50 Tons de Greys, o novo livro de Suenaga sobre casos de abduções com relações sexuais

O novo livro do historiador e ufólogo Cláudio Suenaga resgata e analisa os principais casos de contatos “íntimos” imediatos ou relações sexuais com ufonautas, desde o primeiro do gênero, e que foi também o primeiro caso de abdução da Era Moderna dos Discos Voadores, o famoso e controvertido caso de Antonio Villas Boas.

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Onze anos depois do lançamento de meu primeiro livro, Contatados, finalmente meu segundo livro, 50 Tons de Greys, desta vez centrado no tema das abduções com relações sexuais, está sendo publicado pela mesma editora, a Biblioteca UFO, com prefácio de Yvone Smith, umas das mais atuantes pesquisadoras de abduções dos Estados Unidos, e capa de Rafael Amorim.

O novo livro começou a nascer há 16 anos quando, no decorrer de 2002, logrei localizar e entrevistar pessoalmente vários parentes e amigos de Antonio Villas Boas, o lavrador mineiro que na madrugada de 16 de outubro de 1957 foi capturado por ETs no momento em que arava a terra com o trator em sua fazenda em São Francisco de Sales, Minas Gerais, e levado a uma nave onde foi forçado a manter relações sexuais com uma estranha mulher. Entre muitas outras informações, pude apurar que ao contrário do que até então se propalava, essa mulher não era propriamente uma beldade, longe disso, e sim bastante feia e até repulsiva, conforme retificaram todos os familiares de Antonio: as maçãs de seu rosto eram muito sobressalentes, os olhos grandes e excessivamente puxados e o queixo bastante pontudo.

A mulher que manteve intercurso sexual com Antonio Villas Boas foi invariavelmente retratada como uma beldade, graças em grande parte à concepção artística dos franceses Jacques Lob e Robert Gigi (ver a quadrinização completa que fizeram mais abaixo). A descrição fiel de Antonio, no entanto, difere muito dessa característica, conforme vemos no retrato falado à direita.

O título, 50 Tons de Greys, é, obviamente, um trocadilho atrevido que fiz com o célebre 50 Tons de Cinza, romance erótico da autora inglesa Erika Leonard James, publicado em 2011 e que se tornou best-seller e filme hollywoodiano. Não sei se tentarão bloquear o uso do título sob a alegação de que se trata de um já existente, mas o fato é que eu possuo os direitos por esse título, conforme registro aceito pela Biblioteca Nacional em 31 de julho de 2014 sob o nº 648.189, livro 1.247, folha 36. Veja o documento abaixo:

A editora que é a mesma que publica a revista UFO, optou pelo título mais sóbrio e conciso de 50 Tons de Greys: Casos de abduções alienígenas com relações sexuais, quando havia proposto outros dois: Abduções com Relações Sexuais: Experiências genéticas, rituais de fertilidade ou cultos satânicos? e Abduções em Tons de Greys: Abusos e violações sexuais por ETs a bordo (ou não) de discos voadores.

Mas por que resolvi lançar um livro tão picante e erótico, beirando o pornográfico, qual seja, sobre coitos e conúbios a bordo ou não de discos voadores com seres que não são deste planeta ou deste plano dimensional?

Retrato inédito de Hilda Hilst, feito por Fernando Lemos, em 1954, que ficou 60 anos guardado e foi gentilmente cedido à reportagem da revista “Brasileiros” pelo fotógrafo português, amigo da escritora. Fonte: http://www.paginab.com.br/cultura/hilda-hilst-uma-feminista-nata-nos-anos-50/
Hilda Hilst com os cães que adotara em seu sítio “A Casa do Sol”, em Campinas (SP).

Vinha alimentando essa ideia desde que a genial escritora Hilda Hilst (1930-2004), a quem dediquei um capítulo em meu livro anterior Contatados, pois ela foi uma contatada, inconformada com a pífia vendagem de seus livros e em protesto contra as distorções do mercado editorial, tomou a decisão radical em 1990 de escrever livros erótico-pornográficos depois de ler nos jornais que a francesa Régine Deforges faturara mais de US$ 10 milhões com o açucarado A Bicicleta Azul (La Bicyclette Bleue), de 1981. Ela não teve dúvida: “Como é que eu, com uma cabeça esplendorosa, não consigo nem me sustentar?” Sim, Hilda vivia endividada e não tinha dinheiro nem para comprar ração para os mais de 100 cães abandonados que acolhera em seu sítio, tampouco para seus uísques.

Hilda Hilst posa em 24 de janeiro de 1958 para as lentes de Fernando Lemos, em estúdio que ficava na rua Canuto do Val, em Santa Cecília. Foto: UH/Folhapress. Fonte: http://www.paginab.com.br/cultura/hilda-hilst-uma-feminista-nata-nos-anos-50/

E escreveu O Caderno Rosa de Lori Lamby, um livro absolutamente pornográfico, feito assumidamente para ganhar dinheiro, de modo que “todo mundo compreendesse, colocando a problemática do sexo de maneira nova, chula”. Mas nem se esforçando para ser ruim, Hilda conseguiu deixar de compor uma pequena obra-prima ao relatar com humor o imaginário de uma menina Lolita de 8 anos, lasciva e sem pudores, que se corresponde com homens bem mais velhos que a favorecem sexual e materialmente. O depravado livro honra as mais nobres tradições da literatura erótica, na linha de autores como Marquês de Sade [Donatien Alphonse François de Sade (1740-1814)], Bocage [Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)], Pierre Louÿs (1870-1925) e Henry Valentine Miller (1891-1980).

