CoronaV de Vingança: Os filmes que anteciparam a pandemia de Covid-19

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

É sintomático o quão precisas foram muitas das “antevisões” feitas pelos filmes nas últimas décadas. O roteiro para o coronavírus, assim como o de eventos de monta do porte de um 11 de Setembro, já estava escrito há muito e foi antecipando em vários seriados e filmes por “magos negros” que integram a elite ocultista Illuminati ou tiveram acesso a informações privilegiadas de membros pertencentes a ela e procuraram nos avisar dos planos que iriam ser executados. Essas prévias de suas ações futuras são ao mesmo tempo uma forma de chacota sádica, típica de psicopatas, e de ir preparando psicologicamente a população para aceitar o inevitável.

Cabe lembrar que, afora o cinema, as cartas do jogo TCG (Tranding Card Game) Illuminati New World Order (INWO), desenvolvido a partir de 1990 e lançado no mercado em 1995 pelo projetista de jogos norte-americano Steve Jackson, fundador da S. J. Games (cujo logotipo é uma pirâmide illuminati com o olho que tudo vê), que anteciparam de modo espantoso e indubitável uma série de acontecimentos relacionados a Nova Ordem Mundial, entre eles os Atentados de 11 de Setembro, já sugeriam a irrupção de epidemias globais.

Eis aqui os filmes que anteciparam em quase tudo a pandemia e que por isso são fundamentais para compreendermos o que anda se passando:

1) O Último Homem na Terra (The Last Man on Earth), EUA, 1964. Direção: Ubaldo Ragona e Sidney Salkow. Roteiro: Richard Matheson, Ubaldo Ragona, Furio M. Monetti, William F. Leicester. Nesta primeira versão do livro de Matheson, Vincent Price faz o cientista que sobrevive a uma epidemia global e, refugiado em sua casa, se defende como pode dos ataques dos humanos doentes, transformados em vampiros que temem a luz e se alimentam de sangue, enquanto tenta encontrar outros sobreviventes e uma possível cura.

2) O Enigma de Andrômeda (The Andromeda Strain), EUA, 1971. Direção: Robert Wise. Roteiro: Nelson Gidding, baseado no livro de Michael Crichton. Satélite artificial cai no Novo México carregando um micro-organismo que se espalha rapidamente entre a população e mata todos na cidade próxima à queda, exceto um bebê e um velho. Uma equipe de cientistas tenta conter a epidemia e encontrar a cura, numa corrida lancinante contra o tempo. Cineasta inovador, Wise já havia dirigido clássicos da FC como O Dia em que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still), de 1951.

3) The Thing (Enigma de Outro Mundo), EUA, 1982. Direção: John Carpenter. Roteiro: Bill Lancaster, baseado no conto “Who Goes There?”, de John W. Campbell Jr., publicado na revista Astounding em agosto de 1938. Remake de The Thing from Another World (O Monstro do Ártico), de 1951, é outro daqueles filmes proféticos e antecipatórios de John Carpenter, esse “mago negro” de Hollywood, que nos legaria mais tarde o quintessencial They Live (Eles Vivem).

Na remota Estação 4 do Instituto Nacional de Ciências dos Estados Unidos, na Antártida, doze homens, entre cientistas e operários, são contaminados por um parasita alienígena que estava adormecido no gelo e que muda de forma, podendo assumir a aparência de seus hospedeiros.

A incapacidade de determinar o agente infeccioso, o mecanismo de contaminação e quem já estaria infectado, reflete as ansiedades atuais sobre como as pessoas podem ter o coronavírus e não mostrarem sinais de infecção. No filme, isso leva à intensa paranoia e ansiedade. Essa incapacidade de poder dizer o que é, essa incerteza e essa ambiguidade, gera as emoções negativas que as pessoas estão enfrentando. O vírus é invisível, mas a paranoia é muito palpável. O alienígena, como o coronavírus, tendia a absorver todos os seres vivos do planeta e – no filme – substituí-los por cópias perfeitas.

