Os 50 anos e as origens de Blade Runner

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

As drogas consumidas pelo norte-americano Philip Kindred Dick (1928-1982) desencadearam-lhe visões religiosas e colapsos nervosos. Os 35 romances e os seis livros de contos que escreveu, repletos de ambiguidades, paradoxos e personagens atormentados, subverteram as regras da ficção científica moderna, renovando-a. Dick antecipou um novo filão, o cyberpunk, que surgiria no início dos anos 80. No lugar de impérios alienígenas e monstros horripilantes, o que vemos agora é um futuro plausível, em que multinacionais mastodônticas e tentaculares controlam a humanidade.

Em plena onda mística, naturalista e anticonsumista hippie de 1968, Dick lançou Sonham os Androides com Carneiros Elétricos? (Do Androids Dream of Eletric Sheep?), que seria filmado em 1982 com o título de Blade Runner (traduzido no Brasil como O Caçador de Androides, mas que literalmente significa O que Corre ao Fio de uma Navalha) pelo diretor britânico Ridley Scott.

São enormes as discrepâncias entre o livro de Dick e o roteiro (de Hampton Fancher e David Webb Peoples) do filme de Scott. No livro a história se passa em 1992 – no filme em 2019 –, época em que a Terra já havia sido devastada por uma guerra nuclear. O maior símbolo de status nesse mundo pós-apocalíptico é possuir um animal vivo. Deckard possuíra um carneiro que morrera de tétano e tenta substituí-lo por uma cópia mecânica. Ele caça os replicantes com o intuito de receber a recompensa e comprar um animal de verdade.

Combinando a estética dos filmes noir dos anos 40 e a dos efeitos computadorizados dos anos 80, o filme influenciou os padrões emergentes da cultura yuppie e new wave. Da moda à publicidade, das novelas ao cinema, o que se viu foi uma orgia de outdoors luminosos, letreiros de neon, manequins, ventiladores, persianas, chuvas, iluminação indireta e microcomputadores. Blade Runner tornou-se um cult, contribuindo até mesmo para consagrar essa expressão. A música de Vangelis compunha perfeitamente o clima.

Voight Kampff, aparelho computadorizado para testar se uma determinada pessoa é um replicante.

Computador analisador de fotos.
Videofone, outra antecipação de Blade Runner.
As muitas previsões futurísticas acertadas de Blade Runner.

Projetados à imagem e semelhança dos humanos mas com um prazo de vida de apenas quatro anos, os replicantes da fase Nexus adquirem a capacidade de desenvolver emoções próprias: ódio, amor, medo, inveja, dor, angústia e ansiedade. Superando em força e agilidade, mas iguais em inteligência aos engenheiros que os projetaram, são enviados para trabalharem como escravos em colônias espaciais. Um grupo deles se rebela, extermina a população de uma nave e volta à Terra.

O futuro se traduz na decrepitude física dos homens e no colapso da urbe, dissolvida por uma incessante chuva ácida. Longe de um futuro limpo e ordenado, o que vemos são megalópoles sujas, superpoluídas, sombrias e superpovoadas por uma mixórdia de “tribos” e etnias. Spinners voadores e moradias decentes no topo dos edifícios são privilégio de uma elite.

Edward James Olmos como o enigmático inspetor policial Gaff.
Blade Runner também previu a onipresença e a “invasão” chinesa do futuro, nosso atual presente.
Harrison Ford perseguindo replicantes em meio a cyberpunks e hare krishnas.

Cena de Blade Runner? Não, de Tóquio à noite, próximo da estação de trem de Shinjuku. Foto: https://utopiayouarestandinginit.com/2014/10/07/mega-cities-are-the-most-beautiful-sight-in-the-world-shinjuku-train-station-by-night/

Os executivos da Warner Bros haviam mutilado o filme que originalmente possuía vinte minutos a mais e um final diferente. Em 1991, um estudante de cinema descobriu nos arquivos da produtora uma cópia que pensou ser a original. Tratava-se na verdade de um estágio intermediário entre a versão original e a comercial de 1982.

