Os 40 anos do Incidente Cash-Landrum

Dezembro de 2020 marca os 40 anos do Incidente Cash-Landrum no Texas, um dos mais conhecidos e documentados da ufologia, emblemático pelas queimaduras e danos colaterais físicos graves causados por um OVNI em forma de diamante que expelia chamas e era escoltado por um enxame de helicópteros militares Chinooks CH-47 de rotor duplo, e que, apesar disso, chegou a ser encarado por uma das testemunhas como sendo a “Segunda Vinda de Cristo à Terra”. Um dos poucos encontros com OVNIs que resultou em processo judicial civil, o Incidente de Cash-Landrum ocorreu na noite de 29 de dezembro de 1980, nas proximidades de Dayton, Texas, quando as amigas Betty Cash e Vickie Landrum, e o neto desta, Colby, voltavam de carro para casa. As testemunhas alegaram que o OVNI em forma de diamante irradiava uma quantidade enorme de calor que as queimou e lhes causou problemas de saúde que as levaram a processar o governo dos Estados Unidos exigindo uma indenização de US$ 20 milhões. Mas o caso foi encerrado por falta de evidências de que os Chinooks CH-47 pertencessem ao governo dos Estados Unidos. Você irá a partir de agora tomar parte da reconstituição e revisão atualizadas de todos os detalhes e entender o motivo de seu apelo duradouro e da aura dramática que ainda o reveste.

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Há toda uma série de casos documentados de encontros com OVNIs que causaram graves queimaduras e outras lesões sérias nas testemunhas. O Incidente Cash-Landrum, que ora completa 40 anos, é um dos mais famosos deles, com a distinção de que, a despeito dos efeitos colaterais negativos, chegou a ser encarado, ainda que por um breve momento, como a manifestação de forças divinas por uma das testemunhas.

Huffman é uma pequena cidade texana a apenas 55 quilômetros de Houston, centro da estação de controle do programa espacial da NASA. Houston situa-se numa planície com pouca vegetação, tendo ao norte e a leste pequenas cidades ligadas entre si por estradas secundárias. Nos dois lados dessa estrada erguem-se pinheiros altos e imponentes que obliteram parcialmente a visão do horizonte, deixando visível apenas uma faixa do céu.

Vickie Landrum, Betty Cash e Colby

Na Rodovia Fazenda-Mercado 1485, entre Dayton e New Caney, viajavam naquela famigerada noite de segunda-feira, 29 de dezembro de 1980, Betty Cash, de 51 anos, Vickie Landrum, de 57 anos, e o neto desta, Colby Lee Landrum, de 7 anos.

Betty Cash, nascida em 10 de fevereiro de 1929 em Jefferson, perto de Birmingham, Alabama, era mãe de dois filhos (Mickey Joyce e Toby Howard), frutos de seu casamento com James F. Cash em 1958, do qual se divorciara em 12 de setembro de 1980 – ou seja, apenas pouco mais de três meses antes do incidente – e recebera como compensação a propriedade exclusiva de um restaurante de parada de caminhões e um armazém anexo. Betty havia se submetido a uma histerectomia (operação cirúrgica ginecológica que consiste na remoção do útero) quando tinha 29 anos e sido operada do coração três anos antes, em 1977. Ela ainda sentia dores nesse órgão, por isso continuava a tomar medicamentos. Ela também havia desenvolvido câncer de mama e teve os dois seios removidos.

Vickie Landrum, nascida em 19 de setembro de 1923 em Laurel, Mississippi, era casada com Ernest Wilson Landrum e tinha cinco filhos (Ernest Jr., Gloria Jean, David, Paul e Jayne). Curiosamente, Vickie também havia se submetido a uma histerectomia 22 anos antes, mas fora isso, nunca havia tido problemas graves de saúde. Ela trabalhava como garçonete no restaurante de Betty e tinha a custódia legal de seu neto, Colby Lee, filho de Paul A. Landrum e Peggy Sue, que haviam se divorciado em julho de 1976. Na época do incidente, ele estava a um mês de completar 7 anos de idade e era aluno da escola primária.

O que narrarei a seguir consta de relatórios e documentos reunidos por John F. Schuessler, engenheiro aeroespacial da NASA (National Aeronautics and Space Administration, ou Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço) e então vice-diretor da MUFON (Mutual UFO Network, ou Rede Mútua de OVNIs, uma das maiores e mais antigas organizações ufológicas dos Estados Unidos). Schuessler interrogou o trio umas cinquenta vezes, a primeira em 22 de fevereiro, oito semanas depois do incidente. Schuessler ouviu ainda mais de trinta testemunhas direta ou indiretamente envolvidas, entre comerciantes, policiais e amigos da família, e publicou tudo o que apurou em artigos diversos e em seu livro The Cash-Landrum UFO Incident: Three Texans are Injured During an Encounter with a UFO and Military Helicopters.

Os três voltavam para casa em Dayton, Texas, onde moravam há muitos anos, depois de terem ido a Cleveland jogar bingo. Quando chegaram em Cleveland, porém, descobriram que o jogo de bingo havia sido cancelado, então foram para New Caney, porque lá também havia bingo, mas ao chegarem lá descobriram que também lá não havia bingo, e só aí se deram conta de que era segunda-feira à noite, e não terça-feira, como pensavam. Eram por volta de 20h30 quando resolveram jantar no restaurante de parada de caminhões ali na 59 e 1485.

