Os 65 anos do Clube de Bilderberg

Nos dias 29 e 30 de maio de 1954, um grupo de magnatas e nobres se reuniu pela primeira vez no Hotel Bilderberg, na vila de Oosterbeek, na Holanda, a fim de estabelecer uma linha política comum entre os Estados Unidos e a Europa Ocidental. O Grupo Bilderberg, como ficou sendo chamado, é apontado como aquele que toma as decisões executivas secretas e elabora diretrizes a seus subordinados nas mais altas e reservadas esferas das agências de inteligência, dos órgãos militares, das sociedades secretas, dos governos, etc.

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Um pequeno grupo de magnatas e nobres reuniu-se nos dias 29 e 30 de maio de 1954 no Hotel de Bilderberg, na vila de Oosterbeek, perto de Arnhem, capital da província da Guéldria, na Holanda. Esse foi o início do grupo que deveria ser conhecido, mais tarde, pelo nome de Bilderberg.

A ideia da reunião foi do emigrante polonês e conselheiro político, fundador do Movimento Europeu (European Movement) – o qual culminaria com a fundação da União Europeia – Józef Hieronim Retinger (1888-1960), que se aproximou do príncipe Bernhard de Lippe-Biesterfeld (1911-2004) da Holanda, que imediatamente concordou em promover a ideia, no que foi apoiado pelo economista e primeiro-ministro belga Paul van Zeeland (1893-1973).

Um comitê executivo foi criado, e Retinger, indicado como secretário permanente, tratou logo de organizar um registro do nome dos participantes para contato posterior.

Józef Hieronim Retinger, um dos homens mais misteriosos e influentes do século XX.
O príncipe holandês Bernhard de Lippe-Biesterfeld

O propósito declarado do Grupo Bilderberg foi estabelecer uma linha política comum entre os Estados Unidos e a Europa Ocidental, mas suas metas principais, na verdade, eram e continuam sendo a instituição de um governo totalitário mundial e um exército global sob a cobertura da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em maio de 1973, 84 membros dos Bilderberg reuniram-se na Suécia numa propriedade da família dos banqueiros Wallenberg em Saltsjöbaden (localidade do município de Nacka, condado de Estocolmo) com a finalidade de consolidar a hegemonia enfraquecida dos financistas anglo-americanos a fim de que estes retomassem o controle mundial das operações financeiras. É por essa razão que os Bilderberg recorreram, novamente, a essa arma providencial que é o petróleo e que já tinha dado muitas vezes provas desse poder. Eles decidiram aumentar em 400% o preço do petróleo a fim de sustentar a moeda norte-americana com auxílio dos petrodólares. Somado a isso, o uso do petróleo como arma política pelos países árabes conduziu à crise mundial de energia de 1973. Instituída em 1960, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), com sede em Viena, Áustria, reunia dez países produtores de petróleo da África e do Oriente Médio, mais a Venezuela, o Equador e a Indonésia.

A falta de gasolina devido a crise do petróleo em 1973.

O Clube de Bilderberg continua se encontrando anualmente em segredo – como vem fazendo desde 1954 – em hotéis cinco estrelas reservados espalhados pelo mundo, geralmente na Europa, embora algumas vezes tenham preferido os Estados Unidos e o Canadá. A única sede ou escritório permanente conhecido fica em Leiden, convenientemente localizado no coração político, cultural e econômico da Holanda.

O grupo de elite é restrito a um número de 130 magnatas da alta finança da Europa Ocidental, dos Estados Unidos e do Canadá, muitos dos quais são personalidades influentes no mundo empresarial, acadêmico, midiático ou político.Embora o Grupo de Bilderberg não admita ser propriamente um grupo de tipo algum, muitos de seus participantes são frequentadores regulares, e os convidados são frequentemente referenciados como pertencentes a um secreto Grupo de Bilderberg.

Um “comitê consultivo” composto de uma “comissão de direção” – com 24 europeus e 15 norte-americanos – decide quais pessoas serão convidadas para seus encontros. Tais pessoas devem residir somente na Europa ou Estados Unidos e ter dado provas de lealdade nas intrigas armadas pelos Rockefeller e Rothschild. Entretanto, todas as pessoas presentes não são necessariamente iniciadas. Elas podem ser também as representantes de um grupo de interesses ou simplesmente de outras pessoas.