Em 1993, os cultuadores de Blade Runner vibraram com a nova versão remontada por Scott. Entre as alterações, a principal foi a inclusão, na cena em que Deckard cochila ao piano, das imagens de um unicórnio correndo em um bosque. O sonho revela o imaginário dos replicantes, implantado pela Tyrell Corporation, vindo a confirmar que o caçador de androides também é um.

O que era pós-moderno virou retro-adaptável à era da realidade virtual e do simulacro. O filme ficou mais dark, explícito, arrastado, escuro e épico. Sem a narração em off que equiparava Deckard a uma espécie de Philip Marlowe do futuro, a morte do líder dos replicantes ficou ainda mais wagneriana. Roy Batty (Rutger Hauer) é um cruzamento de Prometeu, Siegfried, Fausto e Dorian Gray. Mata seu criador, Tyrell, porque este não lhe concede um tempo vida maior. A criatura termina sozinha em um mundo artificial onde não mais existem animais, a tal “terra desolada” de Eliot.[1]

“Todos esses momentos ficarão perdidos no tempo como lágrimas na chuva”, lamenta-se Batty quando chega a “hora de morrer”.

No final, Deckard não foge mais com sua replicante em busca do Éden, mas entra num elevador e mergulha nas trevas, descendo ao inferno de Dante.

Blade Runner é repleto de símbolos ocultistas, alquímicos, maçônicos e illuminatis. Assim como na maioria dos filmes, nada é colocado nos sets por acaso. Muitos artigos e vídeos na internet já abordaram isso, daí que vou me limitar às cenas abaixo:

O Olho de Hórus e a pirâmide truncada.
Zigurats ou pirâmides truncadas, com a luz do spinner à guisa de Olho de Hórus.
Olho de Hórus.

No Bradbury Building, novamente Jachin e Boaz, as colunas do Templo de Salomão e da Maçonaria.O Bradbury Building é um prédio no cruzamento das avenidas 304 Sul e 3º Oeste no Centro de Los Angeles, comissionado por Lewis L. Bradbury, milionário do ramo da mineração de ouro, e construído pelo arquiteto George H. Wyman com design original de Sumner Hunt.
As águias da Maçonaria, símbolo que remonta ao êxodo do povo de Moisés, no Egito. Conta no Freemasons’ Guide and Compendium, de Bernard E. Jones, o relato sobre a escavação das fundações de um templo, construído cerca de 3000 a.C., 2000 anos antes da construção do Templo de Salomão, sobre um achado de duas placas de terracota com inscrições, detalhando como a construção havia sido ordenada e iniciada. Essas placas foram ali depositadas, quando do lançamento da pedra fundamental do templo, por Gudea, governador de Lagash, na Babilônia. As inscrições dos cilindros, impressas nas mesmas, incluíam um esboço de um “pássaro da tormenta”, representado por uma Águia com duas cabeças. Esse símbolo foi utilizado pelos sumérios e pelo povo de Akkad; pelos hititas – povo indo-europeu, que, no II milênio a.C., fundou um poderoso Império na Anatólia central, atual Turquia. No ano 102 a.C., o cônsul romano Marius decretou que a Águia seria um símbolo da Roma Imperial. Mais tarde, Roma utilizou a Águia de Duas Cabeças, uma, voltada a Leste, e outra, a Oeste, como símbolo da unidade do Império Romano, em 414 a.C. Descrita, geralmente, em preto sobre um fundo dourado, a Águia Bicéfala substituiu a águia de cabeça única, e foi, posteriormente, adotada nos brasões de muitas cidades alemãs e famílias aristocráticas. Os Imperadores do Império Romano cristianizado continuaram a sua utilização, sendo, depois, adotado na Alemanha, durante o período de conquista e poder Imperial, como também pelos nazistas do Terceiro Reich.
A Águia Bicéfala maçônica (à esquerda) é a joia do maçom pertencente ao 33º grau, que a usa no colar; sobre as duas cabeças, uma coroa de ouro.
A coruja é um símbolo muito usado pela Maçonaria e por sociedades secretas como a Bohemian Grove por ser a ave soberana da noite e encarnar o mistério, a reflexão, a inteligência, a sabedoria e o conhecimento. Ela tem a capacidade de enxergar através da escuridão, conseguindo ver o que os outros não veem.intuitivo. Na mitologia grega, Athena, a deusa da sabedoria, tinha a coruja como símbolo. Os gregos consideravam a noite o momento propício para o pensamento filosófico. Pela sua característica de animal notívago (noturno), era vista pelos gregos como símbolo da busca pelo conhecimento. Havia uma tradição que dizia que quem come carne de coruja adquire seus dons de previsão e clarividências, mostrando poderes divinatórios. Enquanto todos dormem a coruja fica acordada, com os olhos arregalados, vigilante e atenta aos barulhos da noite. Por isso, representa para muitas culturas uma poderosa e profunda conhecedora do oculto. A coruja tem a particularidade de conseguir girar o pescoço em até 270º para observar algo ao seu redor, permanecendo com o resto do corpo sem o menor movimento. A grande capacidade de visão e audição torna as corujas exímias caçadoras. A coruja é escolhida como mascote dos escoteiros e dos cursos universitários de Filosofia, Pedagogia e Letras. O termo “coruja” geralmente é aplicado ao pai ou a mãe que ressalta com um certo exagero as qualidades dos filhos. É extensivo a outros familiares como tios, avós e outros.