A cena em que o Dr. Blair (Wilford Brimley) usa o computador Superbrain para fazer projeções quanto a velocidade e abrangência da contaminação é emblemática. Vê-se na animação gráfica a simulação de uma célula canina sendo assimilada pela célula intrusa, imitando-a por completo. A probabilidade dos membros da equipe estarem infectados já era de 75%, indica o computador, que vaticina que em 27 mil horas (cerca de 3 anos) a população inteira da Terra estaria infectada caso o organismo intruso chegasse às áreas populosas…

4) Os Doze Macacos (Twelve Monkeys), EUA, 1995. Direção: Terry Gilliam. Roteiro: Chris Marker e David Webb Peoples. Um vírus mortal liquida quase toda a humanidade em 1996, forçando os poucos sobreviventes a viverem no subsolo. Em 2027, James Cole (Bruce Willis), um prisioneiro que vive em um abrigo subterrâneo sob as ruas de Filadélfia, atormentado por sonhos recorrentes, é treinado e enviado de volta no tempo para recolher informações sobre o vírus, a fim de ajudar os cientistas a desenvolver uma cura. A frase no cartaz do filme é: “O futuro é apenas história”.

5) Arquivo X: O Filme (The X-Files: Fight the Future), EUA, 1998. Direção: Rob Bowman. Roteiro: Chris Carter. Uma pandemia do mesmo gênero e escala da atual, que aliás só é assim declarada quando há a propagação mundial de uma nova doença que afeta uma quantidade massiva de pessoas e que tenha transmissão sustentada de novos casos nesses locais, foi antecipada em 1998 pelo filme The X-Files: Fight the Future, que foi o primeiro longa-metragem da famosa série de televisão Arquivo X que faz a ligação da quinta para a sexta temporadas. Atentem para este trecho do diálogo entre o agente do FBI (Federal Bureau of Investigations) Fox Mulder (David Duchovny) e o The Well-Manicured Man, ou Homem das Unhas-Bem-Feitas (John Neville) no filme, que aliás teve o subtítulo bem apropriado de Combata o Futuro:

HUBF: Você conhece o vírus Hanta?
Mulder: Sim. Um vírus fatal propagado por ratos muitos anos atrás. Os jornais diziam que a FEMA tinha sido chamada para controlar a epidemia.
HUBF: Você sabe qual é o poder de ação da Federal Emergency Management Agency?
Mulder: Ela pode suspender o governo federal constitucional ao declarar estado de emergência nacional.
HUBF: Pense nisto. O que faz uma agência tão poderosa administrando um pequeno surto virótico no Texas?
Mulder: Você está querendo dizer que não foi um pequeno surto?
HUBF: Não. Estou dizendo que não foi o vírus Hanta.
Mulder: Bom, e o que foi?
HUBF: Anos atrás, seu pai e eu fomos recrutados para um projeto. Guerra biológica. Um vírus.
Mulder: O que matou aqueles homens?
HUBF: Algo que você jamais escreveria sobre. Não podemos dar nem contexto à amplitude. Ou mesmo medir a escala do que isto poderia desencadear.
Mulder: Uma praga?
HUBF: A praga das pragas. Uma arma silenciosa para uma guerra ainda mais silenciosa. A liberação sistemática de um organismo indiscriminado para o qual não há cura. Eles vêm trabalhando nisto há 50 anos. Enquanto o mundo se ocupava dos comunistas esses caras estavam negociando um Armageddon.
Mulder: Negociando com quem?
HUBF: Acho que você sabe. O cronograma foi definido. É para ocorrer em um feriado quando as pessoas estiverem viajando. Um estado de emergência será declarado, e o governo ficará sob as ordens da FEMA. O governo secreto.

A Agência Federal de Gerenciamento de Emergências [Federal Emergency Management Agency (FEMA)] é de fato a organização mais poderosa dos Estados Unidos, com poderes superiores aos do próprio Presidente da República, podendo, dentre uma infinidade de atribuições, suspender leis, controlar meios de comunicação e mídias, movimentar populações, deter e prender cidadãos sem quaisquer julgamentos, confiscar propriedades, sistemas de geração de energia, gás, petróleo, combustíveis e minerais, alimentos, fazendas e transportes, e até mesmo suspender os direitos constitucionais.

Os agentes Mulder e Dana Scully (Gillian Anderson) ficaram sob quarentena três vezes ao longo da série, nos episódios Terror no Gelo (1×07: Ice), Quando a Noite Cai (1×19: Darkness Falls) e Firewalker (2×09: Firewalker), após contato com organismos infecciosos.

