Incas no Japão? As muralhas ciclópicas do Castelo de Osaka

A magnitude das muralhas do Castelo de Osaka – em contraste com a aparente e suposta falta de tecnologia da época – faz com que esse seja de fato um dos grandes mistérios da história do Japão.

Texto e fotos de Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Ao visitar um dos castelos mais famosos do Japão, o Ōsaka-jō (大坂城) ou Castelo de Osaka (coordenadas 34º 41’ 14” N, 135º 31’ 33” E), no distrito de Chūō-ku, o mais central aqui de Osaka, no sul da ilha de Honshu (capital do Império no século V e hoje a terceira maior cidade japonesa depois de Tóquio e Yokohama), deparei-me com algo inusitado, não só por estar no extremo oposto do mundo como também por esperar encontrar apenas relíquias históricas típicas do final do Período Azuchi-Momoyama (1573-1603) e início do Edo (1603-1868), a Era Feudal japonesa.

O autor deste artigo diante do suntuoso Castelo de Osaka. Foto de Alexandre Akio Watanabe.

O acesso comumente usado pelos turistas para adentrar na área do Castelo é o Aoyamon Gate. Segue-se daí em em direção à Ponte Gokurakubashi (do termo budista gokuraku, que significa “mundo da paz”), que é a ponte que conecta a área externa (Ni-no-maru) e a cidadela (Yamazato-maru) do Castelo.

Não entramos por esse portão, e sim atravessamos um portal de grandes pedras por si mesmas já bastante surpreendentes, onde nos deparamos com pedras ainda maiores pesando dezenas de toneladas, cortadas com precisão milimétrica e encaixadas com exatidão como peças de um gigantesco quebra-cabeças.

Ao me aproximar deste portal de pedras, uma das entradas para a área do Parque do Castelo de Osaka, já comecei a me surpreender com as dimensões, bem como com o corte e o encaixe preciso dos blocos. Não estranhe o cão sendo levado por sua dona em um carrinho de bebê, à esquerda. Os japoneses costumam tratar ou “mimar” os seus cães, normalmente de pequeno porte, até mesmo adornando-os ou vestindo-os em estilo cool. Há casos extremos em que os cães usam óculos de sol, lenços e brincos.

É nesse caminho que começamos a ver as estruturas mais imponentes e impressionantes, e que a maioria dos visitantes, por estarem ansiosos e inteiramente fixados apenas em conhecer o quanto antes o Castelo, não presta muita atenção.

Pedras avantajadas cortadas e encaixadas com precisão, como peças de um enorme quebra-cabeças, logo à entrada de um dos portais de acesso ao Parque do Castelo de Osaka.

Estupefato, vi que estava diante do mesmo trabalho de alvenaria perfeito presente nas fortalezas incaicas de Sacsayhuaman, Ollantaytambo e Machu Picchu, no Peru; em Tiahuanaco, próximo à margem sudeste do lago Titicaca, na Bolívia; nas pirâmides e tumbas do Antigo Egito; nos muros situados um pouco acima da linha de estátuas anteriores ao Período Ahu (1200-1680) em Anakena e na outra extremidade da Ilha da Páscoa, em Vinapu; no terraço de Baalbek, ao norte de Damasco, no Líbano; nos templos de Milandu, uma ilha do arquipélago das Maldivas, no Oceano Índico, ao sudoeste do Sri Lanka e da Índia; e em tantos outros lugares, atestando a existência no passado remoto de uma avançada civilização capaz de manejar, transportar, cortar e polir grandes pedras e uni-las sem argamassa, uma cultura de adoradores do Sol  – entre os incas, segundo vários cronistas, Manco Capac, o fundador do Império Inca e primeiro governador Cusco (1200-1230) foi quem o instituiu no século XIII – que se espraiou por todo o mundo e se fez presente até mesmo no Japão (a terra do Sol nascente!), levando consigo uma antiga e aprimorada tecnologia que foi perdida. Os elos culturais se estendem por toda parte.