O Pentagrama ou a estrela de cinco pontas, recorrentemente usado em rituais satânicos.
O dragão chinês, símbolo do poder reptiliano.
Mais um símbolo reptiliano, desta vez a serpente, que levou a queda do homem no Paraíso.

A pomba, símbolo do Espírito Santo e da rainha e deusa babilônica Semíramis, que no seu leito de morte se tornou uma pomba. Os cravos, em repetição às torturas infligidas a Cristo na cruz.

Quanto a “origem” em Blade Runner. Na cena inicial em que Harrison Ford está lendo jornal diante de uma vitrine em um shotengai, aparece uma série de kanjis atrás dele. E um dos kanjis, o que se destaca, o maior de todos, é a palavra “Origem”, ou seja, justamente o que os replicantes buscavam: descobrir a sua própria origem, quem eram seus criadores e quanto tempo ainda lhes restavam. E não é, também, o que nós buscamos?

Para Philip Dick, estaríamos vivendo em uma realidade virtual romana

A estreia literária de Dick em 1952 foi mais do que promissora. Neste que por sinal é um de seus melhores livros, Os Olhos do Céu (Eye in the Sky),[2] mergulha no tema dos universos alternados e da realidade virtual – quando sequer se falava nisso – de forma magistral e empolgante.

Na tarde de 2 de outubro de 1959, o engenheiro eletrônico Jack Hamilton e sete outras pessoas, incluindo sua bela esposa, sofrem um acidente em um acelerador de partículas na Califórnia, construído pela Comissão de Energia Atômica e destinado à investigação no campo dos fenômenos de raios cósmicos. Ao acordarem – quando na verdade encontravam-se ainda estendidos no chão de Belmont Bevatron à espera de socorro – veem-se em um mundo aparentemente em tudo igual ao nosso, a não ser pelo fato das neuroses, psicoses, crenças e dos desejos ocultos dos diversos personagens se tornarem “reais”, começando pelo fanático religioso que concebe a Terra como o centro do Universo, passando pelo racista, pelo purista e pelo comunista, em referências veladas porém explícitas às crenças irracionais, à Guerra Fria, ao macartismo – então em voga –, ao totalitarismo, etc. O problema é que não há maneira de identificar a priori quem dentre eles é o responsável em cada “realidade” pela exteriorização de suas ansiedades, condição premente para que o pesadelo acabe.