Depois de comerem, entraram no carro e partiram para casa. Às 21 horas, depois de uma garoa que caíra à tarde, a estrada estava seca. Algumas nuvens ainda passeavam pelo céu. Como fazia muito frio, o trio se apertou no banco da frente do Oldsmobile Cutlass que Betty havia ganhado de presente de Natal no ano anterior. Colby sentara-se entre Betty, que dirigia o carro, e sua avó. O aquecedor estava ligado, e as janelas, fechadas.

Dirigiram por alguns minutos, por cerca de 19 quilômetros, por uma estrada isolada de duas pistas em uma floresta densa, quando notaram uma luz intensa vermelha-amarelada acima da copa das árvores. De início pensaram que fosse um simples avião rumando para o Aeroporto Internacional de Houston (a cerca de 56 quilômetros de distância), por isso não deram muita atenção.

Mas eis que, poucos minutos depois, ao chegarem em um certo trecho sinuoso da estrada, mais isolado e sem movimento, depararam-se com a mesma luz de antes, e que agora estava muito mais próxima e mais brilhante, a ponto de discernirem que se tratava de um enorme objeto em forma de diamante emitindo uma luz cegante, aparentemente se preparando para pousar.

Da parte inferior do objeto, que pairava sobre o nível da copa das árvores, saíam chamas que iam de encontro ao solo e irradiavam um calor significativo. Apavorada, Vickie começou a gritar pedindo que Betty parasse o carro, temendo que eles fossem queimados. Nesse instante, o OVNI se encontrava a menos de 50 metros de distância.

Betty disse que estava ansiosa e considerou dar a volta com o carro, mas abandonou a ideia, porque a estrada era muito estreita e ela presumiu que o carro ficaria preso nos acostamentos de terra.

O trio desceu do carro e ficou a contemplar aquele objeto que brilhava como prata metálica opaca e tinha a forma de um enorme diamante vertical, mais ou menos do tamanho da torre de água de Dayton, circundado ao redor e em seu centro por luzes azuis. As partes superiores e inferiores, no entanto, não eram pontiagudas, e sim arredondadas ou “cortadas” de forma que pareciam planas.

Chorando e gritando de medo, Colby entrou no carro e rogou à avó para que fizesse o mesmo. Vickie era extremamente religiosa, uma fundamentalista “born-again Christian” (Cristã renascida), por isso não lhe ocorreu outro pensamento a não ser que aquela luz fosse de origem divina e interpretou o OVNI como um sinal da Segunda Vinda de Jesus Cristo: “Não tenha medo”, disse a Colby, tentando acalmá-lo. “É Jesus chegando do céu, ele não nos fará mal”. (“That’s Jesus. He will not hurt us”). Vickie declarou mais tarde que pensou que o mundo estava acabando, isso mesmo, que aquilo era o Juízo Final e que por isso mais cedo ou mais tarde Jesus Cristo em pessoa surgiria do interior do objeto.

Esboço do OVNI por Betty Cash.

Ali estática do lado esquerdo do carro, embasbacada, como que “hipnotizada”, Betty mal conseguia contemplar a luz, tal sua intensidade. Periodicamente, durante os minutos seguintes, quando flutuava para cima, o OVNI emitia chamas, criando o efeito de um grande cone, e quando flutuava para baixo, a descarga cessava. Cada vez que o fogo se dissipava, o OVNI flutuava alguns metros para baixo em direção à estrada. Mas quando as chamas explodiam novamente, o objeto subia aproximadamente à mesma distância. Entrementes, ouviram um som parecido com o de uma flauta desafinada.

Atendendo aos pedidos insistentes de Vickie, Betty também entrou no carro. O trinco da porta, entretanto, estava tão quente que ela teve de envolver a mão com sua jaqueta de couro para tocá-lo. Quando ela tocou no painel de vinil, este estava tão amolecido que seus dedos afundaram e deixaram uma impressão digital. Entretanto, os investigadores estranhamente não tiraram nenhuma foto desse painel derretido nem tampouco o analisaram. Fazia tanto calor no interior do veículo a ponto de obrigar Betty a abrir as janelas e ligar o ar-condicionado.

O painel do Oldsmobile Cutlass.

O OVNI emitiu então suas chamas pela última vez antes de sumir vagarosamente por trás das copas das árvores. No momento em que partia, um “enxame” de helicópteros cercou-o por todos os lados em formação compacta.

Com a estrada agora limpa, sem esperar mais, Betty ligou o carro e prosseguiu viagem, enquanto viam o OVNI e os helicópteros se afastando. Durante cinco minutos não se viu o OVNI e sua barulhenta escolta. Porém, no cruzamento das estradas 1485 e 2100, o diamante reapareceu. Como a 2100 era larga e bastante movimentada, Betty prudentemente encostou e parou o carro. De onde estavam, Betty e Vickie contaram um total de 23 helicópteros, após o que Betty voltou à estrada. Pela janela traseira, ainda puderam ver o OVNI antes que se distanciasse. Mais tarde, elas identificaram alguns deles como sendo Boeing CH-47 Chinooks de rotor duplo, fabricado pela Boeing IDS e usados ​​por forças militares de todo o mundo e inclusive pela USAF (United States Air Force, a Força Aérea dos Estados Unidos) nas guerras do Vietnã, Irã-Iraque, das Malvinas, do Golfo, do Afeganistão e do Iraque.

