Os 25 anos dos atentados com gás sarin no Metrô de Tóquio pela seita Verdade Suprema

Em 20 de março de 1995, membros da seita japonesa Aum Shinrikyo (Ensino da Verdade Suprema), fundada por Shoko Asahara em 1984 sob o nome de “Associação dos Eremitas Legendários com Poderes Miraculosos”, provocaram um atentado com gás sarin no Metrô de Tóquio matando doze pessoas e ferindo cerca de seis mil, dos quais cinquenta em estado grave. A Polícia descobriu no prédio da seita todos os ingredientes para a fabricação do gás sarin, além de componentes de nitroglicerina, estoques de bactérias do botulismo, instalações para fabricação de armas de guerra e uma máquina de triturar ossos. Indícios apontaram que planejavam comprar blindados russos e ogivas nucleares. Asahara, que se considerava a reencarnação de Buda, dizia ser capaz de levitar, chamava Adolf Hitler de profeta e ostentava títulos de “Sua Santidade”, “Venerando Mestre” e “Salvador do Século”, vaticinava que o mundo iria acabar em 1997 e somente sobreviveria quem fosse seu seguidor. Para ser aceito, o candidato devia doar todos os seus bens à seita e desembolsar até US$ 10 mil para ter o direito de beber o seu sangue. Já os menos abastados podiam, por US$ 200, tomar alguns goles da água suja do banho do guru. Os seguidores provocavam vômitos para expiar as culpas e cinquenta deles foram encontrados em estado de coma em consequência de um prolongado jejum de uma semana. Mas afinal, como as autoridades puderam ser tão coniventes a ponto de permitirem que a seita produzisse e estocasse gases venenosos e armas bacteriológicas suficientes para exterminar populações inteiras? E o que a elite da sociedade japonesa como engenheiros, médicos e técnicos altamente especializados, muitos deles recém saídos das melhores universidades, estariam fazendo na seita? Você irá saber as respostas a partir de agora. (Obs.: este artigo seria publicado na época exata em que os atentados completavam 25 anos, mas devido ao crash sofrido pelo site por ação de um hacker que o levou a ficar seis meses fora do ar, só agora está sendo publicado)

Vítimas do atentado a gás sarin no Metrô de Tóquio sendo socorridas.

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

O prenúncio da iminência do fim do mundo, apregoado incansavelmente por um sem número de religiões, seitas, profetas, videntes e gurus, há muito se tornara um lugar comum. Várias datas já foram marcadas para a catástrofe derradeira e em nenhuma delas isso ocorreu, frustrando os crédulos que de modo inadvertido renunciavam a tudo e a todos e apenas aguardam ansiosamente o cumprimento do vaticínio.

Shoko Asahara, pseudônimo de Chizuo Matsumoto (1955-2018).

Diante talvez de tantos exemplos malogrados, a seita Aum Shinrikyo (Ensinamento da Verdade Suprema), em vez de simplesmente esperar pelo fim do mundo, resolveu provocá-lo deliberadamente. A operação policial que invadiu as quatro sedes da seita, em 22 de março de 1995, dois dias depois do atentado com gás sarin no Metrô de Tóquio que deixou um saldo de doze mortos e seis mil pessoas intoxicadas, começou a trazer à tona parte da verdade alegadamente suprema que ela dizia difundir. ­­

As investigações que se estenderam por quase todo o ano de 1995 e que culminaram no desmantelamento da seita com as prisões de vários membros e seguidores e do seu fundador, o guru e líder máximo Shoko Asahara (pseudônimo de Chizuo Matsumoto), revelaram algo um tanto quanto sinistro e inusitado: a Aum Shinrikyo estava pronta para desencadear o apocalipse, utilizando-se de um arsenal que incluía produtos químicos venenosos, armas bacteriológicas, helicópteros e tanques de guerra. Soube-se ainda que a Aum estudava a possibilidade de obter mísseis nucleares da Rússia, de onde aliás saiu boa parte de seu alentado arsenal, graças aos relacionamentos estreitos mantidos entre os membros da seita e as autoridades dessa ex-potência comunista.

