Os 50 anos do assassinato de Robert Kennedy pelo mentalmente controlado Sirhan Sirhan

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

A “maldição” que acompanhava os Kennedy continuou a fulminar implacavelmente outros membros do clã nos anos seguintes ao assassinato do presidente John Fitzgerald Kennedy em 22 de novembro de 1963 na Praça Dealey, em Dallas, Texas.[1]

Em 5 de junho de 1968, quando comemorava os resultados das prévias dos Democratas que o colocavam como virtual candidato à Presidência, o senador pelo estado de Nova York e irmão de JFK, Robert “Bobby” Francis Kennedy, de apenas 42 anos, pai de dez filhos (isso mesmo, sua mulher Ethel estava grávida do 11º), foi morto a tiros no hall central do Hotel Ambassador em Los Angeles pelo assassino mentalmente controlado Sirhan Bishara Sirhan (nascido em 1944 em Jerusalém, na Palestina).

Os planos de segurança de Bobby Kennedy havia sido alterados. O plano era para que ele caminhasse do palco através da multidão para a saída. Mas imediatamente depois do discurso, seus assessores insistiram que era mais seguro para ele sair pela cozinha do hotel. Quando entrou na cozinha, deparou-se com Sirhan Sirhan. Bobby foi assassinado com a ajuda e cumplicidade de sua própria equipe de segurança, alguns com conexões com a comunidade de inteligência.

Sirhan Sirhan, apenas um bode expiatório de mente controlada, tinha estado em um curso de “expansão da mente” dos Rosacruzes semanas antes do crime. A motivação alegada foi a de uma retaliação ao apoio incondicional dos Estados Unidos a Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Desde anos antes, Sirhan Sirhan, que acabou condenado à prisão perpétua, vinha escrevendo um longo diário que relatava sua vida pessoal e o plano para matar Robert Kennedy.

Sirhan Sirhan

Depois do assassinato de seu irmão, Robert continuara como ministro da Justiça e trabalhara com o presidente Lyndon Johnson até setembro de 1964, quando se elegeu senador por Nova York. Contra a Guerra do Vietnã, Robert rompeu com Johnson sobre a escalada militar americana no conflito, entre outras questões.

Anos depois, dois filhos de Robert também morreriam tragicamente.

Em 25 de abril de 1984, David Anthony Kennedy, o quarto filho, nascido em 1955, faleceu após uma overdose de drogas em West Palm Beach, na Flórida.

David Anthony Kennedy

Em dezembro de 1997, Michael LeMoyne Kennedy (nascido em 1958) morreu em um acidente de esqui em Aspen, Colorado.

Michael LeMoyne Kennedy

Em 16 de julho de 1999, o advogado, jornalista e editor da revista George John Fitzgerald Kennedy, Jr., conhecido também como John-John, nascido em 25 de novembro de 1960 (dezessete dias depois de seu pai ter sido eleito presidente), morreu aos 38 anos em um acidente de avião junto com sua esposa Carolyn e sua cunhada Lauren. Kennedy estava pilotando o monomotor.

O fisiculturista, ator, empresário, político austro-americano e 38º governador da Califórnia (de 2003 a 2011) Arnold Alois Schwarzenegger (1947-) conheceu Maria Owings Shriver (1955-), sobrinha de JFK, em agosto de 1977, e com ela se casou 26 de abril de 1986, em mais uma união para fortalecer a linhagem sanguínea dos Kennedy.

 

Nota

[1] Essa maldição já teria começado, no entanto, com o irmão mais velho de John Kennedy, Joseph Patrick “Joe” Kennedy, Jr. (nascido em 1915 e que foi batizado com o mesmo nome do pai), oficial júnior e aviador da Marinha dos Estados Unidos, também morreria precocemente na Segunda Guerra, aos 29 anos, quando em 12 de agosto de 1944 pilotava um avião militar que explodiu sobre a Europa. Popular no círculo social de Londres e admirada por muitos, embora os tradicionais membros da sociedade britânica a desaprovassem, em 1946 a precipitada jovem viúva Kathleen tornou-se amante de Peter Wentworth-Fitzwilliam, 8º conde Fitzwilliam. O casal planejava um casamento após o previsto divórcio de Fitzwilliam. Entretanto, no dia 13 de maio de 1948, durante uma viagem destinada a visitar Joseph Kennedy, que havia dado sua benção a eles, Lady Hartington, de 28 anos, e Lord Fitzwilliam, de 37 anos, morreram em um acidente aéreo na França quando sobreoavam Sainte-Bauzille, em Ardèche.