Arquivo X e suas séries derivadas (Millennium e Pistoleiros Solitários) já tinham antecipado vários eventos que de fato sobreviriam, como o 11 de Setembro. O alerta de que contaminações viróticas massivas inevitavelmente irromperiam também foi feito em muitos episódios, com destaque para os últimos das décima e décima primeira temporadas em 2016 e 2017, intituladas My Struggle (Minha Luta), subdividas em quatro partes. Essas temporadas, produzidas 14 anos depois do fim da série em 2002, anteciparam nos episódios citados, com mais ênfase em Minha Luta II (escritos e dirigidos pelo criador da série, Chris Carter), grande parte do que estamos vivenciando agora como se fosse uma espécie de aviso, uma preparação, senão vejamos.

THE X-FILES: L-R: David Duchovny and Gillian Anderson in the “My Struggle III” season premiere episode of THE X-FILES airing Wednesday, Jan. 3 (8:00-9:00 PM ET/PT) on FOX. ©2017 Fox Broadcasting Co. Cr: Robert Falconer/FOX

Neles, há o surto generalizado de um vírus “espartano”, projetado para anular o sistema imunológico humano (tipo uma AIDS mais rápida, mas sem o HIV), cujo contágio se manifesta tão rapidamente que o número acentuado de pacientes superlota os hospitais e os centros de triagem, colapsando o sistema de saúde. O conselho das autoridades é o confinamento: “Fiquem em casa”. A escala da propagação se torna global. Os primeiros atingidos são pessoas de quem dependemos, policiais, agentes de saúde, depois as pessoas nas cidades. Por fim, “Todos seremos expostos” – é a frase literal dita – a “uma epidemia global, uma primeira onda de contaminação”. Esse vírus seria capaz de “mexer com o nosso DNA e desligar nosso sistema imunológico, adicionando algo ao nosso DNA”. Sugere-se que “o DNA estaria sendo alvejado por uma liberação de alumínio na atmosfera através de trilhas químicas (chemtrails), uma difusão sistemática de substância que desencadeia resposta genética.” O que a população inteira já teria adrede em sua “linha germinal” seria “um vírus dentro de um vírus, posto por meio da vacina da Varíola, o tal vírus espartano”. Em Minha Luta IV, é dito: “Vão soltar uma praga e causarem uma pandemia”. Em suma, o vírus facilitaria a extinção da raça humana…

6) Resident Evil, EUA, Reino Unido, França, Alemanha, 2002. Direção e roteiro de Paul W. S. Anderson. Um terrível vírus, criminosamente solto nas dependências da Umbrella Corporation, uma companhia farmacêutica de bioengenharia que produz armas biológicas, infecta seus funcionários que são transformados em zumbis. Alice (Milla Jovovich) é chamada para controlar a situação, mas não evita a contaminação da população inteira com o “T-vírus” e o desencadeamento do “apocalipse zumbi”, que será explorado nos filmes subsequentes da franquia e em muitos outros filmes e seriados.

7) V for Vendetta (V de Vingança), EUA, Reino Unido, Alemanha, 2005. Dirigido por James McTeigue e adaptado da graphic novel escrita por Alan Moore e ilustrada por David Lloyd (em 1982) pelas irmãs Wachowski, que também haviam roteirizado e dirigido Matrix (1999), conta a história de um mundo pós-apocalíptico em crise e em guerra no final da década de 2020.

Os Estados Unidos, mergulhado em guerra civil, não são mais uma superpotência, enquanto uma pandemia mortal do “vírus de Santa Maria” assola o continente europeu. O Reino Unido, governado pelo partido fascista Fogo Nórdico (Norsefire), comandado pelo alto chanceler Adam Sutler [John Hurt, que desempenhou um papel oposto em outro filme distópico, o do personagem Winston Smith na adaptação do livro Nineteen Eighty-Four (1984), de George Orwell, roteirizado e dirigido por Michael Radford em 1984], está submetido a uma rígida “quarentena”, com toques de recolher, devido a um ataque biológico por um vírus desconhecido.