O arsenal de guerra da seita Aum Shinrikyo, que estava pronta para desencadear o Apocalipse. (Fotos da revista Friday Special, 01º-06-1995)

Envergando uniformes e máscaras de proteção contra armas químicas, milhares de policiais participaram de seguidas invasões a várias sedes do complexo da seita, como o da aldeia de Kamiku-Isshiki, no sopé do Monte Fuji, a 100 quilômetros de Tóquio. Lá encontraram recipientes com fluoreto de sódio, acetonitrila ou cianeto de metila, tricloreto de fósforo e álcool isopropílico, ingredientes do gás de nervos sarin, desenvolvido por cientistas alemães antes da Segunda Guerra Mundial a partir de agrotóxicos organofosforados. Noutra batida no mesmo local, descobriu-se um laboratório químico e um bunker subterrâneo que servia como uma espécie de armazém para estocagem de produtos químicos. No total, foram apreendidos cerca de 40 toneladas desses produtos, suficientes para matar mais de 10 milhões de pessoas. Resgataram-se também mais de 50 seguidores, alguns em coma profundo devido à subnutrição e outros sob o efeito de drogas.

A sede da seita Aum Shinrikyo no sopé do Monte Fuji.

As batidas na sede da seita revelaram um arsenal químico impressionante.

Uma data em particular, anunciada por Asahara poucas semanas antes da seita ser colocada em suspeição, gerou enorme expectativa na população e deixou a Polícia de prontidão. Em uma transmissão do programa da Aum através da rádio russa, o guru vaticinou que no dia 15 de abril “algo terrível” iria acontecer. Com a celeuma, o que seria apenas mais uma “previsão de fim de mundo” de rotina transformou-se em histeria coletiva nacional.

Posta de sobreaviso, a Polícia mobilizou um contingente de 100 mil homens em 25 províncias do país, promovendo batidas nas 129 instalações da Aum. A prisão dos líderes, responsáveis por cumprir as ordens de Asahara, desde o início era uma prioridade. Entre os  que foram capturados estavam o “ministro” da Saúde da Aum, Ikuo Hayashi, o “secretário-geral” Niimi Tomomitsu, o “ministro do Interior” Kiyohide Nakata (ou Nakada) e o “ministro” da Defesa Kibe Tetsuya. Estimava-se, não obstante, que o “braço armado” ou o “serviço secreto” seria formado por cerca de 50 membros.

O maior especialista em produtos químicos da seita, Masami Tsuchiya e outros sete membros que formavam o núcleo do “esquadrão químico” também acabaram presos. Tsuchiya era um cientista brilhante que depois de cinco anos interrompeu um doutorado em química na Universidade de Tsukuba – uma das melhores do Japão – para ingressar na seita, que possuiria ainda vinte ministérios e várias secretarias, entre elas as de ciência e tecnologia.

A prevalência dessas últimas diferenciava a Aum das demais organizações congêneres. O “tecnoterror” incorporou-se definitivamente ao cenário dos anos 90. Curiosamente, em 1991, o escritor Gordon Thomas em sua novela Perfume Mortal (Deadly Perfume, New York, HarperCollins, 1992), descreveu terroristas espalhando um composto de agentes sarin e anthrax no metrô de uma grande cidade. A realidade mais uma vez imitou a ficção.

O poderio químico acumulado pela Aum não podia ser ignorado. No complexo da seita no sopé do Monte Fuji foram encontradas amostras da bactéria Clostridium botulinum (causadora do botulismo, intoxicação que induz a parada respiratória), além de equipamentos avançados para manipulação de material genético em animais e seres humanos.

A revista The New Yorker publicou em abril de 1996 uma matéria mostrando que a Aum planejava usar o vírus Ebola em uma guerra biológica. Os membros da seita teriam ido ao Zaire em 1992, disfarçados de integrantes de uma missão médica, no intuito de coletar o vírus para usá-lo em um futuro atentado.