As muralhas de Sacsayhuaman, no Peru. Foto de Diego Delso.

Na monumental cidade incaica de Ollantaytambo (em quechua, Ullantaytampu), ao sul do Peru, a 72 km a noroeste de Cusco, ainda vivem descendentes das casas nobres cusquenhas.

O ahu de Vinapu, feito de grandes blocos de basalto precisamente ajustados, até hoje deixam os arqueólogos perplexos. O explorador norueguês Thor Heyerdahl apontava-o como indicador-chave da influência incaica na ilha. Um dos blocos mede 2,5 x 1,7 metros e pesa 7 toneladas. Tanto a idade atribuída por Heyerdahl, para quem o ahu teria sido erguido por volta de 800 d.C., tanto as suas teorias, no entanto, são veementemente refutadas pela arqueologia oficial. Fotos do site Aquarian Age.

O terraço de Baalbek, ao norte de Damasco, no Líbano, possui plataformas medindo até 25 metros de comprimento e pesando 2.000 toneladas.

Buscador que sou, por preferência, de construções gigantescas de pedra – não sei bem por que razão tais monumentos sempre me fascinaram e me atraíram mais do que quaisquer outras engenhosidades arquitetônicas, talvez pelo mistério que envolve seus construtores e seus métodos de construção, atribuídos e relacionados, um tanto forçada, presunçosa e exageradamente, até mesmo a “deuses astronautas” -, o despretensioso passeio ao Castelo de Osaka logo de cara assumia para mim contornos auspiciosos.

E chega a ser tentador querer ver extraterrestres por trás do maior megálito do Castelo de Osaka, o Tako-ishi ou Pedra do Polvo (Octopus Stone, também chamada de Drum Rock ou Pedra do Tambor), que  mede 11,7 metros de comprimento por 5,5 m de altura, ocupa uma área de 59,43 metros quadrados e pesa cerca de 108  toneladas. Situada na extremidade do pátio do Portão de Sakuramon, a entrada principal ao pátio interno (Hommaru), a Pedra do Polvo, cujo nome deriva de sua forma de polvo no canto inferior esquerdo, assim como as demais que compõem a muralha, foram erguidas em 1624, no início do Período Edo, por Tadao Ikeda (um senhor feudal de Okayama ordenado a assumir o controle dessa região pelo xogunato Tokugawa) para proteger a entrada frontal.

O portão principal do hommaru ou pátio interno do Castelo de Osaka. Construído durante o início do Período Edo em 1626, este portão foi incendiado durante a Restauração Meiji em 1868 e reconstruído pelo Exército em 1887. O nome Sakuramon, ou Portão de Cerejeira, é devido às cerejeiras próximo a este local plantadas durante o Período Toyotomi (final do século XVI), que precedeu o Período Edo (1603-1867). As enormes pedras nos dois flancos do portão são conhecidas como Ryukoishi, ou Pedras do Dragão e do Tigre. A lenda diz que quando chovia, uma imagem de um dragão e de um tigre aparecia nas pedras à direita e à esquerda, respectivamente.

A colossal Pedra do Polvo.

Cláudio Suenaga admirando a colossal Pedra do Polvo. Fotos de Alexandre Akio Watanabe.

Além da Pedra do Polvo, o muro que envolve o Castelo inclui ainda quatro pedras colossais com mais de 100 toneladas e quinze pedras com mais de 50 toneladas! Como essas pedras gigantescas foram cortadas, transportadas e ajuntadas em plena Era Feudal japonesa? A magnitude das construções – em contraste com a aparente e suposta falta de tecnologia da época – faz com que logo elucubremos teorias fantásticas. A resposta, no entanto, é mais simples do que parece e não requer deuses astronautas.