A localização da reunião anual não é secreta, e a agenda e a lista de participantes são divulgadas ao público, mas os temas das reuniões são mantidos em segredo e os participantes assumem um compromisso de não registrar e divulgar o que foi discutido. A alegação oficial do Clube de Bilderberg é a de que o sigilo preveniria que os temas discutidos e a respectiva vinculação das declarações de cada membro participante estariam a salvo da manipulação pelos principais órgãos de imprensa. O fato é que caso revelassem seus reais propósitos – ou seja, a criação de um governo totalitário mundial – poderiam causar um repúdio generalizado na população.

Ernest van der Beugel

O político, diplomata, economista e empresário holandês Ernest van der Beugel (1918-2004) se tornou secretário permanente em 1960 após a morte de Józef Retinger em 1960. O príncipe Bernhard continuou a ser o presidente das conferências até 1976, ano em que se envolveu no escândalo da Lockheed, que consistiu em recebimento de suborno para favorecer a corporação estadunidense em contratos de compra dos jatos F-104G Starfighter em detrimento dos Mirage 5. Não houve conferência naquele ano, mas os encontros voltaram a ocorrer em 1977, quando Alexander (Alec) Frederick Douglas-Home [barão Home de Hirsel e 14º conde de Home (1903-1995)], ex-primeiro-ministro britânico (1963-64), assumiu a presidência, seguido por Walter Scheel (1919-2016), ex-presidente da Alemanha (1974-79), Eric Roll [barão Roll de Ipsden (1907-2005)], economista e ex-presidente do Bank of England (1968-1977), e Peter Alexander Rupert Carrington [Lord Carrington (1919-2018)], ex-secretário-geral da OTAN (1984-1988).

Participantes do Bilderberg incluem membros de bancos centrais, especialistas em defesa, barões da imprensa de massa, ministros de governo, primeiros-ministros, membros de famílias reais, financistas internacionais e líderes políticos da Europa e da América do Norte. Alguns dos líderes financeiros e estrategistas de política externa do Ocidente participam do Bilderberg.

O ex-secretário da Defesa norte-americano Donald Rumsfeld

Donald Henry Rumsfeld (1932-), ex-secretário da Defesa dos Estados Unidos (2001-2006), é um bilderberger ativo, assim como o empresário irlandês Peter Denis Sutherland (1946-2018), um ex-comissário da União Europeia e presidente do Goldman Sachs International. Rumsfeld e Sutherland compareceram em conjunto em 2000 na Câmara da Companhia de Energia suíço-sueca ABB, uma corporação multinacional sediada em Zurique. Paul Dundes Wolfowitz (1943-), ex-presidente do Banco Mundial (2005-2007) – mais conhecido pela arquitetura da política externa do governo de George Walker Bush, a chamada Doutrina Bush, que resultou na invasão do Iraque –, também é um membro. Étienne Viscount Davignon (1932-), empresário e político belga, foi presidente do grupo de 1998 a 2001.

