A LISTA DE MENDES

Texto de Cláudio Suenaga
Publicado em Aventuras-na-História nº 6, “2ª Guerra” / 2005, p.37

ARISTIDES DE SOUSA MENDES (1885-1954) – Diplomata, o “Schindler Português”

Em 1940, na França ocupada pelas tropas nazistas, multidões de refugiados afluem para a cidade de Bordéus, sudoeste do país. Tinham a esperança de chegar à fronteira, atravessar a Espanha, entrar em Portugal e dali embarcar para a América. A Espanha do ditador Francisco Franco era descaradamente pró-nazi. Em Portugal, o também ditador Antônio Salazar se mantinha igualmente alinhado corri Hitler. Foi em meio a esse quadro de desespero que o cônsul-geral português em Bordéus, Aristides Sousa Mendes, se pôs a emitir vistos de entrada em Portugal a qualquer um que necessitasse, convertendo sua própria casa em abrigo para refugiados.

Originário de uma família aristocrática, Aristides Sousa Mendes do Amaral e Abranches nasceu em 19 de julho de 1885, em Cabanas de Viriato. Foi cônsul na Guiana Francesa, no Brasil, nos Estados Unidos, na Espanha, na Bélgica e, desde 1938, em Bordéus. Mendes era partidário da ditadura salazarista. Mas, em 16 de junho de 1940, ao sair do consulado se viu cercado pela multidão de refugiados. Diante do impasse entre salvar milhares de vidas humanas e cumprir a ordem de Salazar, que não permitiria a entrada de refugiados do nazismo, Sousa Mendes afirmou: “Não vou ficar impassível à matança de inocentes”. Durante três dias, Arístides de Sousa Mendes, com a ajuda da mulher, Angelina, e do filho, Pedro Nuno, atendeu a milhares de pessoas em busca do almejado visto. Muitos foram assinados em plena rua. Entre judeus e perseguidos políticos, calcula-se que Mendes tenha salvado em torno de 30 mil pessoas.

Em 24 de junho de 1940, Salazar o acusou de “concessão abusiva de vistos de estrangeiros” e ordenou que fosse imediatamente a Lisboa. Em Portugal, Mendes viu sua carreira de 30 anos de diplomata acabar de forma drástica.

No dia 3 de abril de 1954, aos 69 anos, Sousa Mendes morreu pobre. Em 1958, Joana, uma de suas filhas, escreveu ao primeiro-ministro de Israel, David Ben-Gurion, falando de seu pai. Hoje, na floresta dos Mártires, em Jerusalém, o bosque conta com 30 mil árvores, simbolizando cada uma das vidas que Mendes salvou.

Placa que assinala a árvore de Aristides de Sousa Mendes na Floresta dos Justos

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