Desde o momento em que avistaram o objeto até sua partida, as testemunhas disseram que o encontro durou cerca de 20 minutos, tempo bastante para causar danos físicos terríveis. Com base nas descrições fornecidas no livro de John F. Schuessler sobre o incidente, confirma-se que os observadores foram para o sul na rodovia estadual do Texas FM 1485/2100 quando viram o objeto pela segunda vez. A localização inicial do objecto relatado, com base nas mesmas descrições, ficaria nas coordenadas 30.0926°N 95.1109°W.

Vickie Landrum mostrando a Alan C. Holt, ufólogo da MUFON, o trecho da estrada FM 1485 em que se depararam com o OVNI em forma de diamante.
Os olhos afetados de Vickie Landrum.
Queimaduras na mão de Vickie Landrum.

Após deixar Vickie e seu neto em casa, Betty rumou à sua própria residência, onde alguns amigos a esperavam. Naquela noite, eles relataram que todos experimentaram sintomas semelhantes – náuseas, vômitos, diarreia, fraqueza generalizada, sensação de queimação nos olhos e sensação de queimadura de sol -, embora Betty em um grau maior. Mal chegou, ela começou a passar mal, sentindo tonturas e uma forte dor de cabeça. A sua pele estava avermelhada, como que tostada pelo sol. O seu couro cabeludo e pescoço, inchados e doloridos. Em poucas horas os inchaços viraram bolhas grandes e dolorosas. Os olhos de Betty ficaram tão intumescidos que se tornava difícil abri-los. Além disso, ela teve uma violenta diarreia e vomitou seguidamente. No dia seguinte, seus amigos chegaram a temer por sua vida, pois parecia não melhorar. Betty ficara cerca de 10 minutos fora do carro, portanto estivera mais exposta do que os outros dois. Vickie ficara não mais do que 4 minutos, e Colby, 2 minutos.

Entrementes, ambos também foram acometidos dos mesmos sintomas: dores, cólicas, vômitos e diarreia. Os olhos ardiam, assim como várias partes do corpo ficaram cobertas de queimaduras. Vickie tratou a pele com óleo para assaduras de bebê. Pesadelos perturbaram Colby durante semanas. Luzes fortes ou helicópteros bastavam para deixá-lo histérico.

O couro cabeludo de Betty Cash após o incidente.

Betty piorou tanto que acabou internada no setor de emergência do Hospital Parkway em 3 de janeiro de 1981. Tendo perdido o apetite, ficou fraca e exaurida, sem forças para andar. Ela tinha 1,75 metros de altura e pesava 118 kg antes do incidente, e agora estava pesando apenas 44 kg. Vickie também perdera muito peso. Ela que media 1,50 metros de altura e pesava 80 kg antes do incidente, estava agora com 60 kg. Grandes extensões da pele de Betty descascavam e cabelos caíam aos tufos. Os médicos não conseguiram determinar a causa desses problemas e apenas trataram seus sintomas. Passou 12 dias no hospital, mas em casa voltou a piorar e foi internada novamente, desta vez por 15 dias. O cardiologista de Betty expressou frustração, dizendo que se soubesse a causa, poderia fazer uma abordagem mais adequada. Foi nesse ponto que o menino Colby Landrum revelou o segredo e contou o que de fato tinha acontecido. No depoimento que deu em 1985 à HBO e que foi exibido no documentário UFOs: What’s Going On, Betty Cash afirmou que foi tratada de câncer após ser exposta ao “OVNI radioativo”.

Os detalhes e a sequência dos eventos não são conhecidos com exatidão, mas o que se sabe é que logo depois Vickie procurou o chefe de Polícia de Dayton, Tommy Waring. Sem saber o que fazer, e sem poder fazer muito, já que o avistamento foi perto de Huffman, fora de sua jurisdição, ele se lembrou, todavia, de que tinha um cartão com um um número de contato para relatos de OVNIs. Waring levou dois dias para localizar o número do NUFORC (National UFO Reporting Center, ou Centro Nacional de Relatos de OVNIs), do ufólogo Robert Gribble, e entregá-lo a Vickie. Em 2 de fevereiro de 1981, Vickie Landrum fez uma chamada de longa distância a Gribble, que morava na distante Seattle, cidade portuária em Washington, e você pode conferir a gravação dessa conversa no vídeo abaixo:

A transcrição integral da ligação de Vickie Landrum a Robert Gribble pode ser conferida no blog Blue Blurry Lines, de Curt Collins, que desde 2012 vem coletando uma farta documentação sobre o caso Cash-Landrum e, em 2017, publicou arquivos nunca antes vistos da investigação original.

Cicatrizes no braço de Vickie.

Todos os planos de Betty, entre eles o de abrir um outro restaurante, tiveram de ser adiados. Em busca de recuperação plena, Betty viajou até a casa de sua mãe, no Alabama. Vickie e seu neto recuperaram a saúde bem mais depressa, mas as cicatrizes na pele dessa senhora, concentradas principalmente nas mãos e nos braços, só desapareceram depois de 8 meses.

O primeiro jornal a reportar o incidente Cash-Landrum foi o tabloide sensacionalista Weekly World News, em sua edição de 24 de março de 1981. Vickie ligou para Robert Gribble em 2 de fevereiro, Gribble, por sua vez, relatou o caso à APRO (Aerial Phenomenon Research Organization, ou Organização de Pesquisa de Fenômenos Aéreos), sediada em Tucson, Arizona, onde foi interceptado por um membro desonesto, Bill English, que entrou em contato com o tabloide e vendeu a história a eles.