Alguns dos representantes internacionais mais importantes dos Bilderberg foram ou ainda são: Giovanni Agnelli (1866-1945), proprietário da Fiat; Zbigniew Kazimierz Brzeziński (1928-2017), presidente da Comissão Trilateral e o mais importante agente de Rockefeller; George Herbert Walker Bush (1924-2018), ex-diretor da CIA (1976-1977) e ex-presidente dos Estados Unidos (1989-1993); Allen Welsh Dulles (1893-1969), ex-diretor da CIA (1953-1961); William “Bill” Jefferson Clinton (1946-), ex-presidente dos Estados Unidos por dois mandatos consecutivos (1993-2001) e membro da Comissão Trilateral; Henry Ford II (1917-1987), neto de Henry Ford; Felipe González Márquez (1942-), ex-secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) (1974-1997) e terceiro primeiro-ministro (de 1982 a 1996) desde a reinstauração da democracia na Espanha; Peter Jankowitsch (1933-), político e diplomata austríaco; David Anthony Kennedy (1955-1984), filho de Robert Francis Kennedy (1925-1968); Henry Kissinger; Joseph Marie Antoine Hubert Luns (1911-2002), político e diplomata holandês e ex-secretário geral da OTAN (1971-1984); Robert Strange McNamara (1916-2009), ex-secretário da Defesa dos Estados Unidos (1961-1968) durante a Guerra do Vietnã e ex-presidente do Banco Mundial (1968-1981); Wilfred Martens (1936), ex-primeiro-ministro da Bélgica (1979-1992); Sven Olof Joachim Palme (1927-1986), membro do SAP (Socialdemokratiska Arbetareparti) e ex-primeiro-ministro da Suécia (de 1969 a 1976 e de 1982 a 1986, ano em que foi assassinado à saída de um cinema em Estocolmo) – Palme tornou-se conhecido como um dos maiores exemplos da Social-Democracia Escandinava, tendo levado mais longe que qualquer outro político a ideia de conciliar uma economia de mercado com um estado social; Walter Philip Reuther (1907-1970), líder sindical socialista norte-americano, que fez da United Automobile Workers uma força importante não só na indústria automobilística, mas também no Partido Democrata, em meados do século XX; David Rockefeller; John Davison Rockefeller Jr. (1874-1960); Nelson Aldrich Rockefeller (1908-1979), governador de Nova York (1959-1973) e vice-presidente dos Estados Unidos (1974-1977); Edmund Leopold de Rothschild (1916-2009), membro proeminente do clã de banqueiros Rothschild; Siegmund George Warburg (1902-1982), filho único de George Siegmund Warburg, fundador da SG Warburg & Co. em 1946, um dos maiores bancos de investimentos da Grã-Bretanha; Manfred Hermann Wörner (1934-1994), político e diplomata alemão e ex-ministro da Defesa da Alemanha (1982-1988); e muitos outros.

Na reunião do Grupo Bilderberg de 1991 que decorreu de 6 a 9 de junho em Baden-Baden, na Alemanha, David Rockefeller (1915-2017) – por muito tempo presidente do Chase Manhattan Bank, instituição controlada pela família Rockefeller – fez a seguinte declaração:

“Estamos gratos ao Washington Post, ao New York Times, a revista Time e a outras grandes publicações, cujos diretores têm participado dos nossos encontros, por terem cumprido as suas promessas de discrição nos últimos quarenta anos. Teria sido impossível para nós desenvolver o nosso plano se estivéssemos sujeitos aos holofotes da mídia durante esses anos. Mas agora o mundo está preparado para marchar em direção a um governo mundial. A soberania supranacional de uma elite intelectual de banqueiros é certamente preferível à autodeterminação nacional praticada nos séculos passados.”

David Rockefeller
Henry Kissinger

Em 21 de maio de 1992, em um discurso à organização Bilderberg, em uma reunião no Hotel Ermitage, em Évian-les-Bains, principal comunidade do cantão d’Évian-les-Bains, na Alta Saboia, França, Henry Kissinger (1923-), ex-secretário de Estado, conselheiro político e confidente de Richard Nixon e conselheiro para a política estrangeira de todos os presidentes dos Estados Unidos de Eisenhower a Gerald Ford, disse:

“Hoje, os americanos ficariam indignados se as forças da ONU entrassem em Los Angeles para restaurar a ordem. Amanhã, ficarão agradecidos! Isso será especialmente verdadeiro se lhes for dito que há uma ameaça externa do além, seja real ou promulgada, que põe em risco a nossa própria existência. Então todos os povos do mundo se submeterão aos líderes mundiais para serem protegidos desse mal. A única coisa que todos os homens temem é o desconhecido. Quando inseridos nesse cenário, os direitos individuais serão voluntariamente abdicados em troca da garantia de que o bem estar será assegurado pelo governo mundial” (transcrito de uma gravação em fita feita por um dos delegados suíços).

