Os 100 anos do CFR, a agência de empregos de luxo para políticos

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Edward Mandell House

Em 30 de maio de 1919, durante a Conferência de Paz de Versalhes, o diplomata e coronel de inclinação marxista Edward Mandell House (1858-1938), conselheiro e assessor de confiança do presidente Woodrow Wilson e eminência parda por trás de seu governo, sob as ordens do banqueiro Jacob Schiff (1847-1920), homem da linhagem Rothschild, reuniu as delegações norte-americana e britânica no Hotel Majestic, em Paris, onde acertaram a criação de um “Instituto de Assuntos Internacionais”, com uma filial nos Estados Unidos e outra na Grã-Bretanha, para guiar a opinião pública em direção à aceitação de um governo mundial único. A filial britânica, com o nome de Instituto Real para Assuntos Internacionais [Royal Institute of International Affairs (RIIA)], foi a primeira a materializar-se.

Bernard Mannes Baruch

A filial norte-americana, com o nome de Conselho de Relações Exteriores [Council on Foreign Relations (CFR)], surgiu em 21 de julho de 1921. Da delegação norte-americana em Versalhes e da fundação do CFR participaram também os banqueiros Bernard Mannes Baruch (1870-1965) – judeu asquenaze, influente especulador financeiro e conselheiro presidencial democrata que em 1947 iria cunhar o termo Cold War (Guerra Fria) – e Paul Moritz Warburg (1868-1932) – um dos que ajudaram a financiar a Revolução Russa. O CFR viria a se tornar uma das organizações mais influentes na política dos Estados Unidos.

A primeira tarefa do CFR, o de ganhar o controle da imprensa, foi delegada a John Davison Rockefeller (1839-1937), que criou uma série de revistas nacionais, como a Life e a Time. Rockefeller financiou também Samuel Irving Newhouse (1895-1979) para comprar e estabelecer uma cadeia de jornais em todo o país, bem como a Eugene Isaac Meyer (1875-1959) – que viria a ser o presidente do Banco Mundial de junho a dezembro de 1946 e presidente do Federal Reserve –, para comprar muitas outras publicações, como o Washington Post e a Newsweek.

John D. Rockefeller

O CFR começou a atrair para seu círculo as mais eminentes figuras do governo, das forças armadas, das finanças, dos negócios, da mídia e do meio acadêmico. Desde 1945, seu quartel-general é a elegante Harold Pratt House, uma mansão de quatro andares na esquina da Park Avenue com a 68th Street, em Nova York. O CFR funciona como uma espécie de agência de empregos de luxo para políticos: é muito difícil fazer carreira política nos Estados Unidos, tanto no Partido Democrata como no Republicano, sem entrar para o CFR. O mesmo ocorre com os mais altos cargos da administração federal norte-americana: desde 1947, praticamente todos os secretários da Defesa, de Estado e do Tesouro foram integrantes do CFR.

Harold Pratt House, sede do CFR. Foto: Wikipédia.

A admissão é um processo rigorosamente seletivo: o candidato deve ser apresentado por um membro, secundado por outro membro, aprovado pelo comitê de filiação, examinado pela assessoria profissional e finalmente aprovado pela diretoria. Originalmente limitado a 1.600 membros, esse número hoje ultrapassa os 3.300.

Todos os diretores da CIA foram membros do CFR, com exceção de James Rodney Schlesinger (1929-2014), ex-secretário da Defesa (1973-75) que ocupou brevemente o cargo em 1973. Desde 1953, os Estados Unidos foram governados por nove membros do CFR: Dwight Eisenhower (1953-61), John Kennedy (1961-63), Richard Nixon (1969-74), Gerald Ford (1974-77), Jimmy Carter (1977-81), George Bush “pai” (1989-93), Bill Clinton (1993-2001), George Bush “filho” (2001-2009) e Barack Hussein Obama (2009-2016). Lyndon Johnson (1963-1969) não era membro do CFR, mas em compensação entregou a maior parte dos cargos mais importantes do governo aos membros do CFR. Ronald Reagan (1981-89) também não pertencia ao CFR, mas depois de eleito colocou em cargos do governo 313 membros do CFR. Bush (filho) tinha entre seus principais assessores membros do CFR (Condoleezza Rice, Dick Cheney, Paul Wolfowitz, Colin Powell, Richard Perle, Lewis Libby e Robert Zoellick). No início da década de 60, o ex-agente do FBI Howard Drummond “Dan” Smoot (1913-2003), especialista em “conspirações”, descobriu que doze dos vinte curadores da Fundação Rockefeller, dez dos quinze curadores da Fundação Ford, e dez dos quatorze curadores da Fundação Carnegie eram membros do CFR. Os recursos financeiros vinham dessas fundações e de empresas multinacionais como a Xerox, a General Motors e a Texaco.

Marion Gordon “Pat” Robertson

Atente-se ainda para o fato de que os Rockefeller controlam o CFR, que comanda os fios da política nos Estados Unidos. Nas palavras do advogado, pastor protestante, dono do canal Christian Broadcasting Network e ex-candidato à Presidência dos Estados Unidos em 1988 Marion Gordon “Pat” Robertson (1930-), “O CFR é o verdadeiro Governo dos Estados Unidos.” O CFR exerce, em nossos dias, um controle estreito sobre as nações ocidentais de forma direta pois está em relação direta com as organizações do mesmo gênero ou o faz por intermédio de instituições como o Banco Mundial, que ele mesmo preside.

O ex-presidente da República FHC em uma reunião no Cebri.