Robert Gribble também notificou a MUFON, sediada em Béguin, Texas, a mais de 350 quilômetros de Dayton. Foi aí que Schuessler, representante da MUFON em Houston, onde trabalhava no Centro Espacial da NASA como chefe do Projeto VISIT (Vehicle Internal Systems Investigation Team, ou Veículo Interno da Equipe dos Sistemas de Investigação, composta por uma pequena equipe de engenheiros, técnicos e médicos dedicada a estudar as vítimas de encontros com OVNIs), assumiu o caso.

Na noite de sexta-feira, 26 de julho de 2019, durante o Simpósio Internacional da MUFON, John Schuessler foi agraciado com o prêmio pelo conjunto da obra por seu trabalho na MUFON nos últimos 50 anos. O então diretor-executivo Jan Harzan apresentou o prêmio junto com dois diretores anteriores, Cifford Clift e David MacDonald.

O Chefe de Radiologia do Hospital Metodista em Madison, Wisconsin, dr. Peter Rank, foi requisitado pela MUFON e examinou os registros médicos do trio, concluindo que os problemas de saúde haviam sido causados por excesso de radiação, mas, na posição de chefe do setor radiológico de um grande hospital norte-americano, recusou-se a referendar publicamente o seu relatório, no qual escreveu: “Temos fortes evidências de que esses pacientes sofreram danos secundários à radiação ionizante. Também é possível que houvesse um componente infravermelho.”

Não obstante, o ufólogo Brad Sparks, co-fundador da CAUS (Citizens Against UFO Secrecy, ou Cidadãos Contra o Sigilo dos OVNIs) e consultor principal nos processos judiciais da FOIA (Freedom of Information Act, ou Lei de Liberdade de Informação), afirmou que embora os sintomas fossem um tanto semelhantes aos causados ​​pela radiação ionizante, a rapidez de início foi apenas consistente com uma dose maciça que significaria morte certa em alguns dias. Como todas as vítimas viveram muitos anos após o incidente, Sparks sugere que a causa dos sintomas foi algum tipo de contaminação química, provavelmente um aerossol.

O programa That’s Incredible (Isto é Incrível), da rede de televisão ABC, não queria ir ao ar sem a declaração de um especialista, por isso convocaram o médico Melvin Spira, do Hospital Metodista de Houston, para que realizasse um novo exame. Ele concluiu que as marcas na pele de Betty poderiam ter sido causadas por uma dose maciça de raios X. Nesse programa, que foi ao ar em julho de 1981, foram exibidas uma reconstituição artística do incidente e entrevistas com as testemunhas. Em novembro, Vickie seria hipnotizada na frente da plateia pelo psicólogo e ufólogo, consultor da MUFON e da APRO, Ronald Leo Sprinkle (1930-), especialista no uso de regressão hipnótica, que a fez reviver o incidente. Betty ainda seria examinada nada menos do que 24 vezes.

Os apresentadores do That’s Incredible, John Davidson, Cathy Lee Crosby e Fran Tarkenton.

Betty Cash e Vickie Landrum passaram o resto de suas vidas buscando por respostas e reparações judiciais concomitantes. Como disse Betty, “Espero descobrir que objeto era aquele e o que estava fazendo na estrada naquele momento, e Deus me livre, eu não quero que nada disso volte a acontecer com alguém, nem mesmo com um animal. Satisfaria minha mente descobrir o que era e o que estava fazendo ali.”

No final de julho de 1981, os senadores Lloyd Bentsen (1921-2006), do Partido Democrata, e John Tower (1925-1991), do Partido Republicano, aconselharam Betty a apresentar uma queixa no escritório de reclamações do Judge Advocate na Base Aérea de Bergstrom, perto de Austin, Texas.

Vickie Landrum e Betty Cash

Em agosto, Betty, Vickie e Colby fizeram uma  longa viagem de avião para o Texas e no dia 17 eles finalmente ficaram cara a cara com funcionários do governo. Suas esperanças e expectativas eram grandes, talvez irrealistas, devido a bizarrice do incidente. Os oficiais da base apenas os questionaram sobre os eventos e explicaram que a Força Aérea não investigava mais casos de OVNIs. As testemunhas foram informadas de que não havia nada que a Força Aérea pudesse fazer além de fornecer-lhes formulários de reclamação de danos, a partir dos quais deveriam contratar um advogado e buscar compensação financeira por seus ferimentos. Eles ficaram profundamente desapontados e isso provou ser apenas um evento em uma longa série de falsas esperanças.

Os militares se recusaram a fornecer qualquer tipo de informação sobre a ação conjunta dos helicópteros naquela noite, corroborada por inúmeras testemunhas oculares. O chefe de uma loja de automóveis e um policial de Dayton confirmaram uma atividade incomum de helicópteros nos céus de Houston. Os investigadores mais tarde localizaram esse policial, o detetive Lamar Walker, bem como sua esposa, que confirmaram ter visto 12 helicópteros do tipo Chinook perto da mesma área em que o evento Cash-Landrum ocorreu e quase no mesmo horário. Porém, essas e outras testemunhas não relataram ter visto nenhum grande objeto em forma de diamante.

Helicópteros CH-47 Chinooks.