Durante o reparo do pátio de Kyobashi-guchi, concluído em março de 1978, descobriu-se que a Pedra de Higo e outras pedras adjacentes foram, na verdade, “diluídas” mediante a redução de sua espessura ao mínimo possível. Tratou-se, portanto, de uma artimanha de engenharia! A Pedra do Polvo também é relativamente fina em proporção ao seu tamanho, com uma espessura de 70 a 90 centímetros, e escorada por trás. Foi dessa forma que os construtores superaram as dificuldades técnicas de cortar e mover pedras tão grandes sem ter de reduzir sua superfície.

Cláudio Suenaga diante da formidável Pedra de Higo.

Um painel explica como a Pedra de Higo, que é muito mais fina do que aparenta, foi posta em seu lugar.
Como os japoneses da Era Feudal foram capazes de transportar grandes blocos de pedra para os canteiros de obras do Castelo de Osaka? Um cartaz elude teorias fantásticas com a explicação típica e corrente da arqueologia oficial, ou seja, a simples utilização de força física, cordas e toras rolantes de madeira… Físicos calculam que para mover um único bloco de 2,5 toneladas a uma velocidade de 0,5 metros por segundo, estando essa massa a deslizar facilmente sobre toras de madeira, que teriam de ter ao menos 30 centímetros de diâmetro, seria necessária uma equipe de cerca de no mínimo cinquenta homens.

Por outro lado, remanesce ainda um certo mistério, pois quase todas as pedras que compõem as paredes do Castelo de Osaka têm uma profundidade de duas ou três vezes sua largura ou altura. Essas pedras enormes, no entanto, são exceções.

Algumas das robustas pedras de uma das muralhas em torno do Castelo de Osaka.

Teria essa técnica de construção com grandes pedras sido desenvolvida ao longo dos séculos pela própria civilização japonesa, de maneira autóctone, paralelamente a China, que sempre a influenciou, e partido do sudeste asiático, portanto, todo esse conhecimento? O esmero em algumas das muralhas de pedra do Castelo de Osaka é praticamente idêntico ao dos povos da América do Sul, embora tenham sido feitas muito tardiamente, bem depois de seus declínios. Cabe notar que o uso perfeito de pedras de tamanhos diferentes é uma característica típica dos incas.

Betty Meggers e seu marido Clifford Evans em fevereiro de 1953 no laboratório da British Guiana Walter Roth Museum, analisando a cerâmica de Annai. Foto do Arquivo Betty Meggers, editada por Paola Salgado.
Esta figurinha feminina de cerâmica da cultura Valdivia, datada entre 2600 e 1500 a.C. e exposta no Museu do Brooklyn, revela traços tipicamente nipônicos.

Esposa do arqueólogo Clifford Evans (1920-1981), a arqueóloga e antropóloga difusionista norte-americana Betty Meggers (1921-2012), cuja tese de doutorado, em 1946, defendida na Universidade de Columbia, foi sobre a ilha de Marajó, na bacia do rio Amazonas (The Archaeological Sequence on Marajo Island, Brazil with Special Reference to the Marajoara Culture), e que realizou estudos na América do Sul, principalmente no Equador, Peru, Venezuela, Chile, Brasil e Guiana, em seu livro América Pré-histórica: Uma Perspectiva Ecológica (1979), sugeriu a controversa correlação entre os povos do noroeste da América do Sul e do Japão, tendo em vista as semelhanças das peças de cerâmica encontrados em sítios arqueológicos pré-colombianos de Valdivia (3500-1800 a.C.), na costa ocidental do Equador, e as encontradas no Japão, pertencentes ao mesmo período (entre 2000 e 3000 anos a.C.). Meggers também constatou que plantas, patógenos e parasitas de origem nipônica estavam presentes entre vários povos andinos – um estudo confirmou que as maiores populações infectadas pelo vírus HTLV-1 vivem no Japão e nos Andes.

Emilio Estrada Ycaza.

