Os 50 anos do Caso Caconde, onde um cilindro voador furou o telhado do vigia noturno

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Há pouco mais de 50 anos, durante a Grande Onda de OVNIs de 1968, na manhã de 17 de maio, o vigia noturno Caetano Sérgio dos Santos encontrou um artefato de 15 centímetros de diâmetro e 17 centímetros de comprimento na soleira da porta de entrada de sua casa, em Caconde, estação climática no nordeste do estado de São Paulo, a 290 quilômetros da capital.

O cilindro, que era muito pesado para o seu tamanho, apresentava uma espécie de mostrador em cada extremidade, sendo um vermelho e outro preto. Ambos apresentavam uma escala de 1 a 5 em algarismos arábicos e também continham sinais desconhecidos, indecifráveis.

Inadvertidamente, Caetano guardou o objeto em sua modesta casa, de sala e quarto. De madrugada, por volta de 1 hora, na ausência do guarda, que estava em serviço, o estranho artefato começou a produzir forte zumbido, a irradiar intensa claridade azulada, iluminando toda a casa, e a provocar forte calor.

Acordando assustada, a esposa do guarda, grávida do terceiro filho, pensou tratar-se de um curto-circuito na instalação elétrica e saiu às pressas de casa com seus dois filhos pequenos, permanecendo do lado de fora. Duraram uns 15 a 20 minutos a luminosidade e o zumbido.

Então o cilindro, fazendo bastante ruído, furou o telhado, supondo-se que teria subido em voo rápido. Passados alguns minutos, tudo voltou à normalidade e os moradores entraram na casa. No teto sem forro, estava o buraco no telhado, como prova da fantástica ocorrência.

O Caso Caconde foi à época abordado pela imprensa e pesquisado por inúmeros ufólogos, entre eles o médico Walter Karl Bühler, fundador e presidente da Sociedade Brasileira de Estudos sobre Discos Voadores (SBEDV), e o também médico Max Berezovsky, fundador e presidente da Associação de Pesquisas Exológicas (Apex).

No dia 25 de janeiro de 1997, em companhia do jornalista, escritor, explorador e ufólogo espanhol Pablo Villarrubia Mauso, estive na sede da Apex, onde igualmente funcionava o consultório de Max Berezovsky, sito à Rua Tonelero, 808, no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo.

À ocasião, Max Berezovsky referendou o caso como autêntico e nos deixou examinar um pedaço de telha original da casa de Caetano Sérgio dos Santos e nos mostrou uma réplica do aparelho que mandou confeccionar com base no relato do vigia noturno. Berezovsky também nos deixou reproduzir raras fotos que tirou à época, as quais publico aqui em primeira mão por sua importância apesar da má qualidade devida ao fato de terem sido obtidas com uma máquina fotográfica analógica e posteriormente escaneadas.

De minha parte, não tenho muito o que dizer a respeito. Confesso que este caso me deixa confuso e sem resposta, pois se o aparelho era de origem terrena, a considerar que possuía algarismos arábicos reconhecíveis, como este teria ido parar lá e como poderia ter produzido tais efeitos luminosos e sonoros incomuns, a ponto de sair voando e perfurar o telhado? Seria uma peça radioativa? O propulsor ou algum componente de um satélite, sonda, cápsula ou módulo de comando, a considerar que estávamos no auge da corrida espacial e às vésperas de pousar na Lua? Um drone ultra-secreto em miniatura em testes? E se fosse de origem extraterrena, por que conteria algarismos arábicos?

Deixo-os com as fotos do caso, que neste caso falam mais do que mil palavras.

Max Berezovsky e Cláudio Suenaga na sede da Associação de Pesquisas Exológicas (Apex) no bairro da Lapa em São Paulo no dia 25 de janeiro de 1997. Foto de Pablo Villarrubia Mauso.
Max Berezovsky segura na mão direita um pedaço de telha original da casa do vigia noturno Caetano Sérgio dos Santos, e na esquerda uma réplica exata do artefato que furou o telhado. Foto de Cláudio Suenaga.
Réplica exata do artefato que furou o telhado da casa do vigia noturno em Caconde (SP), na madrugada de 17 de maio de 1968.
Fotos tiradas por Max Berezovsky in loco, em Caconde (SP), na casa do vigia noturno Caetano Sérgio dos Santos, alguns dias após a ocorrência do caso na madrugada de 17 de maio de 1968. Fotos: Arquivos Apex.
Os filhos pequenos do vigia noturno Caetano Sérgio dos Santos defronte a sua modesta casa em Caconde (SP), palco de estranhas e insólitas ocorrências na madrugada de 17 de maio de 1968. Foto: Arquivos Apex.
Arredores da casa do vigia noturno. Foto: Arquivos Apex.
Croquis da casa e arredores e do artefato que perfurou o telhado do vigia noturno. Foto: Arquivos Apex.
A modesta casa do vigia noturno. Foto: Arquivos Apex.
O vigia noturno Caetano Sérgio dos Santos (à esq.) reconstituindo o caso para um pesquisador. Foto: Arquivos Apex.
O rombo no telhado da casa do vigia noturno, aberto pelo estranho artefato cilíndrico de origem desconhecida. Foto: Arquivos Apex.

Fotos do Caso Caconde publicadas no Boletim nº 66-68, de janeiro a junho de 1969, da Sociedade Brasileira de Estudos sobre Discos Voadores (SBEDV), editado por Walter Karl Bühler no Rio de Janeiro.
Foto de Caetano Sérgio dos Santos, de Caconde, SP, apontando o local onde havia guardado o artefato extraterrestre, antes deste levantar voo, perfurando o teto da casa. Foto publicada na tábua 25 do Livro branco dos discos voadores, de autoria de Walter Karl Bühler e Guilherme Pereira (Petrópolis, Vozes, 1985).