Nikola Tesla

Justamente nessa época, quando Asahara reafirmou ser o messias e anunciou a iminência do fim do mundo, a seita iniciou o recrutamento de cientistas. Na Rússia, onde contava com cerca de trinta mil seguidores, delegações visitaram fábricas de munição e laboratórios químicos. Em Belgrado, analisaram as teorias de geração de energia de alta voltagem, amplificação de ondas e raios danosos (capazes de provocar terremotos) do lendário engenheiro eletricista, físico e inventor sérvio-americano Nikola Tesla (1856-1943), responsável pela invenção da bobina de Tesla e dos circuitos trifásicos, utilizados na distribuição de energia elétrica.

A tomada do poder político no Japão era o objetivo máximo de Asahara, que planejava desfechar um ataque em grande escala ao centro político do país, Kasumigaseki, distrito de Chiyoda Ward, em Tóquio, onde se concentravam as repartições governamentais. O golpe de Estado seria executado em novembro de 1995 por membros da seita portando fuzis automáticos. Infiltrados nas Forças de Autodefesa, tumultuariam os quartéis, enquanto o primeiro-ministro acabaria deposto. A operação veio à tona depois dos  interrogatórios dos líderes da Aum e da prisão do sargento Tatsuya Toyama, pára-quedista das Forças de Autodefesa e membro da seita, suspeito de roubar, em dezembro de 1994, informações sobre armas de alta tecnologia (entre elas um tanque a laser) do Centro de Investigações das Indústrias Pesadas Mitsubishi, ajudado por Hideo Nakamoto, funcionário desta empresa.

Em 23 de abril de 1995, o ativista de extrema-direita Yuko Jo matou com três facadas o vice-líder e chefe da Seção de Ciência e Tecnologia da Aum, Hideo Murai (nascido em 1958), no exato momento em que este saía da sede da seita na capital japonesa. A cena de Jo enfiando a faca de cozinha na altura da cintura, duas vezes no estômago e uma no braço, em meio a uma multidão de curiosos e jornalistas atônitos, lembrou sobremaneira a de Lee Oswald – o suposto assassino do ex-presidente John Kennedy – sendo morto por Jack Leon Ruby em frente às câmeras de televisão. Aqui, como no caso de Oswald, a motivação para os atos pareceu ser a mesma, ou seja, queima de arquivo. Especulou-se que a Yakuza estaria por trás da morte de Murai, uma vez que o assassino vivia num quarto alugado em um edifício da Yamaguchi-gumi, principal organização da temida máfia japonesa. A agência de notícias Kyodo informou que Asahara fora por muitos anos protegido de Kiyohide Nakata, conhecido líder da Yakuza.

Cenas do momento em que o ativista de extrema-direita Yuko Jo matava com três facadas, diante das câmeras, o vice-líder e chefe da Seção de Ciência e Tecnologia da Aum, Hideo Muraia capital japonesa.

Asahara, que atribuía a si faculdades paranormais como a premonição, a vidência e a levitação, controlava um verdadeiro império empresarial que incluía fábricas de computadores e de lamen (comida desidratada de preparação rápida) e procurava cultivar relações que lhe trouxessem vantagens. Encontros com Jetsun Jamphel Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso (1935-), o 14º Dalai Lama, Prêmio Nobel da Paz em 1989, eram exibidos em vídeos internos da seita, sugerindo uma ligação veementemente desmentida pelo líder religioso tibetano. Nas pregações dizia-se que quem não seguisse os ensinamentos de Asahara, ou seja, a quase totalidade da população mundial, iria morrer dentro em breve, por ocasião de uma terceira guerra mundial, prevista para 1997.

Shoko Asahara garantia que tinha a capacidade de levitar e ensinava a técnica a seus seguidores.
Shoko Asahara mantinha encontros pessoais com o líder tibetano Dalai Lama.

A linha apocalíptica da seita, que previa holocaustos e o início da Terceira Guerra Mundial para 1997, garantia aos seguidores sobrevivência às tragédias que estariam por vir. Nas pregações costumava-se afirmar que quem não seguisse os ensinamentos de Asahara iria morrer dentro em breve, ou seja, a quase totalidade da população mundial, que não seguia a Aum, não sobreviveria à catástrofe.