Quem sugeriu a Meggers a possibilidade de contatos transpacíficos foi seu colega, o arqueólogo equatoriano Emilio Estrada Ycaza (1916-1961), que apontou similaridades entre o estilo Valdivia e as peças produzidas pela antiga cultura Jomon (“desenho de corda” em japonês, em referência aos padrões prensados em argila), que vicejou no período Pré-histórico entre 14.000 e 200 a.C. Meggers foi então à ilha de Kyushu, onde viveram os jomon, e confirmou tais similitudes, além do fato de que a cerâmica jomon já existia há 10 mil anos, ou seja, era pelo menos 4 mil anos. Pedaços de cerâmica encontrados em uma caverna na costa noroeste de Kyushu foram datados, por análise radiométrica, em 12.700 a.C., de modo que só não são mais antigos do que as estatuetas vênus de Dolní Věstonice, da República Tcheca.

As famosas e cobiçadas estatuetas Dogu, pequenas figuras humanoides de argila com tamanho variando de 10 a 30 centímetros de altura, confeccionadas durante o período Jomon e encontradas em vários pontos do território japonês, com destaques para as dos sítios de Kamegaoka em Tsugaru, província de Aomori, de Teshiromori em Morioka, província de Iwate, de Ebisuda em Tajiri, província de Miyagi, e de Izumisawa Kaizuka em Ishinomaki, província de Miyagi. De acordo com o Museu Nacional de História Japonesa, o número total de peças chega a quinze mil. Reconhecíveis logo à primeira vista devido a sua marcante tipicidade – olhos grandes, cinturas estreitas, ancas largas, braços e mãos pequenos e corpos compactos, com certas variações de estilo conforme a área de exumação e a época –, seriam representações de deusas da fertilidade ou deusas mãe, já que seus abdomens inchados estariam associados à gravidez. A maioria apresenta marcas no rosto, peito e ombros, sugerindo incisões de tatuagem provavelmente com agulhas de bambu. As figuras maiores são ocas, talvez para evitar rachaduras durante o processo de queima. Mas o detalhe que mais chama a atenção e que levaram os defensores da teoria dos antigos astronautas, mormente o engenheiro e escritor russo de ficção científica Alexander Kazantsev (1906-2002), e claro, Erich von Däniken (1935-), a considerá-las representações de seres extraterrestres, são os óculos de proteção contra a cegueira branca, típicos das tribos inuítes das regiões árticas, motivos pelo qual foram chamados no Japão de “Shakouki Dogu” (shakouki significa literalmente “dispositivo de bloqueio de luz”). Kazantsev via nas estatuetas astronautas com viseiras de proteção e vestidos com roupas espaciais, um dispositivo de respiração na região da boca e pinças mecânicas no lugar das mãos. Provavelmente eram usadas em ritos xamanísticos ou para invocar algum tipo de magia simpática, em que o similar produz o similar, ou seja, coisas que estiveram em contato seguiriam exercendo influência mútua.
Clifford Evans e Betty Meggers em uma de suas expedições pelo Amazonas.

Pertencente ao Smithsonian Institution em Washington, Meggers consultou vários vulcanologistas e soube que há 6 mil anos o vulcão Kikai havia entrado em erupção, no que foi a mais forte até hoje registrada no Japão. Meggers levantou então a possibilidade de os barcos dos pescadores jomon, impedidos de retornarem à terra devido a erupção, terem sido levados pelas correntes do Pacífico Norte diretamente à costa da Califórnia, onde um outro sistema de correntes os teria levado ao Equador. Não se descarta igualmente a possibilidade de navegadores japoneses terem chegado às costas da América do Sul não por acidente, meramente, mas propositalmente.