A investigação acaba revelando que o vírus foi deliberadamente “gerado” em uma instalação sombria de experimentação chamada Larkhill depois que o então secretário de Defesa Adam Sutler seguiu o conselho do líder do partido Fogo Nórdico (Tim Pigott-Smith) para liberar o vírus no Reino Unido para que ambos ascendessem a um poder maior. Sendo os únicos a oferecer a “cura” para ele, atribuiriam a culpa pela epidemia aos “terroristas”, dos quais apenas Sutler poderia proteger o país. O tempo todo, naturalmente, lucrariam com a tática milenar do action-reaction-solution (ação-reação-solução) que os governos estão explorando como nunca e as empresas de biotecnologia se beneficiando como nunca no presente enredo distópico real ao vivo que tomou conta do mundo em 2020.

O verdadeiro sinal revelador será quando e como a “cura” será revelada e quem poderá tirar o máximo proveito dela. A cena de Sutler dizendo aos seus assessores de confiança e manipuladores da mídia o que deveriam fazer, bem poderia ser a fala dos governantes atuais. Sim, não há nada como a ameaça de um vírus misterioso e ainda intratável para subjugar as massas e torná-las suscetíveis a qualquer sugestão necessária: “O que precisamos agora é uma mensagem clara para as pessoas deste país. Essa mensagem deve ser lida em todos os jornais, ouvida em todos os rádios, vista em todas as televisões. Esta mensagem deve ressoar em todo o InterLink! Eu quero que este país perceba que estamos à beira do esquecimento. Quero que todo homem, mulher e criança entenda o quão perto estamos do caos. Quero que todos se lembrem por que precisam de nós!” Corta para uma série de manchetes horríveis, incentivando as pessoas a não se anteciparem ao pensar que “V” é algum tipo de símbolo de esperança, lembrando a todos que: “Fora da zona de quarentena, um novo patógeno no ar matou 27 pessoas”.

Várias centenas morrem nas primeiras semanas. Alimentado pela mídia, o medo e o pânico se espalham rapidamente, tal como hoje, levando a população a clamar pela necessidade de um Estado protetor e “salvador”. A “ordem” é oferecida em troca do consentimento silencioso e obediente. Foi de Lloyd a ideia de representar V, o herói defensor da liberdade carismático e habilidoso que acabou desfigurado (Hugo Weaving) ao ser submetido a experimentos forçados pelo partido Fogo Nórdico, com uma máscara inspirada nas feições do revolucionário Guy Fawkes (1570-1606).

Figura lendária do imaginário britânico, Fawkes foi torturado e morto pelas autoridades de seu país após ser capturado enquanto organizava um atentado que explodiria o Palácio de Westminster, sede do Parlamento Britânico. V nunca revela seu rosto e busca vingança dos que lhe causaram dor e sofrimento. Ele usa uma máscara para esconder o rosto porque não é o mesmo homem de anos antes e se justifica dizendo: “Há um rosto por baixo dessa máscara, mas não sou eu. Não sou mais esse rosto do que sou os músculos abaixo dele ou os ossos abaixo deles.”

Frases emblemáticas do filme:

“Disseram para lembrarmos do ideal, não do homem. Porque um homem pode fracassar. Ele pode ser capturado, pode ser morto e esquecido. Mas 400 anos depois, uma ideia ainda pode mudar o mundo. Presenciei pessoalmente o poder das ideias. Vi pessoas matarem em nome delas e morrerem defendendo-as. Mas você não pode beijar uma ideia, não pode tocá-la ou abraçá-la. Ideias não sangram. Não sentem dor. Elas não amam.”

“Coincidência? Não há coincidências. Somente a ilusão da coincidência.”

“O povo não deve temer seu governo. O governo é que deve temer seu povo.”

“Você usa tanto uma máscara que acaba se esquecendo de quem você é.”

“Por trás desta máscara há mais do que carne e sangue; por trás desta máscara há uma ideia, e as ideias são à prova de bala.”

“Nosso dever é dar as notícias. Fabricá-las é trabalho do governo.”

“Toda vez que o mundo mudou foi para pior.”

“O que fizeram comigo me criou. É um princípio básico do universo, que toda ação cria uma reação igual e oposta!”

“O artista usa a mentira para contar a verdade, e os políticos, para encobri-la.”