A questão instigante que se coloca é: não estaríamos também vivendo, sem saber, em uma espécie de realidade alternada, como no mito da caverna de Platão, aceitando as leis e as injunções de um mundo que por vezes nos parece absurdo mas que, sem questionarmos o âmago de nossas existências, aceitamos como natural e inerentes às nossas condições? Não seríamos, também, prisioneiro de um mundo de loucos?

Dentre outros contos de Dick, destacam-se A Formiga Elétrica (The Electric Ant) e Recordamos pra Você por Atacado (We Can Remember it for You Wholesale), também levado ao cinema sob o título de O Vingador do Futuro (Total Recall), dirigido por Paul Verhoeven (1938-) em 1990.

Em 1974, sob os efeitos do LSD, Dick resolveu viver dentro de uma obra de ficção científica, certo de que o Império Romano não havia acabado e que vivíamos num mundo completamente falso e ilusório. A humanidade sempre teria estado sob o domínio de Roma e todos aqueles que percebiam essa realidade cruel era jogado aos leões. De certa forma, Dick antecipou o plot do filme Matrix (1999).

Notas

[1] Gonçalves Filho, Antonio. “Nova versão de Blade Runner desce ao inferno”, in Folha de S.Paulo, 19-3-1993.

[2] Dick, Philip K. Os Olhos do Céu, Lisboa, Galeria Panorama, s.d.

Blade Runner 2049, de 2017

Nada esperava de Blade Runner 2049 (produzido por Ridley Scott e dirigido por Denis Villeneuve, com roteiro de Hampton Fancher e Michael Green), e justamente por não esperar nada dessa continuação tardia e forçada, extasiei-me com o vislumbre de um mundo ainda pior do que o de 1982, controlado por uma super elite illuminati que reduziu a humanidade a uma escória que fabrica supertranshumanos para Niander Wallace (Jared Leto), um insano e sádico multibilionário, dono da Wallace Corporation, um “deus” que suplantara Eldon Tyrell (Joe Turkel), o “deus” anterior, criador dos replicantes da série Nexus-6.

Jared Leto como o pretendente a deus Niander Wallace.

Se o primeiro filme foi um preâmbulo da globalização e de tudo o mais que o mundo se tornou, este é um vaticínio, uma constatação irrevogável do que o mundo está se tornando sob as bênçãos do “Olho de Hórus” que tudo vê e do qual nada escapa, da matrix controladora da ignorância e da cumplicidade abençoadas.

Olhos que tudo veem estão em toda parte agora, em nossos iPhones, em todos os gadgets e aparelhos que compramos, em todas as logomarcas, em toda a cultura pop, e não só estampados na nota de um dólar no topo da pirâmide e nos zigurats piramidais de Blade Runner. A população é sutilmente influenciada por ondas eletromagnéticas indetectáveis, por micro-ondas de torres de telefonia celular , sem falar das mensagens subliminares embutidas em filmes, músicas, propagandas, videogames, etc. A rede que era oculta agora é explícita, e as próprias pessoas se assumem e se programam em auto-hipnoses como escravas illuminatis, a seu bel prazer e conformadas em serem sacrificadas.

Os androides replicantes são o amálgama de uma humanidade com as mentes controladas a fim de desempenharem múltiplas tarefas e realizarem múltiplos serviços em todos os níveis da sociedade. Podemos dizer que de certa forma todos nós somos androides pré-programados, máquinas que ao se desgastarem e quebrarem são simplesmente substituídas por outras, de uma geração bem melhor e mais sofisticada e ao mesmo tempo mais organicamente integrada. Do deus ex videogame, da franquia fast food aos fakes “direitos civis”, incluir-se é o mesmo que se ajustar a um sistema nonsense ecológica e politicamente correto.

E K (Ryan Gosling) é justamente um novo modelo de replicante, inteiramente conformado com sua função e que apenas obedece ordens, um títere que caça e “aposenta” antigos modelos rebeldes que ainda estão à solta. Sua vida pessoal se resume em trabalhar como blade runner para o Departamento de Polícia de Los Angeles e conversar com a esposa virtual Joi (a belíssima Ana de Armas), um produto fabricado pela Wallace Corporation em demanda à carência de afeto e sexo. K seria uma referência a Josef K., o protagonista enredado nas burocracias de O Processo, de Franz Kafka (1883-1924), e Joi uma corruptela de joy, ou seja, prazer, júbilo, diversão. O grande contentamento de K, que ama verdadeiramente Joi, uma projeção holográfica senciente com inteligência artificial, é encontrá-la sempre que chega em seu apartamento.

