiões. Uma vez ativado, o DNA abre o corpo para a possessão por esses reptilianos e outros seres interdimensionais, o que estaria acontecendo, por exemplo, aos maçônicos nos seus rituais.

É justamente porque precisam saber quem tem o potencial para esta ativação e possessão, é que os Illuminati são tão obcecados em conhecer as linhagens genéticas das pessoas. O banco de dados genealógico da Igreja Mórmon e os bancos de dados de DNA, seriam assim projetados sobretudo para identificar aqueles com a linhagem genética favorável, aqueles que são incumbidos de desempenhar determinados papéis e servir a Agenda Illuminati, ainda que a maioria não tenha a mínima ideia a quem estão realmente servindo e para o que estão sendo usados.

Os seres reptilianos lançam mão tanto de intervenções genéticas para criarem seres híbridos (homem-réptil) e assim propiciar a “transformação”, quanto apenas da manipulação de nossa mente, quando nosso DNA é puramente humano. Para controlar mentalmente as pessoas, os Illuminati as desconectam do verdadeiro conhecimento a respeito delas mesmas e do potencial infinito que possuem. É por isso que a religião – “a melhor forma de controle mental em massa já inventado”, nas palavras de Icke – tem sido uma das armas mais efetivas dos Illuminati e das linhagens genéticas reptilianas.

A supressão do verdadeiro conhecimento passa, crucialmente, pela debilitação de nossa saúde física e mental mediante a imposição de dietas alimentares nocivas (suplementos alimentares, conservantes, comida fast-food, transgênicos, agrotóxicos, etc.), flúor nos suprimentos de água e consumo de drogas. Intoxicadas pela propaganda e por todo tipo de vícios e hábitos nocivos, as pessoas permanecem obnubiladas, operando muito longe do seu potencial máximo.

O controle da mente para a produção de literalmente milhões de robôs programados para levar a cabo a Agenda Illuminati de escravização total do ser humano, segundo Icke, iria ainda muito mais longe do que isso e incluiria operações para eliminar pessoas e organizações que são uma ameaça para a Agenda, a infiltração de agentes em posições de poder para a implementação da Agenda e a criação de eventos de grande magnitude (colapsos econômicos, atentados terroristas, guerras, catástrofes ecológicas, falsas invasões extraterrestres, etc.) que farão o público aceitar e apoiar essa Agenda. Desta maneira, fatos aparentemente desconexos tornam-se aspectos da mesma conspiração para introduzir a mesma Agenda.

Icke cogita que o domínio reptiliano não foi estabelecido há uns poucos anos, nem tampouco há décadas ou séculos, mas sua origem remonta há milhares de anos atrás: “A estrutura das instituições atuais de governo, bancos, negócios e mídia não foram infiltradas por esta força, elas foram criadas por eles desde o começo, há muitos milênios. É o desdobramento de um plano, peça por peça, para o controle centralizado do planeta.”[1]

A receita de Icke para ficarmos livres da onipresente servidão reptiliana é muito simples. Bastaria que deixássemos de aceitar e adorar “Senhores” e “Deuses” e nos darmos conta de que o nosso próprio reino foi tomado e finalmente olharmos para nós mesmos como nossos próprios Mestres ou Deuses, o que não é muito diferente do que já havia sido proposto há muito pelos gnósticos e mais recentemente, em 1984, por Salvador Freixedo ao adjudicar em ¡Defendámonos de los Dioses! que o homem deve ser o sujeito de suas próprias escolhas, “mantendo sempre a mente em estado de alerta, não entregando-a em definitivo nem a líderes religiosos e políticos, ídolos esportivos, nem a médicos, nem a ninguém”.[2]

A origem desses reptilianos é apontada por Icke como sendo, sugestivamente, a Constelação de Draco, no hemisfério celestial norte, próxima do pólo celeste norte e das Ursas Maior e Menor, de onde os antigos acreditavam que vinham seus deuses chamados por eles de “Povo do Dragão” ou “da Serpente”, os quais eram vistos voando pelo céu em naves que se pareciam com dragões ígneos.

A “realeza” das muitas sub-raças e raças cruzadas de reptilianos é conhecida como os Dracos, que medem entre 2,10 metros e 3,65 metros de altura e têm asas que são saliências de pele suportadas por costelas prolongadas. As asas podem ser retraídas contra o corpo e elas são a origem do termo “serpente alada” e “anjos caídos”. O Satã bíblico, portanto, não seria nada mais do que um reptiliano.

A casta superior dos Dracos seriam brancos albinos e teriam aparentemente chifres cônicos entre a sobrancelha e o topo do crânio, o que impressionava muito e levou os antigos deuses e realezas a serem retratados usando um adorno de cabeça com chifres, simbólico desses reptilianos “reais”.

Outras espécies, como a classe dos soldados e dos cientistas, conhecidos simplesmente como reptoides, não teriam asas e seriam controladores dos assim chamados greys, os ETs cinzentos com seus grandes olhos negros.

O centro do poder desses seres não se situaria nesta dimensão, segundo Icke, mas na “quarta dimensão inferior, o astral inferior como muitos chamam, a casa tradicional para os ‘demônios’ do folclore e da mitologia. Nesta quarta dimensão é que as entidades reptilianas trabalham com estas linhagens híbridas, com quem possuem uma compatibilidade vibracional.”

Notas:

[1] Icke, David. The Biggest Secret: The Book that Will Change the World, Arizona, Bridge of Love Publications, 1999, p.11.

[2] Freixedo, Salvador. ¡Defendámonos de los Dioses!, Algar, 1984, capítulo 8.

 

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