Não obstante, apesar de Meggers ter coletado centenas de evidências incontestáveis de intercâmbio entre culturas do Sudeste Asiático e da América Central e do Sul, tais como a tecnologia de confecção de balsas, o uso de flautas, a ocorrência de parasitas tropicais que só sobrevivem em climas quentes e até a existência de galinhas asiáticas na América antes do Descobrimento, as suas teses difusionistas até hoje não são bem aceitas por boa parte da comunidade acadêmica.

Mapa indicando as rotas das mais antigas migrações

A história do Castelo de Osaka

Eis-me em um dos castelos mais famosos, suntuosos e visitados do Japão, o Ōsaka-jō (大坂城) ou Castelo de Osaka, no distrito de Chūō-ku, o mais central aqui de Osaka (a terceira maior cidade do Japão), fincado numa área com cerca de um quilômetro quadrado, no interior do Parque Público do Castelo de Osaka (Ōsaka-jō kōen). Erguido sobre uma alta fundação e duas plataformas preenchidas de terra, cercado por muralhas de pedra e um fosso inundado, tal como os castelos europeus, de modo a protegê-lo dos ataques inimigos, possui cinco andares na parte exterior e oito no interior (transformado em museu, inteiramente reformado e modernizado – até elevadores foram instalados –, o que infelizmente acarretou a perda de suas características originais), três andares subterrâneos suplementares, uma torre principal com cinco andares e 58 metros de altura, e talhas douradas nas laterais para impressionar os visitantes.

Cláudio Suenaga diante do Castelo de Osaka em uma bela e ensolarada manhã de primavera. Fotos de Alexandre Akio Watanabe.

O Castelo, aberto ao público, com acesso a partir da estação de trem Ōsakajōkōen, cuja saída já é dentro do Parque Público do Castelo de Osaka (Osaka Castle Park) – ou para quem preferir pegar o metrô, pode pegar a Chuo Line (linha verde, e saltar na estação Tanimachi 4 – Chome Station, saída 9 ou 2) ou a Nagahoritsurumiryokuchi Line e saltar na estação Morinomiya –, vive apinhado de visitantes e turistas estrangeiros nos fins de semana e feriados.

A estação de trem Ōsakajōkōen e seus belos painéis históricos.
A estação de trem Ōsakajōkōen, cuja saída já é dentro do Parque Público do Castelo de Osaka (Osaka Castle Park).
Saindo da estação em direção ao parque do Castelo de Osaka. À direita, ao fundo, uma réplica do Seagram Building, arranha-céu localizado em 375 Park Avenue, em Midtown Manhattan, New York City, projetado pelos arquitetos Ludwig Mies van der Rohe e Philip Johnson nos anos 50
A réplica do Seagram Building, mais de perto.
Defronte ao Monumento Solar em forma de disco voador na saída da estação de trem Ōsakajō-kōen, logo na entrada do Parque Público do Castelo de Osaka. Ao fundo, à esquerda, o Centro de Convenções e Shows Osaka-Jo Hall, uma grande arena coberta; à direita, a réplica do Seagram Building. Foto de Alexandre Akio Watanabe.

No parque também há outros prédios de bela arquitetura como o Museu de História de Osaka (Osaka Museum of History), o Osaka International Peace Center (Peace Osaka) e uma grande arena coberta, o Centro de Convenções e Shows Osaka-Jo Hall. Nos arredores ainda estão o Osaka Business Park, os restos do Palácio Naniwa-no-Miya e o Santuário Toyokuni dedicado a Toyotomi Hideyoshi.

Centro de Convenções e Shows Osaka-Jo Hall.

Mapa do Parque do Castelo de Osaka.

Você pode percorrer o Parque do Castelo de Osaka fazendo cooper – os japoneses são adeptos incondicionais desse tipo de exercício – ou em uma nostálgica réplica de um trem Maria Fumaça…

…ou ainda percorrer, de barco dourado, o fosso em torno do Castelo pela companhia Aqua Liner.