A libertação, em 29 de dezembro de 1999, de Fumihiro Joyu, considerado o número 2 da seita Aum Shinrikyo, após este ter cumprido uma pena de três anos, e a ocorrência de três incidentes em trens e locais públicos, criaram um clima de paranoia no Japão no final daquele ano. Na sexta-feira, dia 24, uma bomba pequena explodiu dentro de uma cesta de lixo. No domingo, dia 26, três assentos de um trem que serve ao Aeroporto de Narita, na província de Chiba, foram queimados. E na segunda-feira, dia 27, um explosivo foi detonado dentro de um guarda-volumes da Estação de Urawa, ao norte de Tóquio. Guarda-volumes acionados por moedas em estações ferroviárias foram fechados. Alto-falantes em estações de metrô recomendavam cuidado aos usuários ao passarem por latas de lixo.

Diversos prédios pertencentes a seita Aum Shinrikyo.

As autoridades japonesas temiam atentados por parte de alguma das 220 mil seitas espalhadas pelo país. Uma delas era a Ho No Hana Sampogyo (Flor da Lei e Terceira Prática Legal), fundada por Hogen Fukunaga, que teria chantageado seus seguidores dizendo que eles morreriam de câncer caso não seguissem os seus conselhos. Além disso, Fukunaga cobrava para fazer “diagnósticos” da saúde de seus fiéis, examinando apenas a sola dos pés de quem se dispusesse a isso. Mais de mil ex-seguidores processaram a seita por fraude.

Sempre que pretensos “escolhidos” proclamam guerra contra o mundo, a tragédia é iminente. Em 1978, Jim Jones levou mais de setecentos seguidores ao suicídio coletivo em Jonestown, Guianas. Em outubro de 1994, Luc Jouret, líder da seita Ordem do Templo Solar, levou quarenta e oito fiéis à morte, na cidade de Genebra, Suíça. O cerco policial de 51 dias ao grupo de seguidores da seita Ramo Davidiano em Waco, Texas, sudoeste dos EUA, terminou no dia 19 de abril de 1993 com um incêndio que destruiu o Racho do Apocalipse, sede do culto liderado por Vernon Howell, que se auto-intitulava a reencarnação de Cristo. Oitenta e cinco pessoas, entre as quais vinte e cinco crianças – dezessete com menos de 10 anos de idade -, morreram no tiroteio. O FBI afirma que houve suicídio coletivo, versão essa contestada por grupos radicais antigovernistas de extrema direita. Um desses grupos, chamado de “A Milícia de Michigan”, provocou, a título de vingança, justamente pela ação desastrada do FBI no rancho do Apocalipse, o pior atentado terrorista da história dos Estados Unidos, só superado pelo 11 de Setembro em 2001. Em 19 de abril – menos de 1 mês depois do atentado a gás no metrô de Tóquio – cento e sessenta e oito pessoas morreram e trezentas e cinquenta ficaram feridas com a explosão de um carro-bomba defronte a um prédio de escritórios do governo federal norte-americano no centro de Oklahoma City, região centro-sul ocidental.

À la Edir Macedo: Shoko Asahara refestelando-se com a dinheirama doada pelos iludidos seguidores.

O julgamento do “messias” Shoko Asahara começou em 24 de abril de 1996. Ele se recusou a declarar-se culpado ou inocente, permanecendo impassível ao ouvir as acusações de assassinato, sequestro e produção ilegal de drogas. Somente em setembro de 2006 é que seu julgamento foi concluído e ele acabou condenado à pena de morte. Depois disso ele poderia ser executado a qualquer momento, pois os condenados à morte no Japão não são avisados da data de sua execução. Junto com seis outros membros da seita, Asahara foi executado por enforcamento somente em 6 de julho de 2018, mas da mesma forma que várias figuras exponenciais como Saddam Hussein (1937-2006) e Osama bin Laden (1957-2011), que tal como ele desempenharam papéis-chave de agentes do caos e da destruição, jamais teve o corpo mostrado ao público, assim é que muitos duvidam que esse enforcamento de fato aconteceu.

Megalomania idolátrica: uma estátua de Shoko Asahara revestida de folhas de ouro estava sendo construída em um dos templos da seita.