Allan Hendry, diretor de pesquisa do CUFOS (Center for UFO Studies, ou Centro de Estudos de OVNIs), e que havia trabalhado com o astrofísico Josef Allen Hynek, tentou descobrir de onde os helicópteros haviam partido. Nenhuma das autoridades militares consultadas sequer admitiu que um deles tivesse decolado. Hendry cogitou que o trio talvez houvesse presenciado uma manobra envolvendo helicópteros Harriers. Mas essa ideia foi descartada. A mais plausível supunha que, justamente por causa da política de silêncio, se tratasse de uma arma secreta em teste.

Em 30 de abril de 1981, um helicóptero CH-47 voou para Dayton como parte do programa de pecuária The Future Farmers of America, o que deixou Colby particularmente chateado. Vickie decidiu então levá-lo ao local onde o helicóptero pousara na esperança de que parecesse menos assustador no solo. Quando chegaram à zona de pouso, já havia muita gente lá e tiveram que esperar um pouco antes de poderem entrar no helicóptero e falar com o piloto. Vickie alegou que o piloto lhe admitira que já estivera na área antes com o propósito de verificar um OVNI em apuros perto de Huffman. Quando Vickie disse ao piloto como ela estava feliz em vê-lo porque ela tinha sido uma das pessoas queimadas pelo OVNI, ele se recusou a falar mais com eles e empurrou-os para fora da aeronave.

Colby Landrum diante do CH-47 pousado em Dayton, Texas, em 30 abril de 1981.

Mais tarde, o ufólogo Billy Cox localizou o piloto e o entrevistou para um artigo publicado sobre o caso no jornal Florida Today de 5 de dezembro de 1983. O piloto admitiu que disse a Vickie que havia voado em uma missão para investigar um OVNI fora de Ellington, mas que isso foi em em junho ou julho de 1977, e não em 1980, e que ademais esse avistamento foi perto de Sam Houston State Park, nas proximidades de Dayton. O piloto, por fim, arrematou em tom gentil: “Acho que essa senhora confundiu o que eu disse a elas”.

Enquanto estavam em Austin, Vickie visitou o escritório do representante do Estado, Larry Browder, o que levou a uma investigação do avistamento de OVNIs no outono de 1981 pelo Departamento de Controle de Radiação do Departamento de Saúde do Texas. Foi a primeira investigação oficial do caso, e os resultados foram ignorados pelos ufólogos por serem desfavoráveis.

Devido à publicidade da cobertura televisiva da história de Cash-Landrum em That’s Incredible, o representante do Oregon, Ron Wyden, abriu uma investigação para saber se helicópteros norte-americanos estavam envolvidos no incidente. Inicialmente, a investigação foi conduzida pela capitã Virginia (Ginny) Lampley da USAF. Em pouco tempo, ficou claro que os helicópteros descritos no incidente não eram da Força Aérea, e sim equipamentos do Exército, que acolheu a investigação a partir do Office of the Inspector General of the United States Army (Escritório do Inspetor-Geral do Exército dos Estados Unidos), que atribuiu a tarefa ao tenente-coronel George C. Sarran, que em 1982 iniciou a única investigação oficial formal completa sobre o Incidente Cash-Landrum.

Sarran não conseguiu encontrar nenhuma evidência de que os helicópteros que as testemunhas alegaram ter visto pertenciam às Forças Armadas dos Estados Unidos. Sarran afirmou que Vickie Landrum e Betty Cash eram confiáveis, e que o policial e sua esposa que alegaram ter visto 12 helicópteros perto do local do encontro de OVNIs, também eram testemunhas confiáveis, e que, segundo suas próprias palavras, “Não havia a percepção de que alguém estava tentando exagerar a verdade.”

Com o advogado Peter Gersten assumindo o caso pro bono (prestação gratuita, eventual e voluntária de serviços jurídicos), este seguiu caminho pelos tribunais dos Estados Unidos por vários anos. Betty e Vickie revindicavam uma reparação do Governo Federal no valor de US$ 20 milhões.

Em 21 de agosto de 1986, um juiz do Tribunal Distrital dos Estados Unidos indeferiu o caso, alegando que os querelantes não haviam provado que os helicópteros pertenciam ao Governo e que oficiais militares testemunharam que as Forças Armadas dos Estados Unidos não possuíam aeronaves em forma de diamante.

O obituáario de Betty Cash

Betty Cash morreu aos 69 anos em 29 de dezembro de 1998, exatamente 18 anos depois de seu alegado encontro imediato, e Vickie Landrum, em 12 de setembro de 2007, sete dias antes de seu 84º aniversário.

A refutação dos cépticos

Vários investigadores cépticos, incluindo Philip Julian Klass (1919-2005), Steuart Campbell (1937-), Peter Brookesmith (1946-) e Brian Andrew Dunning (1965-), questionaram os detalhes e a autenticidade geral do incidente, que para eles não teria passado de uma “comédia de erros”, iniciada com o avistamento de algum objeto terrestre mundano que, no entanto, era desconhecido para as testemunhas e estava fora de seus estreitos quadros de referência. Não sendo imediatamente – e nem posteriomente – capazes de reconhecê-lo, Betty, Vickie e ainda mais Colby entraram em pânico e tudo o que foi visto foi ampliado por uma lente de emoção extrema, chegando ao ponto de ser tomado por Vickie como a Segunda Vinda de Cristo e a chegada do Fim do Mundo, de modo que a luz lhes pareceu mais brilhante do que fato era, a temperatura ambiente pareceu mais quente, e até sintomas físicos foram desencadeados. A partir disso, Schuessler e outros ufólogos, assim como as próprias testemunhas e a mídia sensacionalista, exageraram ainda mais e distorceram tudo.