“Roubo implica propriedade, e não se pode roubar do governo. Digamos que eu só recuperei o que era nosso.”

8) Eu Sou a Lenda (I Am Legend), EUA, 2007. Direção de Francis Lawrence. Roteiro de Mark Protosevich, Akiva Goldsman et alii. Nesta terceira adaptação do livro de Richard Matheson, Will Smith é um virologista que não foi capaz de conter um terrível vírus incurável originalmente criado para curar o câncer, que transforma pessoas em mutantes. Porém, de alguma forma, Neville é imune ao vírus. Por isso, é também o último humano sobrevivente no que restou de Nova York e, talvez, do mundo.

9) Pontypool, Canadá, 2008. Direção de Bruce McDonald. Roteiro de Tony Burgess, baseado em sua novela Pontypool Changes Everything. Não sei se isso ocorreu a algum de vocês também, que os vírus não precisam necessariamente ser entidades biológicas, que existem outras doenças que podem se espalhar da mesma maneira, mas por meio de palavras ou emoções, ou, no jargão antropológico e psicossociológico, por sugestão coletiva. Pois há um filme canadense, do qual ninguém está falando, que sugere que uma infecção pode se espalhar pela linguagem. Na pequena cidade de Pontypool, Ontário, o locutor de rádio Grant Mazzy (Stephen McHattie) ouve relatos de que um vírus transforma pessoas em zumbis. Mazzy se isola na cabine da rádio e tenta pensar em uma maneira de alertar os ouvintes sobre o incomum modo de transmissão do vírus: a língua inglesa. Ou seja, o vírus estranho se espalha através das palavras… Um médico chamado Mendez é quem descobre o que está acontecendo e conclui: “Está em palavras, nem todas as palavras. […] Algumas palavras estão infectadas e se espalham quando a palavra contaminada é dita. Nós estamos testemunhando o surgimento de um novo arranjo para a vida e nossa linguagem é o seu hospedeiro…”

Portanto, é uma doença que infecta o cérebro não de maneira biológica, mas cognitiva. E cada pessoa é suscetível a uma palavra diferente como ponto de infecção! Fica a pergunta: será que a cobertura incessante da grande mídia e da imprensa em geral que só fala em coronavírus 24 horas por dia, não estaria “infectando” a mente das pessoas e as sugestionando a só pensar nisso e por consequência até a adoecer por mero contágio psicológico e sugestão coletiva? Não estariam induzindo as pessoas a ficarem por demais apreensivas e assim desenvolverem um transtorno psicótico tipo folie à deux (“loucura a dois”), no qual sintomas psicóticos são compartilhados por duas pessoas, geralmente da mesma família ou próximas, mas nesse caso com a sociedade inteira?

10) 2019 – O Ano da Extinção (Daybreakers), EUA/Austrália, 2010. Direção e roteiro de Michael e Peter Spierig. Filmado na Austrália de julho a setembro de 2007 e tendo no elenco atores como Willem Dafoe, Sam Neill e Ethan Hawke, a história se passa no ano de 2009, quando um vírus se espalha rapidamente, transformando a maior parte da população mundial em vampiros. Em resposta ao baixo suprimento de sangue, os vampiros procuram e se alimentam dos humanos restantes, ao mesmo tempo em que procuram por um substituto ao sangue para prolongar sua existência. A extinção é um risco iminente e em 2019 quase não resta mais nenhum exemplar da raça humana para dar sangue aos vampiros famintos. Se um vampiro não toma sangue, eles se transformam em criaturas semelhantes a morcegos violentos e incontroláveis. Uma equipe secreta de pesquisadores tenta descobrir uma maneira de resgatar a raça humana. Ao mesmo tempo, pequenas facções de humanos sobreviventes tentam repopular a espécie, normalmente usando-se de maneiras violentas para reter sua humanidade. Hawke descreveu o filme como uma alegoria com o homem lutando com os recursos naturais.

11) Contágio (Contagion), EUA, 2011. Direção de Steven Soderbergh. Roteiro de Scott Z. Burns. Este foi o filme que mais nos advertiu e nos acautelou de forma realista e direta quanto a irrupção de uma pandemia que agora reconhecemos como a da Covid-19. Soderbergh recorreu à consultoria do dr. Ian Lipkin, então professor de epidemiologia na Universidade de Columbia, para conceber o vírus, altamente contagioso e mortal chamado no filme de MEV-1, transmitido pelo contato com pessoas infectadas ou com objetos que estas tenham tocado.