Taí o motivo de eu ter partido desavergonhadamente para a linha erótico-pornô na ufologia, já que meu livro anterior Contatados teve uma vendagem pífia e só me trouxe aborrecimentos e tristezas, entre elas a de não conseguir publicar até hoje meus outros dez livros que permanecem engavetados. Se só consegui publicar agora, mais de dez anos depois, o meu segundo livro, e um livro pornô, embora na linha científica, acho que tive toda a razão em ter apelado tanto.

Bira Câmara e Cláudio Suenaga.

Meu amigo, o publicitário, artista plástico, designer gráfico, pesquisador de religiões, bibliófilo, editor e escritor Bira Câmara, autor do visual deste site, fez uma breve resenha de 50 Tons de Greys, que reproduzo abaixo:

Existe vida inteligente na ufologia brasileira? Mais uma vez o controvertido pesquisador Cláudio Suenaga demonstra que sim, com este novo livro de sua autoria. Nesta obra instigante, Suenaga faz uma releitura de alguns casos clássicos de abdução e levanta novas hipóteses que podem lançar luzes (ou mais sombras?) sobre eles. Através de exaustiva pesquisa, estabelece uma relação entre a presença de divindades e criaturas sobrenaturais que sequestram e seduzem seres humanos para manter intercursos sexuais com eles e os chamados “ufonautas” modernos. E levanta a tese de que estes encontros, ao contrário do que muitos pensam, são uma constante ao longo da história. A religião, a mitologia e o folclore de todos os povos em todas as épocas são abundantes de relatos do fenômeno, que não só nunca deixou de ocorrer como continua a se repetir nos dias atuais.

Arte de Bira Câmara sobre “O Pesadelo” (“The Nightmare”), pintura a óleo do pintor anglo-suíço Johann Heinrich Füssli (1741-1825) datada de 1781.

Mas não espere o leitor encontrar nele afirmações sectárias ou dogmáticas, nem a adesão fanática a esta nova religião denominada ufologia, que atrai tantos embusteiros e aproveitadores da boa fé pública, assim como almas ingênuas sempre ávidas por revelações fantásticas e delirantes. O universo da pesquisa ufológica comporta uma vasta galeria de tipos nem sempre interessados na busca da verdade, mas apenas na construção de mitos (para não dizer mentiras) que possam seduzir adeptos e render a eles dividendos, seja através da venda de livros sensacionalistas, ganhando dinheiro através de palestras e conferências, ou ainda aparecendo em programas de televisão, rádio e até em documentários. Neste universo, Suenaga é uma avis rara, pois sempre colocou a busca da verdade acima de tudo em suas pesquisas ufológicas.

Esta honestidade intelectual já lhe rendeu muitos aborrecimentos e a hostilidade de parte da comunidade ufológica. Pesquisador arguto e minucioso, Cláudio mergulha fundo na investigação dos casos que se propõe a examinar. Dotado de acurado senso crítico, uma qualidade que parece ausente na maioria dos ufólogos, tem a seu favor também uma vasta bagagem de conhecimento, como atesta a bibliografia de que lança mão em todos os seus trabalhos. Como historiador, sempre que possível, vai atrás das “fontes primárias”, entrevista testemunhas oculares in loco e, sempre que possível, o protagonista principal do evento investigado. Não se esperaria coisa diferente de um historiador sério e honesto, e por isso muitas vezes suas conclusões podem desagradar os espíritos crédulos.

Outra qualidade do autor é a clareza na exposição das histórias relatadas, sem omitir detalhes que possam nos dar uma visão diferente daquela que os ufólogos fanáticos tentam nos vender. Só para citar um exemplo, a respeito do rumoroso Caso Villas Boas, Suenaga faz a seguinte indagação: “…quantas outras histórias tão fantásticas – e verídicas – estarão ainda ocultas e esquecidas por trás da cortina de silêncio que foi estendida por vários interesses de diferentes ordens sobre o enigma dos OVNIs?”

Sem dúvida, trata-se de um livro indicado para todos os aficionados pela temática ufológica e até mesmo para os céticos.

Extras

Em dezembro de 2007, em sua edição 137, a revista UFO publicou uma extensa matéria de minha autoria sobre o Caso Villas Boas, o qual ampliei com muito mais detalhes e revelações neste meu novo livro, em que abordo vários outros casos de relações sexuais tanto por parte de homens e mulheres com seres de outros planos ou dimensões, entre eles os de Eugene Browne, Onilson Patero, José Inácio Álvaro, Jocelino de Mattos, Antonio Carlos Ferreira, Elias Seixas, Antonio Nelson Tasca, Elizabeth Klarer, Cynthia Appleton, Marlene Trevers e Shane Kurz. Para quem ainda não teve a oportunidade de ler a matéria, segue ela abaixo na íntegra. E fica o convite para que todos leiam o meu novo livro, que transborda sexo, terror e mistério.

Matéria de minha autoria e de Pablo Villarrubia Mauso sobre o Caso Villas Boas publicada na edição 133 da revista espanhola Enigmas, em dezembro de 2006:

A concepção artística em forma de história em quadrinhos do Caso Villas Boas pelos franceses Jacques Lob & Robert Gigi, in Dossier soucoupes volantes: Semence pour les étoiles, Pilote n° 678, 2 novembre 1972, p. 101-107. Embora essa concepção expresse muito bem o caso, tanto que é tida por fiel e definitiva por muitos ufólogos, comete o equívoco de retratar a mulher como uma beldade, uma quase deusa, uma autêntica Vênus de outro planeta, quando na verdade Antonio Villas Boas descrevera-a como sendo um tanto repulsiva.