O caso da seita Aum abalou a imagem que o Japão tinha como o do “país mais seguro do mundo”. Afinal, como as autoridades puderam ser tão coniventes a ponto de permitirem que a seita produzisse e estocasse gases venenosos e armas bacteriológicas suficientes para exterminar milhões de pessoas? O que a elite da sociedade japonesa como engenheiros, médicos e técnicos altamente especializados, muitos deles recém saídos das melhores universidades, estariam fazendo na seita?

Yukio Mishima preste a cometer seppuku dentro do quartel das Forças Armas de Tóquio.

As respostas a tais perguntas escondem-se nas peculiaridades culturais inerentes a uma complexa sociedade, pouco conhecida de um Ocidente que se acostumou apenas a consumir seus produtos eletrônicos sofisticados. A modernidade japonesa, nascida do impacto de duas bombas atômicas e contestada por gestos extremados como o do mais ocidentalizado e ao mesmo tempo mais japonês dos escritores nipônicos contemporâneos, Yukio Mishima (nascido em 1925), que numa manhã de novembro de 1970 cometeu seppuku (suicídio ritual samurai) dentro do quartel das Forças Armas de Tóquio em protesto ao abandono de antigos códigos de honra e tradições, é o retrato maior da contradição.

Os milhares de brasileiros que vão trabalhar no Japão, os chamados decasséguis, vivem e testemunham uma realidade obliterada pelo deslumbramento tecnológico. Pouco se fala na xenofobia, na intolerância e nos preconceitos vigentes, sem contar as péssimas condições de trabalho, os maus-tratos dos chefes e a violência da máfia. A imprensa funciona sob o crivo constante da censura do Estado, ocultando crimes e desmandos. A Yakuza controla uma vasta rede de setores políticos, comerciais e industriais, incluindo o tráfico de drogas, o contrabando de bebidas, os jogos e a prostituição. O jornalista Marco Lacerda traçou uma imagem bastante próxima dessa realidade num livro que ele acertadamente chamou de Favela High-Tech.

Seria exagero chamar de totalitária a sociedade japonesa. Não estaríamos incorrendo em erro, entretanto, se disséssemos que ela se aproxima um pouco disso. Basta verificar o sentimento exageradamente coletivista dos trabalhadores que sacrificam suas vidas ao devotarem-se integralmente às empresas. Igualmente alarmantes são os altos índices de suicídio verificados entre as crianças e os jovens, vítimas da repressão e da falta de perspectivas impostas por um sistema por demais rígido.

A edição de 2 de abril de 1995 do jornal Tudo Bem – que circulava entre os descendentes que trabalham nesse país -, trouxe um editorial intitulado “Aum é o espelho do Japão”, contendo explanações que merecem nossa reflexão: “Na verdade, o Japão não seria um imenso Shinrikyo do lucro empresarial? Nesse país que  absorve e utiliza tudo e todos em nome da conveniência, a  única verdade absoluta dessa sociedade não seria a religião do lucro das empresas, que funcionam como verdadeiros feudos, para os quais os seus funcionários abandonam a família, o bom senso e dedicam a sua vida inteira aos profetas da Mitsubishi, Toyota ou Matsushita? E por que a polícia japonesa ataca com tanta virulência os adeptos dessa religião, que em sua maioria são vítimas dos seus líderes, assim como a quase totalidade da sociedade japonesa é vítima dos seus líderes sem escrúpulos, mas que à  primeira vista agem como se fossem santos incorruptíveis? Por que tratar os adeptos da Aum como se fossem judeus na Alemanha de Hitler, numa verdadeira caça às bruxas em que são presos cidadãos andando em bicicletas cujos donos não podem ser identificados? Talvez seja porque o extremismo, a radicalidade da Aum Shinrikyo, seja um espelho cruel demais da sociedade japonesa, para ser vista e compreendida pela sua população”.

Capas de revistas japonesas logo após o atentado:

Este artigo foi publicado originalmente sob o título de “O Guru do Fim do Mundo” na revista Incrível, Rio de Janeiro, Ed. Bloch, nº 45, ano 4, julho de 1996.

Este artigo também foi publicado sob o título de “Seita japonesa planejou o fim do mundo” na revista Fatos & Mistérios, Curitiba (PR), nº 1, ano 1, novembro de 1997.

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