Os Mensageiros: corujas, sincronicidade e abduções alienígenas

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

O sociólogo francês Pierre Lagrange observou certa vez em uma conversa com seu conterrâneo Jacques Vallée, que nos relatos ufológicos “o único elemento que falta é o familiar – o gato preto ou a coruja usados para acompanhar as bruxas!”

Faltava. Muitas testemunhas têm alegado que viram corujas antes e depois de terem sido abduzidas, por mais estranho que isso possa parecer. Qual a conexão desse animal que ocupa um lugar de reverência mística ao longo da história com as abduções ufológicas? Das lendas de nosso passado antigo aos relatos em primeira mão dos abduzidos por OVNIs, as corujas estão desempenhando um papel vital, relacionadas que estão com sincronicidades profundas, símbolos, arquétipos, sonhos, mitos e experiências xamanísticas. O que acontece é uma história de transformação pessoal com a coruja no centro dessa jornada.

Autor do livro The Messengers: Owls, Synchronicity and the UFO Abductee (Richard Doland Press, 2016), o ilustrador, escritor, aventureiro e ufólogo Mike Clelland, que cresceu nas planícies de Michigan e passou dez anos (como um yuppie) na cidade de Nova York, e que atualmente vive em Adirondacks, se tornou o primeiro autor a explorar as implicações que vão muito além do que os pesquisadores mais heterodoxos ousariam considerar.

Mike Clelland junto com uma amiga coruja.

Clelland ficou obcecado pelo assunto como resultado de uma estranha experiência pessoal de interação com um grupo de corujas. Isso mesmo, corujas. Isso o levou a criar um blog para falar sobre sua experiência e logo ficou impressionado com a quantidade de leitores que passaram a relatar experiências muito semelhantes às dele. Clelland começou então a investigar a questão mais profundamente e a coletar relatos em primeira mão de outras pessoas, e as histórias que ele começou a ouvir foram além do bizarro e do estranho.

Um jovem chamado Joe estava levando seus quatro amigos para casa uma noite, quando ele e seu amigo Dave, no banco do passageiro, viram uma luz azul brilhante descendo no céu. Joe e Dave ficaram sem palavras até depois que a perderam de vista além da linha das árvores. Depois que o choque passou, eles disseram às três pessoas nos bancos traseiros o que tinham acabado de ver. Eles estavam viajando a cerca de 80 km/h quando uma coruja branca voou ao lado do carro com a cabeça virada, olhando diretamente para os passageiros. Esta coruja voava ao lado da janela do passageiro, perto o suficiente para que Dave pudesse estender a mão e tocá-la. A coruja pairou lá por cerca de cinco segundos e depois voou. Então, a menos de um quilômetro e meio da estrada, outra coruja branca fez exatamente a mesma coisa – novamente olhando de lado enquanto voava ao lado do carro olhando pela janela de Dave. De repente, todos no carro começaram a gritar, como se todos sentissem o mesmo medo primordial.

Os tipos de experiências relatadas em The Messengers variam do mundano ao horripilante. Mas uma coisa é certa: eles eram muito reais para as pessoas que os experimentavam. Algumas delas nem sequer tinham se dado conta da estranheza do incidente até a tivessem recontado a Clelland.

À medida que Clelland se aprofundava e recolhia mais e mais histórias, outro padrão se tornava fortemente consistente. A de que eles também tiveram algum tipo de avistamento ou contato com OVNIs e extraterrestres. E muitas das histórias se sobrepunham, o suficiente para que Clelland chegasse à conclusão de que haveria uma conexão entre as duas.

Corina Saebels estava voltando para casa com sua família, dirigindo devagar, e em uma curva acentuada, os faróis do carro iluminaram o que ela só podia descrever como um típico alienígena cinzento parado na beira da estrada. “Eu pisei no freio no meio da estrada e gritei. As crianças e eu começamos a tremer sem controle, mas estranhamente Rob (o marido) apenas se virou calmamente para mim e disse: ‘Com o que vocês estão tão preocupados? Grande coruja!’”

A hipótese é que quando os alienígenas estão interagindo com seres humanos, eles de alguma forma os induzem a ver algo diferente de um ser alienígena assustador a fim de mantê-los calmos durante a experiência. Parece que a “projeção” mais comum que as pessoas veem são corujas de 1 a 3 metros de altura. O romancista e abduzido Whitley Strieber, que descreveu experiências aterrorizantes em seu best-seller Communion (Comunhão), de 1986, confidenciou que muito antes de começar a ter experiências de sequestro, “Havia uma coruja branca que costumava ficar em nosso quintal e observar as janelas do meu quarto quando eu era criança. Isso deixou meus pais nervosos. Foi nessa época que eles começaram a pregar as telas.”

Para os que as veem, as corujas parecem de fato reais e não meras projeções, até porque interagem com elas. Muitas pessoas contam histórias sobre uma coruja que as seguiram pela cidade por várias semanas e até meses, e que ficavam no quintal da frente, empoleirado em um poste de luz ou em uma árvore, e depois seguiam essas pessoas pela cidade enquanto circulavam, sempre as vigiando.

Clelland investiga todas as teorias e cenários possíveis que possam ajudar a explicar o que está acontecendo, cobrindo tópicos do xamanismo à mitologia, da história do homem das mariposas ao simbolismo da coruja em Bohemian Grove. É uma jornada realmente extensa e está repleta de uma infinidade de histórias incríveis que, na maioria das vezes, parecem bizarras demais para serem inventadas. Recomendo este livro tanto para os crentes como para os cépticos e culturalistas inveterados.

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