Em 1583, Toyotomi Hideyoshi iniciou a construção do Ōsaka-jō, e dois anos depois, a torre de menagem (estrutura central de um castelo, o seu principal ponto de poder e último reduto de defesa) interna foi concluída. Não satisfeito, Toyotomi prosseguiu ampliando o Castelo, tornando-o cada vez mais inexpugnável e formidável aos olhos dos atacantes, e em 1598, pouco antes de falecer, o Castelo foi finalizado. Em 1600, Tokugawa Ieyasu derrotou os exércitos de Toyotomi Hideyori, filho de Hideyoshi, na Batalha de Sekigahara, e três anos depois, em 24 de março de 1603, deu início ao seu próprio bakufu (termo japonês para xogunato ou ditadura feudal), que se estendeu até 3 de maio de 1868, e que ficou conhecido como Período Edo ou Período Tokugawa. No Inverno de 1614, Tokugawa atacou Hideyori, iniciando o Cerco de Osaka, e apesar de as forças de Toyotomi estarem numa proporção aproximada de 2 para 1, os defensores do Castelo enfrentaram o exército de 200.000 homens e protegeram as muralhas exteriores, porém, Tokugawa mandou preencher o fosso exterior do Castelo, o que lhe retirou grande parte da capacidade de defesa. Durante a “Guerra do Verão” (Summer War) de 1615, Hideyori começou a escavar o fosso, o que levou Tokugawa a enviar novamente os seus exércitos para o Castelo de Osaka, finalmente conquistado no dia 4 de junho, data que marca o fim do clã Toyotomi.

O Castelo de Osaka está situado em um terreno de aproximadamente um quilômetro quadrado. Ele é construído em duas plataformas elevadas de aterro apoiadas por paredes de pedra cortada, cada uma com vista para um fosso. O prédio central do Castelo tem cinco andares no lado de fora e oito andares no interior, e é construído sobre uma base alta de pedra para proteger seus ocupantes dos atacantes com espadas.

Entre 1620 e 29, o novo herdeiro do xogunato, Tokugawa Hidetada, começou a reconstruir e a rearmar o Castelo, e data dessa época a estrutura que vemos hoje. Ergueu uma nova torre principal elevada, com cinco andares no exterior e oito no interior, e atribuiu a tarefa de construir novas muralhas a cada clã de samurais. As muralhas erguidas durante a década de 1620 ainda se mantém de pé, estando encastradas nos penhascos de granito sem qualquer argamassa. Muitas das pedras foram trazidas de pedreiras localizadas nas proximidades do Mar Interior de Seto (na parte sul do Japão, entre o arquipélago japonês e as ilhas de Honshu, Shikoku e Kyushu, e banha as cidades de Kure e Hiroshima), a uma distância de mais de 330 quilômetros em linha reta!

As muralhas erguidas durante a década de 1620 ainda se mantém de pé, estando encastradas nos penhascos de granito sem qualquer argamassa.

Em 1665, o Castelo foi parcialmente destruído pelo incêndio causado pela queda de um raio que o atingiu, em 1868 foi queimado durante as guerras civis da Restauração Meiji, e somente em 1931 o governo angariou fundos para sua reconstrução. Em 1945, no final da Segunda Guerra, a sua torre principal foi danificada por bombardeios Aliados. Somente 50 anos depois, em 1995, é que o governo de Osaka iniciou outro projeto de restauro com a intenção de devolver à torre principal o esplendor que possuía durante o Período Edo.

Cláudio Suenaga em reflexões nos jardins do Castelo de Osaka.

Você pode percorrer o interior Castelo, que é um museu (Osaka Castle Museum), pela escada ou por um elevador que leva direto ao 8º andar, o Observation Deck, com uma vista de 360 graus dos arredores. Em cada andar há exposições que incluem peças e indumentárias antigas (como armaduras de samurais), maquetes, mapas, quadros e vídeos explicativos, etc. No 7º andar, a vida de Hideyoshi Toyotomi é contada por meio de um diorama em miniatura, e no 5º, veem-se cenas da Guerra de Verão. Nos 3º e 4º andares, fala-se da Era Sengoku, e no 2º a exposição é finalizada contando a história do Castelo após o regime Tokugawa. No 1º andar, um mini shopping com lojas que vendem todo tipo de lembranças e souvenires, além de bebida e comida.