Tal como a Covid-19, o MEV-1 se espalha rapidamente pelo planeta, enquanto a comunidade científica tenta descobrir uma vacina ou uma possível cura para o que se suspeita ser, inicialmente, uma “arma biológica” usada por terroristas.  No Centro de Controle de Doenças, constatam que o vírus é uma mistura de material genético de vírus transmitidos por porcos e morcegos, isso mesmo, e estimam que 1 em cada 12 pessoas do mundo acabaria infectada, com uma taxa de mortalidade de 25 a 30%, dependendo das condições socioeconômicas.

A rede de contágio envolvendo morcegos e porcos é uma reminiscência da trilha do vírus Nipah (que infecta células nos sistemas respiratório e nervoso, as mesmas células do vírus no filme) que se originou na Malásia em 1997, que da mesma forma envolveu a perturbação de uma colônia de morcegos pelo desmatamento. A pandemia de gripe 2009, conhecida como gripe suína, forneceu uma visão do aparato social após os estágios iniciais de uma pandemia. A gripe suína durou de janeiro de 2009 a agosto de 2010 e foi a segunda das duas pandemias envolvendo o vírus da gripe H1N1 – a primeira foi a pandemia de gripe espanhola de 1918 a 1920 que infectou 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial na época, e matou de 17 a 50 milhões, e possivelmente até 100 milhões.

Bem mais do que um presságio, uma prévia do que vivemos hoje. Quando a médica Erin Mears (Kate Winslet) vai até o epicentro da crise para tentar traçar a rota de contaminação para que depois se montasse a infraestrutura necessária para tratar os pacientes, uma funcionária do governo comenta como isso poderia afetar a economia e em uma cena posterior, questiona de onde sairá o orçamento para as ações emergenciais…

Mas o que deixa mais patente que a atual pandemia do coronavírus foi um ato planejado com anos de antecedência, é que até mesmo a rota do MEV-1 coincide com a da Covid-19. Na cena final de Contágio, revela-se que a epidemia foi deflagrada pelo desmatamento em uma floresta na China, o que levou morcegos a conviverem com porcos que foram consumidos por humanos… E a epidemia vai sendo potencializada pela falta de assepsia de uma população que circula intensamente em um mundo cada vez mais globalizado com mais viagens internacionais e menos barreiras comerciais…

A recomendação do médico Ellis Cheever (Samuel L. Jackson) para evitar o MEV-1 é a mesma que se faz hoje em relação a Covid-19: “Mas neste momento, nossa melhor defesa é o distanciamento social. Nada de apertos de mão, fiquem em casa se estão doentes, e lavem as mãos frequentemente.”

E o pior cenário, o pânico em massa e o colapso da ordem social, acontece: o Estado de Emergência é decretado, várias cidades são postas em quarentena, recomenda-se o distanciamento social, o sistema de saúde entra em colapso, doentes são tratados em hospitais de campanha montados às pressas em estádios, a economia fica paralisada, advém a crise de abastecimento, e a violência eclode: as pessoas passam, em seu desespero, a primeiro saquear lojas e depois, casas.

E assim muitas mortes se seguem em decorrência não do vírus, mas das medidas drásticas que foram tomadas para tentar deter o seu avanço. A frase no cartaz do filme é: “Nothing spreads like fear” (“Nada se espalha como o medo”). O número de mortos pelo MEV-1 chegou a 2,5 milhões nos Estados Unidos e 26 milhões em todo o mundo…

O elenco estelar – Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Kate Winslet, Lawrence Fishburn, Marion Cotillard, Bryan Cranston, Eliott Gould e Jude Law, para ficar apenas nos principais – torna um tema e uma narrativa que seriam intragáveis em um admirável espetáculo de arte cinematográfica. Na vida real, infelizmente, até os políticos são péssimos atores.

Contágio transmitiu ultra realisticamente as reações sociais e científicas “intensas” e “irritantes” a uma pandemia, as mesmas que estamos acompanhando agora, mas na época as únicas referências eram que as que vinham do surto da referida gripe suína de 2009 e do surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) causada pela SARS-CoV.