O principal assunto discutido nessa reunião, denominada “A Agenda 2000”, foi a instituição de um governo mundial que deveria implantando até o ano 2000, o que efetivamente se concretizou e vem se consolidando plenamente – e alguém ainda duvida disso?

Tal governo mundial que já foi plenamente instalado e controla a humanidade inteira bem diante dos nossos olhos e de uma maneira nem mais sutil, mas hostil contra os que se dispõe a contrariá-lo até em aspectos mínimos porque “politicamente incorretos”. Um exemplo notório disso é o colapso financeiro global do final de 2008 causado pelos banqueiros do grupo Bilderberg após enganar a classe média na Bolsa de Valores, implodir o mercado do crédito hipotecário de alto risco e destruir a confiança pública, gerando perdas da ordem de US$ 20 trilhões, milhões de desempregados e mergulhando o mundo na pior recessão desde a Grande Depressão.

 

A 14ª reunião de cúpula do G20 ocorreu nos dias 28 e 29 de junho de 2019  justamente aqui onde me encontro, na cidade de Osaka, centro-sul do Japão, e contou com a presença do presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Dos dias 27 ao 30, toda a região em torno do que foi a primeira cúpula dos 20 mais ricos sediada no Japão, permaneceu isolada sob um fortíssimo esquema de segurança que afetou drasticamente a rotina da população, incluindo nós brasileiros, já que a circulação foi restringida e por conseguinte se inviabilizou o funcionamento de boa parte do comércio e da indústria. Os mais prejudicados, como sempre, foram os simples funcionários, operários e peões que nada ganharam pelos quatro dias de paralisação compulsória, cerceados em seu direito (e obrigação) de ir e vir e trabalhar por um bando de “líderes” políticos que se reuniram para discutir temas como economia global, meio ambiente e energia, mudanças climáticas (o nome substituto para o desmoralizado aquecimento global), desenvolvimento, emprego, tecnologia, etc.

A alegação principal para justificar um tão dispendioso esquema de segurança é aquele desde pelo menos o 11 de Setembro: prevenir atentados terroristas, atentados esses, como o 911, tramados e financiados por eles próprios… E se há tanto risco assim, por que 20 dos principais líderes, incluindo o presidente dos EUA Donald Trump, se reuniriam no mesmo dia em um único local, posicionando-se como alvos perfeitos em potencial? Em tempos de internet, redes sociais e comunicações instantâneas e em tempo real, não bastaria que transmitissem suas intenções por videoconferência, por exemplo?

Mike Pompeo, ex-diretor da CIA de 2017 a 2018, quando foi nomeado Secretário do Departamento de Estado por Trump, e Jared Kushner, investidor e promotor imobiliário, proprietário de jornais e conselheiro de Trump, sendo casado com a filha deste, Ivanka, participaram da reunião do Clube de Bilderberg em 2019.

De qualquer forma, a verdade é que nenhuma decisão importante foi tomada nessa cúpula, pois todas já tinham sido naquela que é, de fato, a reunião em que os mais ricos e poderosos do planeta decidem os destinos do mundo: refiro-me, logicamente, ao encontro do Clube de Bilderberg, que em 2019 foi realizado, convenientemente, pouco antes da G20, entre os dias 30 de maio e 2 de junho, em Montreux, na Suíça. É claro que não houve nenhuma cobertura por parte da grande imprensa a respeito, comprometida até a medula que é com a Elite Global. Em compensação, a cobertura da G20, apenas um teatro a mais para ludibriar e encher de falsas esperanças o gado humano, foi exuberante.

Hotéis em Montreux, na Suíça, que receberam os membros do Clube de Bilderberg na reunião de 2019.

Livro recomendado:

Estulin, Daniel. La Verdadera Historia del Club Bilderberg; trad. de Ignacio Tofiño y Marta-Ingrid Rebón. Barcelona, Editorial Planeta, 2005.

Um cartaz contra a reunião do Grupo Bilderberg é segurado em em frente a uma van anti-motim em 3 de junho de 2010 em Sitges, perto de Barcelona. A polícia impediu os manifestantes de chegar ao resort onde a reunião estava ocorrendo. AFP Photo/Josep Lago/Getty Images.