Na fila do ingresso para o interior do Castelo de Osaka.
O ingresso para o interior do Castelo de Osaka.

Na escada, a poucos passos de entrarmos no Castelo.
Ao lado da escadaria que dá acesso ao Castelo, há um antigo canhão de carregar pela boca, feito de bronze. Mede 3,48 metros de comprimento, seu diâmetro exterior é de 40 centímetros e o seu furo de 20 centímetros. Foi fabricado em 1863 por Seijiro Kudara de Tsuyama-han, Mimasaka (a atual cidade de Tsuyama, prefeitura de Okayama), por ordem do governo Tokugawa. Até 1874 foi usado como um sinalizador de tempo, sendo disparado três vezes por dia, marcadamente ao meio-dia. Para economizar pólvora e por outras razões, o seu uso parece ter sido encerrado em algum momento durante o Taisho 12 ou 13 (1923 ou 1924).

No museu, há uma maquete da estrutura completa do Castelo, de seu fosso e suas muralhas.

Você pode subir até o topo do Castelo de elevador ou pela escadaria e de lá observar e fotografar a cidade de Osaka.
O lado oeste, sobre o jardim Nishi-no-manu.

O lado norte.

O lado sul.
O lado leste, em direção do Monte Ikoma. À esquerda, o Centro de Convenções e Shows Osaka-Jo Hall.

Curiosos se aglomeram para ver alguma coisa no breu do poço sem fundo do Castelo de Osaka, onde se costuma jogar moedas para atrair a sorte e realizar pedidos.

A cápsula do tempo, doada pela Matsushita Electric Industrial Co. e lacrada durante a Expo ’70 (Ōsaka Banpaku), feira mundial (a primeira realizada no Japão e que atraiu um número recorde de visitantes, nada menos do que 64.218.770) que aconteceu aqui em Osaka, no parque onde se encontra o Castelo (Ōsaka-jō), entre 15 de março e 13 de setembro de 1970, sob o tema “Progresso e Harmonia para a Humanidade”, ainda resiste intacta em sua longa jornada, já que só deverá ser aberta daqui a 4.952 anos, no ano 6.970 (até lá, a humanidade talvez nem exista mais). Dentro dela, há um rolamento de aço inoxidável com mais de dois mil artigos científicos e culturais hermeticamente fechado em um cofre de cimento a 15 metros de profundidade. Na Expo ’70, entre muitos acenos de avanços e inovações, a revolução das revoluções: foi ali que se viu demonstrações sobre o funcionamento de telefones celulares.

Em uma área enorme à direita do Castelo, há um prédio chique e elegante em estilo art decó, o Miraiza, com seus restaurantes e bares.

Tapete vermelho, um fino buffet (para poucos bolsos) e para rememorar nostalgicamente os “Felizes e Loucos Anos 20”, jazz é tocado o tempo todo nos alto-falantes dos corredores.

Painéis contam a história do Castelo de Osaka.
A torre Rokuban-yagura, uma das portarias do Castelo de Osaka que podemos ver em um canto do fosso. Uma passagem secreta foi construída aqui sob o fosso.

O Castelo de Osaka está aberto todos os dias (exceto entre 28 de dezembro e 1º de janeiro), das 9h às 17h, com última admissão às 16h30. O ingresso para seu interior custa ¥ 600, e estudantes do ensino fundamental não pagam. Estacionamento: 200 vagas, das 8h às 22h, ¥ 350 por hora. Endereço: 1-1 Osakajo, Chuo Ward – Tel.: +81 6-6941-3044.