O céptico Philip Klass

Em 1998, Klass lembrou que quando Schuessler inspecionou o carro de Betty no início de 1981 e usou um contador Geiger para verificar a presença de radioatividade, não encontrou nenhuma. Presumivelmente, ele também verificou a radioatividade quando visitou o local do alegado incidente, e também não detectou radiação anormal. Klass estranhou ainda que Schuessler não tivesse fornecido dados médicos sobre a saúde do trio antes do incidente com o OVNI. As refutações de Klass soam um tanto capciosas e pueris considerando que a radiação ionizante de alta energia do tipo que pode causar danos aos seres humanos, como a radiação gama, não deixa traços de radioatividade em objetos e não teria deixado para trás qualquer radioatividade residual na área.

Em 1994, Steuart Campbell sugeriu que as testemunhas pudessem ter observado uma miragem de Canopus (sic!), que ficava exatamente em linha com a estrada, embora estivesse 26° abaixo do horizonte naquela hora e local.

Peter Brookesmith, na esteira de Klass, voltou a insistir quanto ao estado de saúde do trio antes de seu suposto encontro e se disse frustrado com tudo o que foi apurado: “Para os ufólogos, o caso é talvez o mais desconcertante e frustrante dos tempos modernos, pois o que começou com evidências sólidas de um fenômeno notoriamente elusivo, se extinguiu em um labirinto de becos sem saída, negações e até desvios oficiais.”

Brian Dunning

Em dezembro de 2018, Brian Dunning voltou a investigar o caso e relatou suas descobertas no podcast Skeptoid. Ele constatou que as notas do médico de Betty Cash atribuem a queda de cabelo à doença auto-imune alopecia areata, e que seus outros sintomas podem ter sido causados ​​por uma doença que começou antes do incidente. Dunning constatou também que Vickie Landrum consultou apenas um optometrista por causa de sua irritação ocular, e que este diagnosticou uma catarata em um dos olhos. Cerca de oito meses depois, Vickie alegou ter perdido o cabelo e várias unhas, mas nunca procurou tratamento nem tampouco tirou uma fotografia para comprovar isso. Quanto às queimaduras, não havia menção a elas nas anotações dos médicos do hospital, exceto o inchaço no rosto. “Na minha experiência”, concluiu Dunning, “é completamente plausível que Cash e Landrum, errônea, mas honestamente, tenham colocado a culpa por seus problemas de saúde em tudo o que viram; e até forçaram um pouco a barra tentando fazer com que a Força Aérea pagasse por isso. Quando você acredita que a Força Aérea fez algo que o prejudicou, você necessariamente não acha errado exagerar as evidências, como a presença de um OVNI diamante escoltado por helicópteros.”

Um dos questionamentos gerais dos cépticos é como as testemunharam puderam, naquele estado de excitação, contar de maneira precisa um número tão grande helicópteros. Betty disse que ela contou 23 e que ainda viu marcações da USAF neles, enquanto Vickie contou 26 e não viu nenhuma marcação, e que essa diferença se devia ao fato de estarem assustadas e com calor.

Quando muito, para os cépticos, o OVNI diamante, se não foi simplesmente imaginado, não teria passado de uma aeronave secreta em fase de desenvolvimento pelos militares ou por alguma outra agência governamental dos Estados Unidos que estava sendo testada na área do evento naquela noite específica.

Os moradores mais velhos do local ainda se lembram muito bem do evento e falam com certas reservas da forte presença de militares naquela noite. Alguns dizem que a estrada inteira ficou fechada até de manhã. Há os que descrevem uma nave bem iluminada sendo acompanhada por helicópteros militares, se bem que não se sabe se com isso estão querendo apenas reforçar a lenda ou de fato dizendo a verdade que, aliás, deveriam ter dito há muito tempo atrás aos pesquisadores. Devido ao tempo transcorrido, a maioria, porém, perdeu completamente o interesse pelo caso.

Projeto Morpheus

Vários projetos experimentais coincidem com a descrição do diamante flamejante de Betty e Vickie. Se não se pode apontar exatamente qual veículo seria este, uma coisa é certa: que protótipos experimentais devem ser testados em locais seguros, com equipes de apoio e segurança. O que quer que tenha afetado a saúde do trio, não deveria estar lá naquela hora nem naquele lugar, e sim em um campo de testes, bem longe do público.

O uso de Chinooks do Exército, quando aeronaves da Força Aérea e da Marinha estavam disponíveis na área, sugere que o diamante “do tamanho de uma torre de água municipal” era um porta-tropas do Exército ou das Forças Especiais, um veículo de batalha ou de controle de armas terrestres. O ar estava inflamado por descargas elétricas porque como o diamante aparentemente não funcionava bem, ejetava partículas cada vez que o piloto tentava religá-lo para voar. A descarga ou “vazamento” que formou um arco no solo, provavelmente atraída pelo carro metálico, drenou a energia necessária para manter a “flutuabilidade”, aterrando e drenando a atividade elétrica necessária para comprimir o éter e bloquear o efeito gravitacional e manter o voo adequado do diamante. A nave provavelmente estava passando por um colapso dielétrico interno de componentes elétricos essenciais. A presença do carro bem próximo no seu caminho, no momento em que estava cruzando acima da estrada, só piorou as coisas e obrigou o piloto a fazer uma aterrissagem forçada na estrada, até que o carro se afastasse para que pudesse decolar novamente. Nestas circunstâncias, o piloto não poderia voar mais do que alguns metros acima do solo, uma vez que mais danos internos ou uma perda repentina de potência em uma altitude mais elevada poderiam fazer com que batesse no solo e se espatifasse. O comboio deveria ser precedido por um helicóptero de reconhecimento para limpar o caminho e garantir que civis não fossem feridos. Só não contavam com a presença do carro do trio.