12) The Dark Knight Rises (Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge), EUA, Reino Unido, 2012. Direção de Christopher Nolan. Roteiro de Christopher e Jonathan Nolan, baseado numa história concebida por Nolan e David S. Goyer. Nunca imaginei que um dia máscaras cirúrgicas se tornariam itens obrigatórios de vestuário, exigidos pelos governos de todo o mundo como equipamentos de proteção em público, sob pena de multa e até de prisão, ainda que não sejam totalmente eficazes para impedir a disseminação do coronavírus, como admitem as próprias autoridades de saúde, já que se tratam de microrganismos acelulares e parasitas intracelulares com uma cobertura proteica que envolve seu material genético – o ácido desoxirribonucleico (DNA) ou o ribonucleico (RNA) – e são muito menores do que as bactérias (cujos diâmetros variam entre 0,2 e 2 micras, unidade que representa 1 milésimo de milímetro), com um comprimento que varia entre 20 e 1.000 namômetros (unidade que representa 1 milionésimo de milímetro), isso mesmo, e são visíveis somente com auxílio de microscópios eletrônicos. A propósito desse uso incontinenti das máscaras, nunca imaginei também que todas as pessoas de repente iriam ficar parecidas com Darth Vader, Hannibal Lecter e outros personagens da ficção, que de certa forma como que nos “avisavam” do que iria acontecer. Em particular, chama a atenção o elaborado aparato facial que o vilão Bane usava no filme Batman: The Dark Knight Rises (O Cavaleiro das Trevas Ressurge), de 2012, para ajudar a entorpecer uma lesão na infância, ou como nas versões anteriores do personagem, criado por Chuck Dixon, Doug Moench e Graham Nolan e que fez a sua primeira aparição em Batman: Vengeance of Bane #1 (agosto de 1992), para fornecer um superesteróide chamado “Venom”.

As falas do filme de Christopher Nolan soam como augúrios, profecias para o presente sombrio e de trevas que ora vivemos, senão vejamos:

– Ninguém me notava, até eu colocar uma máscara.
– Se arrancar a máscara, você vai morrer?
– Seria extremamente doloroso.

– Você aprende a esconder o ódio e pratica sorrisos diante do espelho. É como colocar uma máscara.

– Quando começou? Por que a máscara?
– Para proteger os mais próximos a mim.

– A máscara é para aliviar a dor.

– Se for trabalhar sozinho, deveria usar uma máscara.
– Não tenho medo de ser visto lutando contra eles!
– A máscara não é para você, é para proteger quem você ama!

13) Parasita (Gisaengchung), Coréia do Sul, 2019. Direção: Bong Joon-ho. Roteiro: Bong Joon-ho e Han Jin-won. Parasita se tornou o primeiro filme estrangeiro a ganhar o Oscar principal de Melhor Filme desde a cerimônia de inauguração da premiação em 1929. E levou ainda mais três estatuetas, incluindo o de melhor diretor para Bong Joon-ho. A inédita distinção, uma nova ocasião em que um filme em inglês não foi destaque no evento de maior prestígio da indústria cinematográfica global, foi concedida de maneira inovadora pela academia hollywoodiana em 10 de fevereiro, já em meio ao surto da Covid-19, um vírus igualmente designado clinicamente como novo – o que significa que é uma cepa humana não identificada anteriormente –, embora pertencente à família do coronavírus. Os vírus não são propriamente parasitas, mas são partículas microscópicas que podem ser comparados aos parasitas, pois precisam invadir uma célula viva e alterar a maquinaria metabólica das células hospedeiras para se manterem vivas e se replicarem. Podemos dizer que esse filme sul-coreano conseguiu não só “infectar” Hollywood como “parasitá-lo”. O enredo expõe de forma visceral a grande disparidade na sociedade atual entre os que têm e os que não têm, e que se alguém não é rico, a única maneira de sobreviver e subir na escada social é se envolver e se infiltrar de maneira parasitária e sinistra em famílias mais abastadas – de forma semelhante ao que um vírus faz, com consequências devastadoras…

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Autor: Cláudio Tsuyoshi Suenaga

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