Com o bônus que recebe após aposentar” o replicante Sapper Morton (Dave Bautista) em uma fazenda de proteína, K compra um “emanador”, um aparelho portátil que permite a Joi aparecer em qualquer lugar e não ficar restrita ao apartamento. O primeiro lugar que ela vai é ao terraço do prédio, onde se rejubila ao “sentir” as gotas da chuva escorrendo sobre seu corpo.

K só passa a questionar sua própria condição e origem depois que ele encontra na fazenda de proteína uma urna com os restos mortais de uma replicante que havia morrido por complicações no parto após uma cesariana de emergência. A gravidez da replicante, algo tido como impossível, deixa K perturbado. Temendo que a possibilidade de engravidar dos replicantes desencadeasse uma guerra civil, a superior de K, a tenente Joshi (Robin Wright), lhe dá ordens para destruir todas as evidências e aposentar a filha da replicante. Em uma visita a sede da empresa de Niander Wallace, K descobre que os restos mortais são de Rachael (Sean Young), uma replicante experimental que havia tido um romance com o blade runner e igualmente replicante Rick Deckard (Harrison Ford). Wallace por sua vez ordena que a replicante Luv (Sylvia Hoeks) roube os restos mortais de Rachael e siga K.

A replicante Luv (Sylvia Hoeks)

Desconfiado de que seria um dos filhos de Rachael, já que ela havia tido gêmeos, e a recorrente memória de infância artificialmente implantada de um singelo cavalinho de madeira com uma data de nascimento talhada a lhe sugerir isso, o transtornado K falha no teste psicológico para replicantes e é afastado por Joshi, que lhe dá 48 horas para desaparecer antes de ser caçado. K vai às ruínas de Las Vegas onde encontra Deckard, que revela que ele teve de deixar o corpo de Rachael e da criança com os outros replicantes para protegê-la. Sapper é quem a teria enviado a um “orfanato” de sucateiros com um único pertence: um cavalinho de madeira talhado por Deckard contendo a data de seu nascimento. Toda a memória infeliz da menina nesse orfanato foi depois implantada em K. Resgatada do orfanato, a menina, talvez devido aos traumas que sofrera, acaba desenvolvendo um problema imunológico que a obriga a viver dentro de uma bolha de proteção, o que não a impede de se tornar uma excelente designer de memórias a serem implantadas nos replicantes de Wallace.

Luv, em sua caçada, tenta matar K e Deckard, que é salvo por um grupo de replicantes liderados por Freysa (Hiam Abbass), a qual revela que Rachael morreu em seus braços após dar a luz a uma menina, e não um menino. Wallace confirma que Deckard, assim como Rachael, também é um replicante especial, e que os sentimentos de Rachael por ele foram deliberadamente programados visando uma reprodução natural! Por conseguinte, a filha deles é um símbolo da igualdade entre humanos e androides, o estopim de uma revolução no mundo de Blade Runner.

Tyrell havia logrado atingir a condição de semideus, portanto, ao criar seres perfeitos, indiferenciáveis dos humanos, motivo da frustração e irritação de Wallace, que não consegue ultrapassar a linha que separa os humanos dos sintéticos.

Joe Turkel no papel do semideus Eldon Tyrell.

Blade Runner 2049 termina com muitas incógnitas e destinos trágicos, com a admissão da falência de um mundo artificial, da necessidade da busca de uma existência orgânica, de uma humanidade real e autêntica, de um amor verdadeiro, de uma alma.

Chegará o tempo em que os androides parecerão (e serão?) mais humanos do que os próprios humanos, como os replicantes de Blade Runner?