As luzes vistas por Vickie eram uma linha horizontal de eletrodos de descarga estacionária montados em uma linha anular no meio da nave. Essas “luzes” (na verdade, eletrodos de emissão) foram ativadas em sequência, uma após a outra, em uma direção ao redor da nave, criando a ilusão de rotação. Esses pulsos de corrente avermelhados neutralizam o “problema de precessão”, criando uma rotação de força contrária em oposição diametral à força precessiva, estabilizando assim a nave de forma que o piloto tenha uma visão estável do exterior.

A nave poderia se mover em qualquer direção, acelerar rapidamente, pairar e girar em seu eixo, permanecer no ar por até 45 minutos e viajar a velocidades de até 100 km/h. Teria sido avaliada pelo Exército dos Estados Unidos na década de 1980 e considerada inferior às capacidades de helicópteros e pequenas aeronaves não tripuladas. 

O protótipo que mais se aproxima da descrição do diamante flamejante é o módulo de aterrissagem robótico lunar da NASA que começou a ser desenvolvido em julho de 2010 e que foi batizado com o nome do deus grego dos sonhos, Morpheus. Projetado, fabricado e operado internamente por engenheiros do Johnson Space Center, Morpheus é um veículo de teste VTVL (Vertical Takeoff, Vertical Landing, ou de decolagem e pouso vertical) que objetiva novos sistemas de propulsão ecológica e não tóxica para espaçonaves (metano e oxigênio, elementos facilmente encontrados no espaço) e tecnologia de pouso autônomo. A perspectiva é um motor que funcione de forma confiável com propelentes que não são apenas mais baratos e seguros aqui na Terra, mas que também podem ser potencialmente fabricados na Lua e em Marte. Futuramente, essa tecnologia será utilizada em outros módulos de aterrisagem automática, tanto para operações na Terra, quanto em outros planetas e asteroides. O Morpheus também está sendo desenvolvido para ser um veículo reutilizável e, assim, contribuir para a redução dos gastos com o programa espacial.

O módulo voa como um helicóptero e pode aterrissar em quatro pés. No vídeo de ensaio de voo, o Morpheus decolou e subiu até 142 metros de altura, percorrendo mais de 194 metros em 36 segundos. Fazendo movimentos em pleno voo, aterrissou verticalmente de maneira bastante eficaz, cumprindo todos os objetivos esperados durante o teste realizado no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida. O local é o mesmo onde, em uma fatídica prova de 2012, houve um acidente com a primeira versão do Morpheus, o que causou a sua queda logo depois da decolagem.

No vídeo abaixo, que é uma comparação evolutiva entre vários testes realizados, você poderá notar a semelhaça com o OVNI diamante visto pelo trio, mormente no que tange às chamas expelidas por baixo. E seria uma coincidência que o logo ou o símbolo do Projeto Morpheus seja uma nave em forma de diamante? Dá o que pensar. Claro que o Incidente Cash-Landrum ocorreu em 1980, muito antes, portanto. Porém, veículos como esse talvez já estivessem sendo desenvolvidos e testados secretamente como parte de black operations ou black ops, operações secretas ou clandestinas conduzidas por alguma agência governamental ou unidade militar. Lembremos que Huffman, o palco dos acontecimentos do caso, fica a apenas 55 quilômetros de Houston, o centro da estação de controle do programa espacial da NASA.

A Segunda Vinda de Cristo

Cabe assinalar que em nenhum momento as mulheres caracterizaram o objeto como sendo um “disco voador”. O que elas sempre disseram é que viram helicópteros perseguindo e escoltando um OVNI, daí que racionalizaram o objeto como uma possível aeronave militar secreta.

Vickie Landrum em 1985, em foto da Associated Press (AP).

Tampouco Vickie considerava que por trás do incidente, responsável pelos graves problemas de saúde enfrentados, incluindo as queimaduras de 1º e 2º graus nas mãos e no rosto, estava Jesus Cristo em pessoa. Vickie jamais afirmou ter visto Jesus Cristo, e sim que pensava que aquele era o Dia do Julgamento Final. O que ela fez foi tentar confortar o menino Colby, que estava assustado com o OVNI: “Voltei para o carro e o peguei nos braços. Disse-lhe que poderia ser Jesus vindo até nós, e que se fosse Ele, não precisaríamos ter medo, pois nos levaria a um lugar melhor.”

As chamas sob o objeto e as queimaduras que as testemunhas alegaram ter sofrido, embora isso não tenha sido correlacionado por elas, ao que se saiba, aludem a certos mitos medievais e passagens bíblicas.

O Basilisco era um dragão voador cujo hálito queimava tudo à sua volta, consumindo a carne dos homens. Entre os celtas, as fadas matavam os imprevidentes que delas se aproximavam, queimando-os com seu hálito venenoso.