O correspondente brasileiro do CFR, o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), fundado em 1998, é generosamente provido por recursos públicos repassados pelo Ministério das Relações Exteriores e por uma plêiade de poderosas estatais, além do generoso mecenato de prestigiadas empresas privadas ou recém-privatizadas [como a Companhia Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN)], sem contar os financiamentos externos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Curiosamente, o Cebri tem como presidente de honra o sociólogo, senador por São Paulo (de 1983 a 1994) e Presidente da República (de 1995 a 2003) Fernando Henrique Cardoso (1931-), como conselheiro Marco Aurélio Garcia (1941-), vice-presidente e secretário de relações internacionais do PT e assessor-chefe da assessoria especial do presidente Lula.

Outro globalista que já pertenceu à administração do CFR é o multibilionário George Soros, aliás um dos mais generosos provedores de recursos ao PT e ao ativismo esquerdista de maneira geral. Por meio de suas inúmeras fundações isentas de impostos como a Soros Fund Management, a Open Society Institute e a Tides Foundation, Soros gasta no mínimo US$ 500 milhões por ano para financiar os projetos da sua “sociedade aberta”. Nas últimas décadas, já doou mais de US$ 8 bilhões a campanhas em favor da liberação das drogas, do casamento gay, do aborto, do ambientalismo, etc., além de sustentar organizações pró-terroristas e desarmamentistas. Ele é o maior financiador da campanha pela liberação das drogas. Só em 2010, doou US$ 1 milhão para a campanha da Proposta 19, um referendo que visava legalizar a maconha na Califórnia. No referendo realizado em 2 de novembro, 53,45% dos eleitores (5.333.359) votaram contrariamente à legalização, enquanto 46,55% votaram favoravelmente. O governador Arnold Schwarzenegger (de 2003 a 2011) posicionou-se contrariamente à proposta favorável à legalização. Ao contar com o engajamento de milhões de “idiotas úteis” ao redor do planeta, Soros acaba por obter ainda mais influência e poder.

O multibilionário e megaespeculador George Soros.

George Soros nasceu em 1930 em Budapeste, capital e principal centro financeiro da Hungria, com o nome de György Schwartz. Seu pai, o escritor e ex-soldado Tvadar Schwartz, judeu não religioso, trocou o sobrenome por Soros quando o nazismo começou a crescer na Hungria em 1930. Soros começou sua exemplar carreira de multibilionário denunciando aos nazistas pessoas da comunidade judaica de Budapeste. Em 1944, quando o político e tenente-coronel da SS Adolf Eichman (1906-1962) chegou à Hungria para levar a cabo a “Solução Final”, os filhos de Tvadar foram distribuídos entre famílias cristãs. György acabou na casa de um homem cujo “trabalho” era confiscar propriedade dos judeus e começou a fazer o mesmo. Mais tarde, declarou que 1944 foi o melhor ano de sua vida. Aos 17 anos, emigrou para Londres, onde começou a enriquecer com a administração de empresas. Aos 26 anos, em 1956, foi para Nova York e, por volta de 1970, tinha montado os fundos especulativos que fariam a sua fortuna.

Notório especulador, Soros ganhou US$ 1 bilhão em um único dia apostando contra a libra esterlina em setembro de 1992, gerando quantidades incríveis de prejuízo quando o ministro da Fazenda tratou de defender a moeda. Quem era esse ministro? Norman Stewart Hughson Lamont, barão Lamont de Lerwick (1942-), do Grupo Bilderberg. Soros fez o mesmo à moeda sueca e obteve o mesmo resultado. Quem era o primeiro-ministro sueco nesse tempo? Nils Daniel Carl Bildt (1949-), do Grupo… Bilderberg. Foi o medo de permanecer isolado causado por esse ataque de Soros que levou a opinião pública sueca a apoiar a entrada do país na União Europeia, algo que a maioria dos suecos iria lamentar amargamente.

O império midiático de Soros, segundo o Media Research Center, atinge mensalmente cerca de 330 milhões de pessoas no mundo. Talvez seja a maior rede de homogeneização de opiniões de toda a história do jornalismo, que engloba os maiores meios de comunicação dos Estados Unidos, como o The New York Times, o Washington Post, o The Associated Press, a CNN e a ABC, além de jornalistas de renome e influência na opinião pública internacional. A Open Society Institute criou ao menos 180 organizações de mídia dedicadas a implantar a agenda globalista.

Em 2012, a revista Forbes classificou Soros como a 22ª pessoa mais rica do mundo, com uma forturna estimada em US$ 20 bilhões. Soros possui terras na Bolívia, no Brasil, Argentina e Uruguai, com propriedades que atingem até 300 mil hectares. Ele compra e depois as vende por preços dezenas de vezes mais altos. Um exemplo é a Fazenda San Jose, comprada por US$ 85 o hectare e vendida por US$ 1.212, ou seja, 14 vezes mais. Suspeita-se que muitos índios invasores de terra são falsos índios financiados por Soros, que teria interesses na madeira, produção de etanol e minerais. O Soros Fund tinha mais de US$ 1 bilhão investidos na Petrobrás. Através do Soros Fund Management LLC, vendeu US$ 22 milhões de ações ordinárias da Petrobrás e comprou 5,8 milhões em ações preferenciais em 2010.

Soros defende a criação de uma moeda global e vê a China como modelo para uma Nova Ordem Mundial: “É realmente necessário trazer a China para a criação de uma Nova Ordem Mundial, uma ordem financeira mundial… Então eu acho que é preciso uma Nova Ordem Mundial em que a China tem que ser parte do processo de criação dela.”

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