A Bíblia registra passagens atinentes. Logo no início da marcha rumo a terra prometida, o povo hebreu sente os inevitáveis dissabores e, insatisfeito, queixa-se a Deus. A longa viagem, de Sinai a Cades, é pontilhada de murmurações, denotando falta fé e confiança – a mais grave ofensa contra Deus que, irado, faz chover fogo do céu: “Entretanto levantou-se uma murmuração do povo contra o Senhor, como de quem se queixava da fadiga. O Senhor, tendo ouvido isto, irou-se. E o fogo do Senhor, aceso contra eles, devorou uma extremidade do acampamento. O povo chamou por Moisés que orou ao Senhor, e o fogo extinguiu-se. Ele pôs àquele lugar o nome de incêndio; porque ali se tinha acendido contra eles o fogo do Senhor.” (Números, 11:1-3).

A Bíblia Mais Bela do Mundo, nº 17, vol.I, 7 de setembro de 1965, p.270.

Isaías, falando acerca da natureza do reino messiânico e dos ímpios excluídos da salvação, alertou: “Porque o Senhor virá no meio do fogo, o seu carro será como torvelinho, para espalhar a sua indignação, o seu furor e as suas ameaças em labaredas de fogo; porque o Senhor, rodeado de fogo e armado da sua espada, julgará todos os mortais e serão muitos os que o Senhor matará.” (Isaías, 66:15-16).

Conclusão

O que quer que tenha acontecido, o caso, apesar de no todo ser razoavelmente bem documentado, foi tão eivado de erros, mentiras, exageros e boatos, que se transmutou em lenda há muito tempo, e poucos ufólogos se deram ao trabalho de investigá-lo a fundo e de maneira consistente. Mesmo assim, o caso continua sendo um mistério, e há muitas lições a serem aprendidas com ele.

Certamente houve uma falta de transparência no caso Cash-Landrum, e parte disso foi explicado por Schuessler como a necessidade de guardar as evidências para o julgamento legal. Mas no tribunal o caso foi encerrado em 1986 por falta de provas e não se recorreu mais a nenhuma instância em nenhuma Corte. Mesmo depois disso, informações foram ocultadas, o que contribuiu muito para preservar a sua aura de controvérsia. Na ausência de muitos dados sólidos, boatos e especulações floresceram, e algumas das histórias ganharam vida própria.

A última coincidência estranha, e que talvez não tenha sido uma mera coincidência, é que apenas um dia antes do Incidente Cash-Landrum, ocorreu o famoso Incidente na Base Aérea Norte-Americana de Bentwaters, sudeste da Inglaterra, nas imediações da Floresta de Rendlesham, próxima de Woodbridge, em Suffolk. As chamas em Dayton eram muito parecidas com as do metal derretido gotejante com chamas intermitentes em Rendlesham. Dois casos importantes ocorridos com um dia de diferença. O quanto os militares e o governo sabiam sobre esses casos e até que ponto estavam envolvidos? Teriam sido ambos contatos reais com uma força extraterrestre ou não passaram de testes com armas secretas

Não há dúvidas de que o caso realmente aconteceu em termos físicos e não simplesmente imaginários como querem forçosamente os cépticos, já que as testemunhas, ainda que tivessem exagerado, parecem verossímeis, e as lesões e os sintomas foram mais do que suficientes para configurarem provas físicas. Também é seguro dizer que o OVNI diamante foi construído pelo homem, tendo em vista que todas as características da nave, bem como as chamas, indicam que é bem mais provável que tenha sido um protótipo de um veículo aéreo ou aeroespacial em testes.

A forma inusual do objeto intriga, porque simplesmente não parece uma forma muito prática. Por não ser aerodinâmica, teria de se inclinar para o lado quando estivesse no ar, o que significaria que provavelmente precisaria de algum tipo de “cockpit” giratório interno ou giroscópico (se é que tivesse um). Nenhuma janela foi descrita, então esse é outro recurso que, na falta dele, tornaria as coisas ainda mais impraticáveis. A nave, quando na vertical, seria bastante alta, muito fácil de localizar e um alvo muito grande, suscetível de ser derrubado até pelo vento. A sua cor prateada, e não preta como os caças stealth, facilitaria também sua localização visual e por radar. E assumindo que as chamas que saíam eram de algum tipo de motor de foguete, quiçá movida a energia nuclear, e considerando os efeitos caloríficos e de radição inonizante nas testemunhas, é certo que causaria muitos danos cada vez que decolasse e pousasse.

Bibliografia consultada e recomendada

Clark, Jerome. The UFO Encyclopedia: The Phenomenon from the Beginning, Volume 1: A–K (second edition); Detroit: Omnigraphics, 1998.

Manfredi, Lúcio. “A religiosidade e os UFOs”, in UFO, Campo Grande, CBPDV, novembro 1990, no 13, ano 3, v. 3, p. 18-19.

Schuessler, John F. The Cash-Landrum UFO Incident: Three Texans are Injured During an Encounter with a UFO and Military Helicopters. Atlanta, Geo Graphics Printing Co., 1998.

IDEM. The Spectrum of UFO Research, J. Allen Hynek Center for UFO Studies, Mimi Hynek, 1988. A primeira palestra de John Schuessler sobre o caso Cash-Landrum em setembro de 1981 é apresentada e serve como uma excelente introdução ao caso, contando a história dos eventos e discutindo os primeiros meses da investigação. A narrativa do encontro é seguida de especulações sobre as lesões e sua origem. Inclui fotografias, a sessão de perguntas e respostas que se seguiu à palestra de Schuessler e sua atualização de 1988 sobre o caso.

Stacy, Dennis. “O OVNI de Huffman: as autoridades ocultam informações”, in Planeta, São Paulo, Ed. Três, nº 133, outubro de 1983, p.47-51.

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